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@wiresattached
Minha mente não consegue parar de pensar em uma forma de atravessar todo o meu orgulho e te dizer que ainda é você. Que sempre foi, e se você quiser será sempre.
@madeinvila
“Adeus, meu amor, logo nos desconheceremos. Mudaremos os cabelos, amansaremos as feições, apagarei seus gostos e suas músicas. Vamos envelhecer pelas mãos. Não andarei segurando os bolsos de trás de suas calças. Tropeçarei sozinho em meus suspiros, procurando me equilibrar perto das paredes. Esquecerei suas taras, suas vontades, os segredos de família. Riscarei o nosso trajeto do mapa. Farei amizade com seus inimigos. Sua bolsa não se derramará sobre a cadeira. Não poderei me gabar da rapidez em abrir seu sutiã. Vou tirar a barba, falar mais baixo, fazer sinal da cruz ao passar por igrejas e cemitérios. Passarei em branco pelos aniversários de meus pais, já que sempre me avisava. O mar cobrirá o desenho das quadras no inverno. As pombas sentirão mais fome nas praças. Perderei a seqüência de sua manhã - você colocava os brincos por último. Meus dias serão mais curtos sem seus ouvidos. Não acharei minha esperança nas gavetas das meias. Seus dentes estarão mais colados, mais trincados, menos soltos pela língua. Ficarei com raiva de seu conformismo. Perderei o tempo de sua risada. A dor será uma amizade fiel e estranha. Não perceberei seus quilos a mais, seus quilos a menos, sua vontade de nadar na cama ao se espreguiçar. Vou cumprimentá-la com as sobrancelhas e não terei apetite para dizer coisa alguma. Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-la com a dúvida. Adeus, meu amor, a vida não nos pretende eternos. Haverá a sensação de residir numa cidade extinta, de cuidar dos escombros para levantar a nova casa. Adeus, meu amor. Não faremos mais briga em supermercado, nem festa ao comprar um livro. Não puxaremos assunto com os garçons. Não receberemos elogios de estranhos sobre nossas afinidades. Não tocaremos os pés de madrugada. Não tocaremos os braços nos filmes. Não trocaremos de lado ao acordar. Não dividiremos o jornal em cadernos. Não olharemos as vitrines em busca de presentes. O celular permanecerá desligado. Nunca descobriremos ao certo o que nos impediu, quem desistiu primeiro, quem não teve paciência de compreender. Só os ossos têm paciência, meu amor, não a carne, com ânsias de se completar. Não encontrará vestígios de minha passagem no futuro. Abandonará de repente meu telefone. Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outros homens. Terá insônia com outros homens. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.”
— Fabrício Carpinejar
encontrar conforto no caos.
a gente não foi feito pra dar certo. era isso que eu pensava toda vez que ficava feliz demais por estar contigo. eu sempre tive medo do carma que eu achava que perseguia minha família quando se tratava de amor e deixei isso me afetar. em agosto do ano passado eu não queria ser exclusivamente sua. eu queria aproveitar o momento, mas sem deixar de conhecer outros caras e sair com eles. eu me diverti saindo de madrugada da sua casa sem que sua família soubesse que eu passei por ali. me diverti chegando na universidade cansada pela noite que tivemos e quando dava de cara com você nos corredores, fingindo que eramos meros conhecidos, pra ninguém desconfiar. em setembro, eu me diverti comendo lasanha com coca zero com você na sala da minha casa, enquanto minha cachorra implorava sua atenção e eu fingia ter ciúmes dela. me diverti escolhendo filmes de ação que eu nunca me interessaria pra assistir, mas que acabei cedendo só pra te agradar. me diverti com nossas conversas no meio da noite, com sua posição ao dormir e com seu costume de pegar na minha cintura discretamente sempre que queria mais as três da manhã. em outubro, eu me aborreci porque descobri que você ainda conversava com sua ex e foi à uma festa em que ela estava. tentei descontar te contando que beijei quatro caras numa festa da faculdade, mas me aborreci por você não dar a minima e ser bem claro sobre nossa (não) relação. me aborreci porque eu queria te ver todas as noites, mas você precisava dormir cedo por que ia estagiar no dia seguinte. me diverti pouco nesse mês. e senti alguma coisa mudar em mim. eu só não sabia o que era. em novembro eu entendi. entendi e não quis aceitar, mas minha personalidade já não conseguia fingir um sentimento tão forte e eu acabei cedendo, te contando sobre tudo o que eu queria pra nós dois. cedi minha vida, meus sentimentos, meus desejos, minhas metas e meus medos. mas você não soube lidar com meu excesso. em dezembro eu chorei de saudades. passamos muito tempo sem nem nos esbarrar na faculdade e quando eu te questionava sobre o que - já não - eramos, você dizia que estava sem tempo pra falar disso. ignorei meus amigos, ignorei os avisos e ativei o pensamento de que tudo aquilo era carma. passei a acreditar que meu destino já estava escrito e que ele dizia que eu ia morrer sozinha. sem amor, sem companhia. o ano acabou e eu achei que meu sentimento não ia demorar a acabar também. você sumiu de verdade. me afastou, me bloqueou, me desconectou da sua vida. em janeiro passei a acreditar que tudo o que vivemos foi bom pra você também. e que talvez a gente se encontrasse de novo mais pra frente e dessemos continuidade de onde paramos. mas me enganei. você seguiu a vida mais rápido do que consegui imaginar. e me destruiu mais uma vez. em fevereiro, eu não tinha mais vontade de conhecer ninguém. as pessoas que eu mantinha contato não eram suficientes pra mim. eu me desprendi do que eu achei que era e me senti perdida. me fragmentei por você e não soube juntar os pedaços. o tempo passou e sua ausência ainda dói. mais fraca, é claro, mas ainda sinto. eu sei que se eu o tivesse de volta, você não preencheria o buraco que deixou. ontem lembrei de você numa conversa com algumas amigas e antes de dormir, sentada na varanda olhando pro céu, eu desejei, pela primeira vez, que meus sentimentos fossem levados embora. hoje eu acordei entendendo um pouco mais de mim e acreditando que a vida não é escrita pelo destino. não sei ao certo se carmas existem, mas eu não quero mais deixar essa história me consumir por dentro. hoje quem vai escrever o futuro sou eu. mesmo que eu não saiba muito bem as palavras que precisarei usar. só preciso de um pouco de... tempo.
eu não sei te explicar sobre tudo o que sinto. não é confusão, é dúvida. eu não sei se é de verdade, se é passageiro ou se vale a pena. você nem vem mais me ver depois que fizemos amor. você não me conta mais sobre sua vida. não permite mais que eu ria das tuas piadas. você disse que não ia, mas foi. e era disso que eu tinha medo. se eu me entregasse, você ia embora. eu disse, e você foi. por medo? por medo. é o que eu acho. você ficou com medo da forma como nos olhamos, da forma como nos conectamos. você sorriu, mordeu os lábios, fechou os olhos por uns segundos e quando os abriu, não conseguiu mais parar de me olhar. meus olhos não saíram dos teus e meus dedos não desgrudaram do teu corpo. foi o suficiente. não teve fogo, mas a gente ardeu, queimou. alguma coisa inflamou. e eu sei o que foi. e eu sei que você quer entender sobre tudo o que eu sinto só pra saber tudo o que você sente. mas eu não sei falar com o passado. e é isso que você é. só lembrança, imaginação.
não fuja de si.
vem cá, eu preciso te explicar a imensidão que tu já causou aqui dentro.