Libertou um riso frágil, débil em veemência pelas narinas, mais uma vez, com o questiono da ex-namorada e a olhou, devagar. A afabilidade era quase tangível, fácil demais para quem há muito admirava os jeitinhos alheios. “Não vou.” prometeu, contrastando a última conversa cujo conteúdo só permitiu a Yas um comprometimento de tentativa ao pedido dela. Evitaria apartar-se dela, a partir de então. Odiava a distância e mais ainda forçá-la aos dois por sua imaturidade. Pela primeira vez na noite, — e em uma porção generosa de dias — Njord autorizou a saída de um riso genuíno, embora fosse baixinho, assistindo-a entrar e acompanhar a brincadeira. Jurava ter tido a impressão que jamais seria feliz minutos atrás, a mercê de uma influência deturpada de um baile bizarro, cheio de segregações estúpidas, e o pico da lua, para agora testemunhar a sensação cair inteira por terra tão somente, a energia, pouco a pouco, revigorando-se por seu cerne a medida em que o Westergaard fazia apenas existir ao lado dela. Nomear o que Yasemin significava para ele seria em vão — qualquer vocábulo seria insuficiente, inegavelmente — mas a loira ocupava espaço de única ressalva em cada partícula benfeitora de suas atitudes. Sempre havia ocupado. E embora fosse retraído, imperito por infelicidade no mérito para não reconhecer, de pronto, amor quando sentia cada minúcia de seu corpo vibrando dele, se esforçava para que a Hook soubesse que existia, e que era em razão dela. “Se importaria se me juntasse a você numa ducha, meu bem?” utilizou o termo pseudo exclusivo às provocações de cunho sexual com o elevar de suas sobrancelhas, as laterais da boca arqueadas em um sorriso pequeno, quase imperceptível, ao esperar pela resposta dela. O esboço dele, entretanto, acentuou o tamanho e Njord cedeu quando notificou a careta, reproduzindo-a consecutivamente ao remeter-se às manhãs em seu dormitório. “Capricho um café da manhã, na cama, para melhorar seu humor depois de acordarmos.” ofertou, o par de íris escaneando-a a medida em que ele proferia. Ia pouco a pouco conjurando porção de gentileza à ela cuja existência o próprio sulista havia visto e usado raras vezes em sua vida. Não o pertencia adjetivos delicados, não era comum a seus jeitos, e, ainda assim, via-se ir contra a natureza torpe com Yasemin. O mais surpreendente ali, porém, era que por mais inusual que lhe parecesse aquela logística inteira, não se sentia estranho por ela. Havia entendido, e não há muito tempo, que a dançarina era faísca que o apartava de uma personalidade muito parecida a de Hans. Não fosse pela ligação criada entre ambos durante a adolescência e estendida na vida adulta, estaria bem distante de quem era hoje; a influência alheia não falhara em abrandar seus cantos mais afiados, permeando seu espírito sem que Njord fosse capaz de discernir a intervenção. “Bom, eu não saberia. Não presto atenção nas meninas do bordel, apenas em uma.” cerrou as pálpebras sobre os olhos pelo breve conjunto de segundos em que o chupão sucedia-se e ele sorria, selando os lábios logo após e selando de novo, devagar, em ambas as vezes, antes de beijar o inferior. A próxima reação e o uso das palavras alheias fê-lo rir novamente — fácil demais à Hook àquela altura, se fosse ser sincero — , inclinando suave a cabeça para trás a medida em que o fazia e devolvendo sua atenção a face bonita outra vez por entre o verbalizar dela. “Adoro suas roupas coloridas, Yasemin. No chão do meu quarto, na gaveta do meu closet, aos farrapos… como for, não sou de recusá-las.” murmurou a fala, próximo suficiente do rosto feminino para se sentir confortável ao diminuir os decibéis, outra vez, com o rouco da voz. O revirar dos olhos e o pressionar dos lábios, em nuance jocoso, vieram em decorrência imediata à informação sobre James e um pseudo apreciar do pirata que Njord sabia bem não mais existir nesse plano. O término havia sido impossível de ruim, rompendo não apenas o laço entre os dois, mas também o que tinha com a família da ex-namorada, incluindo o patriarca Hook. Sentia falta. A companhia do vilão era mais bem-quista por ele que o Westergaard poderia admitir, ou arriscaria, por medo de retaliação do seu