“Não preciso disso, porque você não vai mais fazer isso… não é?” Deu uma olhada de soslaio a ele, depois de rir com a encenação alheia. Não havia nada que aumentasse seu bem estar do que ver Njord num clima leve, onde pode ser ele mesmo sem a rigidez usual ou o medo de desapontar Hans. Se esforçava para deixá-lo confortável em sua presença e ver os frutos era mais que revigorante, sempre sorrindo sem perceber. “É uma delícia, só não mais que você fazendo essa cara e com essa voz, I might have a bone now.” Brincou, revirando os olhos e suspirando, numa dramatização conjunta a dele de prazer. Não era uma inverdade — a visão o deixava mais atraente, sem dúvidas. Poucas coisas eram tão benquistas à Yasemin do que momentos como aquele com o ex, encantada demais com cada minúcia sua. “Ei, não me lembro de ter lhe convidado para o banho. Podemos falar disso outro dia, então. Amanhã, quando acordarmos cinco da manhã.” Sorriu ao proferir a brincadeira e fez uma careta após mencionar o despertador daquela ala, sucessivamente. Não era uma pessoa matinal, nem de longe, e acordar uma hora mais cedo do que acordaria era uma das maiores provas de amor já feitas no mundo. Observou bem o rosto de Njord, uma sobrancelha erguida, e desejou, outra vez, que ele se visse como ela o via. Suas imperfeições o tornavam mais bonito e interessante, e não havia mentido quando dissera que não mudaria nada nele. Nem mesmo a teimosia. Gostava de cada detalhe, e, mesmo que discutam frequentemente, nunca deixava de admirar a pessoa que Njord era: muito diferente do pai. Não havia espaço para dúvidas em seu cerne quanto a isso. “Estou falando sério. Quem não quer mechas gratuitas e automáticas? Além de lhe deixar um charme. I should know, escuto muito isso das meninas no bordel.” Falou com convicção, embora sorrisse, sugando o lábio ínfero dele por curtos segundos. Entendia a insegurança alheia, porém, especialmente quando se encontrava sem poções e a pele apresentava semelhanças com a de cobras. Soltou um som surpreso, ainda que jocosamente, ao ouvi-lo, franzindo o nariz quando sentiu o beijo, de bom grado. “Excuse me? Minhas roupas coloridas estão lhe atrapalhando? Você não se incomoda quando elas estão no chão do seu quarto…” Estalou a língua, como se o julgasse, acompanhado de um balançar de cabeça sutil. Não se importava em ter uma gaveta — sentia-se importante, decerto —, mas a diversão em provocar o Westergaard era maior. A resposta sobre o pai fê-la rir, de novo, e revirou os olhos pelo drama alheio. O pai tinha uma expressão rígida e poderia parecer bastante durão, mas bastava conversar com ele para saber que não passava de uma fachada. James Hook era um doce de homem, e o melhor ser humano que Yas conhecia. “Jamais, ele te adora.” Ironizou, lembrando-se da vez que o pai se sentira na obrigação de fornecer uma aula de educação sexual para que não engravidasse do primeiro namorado. A situação toda (desde ser pega no flagra nos amassos até o papo sobre métodos contraceptivos) foi constrangedora, mas, agora, se divertia com as recordações. Aproveitou a posição que estava, de costas para ele, para sorrir discretamente ao ouvir sua pergunta. Demorou alguns segundos para lhe responder, num mistério necessário apenas para deleite próprio, antes de assentir. “Bem, tive cinco anos para pensar. Eu já disse que sou sua, não faço questão de outros em minha cama. Ou minha vida.” Encolheu os ombros, balançando o quadril para que a peça caísse no chão e, com o pé, chutou para longe dos dois, sem muita delicadeza. O toque alheio em sua pele a pegou de surpresa, roubando-lhe um suspiro curto e abafado. “Estou aqui sendo romântica e você tentando me provocar?” Questionou, retoricamente, girando o calcanhar para ficar de frente para ele. Não se importava com a sensação de estar seminua (coberta apenas por uma calcinha) ali, mas os dígitos começaram a desabotoar os primeiros botões de suas casas, mantendo o contato visual. “Chamar para o quê, exatamente?” Inquiriu, umedecendo os lábios. Perdeu a paciência na metade da