Conforme caminhavam pelos corredores desertos, ignorava a maior parte dos comentários do melhor amigo, murmurando uma música que estava presa em sua cabeça. O convencera a segui-lo não só porque apreciava a companhia, mas porquê precisava de sua ajuda. Mentira que procurariam mais localizações para o mapa mas o verdadeiro propósito era mais arriscado: estava a fim de roubar algumas coisinhas do armário de Filch. O homem estava sempre a confiscar objetos dos alunos, a maioria produtos destinados à pegadinhas tolas e outras bebidas clandestinas dos alunos mais novos — e ambas eram exatamente o quê Sirius queria. Porém duvidada que teria conseguido o tirar da cama se não amenizasse o nível de “perigo”. O encarou por cima do ombro, sorrindo de canto. “Nem imagino o quê queira dizer com isso.” Era verdade que detinha uma vida noturna mais agitada que a de seus amigos, mas seu conhecimento do castelo era, em grande parte, fruto de quando explorava com eles uma vez que se recusava a compartilhar os segredos que haviam descoberto. Somente usufruía do mapa e passagens secretas quando estava com os amigos ou sozinho. Suas paixões passageiras não precisavam desse conhecimento.
Revirou os olhos. “Peter, você nunca cansa de reclamar, paixão?” O encarou por cima do ombro, menos amigavelmente, quando as figuras começaram a reagir às palavras do menino. Talvez alguns desses soubesse dos segredos que carregavam, afinal, literalmente, possuíam olhos por todo o castelo; mas não era como se quisesse sair anunciando. A Mulher Gorda adorava fofocar com qualquer um que a desse chance, se algum desses fosse o mesmo e resolvesse espalhar sobre a capa de James, certamente teriam problemas. “Noite.” Cumprimentou o quadro ao seu lado, fazendo uma breve reverência e recebendo uma risadinha da mocinha retratada nele. Não reservada seus charmes apenas para seres vivos, tendo aprendido do jeito difícil que era bom estar nas graças dos fantasmas e quadros daquela escola, afinal, eles podiam ser seus maiores aliados ou piores inimigos numa escapadinha noturna.
Parou abruptamente, virando-se para observar o nome a se mover pelo mapa. “Não vai dar tempo.” Balançou a cabeça, o professor estava próximo demais. “Só faça o que eu faço, okay?” Caso fosse qualquer outro ali, Sirius não arriscaria sua sorte. Contudo, se havia um professor que podia argumentar ser o queridinho de, era Kettleburn (e sabia que Minerva o amava lá no fundo). Entrara na lista de favores do homem há muitos anos e, juntamente de Hagrid, possuíam sua própria versão distorcida do Clube do Slugh — que consistia em Sirius se sentar num canto da cabana do gigante enquanto os dois adultos bebiam e o professor recordava suas explorações. Murmurou apressadamente um malfeito feito, escurecendo o mapa antes de virar-se e dar de cara com o homem. “Professor, que SORTE encontrá-lo aqui.” Sorriu seu mais amigável e charmoso sorriso. “Você também está atrás do Niffler?” Perguntou, mal dando tempo de Kettleburn dizer alguma coisa; o homem amava nifflers, era certo de capturar seu interesse e o distrair o suficiente para que os deixassem ir, enquanto buscava sozinho por um ladrão inexistente. Franziu o cenho, botando sua melhor expressão de preocupação e ingenuidade. “Ele acabou de roubar dois galeões de Peter, o menino está quase chorando. A mãe dele vai matá-lo se descobrir.” Deu uma cotovelada no amigo, esperando que pusesse sua melhor performance. “Sei que devíamos estar na cama, mas tivemos que vir e procurar. O senhor não o teria visto por aí, não é?”
Sorriso duvidoso, frases curtas e olhares atentos até demais. Peter conhecia aquilo tão bem quanto seus calafrios, e gostaria de estar errado, mas tinha a ligeira impressão que aquela noite tinha sido uma total besteira. Estava sendo enganado e não pela primeira vez se fosse ser honesto, mas não sabia o que de tão magnético os amigos tinham para fazê-lo se desafiar continuamente. Colocou as mãos no bolso, curvando os ombros como de costume. Seus dentes pressionaram o lábio inferior enquanto os olhos se limitavam a tentar capturar o que era de mais conveniente naquele corredor: possíveis saídas. “Os opostos se atraem não é? Se eu e Remus fossemos como você e James, provavelmente já estaríamos presos, paixão” repetiu as palavras dele, rindo baixinho mesmo que não tivesse com tanto humor assim.
“E o que vamos fazer?” questionou um tanto aflito, mas também não teriam muito tempo para combinar, por isso apenas assentiu achando mais sábio se guiar pela lábia do Black. Era fato que tinham muitas detenções, mas provavelmente teriam muito mais se não fosse a amizade que sustentava o grupo. Quando o professor se aproximou exibiu um curto sorriso em cumprimento, por sorte Peter era muito bom na matéria de trato das criaturas mágicas. Pegou o mapa da mão de Sirius guardando em seu moletom velho, que atualmente era bem maior do que seu tronco por ter perdido alguns quilos com o crescimento. “Foi realmente uma sorte, ninguém melhor que você!” repetiu o mesmo que o amigo, mas sabia que bajular demais provavelmente levantaria suspeitas e por isso apenas se calou. As olheiras pela falta de sono e seu olhar naturalmente amedrontado, como diziam, viria muito a calhar naquele momento. “Eu ia usar para… comprar um uniforme novo na visita em hogsmeade.” apontou para as roupas que precisavam de barras e pelo menos dois manequins a menos. A padaria da Sra. Pettigrew não ia tão bem quanto há alguns anos, por isso conseguia ser honesto. Juntou as mãos na frente do corpo a tempo de ouvir o professor dizer que eles poderiam seguir, que ele próprio procuraria o Niffler. “Você vai nos ajudar muito se puder fazer isso e a gente volta pra cama, né Sirius? É o melhor a se fazer!” puxou o amigo pelo pulso dando uma meia volta, mas bastou andarem um pouco para sentir seu corpo ser direcionado a outro corredor. “Você não vai mesmo me deixar voltar ao dormitório, não é? E pode parar de mentir, não tá procurando passagem pro Remus coisa nenhuma! Não vou a lugar nenhum se não me contar” cruzou os braços erguendo a cabeça para o amigo, mas só se deu conta tarde demais que tinha acabado de fazer um acordo. “Droga, não foi isso que eu disse!” tentou mudar o foco, mas o sorriso maroto lhe dizia que provavelmente teriam uma noite e tanto a frente, Kettleburn tinha sido só o começo.