patriarca. Não tivesse tido a chance de integrar a dinâmica da casa dos Hook e experimentado uma paternidade saudável, o escandinavo pensaria quão utópico era o hype envolta do homem e a criação mais que exímia dele. As írises claras seguiam devagar a movimentação alheia, primeiro no descartar do vestido e, então, no desfazer dos botões de sua camisa; as fibras de seu corpo mantiveram-se inertes, em expectativa, durante o processo, e Njord transferiu sua atenção dos dígitos aos olhos dela, os seus apropriando-se da cintura em um aperto sutil após auxiliá-la a remover o resto da camisa, cujo uso havia acabado de se tornar impossível. “Gosto de ter sua posse.” intrínseca à entonação havia nuance de possessividade que o sulista fez nenhuma questão de corrigir, descendo as mãos moroso para a outra lombar ao juntar mais os corpos, e deslizando-as para dentro da lingerie quando alcançou a bunda, movendo as mãos de volta para a cintura em um estalo suave do tecido da calcinha a medida em que fitava-a, ínfimos centímetros entre as duas faces. “Te disse que queria ficar só com você,” elevou a destra, usando as costas dos dígitos para afastar os fios loiros dela para atrás de seu ombro, olhando os próprios movimentos. “que queria sua exclusividade. Romântico suficiente, amor? Se não tivesse me chamado para comer você, poderia ter sido mais.” fez inexistir pudor na última pronúncia, aproveitando a impressão gostosa dos peitos dela contra seu peitoral e o maxilar preso entre as unhas dela; adorava a violência compartilhada, atada ao sexo dos dois, e por isso, as esquinas da boca delinearam um sorriso presunçoso, miúdo, com o lábio inferior capturado suave entre os dentes ouvindo-a verbalizar a possessividade. Soava sexy para caralho nela. “Próxima vez deixa a coleira mais curta, e eu deixo mais claro para quem se interessar que sou só seu.” orientou a confissão à ela, o timbre da voz diminuto enquanto cedia à submissão e acentuava o aperto ao redor da cintura feminina; os olhos cerraram ao constatar a língua, automatizando o próximo gesto no instante em que Njord mordeu-lhe o lábio, puxando-o e liberando-o sucessivamente enquanto a olhava. Outra vez sublevava a destra, posicionando-a na nuca da ex-namorada e descansando os dedos ali ao prendê-la ao toque ainda sutil a medida em que sentia o arfar, interrompendo-lhe a fuga em consequência. “Não me provoca,” advertiu, redirecionando a mão e introduzindo a ponta de dois dos seus dígitos por entre os lábios da Hook, só para, então, realocá-los à parte da frente do pescoço alheio e ele apertar ali, escorando as costas alheias contra a porta, os anéis contrastando à pele branquinha dela. “sabe que não funciona assim.” primeiro encaixou os lábios em um beijo, breve, apenas para que pudesse tocar a pontinha da língua na dela e a chupar devagar, antes de afastar centímetros as faces outra vez. “Te mostro como funciona, só parar de gracinhas.”
“Não vai. Você sabe que tem mais benefícios quando fica assim, pertinho.” Provocou, depositando um beijo molhado na lateral da bochecha dele. Não era acostumada com aquilo, o tratamento do silêncio, mas sabia que ele era. A compreensão com as atitudes de Njord lhe vinham sem esforço, pelos anos que se conheciam, e, portanto, lhe dava espaço para que aqueles padrões fossem quebrados, pouco a pouco. Ele era o único que pensava merecer sua paciência. O seu som favorito, a risada dele, preencheu seus ouvidos e foi impossível não sorrir; tampouco se esforçou para impedir o sorriso largo. Se pudesse, passaria o dia em esforços contínuos de fazê-lo rir e, mais importante, fazê-lo feliz. Não sabia quanto tempo ficaria na vida dele, mas queria deixar esse legado, pelo menos — o de ter deixado a vida dele mais leve. “Me importaria, vida.” Respondeu, ignorando a parte que o uso desses apelidos, ali, não parecia tão estranho em sua boca. Não se importaria em ser mais carinhosa, dali em diante, e, também, parou de pensar nisso para que não se assustasse no meio da conversa. “Não sabia que um riquinho sabia fazer café da manhã. Vai colocar grãos importados, my prince?” Perguntou, jocosamente, fazendo uso dos dois apelidos da adolescência, usados apenas para