no domingo passado, eu senti pela primeira vez falta de você. da nossa bagunça, dos nossos momentos. a monotonia do domingo me deu um chá amargo de saudade que me apertou o peito. eu abri a pasta do meu celular que eu deixei nossas fotos, eu não soube apagá-las. vi nossa foto deitada na minha cama sem roupa, eu senti falta do nosso abraço enquanto estávamos nuas. cem por cento nuas. totalmente. toda a raiva que eu senti por suas mentiras, falácias, erros, traições, faltas... elas se esvaíram e eu só senti saudade. a falta me doeu mais que os erros, pela primeira vez e eu quis você de novo, te quis perto. quis sentir o teu cheiro no lençol da minha cama, e no meu corpo. quis sentir sua boca deslizar o meu corpo inteiro como nos bons e velhos tempos... e como eram bom! eu senti tanta saudade de quando emaranhávamos nossos corpos e a órbita do mundo parecia depender simplesmente do nosso prazer. senti saudade de por minha mão na sua e caminharmos por aí como se o mundo fosse nosso. é era. o mundo era todo nosso, menina, e era pequeno demais. eu quis você de novo por perto para gente poder virar a noite revirando tudo que o catálogo do netflix tinha a oferecer, sempre acabávamos vendo a mesma coisa e rindo como se ainda fosse a primeira vez. e tudo parecia. cada beijo parecia o primeiro, cada sexo, cada vez que eu ia a sua casa e cada vez que você vinha até mim. o meu coração disparou cada vez que eu te vi, e mesmo depois de um ano minha mão ainda suava na sua presença. passou um ano inteiro e eu não soube lidar com as primeiras vezes que nem eram primeiras. e agora percebo que também não soube lidar com a última.
















