darktreeartisan:
chord soprou um riso baixo e nervoso com a menção de suas confissões, considerando dosar suas palavras para evitar qualquer constrangimento até que a pergunta alheia soou, aparentemente cora não se importava com seu falatório o que acabou tranquilizando-o e de qualquer forma, ele provavelmente não conseguiria ser menos tagarela a menos que estivesse incomodado. "eu pensei em muitas hipóteses para aquele talvez. a primeira delas é que você era muito gentil para dizer que não queria me ver de novo, por isso o talvez. a segunda, é que isso poderia ser uma tática de flerte ou algo parecido. a terceira é que você realmente não sabia se queria ou não. eu optei por acreditar na segunda.” expôs as opções imaginadas e guardou um pouco de humor sugestivo para as palavras finais. sua resposta a indagação fora mais um riso passageiro, ele teria incrementando-a com alguma bobagem jocosa, mas as palavras da garota desconhecida e estranhamente familiar roubou toda sua atenção. o compasso de seu coração tornou-se apressado, aparentemente ansioso para corresponder ao dela. “com essa sua confissão, talvez, o meu também esteja acelerado agora.” conseguia escutar as batidas ressoando, tornando-se mais rápidas como se quisesse contrariar o uso do ‘talvez’. “deveríamos buscar um cardiologista o quanto antes ou vamos nos acostumar com essa sensação?” questionou lentamente, flertando com a diversão e uma hipótese real, afinal, estar apaixonado renderia uma palpitação evidente e constante, uma que chord esperava ser recíproca e duradoura desta vez. a pergunta seguinte o fez suspirar e se lembrar das vezes em que mergulhou de cabeça em suas paixões, apesar de ter se esborrachado incontáveis vezes não pretendia desistir de sua procura, só a aperfeiçoou; a emoção e a razão precisam estar juntas, não em perfeita sincronia, mas necessitam ocupar o mesmo espaço. “meu coração me levou para muitas situações, cora. não é como se eu me arrependesse de escuta-lo, só fiquei um pouco mais consciente, quer dizer, eu espero que tenha aprendido essa lição porque a vida já me reprisou isso incansáveis vezes.” suas feições se retorceram numa careta antes que ele risse suavemente. “continuo seguindo-o, não tão impulsivamente como antes, mas ainda lhe dou ouvidos.” o que seria de um homem sem suas emoções, afinal?
ele riu quando cora retrucou seu questionamento, seus ombros subiram e desceram e suas mãos viraram para cima simultaneamente. “eu não sei, talvez você pense que os propósitos possam ser individuais, o que eu acho difícil pelo o que tem me mostrado, mas nunca se sabe.” palpitou, fazendo uma nova careta, cora não parecia ser o tipo de pessoa que pensaria dessa forma, pelo menos é o que chord arriscaria dizer a seu respeito. e como havia previsto… “não me imagino tendo propósitos grandiosos ou que vão trazer relevância a humanidade, talvez seja por conta do meu trabalho que convenhamos não traz muita… utilidade no quesito intelectual ou mudanças radicais na vida humana, mas mesmo assim, tenho esperança de que serei marcante para a minha família, espero ser lembrado pela pessoa que sou ou fui. não preciso fazer grandes descobertas ou ser lembrado mundialmente, um punhado de pessoas está bom pra mim, então se eu morrer antes, querida. continue falando para nossos netos sobre mim.” inicialmente se deixou levar pelo devaneio e quando percebeu que estava falando demasiadamente resolveu findar sua argumentação com um gracejo que correspondia a sua personalidade. “sim” respondeu prontamente, balançando sua cabeça de acordo. “acredito que a sorte é uma questão de reconhecimento, precisa enxerga-la. você tem sorte por tantas coisas, cora. por ver a lua mais uma vez, por rir de uma piada com seus amigos. por cantar a sua música favorita a plenos pulmões. pelo menos é assim que eu enxergo as coisas. e você? se considera sortuda?” demorou para que tivesse uma visão minimamente otimista da vida, lhe restava mudar de perspectiva ou seria o garoto infeliz pelo resto de seus dias e chord sabia que merecia mais do que isso. a testa se franziu levemente quando a ouviu acompanhada por um sorriso que se desenhava gradualmente. “claro, isso foi um presságio.” afirmou presunçosamente. “posso saber como seu sonho terminou?”