peça e, com a facilidade de alguém com o hábito de destruir as roupas alheias, forçou a abertura da roupa, deixando que alguns botões fossem comprometidos. Removeu a camisa do corpo dele, sem pressa, sem se importar com o atrito de peito com peito ao colar os corpos e tomar o rosto dele para si, a mão agarrando o maxilar e o polegar arranhando o pomo de Adão. “Tive que aguentar ver um monte de filhas da puta te secando a noite toda e nem podia dizer que tem dona.” O comentário veio num sussurro, possessividade brilhando em seu olhar. “Você é só meu, repete.” Ordenou, em tom autoritário, antes de ficar na ponta do pé para nivelar os rostos e desliza a língua na boca masculina. “Me conta o quanto você quer só a mim, mais ninguém. Tô morrendo de vontade de mostrar o quanto sou só sua, de todos os jeitos.” Roçou os lábios nos alheios, soltando um arfar proposital ali. “Mas acho que você está muito cansado, deixo para outro dia. Não vai aguentar…” Provocou, ameaçando se afastar.
Libertou um riso frágil, débil em veemência pelas narinas, mais uma vez, com o questiono da ex-namorada e a olhou, devagar. A afabilidade era quase tangível, fácil demais para quem há muito admirava os jeitinhos alheios. “Não vou.” prometeu, contrastando a última conversa cujo conteúdo só permitiu a Yas um comprometimento de tentativa ao pedido dela. Evitaria apartar-se dela, a partir de então. Odiava a distância e mais ainda forçá-la aos dois por sua imaturidade. Pela primeira vez na noite, — e em uma porção generosa de dias — Njord autorizou a saída de um riso genuíno, embora fosse baixinho, assistindo-a entrar e acompanhar a brincadeira. Jurava ter tido a impressão que jamais seria feliz minutos atrás, a mercê de uma influência deturpada de um baile bizarro, cheio de segregações estúpidas, e o pico da lua, para agora testemunhar a sensação cair inteira por terra tão somente, a energia, pouco a pouco, revigorando-se por seu cerne a medida em que o Westergaard fazia apenas existir ao lado dela. Nomear o que Yasemin significava para ele seria em vão — qualquer vocábulo seria insuficiente, inegavelmente — mas a loira ocupava espaço de única ressalva em cada partícula benfeitora de suas atitudes. Sempre havia ocupado. E embora fosse retraído, imperito por infelicidade no mérito para não reconhecer, de pronto, amor quando sentia cada minúcia de seu corpo vibrando dele, se esforçava para que a Hook soubesse que existia, e que era em razão dela. “Se importaria se me juntasse a você numa ducha, meu bem?” utilizou o termo pseudo exclusivo às provocações de cunho sexual com o elevar de suas sobrancelhas, as laterais da boca arqueadas em um sorriso pequeno, quase imperceptível, ao esperar pela resposta dela. O esboço dele, entretanto, acentuou o tamanho e Njord cedeu quando notificou a careta, reproduzindo-a consecutivamente ao remeter-se às manhãs em seu dormitório. “Capricho um café da manhã, na cama, para melhorar seu humor depois de acordarmos.” ofertou, o par de íris escaneando-a a medida em que ele proferia. Ia pouco a pouco conjurando porção de gentileza à ela cuja existência o próprio sulista havia visto e usado raras vezes em sua vida. Não o pertencia adjetivos delicados, não era comum a seus jeitos, e, ainda assim, via-se ir contra a natureza torpe com Yasemin. O mais surpreendente ali, porém, era que por mais inusual que lhe parecesse aquela logística inteira, não se sentia estranho por ela. Havia entendido, e não há muito tempo, que a dançarina era faísca que o apartava de uma personalidade muito parecida a de Hans. Não fosse pela ligação criada entre ambos durante a adolescência e estendida na vida adulta, estaria bem distante de quem era hoje; a influência alheia não falhara em abrandar seus cantos mais afiados, permeando seu espírito sem que Njord fosse capaz de discernir a intervenção. "Bom, eu não saberia. Não presto atenção nas meninas do bordel, apenas em uma." cerrou as pálpebras sobre os olhos pelo breve conjunto de segundos em que o chupão sucedia-se e ele sorria, selando os lábios logo após