alistair, dannyl @ blessed are the peacekeepers (FLASHBACK)
Dannyl deixou-se ser contagiado pela risada de Alistair, ignorando os olhares atraídos para si. As coisas ali podiam se tornar tediosas demais, e era agradável que houvesse uma mudança tal como aquela uma vez ou outra. Sabia igualmente que no próximo treino o recruta provavelmente não teria ele como instrutor, e tinha o conhecimento de que quem quer que fosse o próximo a lidar com Alistair, não o trataria com o mesmo humor. Assim, escolhia fazer vista grossa à severidade naquele dia. Havia acordado de bom humor, afinal, e não queria degradar aquele estado de espírito por tão pouco. À essa altura duvidava que qualquer tratamento mais austero pudesse servir para endireitar o mais novo. Era em vão tentar.
O Templário esperou paciente enquanto Alistair tomava seu tempo. Lhe testava para medir a capacidade de tolerar a espera, sabia, mas Dannyl divertia-se com o esperar, tão somente para ver o que aquela mente tão astuta podia bolar para tentar pegá-lo. Onde ele oferecia uma maior flexibilidade de tratamento, Alistair lhe oferecia um real desafio. Dannyl podia saber um detalhe ou outro sobre o modo como escolhia treinar, mas nunca tinha total certeza do que viria a seguir. Para ele, aquilo era o que acrescentava um quê de interesse na situação toda.
Então Dannyl levantou a espada para sustentar seu golpe. E sem esperar muito Alistair veio investir outra vez; investida a qual o mais velho levou a espada com uma ligeira estranheza para evitar que caísse sobre o lugar desejado. Não dando ao outro nem mesmo um segundo para pensar, sua espada foi contra a outra, um golpe sem muitas pretensões, mas pesado o suficiente para exigir uma força maior de Alistair para revidar. Após esse golpe, Dannyl recuou apenas um momento para que então investisse outra vez e outra e outra, aço contra aço numa pura dança de espadas. E aqui ou ali, o Templário tentava desviar seus golpes para intentar pegar Alistair num lugar desprotegido, contudo o escudo lhe obstruía uma grande parte de áreas atingíveis. Sobretudo, Dannyl continuava investindo agora num confronto mais constante, fazendo tanto para atingir o outro quanto procurando mover-se rápido o suficiente para também não ser atingido.
Alistair teria feito mais esforço para chegar a tempo se soubesse como o treino seria. Havia esperado outro longo e cansativo dia, tendo que encarar o desgosto na face dos Templários que deviam o treinar. Fazer piadas com eles não era nem de perto tão divertido quando tudo que ganhava em resposta era um suspiro cansado e um novo golpe na tentativa de o calar.
Não era difícil imaginar que não fosse ter outro treino assim por algum tempo, se os olhares reprovadores que estavam ganhando era algum indicio. Não podia dizer que iria se arrepender, no entanto. Estava contente em aproveitar a rara oportunidade de realmente se divertir com alguma coisa ali.
Dannyl parecia analisar seus movimentos, não somente para antecipar o próximo golpe, mas realmente analisá-los, de uma maneira que Alistair não era observado há muito tempo, não desde que o deram como uma causa perdida. Não era algo com que ele se importava terrivelmente; não estava disposto a fingir pertencer ou até mesmo gostar dali, mas era bom—e um tanto preocupante—ver que alguém via algo mais nele. Só não iria ter esperado que esse alguém fosse Dannyl.
O empate começava a realmente parecer um duelo, com os golpes e movimentos rápidos de Dannyl, e Alistair que era obrigado a obedecer ao mesmo ritmo do outro se não quisesse ser atingido. O escudo o protegia de parte dos golpes que de outra maneira exigiriam mais esforços para serem defendidos, mas não podia depender muito dele. Já seus próprios golpes eram bloqueados com a espada.
O som de aço contra aço havia tomado o lugar antes preenchido por suas vozes, mas seus movimentos pareciam manter o mesmo tom das brincadeiras que faziam há pouco, se um tanto mais sérios, Alistair não queria perder afinal. Tomou a defensiva por algum tempo, se concentrando em se proteger dos golpes de Dannyl, até encontrar o momento certo de atacar. Buscando por pontos fracos na defensa do outro com sua lâmina, se manteve em movimento enquanto o fazia, não queria arriscar ser atingido agora que havia baixado sua guarda. Investiu rapidamente, tentando atingir as áreas desprotegidas na armadura de Dannyl, eram movimentos fáceis de serem defendidos mas esperava poder compensar com rapidez, e em último caso com o uso do escudo.