implicar com a diferença de status social dos dois. “Mas me convenceria até sem comida na cama, você sabe.” Sustentou o contato visual, sendo sincera. A companhia dele, num geral, sempre bastava, e a preferia em várias circunstâncias. Após ouvi-lo, soltou outro arfar surpreso, fingindo estar ofendida, dessa vez mais apropriadamente. “Está chamando minhas roupas de farrapos, Njord? É isso?” Dramatizou, mas não se afastou, com as mãos ao redor do pescoço dele. Não era uma pergunta sensata, uma vez que ele comprara uma quantidade significativa de suas roupas (por ter destruído a maioria), mas não se importava. Cogitou perguntar se ele queria visitar o Jolly com ela, mas temeu ser cedo demais ou enchê-lo de expectativas sobre um relacionamento, que, até ali, não sabia se era viável. Ela continuava sendo uma castigada e o pai dele continuava vivo — não teriam paz enquanto Hans desaprovasse o romance. E haviam segredos em excesso entre os dois, não queria recomeçar ocultando partes importantes de sua vida. “Ele sempre pergunta de você, podia ir vê-lo.” Comentou, sendo honesta. James Hook era um homem vivido o suficiente para saber dos sentimentos da filha (e até do ex-genro), e não deixava de sentir afeto pelo jovem que assistira crescer. “Mas ele ainda te chama de merdinha esnobe, achei que pararia a esse ponto.” Pressionou os lábios um no outro, para esconder um sorriso, depois de mencionar o apelido usado por Hook para falar com Njord. Eles ainda tinham quinze quando ouviram aquela expressão pela primeira vez e, bem, a moda pegou. Era um xingamento afetuoso, afinal. “Você tem, mas acho que não adianta de nada.” A amargura estava presente na sua voz, referenciando todas as meninas que tentam flertar com ele, inclusive quando está presente. Não era a namorada dele, de qualquer forma. Umedeceu os lábios ao sentir seu toque, a respiração pesando em seu peito, e expulsou o ar com dificuldade. Seus olhos não deixaram os dele por um mísero segundo.
“Não sabe fazer os dois, Westergaard? Ou você só prefere deixar o romantismo pra depois? Não acho que combine mesmo, ser romântico e chamar sua... amiga de putinha.” Quase cometeu um deslize, ao sussurrar no ouvido do ex, e deslizou a língua pela derme ainda fria, num contraste gostoso de sensações, do pescoço. “Como posso encurtar a coleira?” Questionou, antes de mordiscar o lóbulo alheio, satisfeita pela obediência. Precisou de certo esforço para não fechar os olhos ao ter seu lábio tomado pelos dentes dele, e mais ainda para não iniciar um beijo. Estavam num jogo silencioso de quem resiste mais tempo, ciente do que os dois queriam. O aperto na nuca fê-la soltar um ruído curto e obsceno, habituada um pouco demais àquele tipo de cenário. Em resposta aos dedos em sua boca, a abriu morosamente e deslizou a língua na ponta destes, sugando enquanto o olha nos olhos. O primeiro gemido, curto, veio com o aperto no pescoço, junto de um breve suspiro, e contraiu as costas ao sentir o gelo da porta na lombar. “Ou o quê, babe? Vou me arrepender de provocar?” Assumiu uma entonação rouca e falsamente inocente, que contrastava com o movimento das mãos acariciando o limite do abdômen e deslizando os dígitos por dentro da calça. “Aperta mais forte.” Sussurrou, com uma mão por cima da dele, em seu pescoço, e erguendo o rosto ao sentir o corpo necessitar de um outro beijo. Poderia facilitar para os dois, mas estava tentada pelo joguinho. “Não estou fazendo gracinha nenhuma.” Respondeu, erguendo uma das pernas até a lateral do quadril, e o trouxe para mais perto pelo cós da calça. “Mas eu acho que você gosta quando dificulto, não? Se me lembro bem, você ama quando provoco tanto que mete com raiva. Arrisco até a dizer que te deixa duro mais rápido, hm?” A pergunta fora retórica e ela pegou a mão livre dele para tomar para si o polegar. Colocou na própria língua e fez movimentos de entrar e sair da boca, antes de guiar o dígito para seu mamilo, massageando suavemente. “Me beija de verdade,” ordenou, sem desviar o olhar das írises claras. “estou com saudades.” sussurrou, direcionando a boca para o maxilar, mordiscando a região, enquanto a destra traça um caminho de arranhões pelo ombro alheio.