e selando de novo, devagar, em ambas as vezes, antes de beijar o inferior. A próxima reação e o uso das palavras alheias fê-lo rir novamente — fácil demais à Hook àquela altura, se fosse ser sincero — , inclinando suave a cabeça para trás a medida em que o fazia e devolvendo sua atenção a face bonita outra vez por entre o verbalizar dela. "Adoro suas roupas coloridas, Yasemin. No chão do meu quarto, na gaveta do meu closet, aos farrapos... como for, não sou de recusá-las." murmurou a fala, próximo suficiente do rosto feminino para se sentir confortável ao diminuir os decibéis, outra vez, com o rouco da voz. O revirar dos olhos e o pressionar dos lábios, em nuance jocoso, vieram em decorrência imediata à informação sobre James e um pseudo apreciar do pirata que Njord sabia bem não mais existir nesse plano. O término havia sido impossível de ruim, rompendo não apenas o laço entre os dois, mas também o que tinha com a família da ex-namorada, incluindo o patriarca Hook. Sentia falta. A companhia do vilão era mais bem-quista por ele que o Westergaard poderia admitir, ou arriscaria, por medo de retaliação do seu patriarca. Não tivesse tido a chance de integrar a dinâmica da casa dos Hook e experimentado uma paternidade saudável, o escandinavo pensaria quão utópico era o hype envolta do homem e a criação mais que exímia dele. As írises claras seguiam devagar a movimentação alheia, primeiro no descartar do vestido e, então, no desfazer dos botões de sua camisa; as fibras de seu corpo mantiveram-se inertes, em expectativa, durante o processo, e Njord transferiu sua atenção dos dígitos aos olhos dela, os seus apropriando-se da cintura em um aperto sutil após auxiliá-la a remover o resto da camisa, cujo uso havia acabado de se tornar impossível. "Gosto de ter sua posse." intrínseca à entonação havia nuance de possessividade que o sulista fez nenhuma questão de corrigir, descendo as mãos moroso para a outra lombar ao juntar mais os corpos, e deslizando-as para dentro da lingerie quando alcançou a bunda, movendo as mãos de volta para a cintura em um estalo suave do tecido da calcinha a medida em que fitava-a, ínfimos centímetros entre as duas faces. "Te disse que queria ficar só com você," elevou a destra, usando as costas dos dígitos para afastar os fios loiros dela para atrás de seu ombro, olhando os próprios movimentos. "que queria sua exclusividade. Romântico suficiente, amor? Se não tivesse me chamado para comer você, poderia ter sido mais." fez inexistir pudor na última pronúncia, aproveitando a impressão gostosa dos peitos dela contra seu peitoral e o maxilar preso entre as unhas dela; adorava a violência compartilhada, atada ao sexo dos dois, e por isso, as esquinas da boca delinearam um sorriso presunçoso, miúdo, com o lábio inferior capturado suave entre os dentes ouvindo-a verbalizar a possessividade. Soava sexy para caralho nela. "Próxima vez deixa a coleira mais curta, e eu deixo mais claro para quem se interessar que sou só seu." orientou a confissão à ela, o timbre da voz diminuto enquanto cedia à submissão e acentuava o aperto ao redor da cintura feminina; os olhos cerraram ao constatar a língua, automatizando o próximo gesto no instante em que Njord mordeu-lhe o lábio, puxando-o e liberando-o sucessivamente enquanto a olhava. Outra vez sublevava a destra, posicionando-a na nuca da ex-namorada e descansando os dedos ali ao prendê-la ao toque ainda sutil a medida em que sentia o arfar, interrompendo-lhe a fuga em consequência. "Não me provoca," advertiu, redirecionando a mão e introduzindo a ponta de dois dos seus dígitos por entre os lábios da Hook, só para, então, realocá-los à parte da frente do pescoço alheio e ele apertar ali, escorando as costas alheias contra a porta, os anéis contrastando à pele branquinha dela. "sabe que não funciona assim." primeiro encaixou os lábios em um beijo, breve, apenas para que pudesse tocar a pontinha da língua na dela e a chupar devagar, antes de afastar centímetros as faces outra vez. "Te mostro como funciona, só parar de gracinhas."