as batidas irregulares de seu coração demonstrava que seria tão simples para ele deixar-se guiar por suas emoções, tão instintivo. “então procuramos até encontra-la, não é?” questionou retoricamente, sorrindo quase que timidamente. não muito depois centrou sua atenção no caderno, folheando-o distraidamente conforme a escutava, conseguiu sorrir amplamente e imaginar-se nos papéis, era bom saber que assim como ele, cora podia levar-se por seus devaneios criativos. “acho que é de vidro, eles confiam que somos civilizados o bastante para não parti-lo… ou talvez nem tanto, provavelmente é vidro temperado…” disse devagar, realmente preso naquele tópico em si. seria mais ágil propor o casamento ao invés de tentar quebrar a divisória, entretanto, a segunda opção seria mais emocionante e estúpida e chord gostava de pensar que não era estúpido, pelo menos não a esse ponto. “talvez um dia seja você contando a nossa história de amor para alguém.” brincou e prosseguiu: “talvez inspire outras pessoas a não desistirem de sua busca. e bem, se eu tiver participação na história provavelmente terei alcançado o propósito que acho que tenho, de ser lembrado.” riu, quase estupefato com a sua habilidade conciliar pontos consideravelmente distantes. “normalmente eu me sinto meio esquisito por ser tão sensível assim. ninguém espera que um sujeito como eu seja tão sentimental. mas fico feliz que não veja problema nisso, pelo menos por enquanto.” apontou com zombaria.
“sim, não vejo um ambiente melhor para isso acontecer” respondeu com sinceridade e doçura, não sabia como seria os preparativos caso realmente fossem se casar, nem sabia se eles teriam algum poder decisivo com a ambientação, tinha a impressão que não, mas não há problema que não tenha solução com a devida dedicação e muito convenientemente a frase de cora pareceu uma. eles não precisariam de muito para fazer um juramento diante do luar, um momento sozinhos e aquilo seria eternizado, de preferência longe de câmeras para que tudo fosse íntimo. “pra mim também. sempre quis me casar de noite, num espaço aberto onde o céu e a lua poderia ser testemunhas.” comentou, sorrindo com a ideia. seria muito bonito e definitivamente memorável. ele riu quando a ouviu novamente. “estava procurando você.” respondeu com o mesmo tom, acrescentando aquele timbre de quem dizia coisas óbvias. chord prestou atenção nas informações seguintes, imaginando uma criança com um entusiasmo para ouvir histórias e desenhar, apegando-se aquelas coisas para prosseguir, uma jovem indo até o outro lado do mundo para trabalhar e deparando-se com coisas desagradáveis, mas encontrando consolo naquilo que costumava gostar quando mais nova. e agora regressando ao seu ponto de partida, poderia sonhar que ela retornou para encontra-lo ou qualquer outra pessoa – acrescentou para que seus pés se mantivessem no chão e seu coração não o levasse longe demais como o costume. “oh, eu sempre gostei de desenhar também. planetas e cavalos, não necessariamente nessa ordem.” lentamente seu riso apareceu quando ele mencionou sua particularidade infantil. “tudo bem se sua peculiaridade for me dar informações a seu respeito de maneiras inusitadas, posso presumir que nunca estarei entediado ao seu lado e sempre disposto a ouvir.” garantiu por entre um riso frouxo. teve a estranha sensação de que seus olhos pesaram brevemente com a suposição do cafuné, tanto agora, quanto futuramente, chord se esforçaria para continuar acordado, como uma criança irrequieta que era. “vou resistir bravamente, pelo menos até que a história da vez termine.” ergueu um dos indicadores para que sua persistência fosse ilustrada, seu tom poderia refletir a ideia que sua gesticulação gostaria de passar. chord suspirou dramaticamente e observou a divisória com atenção. “se afaste, estou prestes a derruba-la.” anunciou jocosamente.
lhe pareceu divertido e simplório imaginar-se naquele cenário onde escutaria sua esposa contar uma diversidade de histórias quando estivessem na cama. chord tinha um sorriso lateral no rosto quando a respondeu animosamente: “mais do que pronto!” perder algumas horas de sono poderia valer a pena. o sorriso lateral se expandiu conforme cora se pronunciava, seu coração batendo outra vez em evidência. “eu cuidaria bem dele se viesse até mim e como prova do meu comprometimento, lhe daria o meu.” comentou num timbre divertido e doce. “não, você que está sendo boba. sob a luz do luar, do sol, de uma lâmpada fluorescente ou de led, a luz de velas. com seus cabelos bagunçados ou perfeitamente arrumados, meus olhos a procurariam e ficariam felizes de te encontrar.” ele acreditava veementemente nisso, de que seus olhos sempre se encheriam de alegria ao mirar sua esposa, deveria ser assim, não? “em algumas estações do ano é mais fácil de ver, o céu fica mais limpo, sabe? normalmente até o mês que estamos é possível vislumbrar as estrelas com facilidade. depois, é como se estivesse em nova iorque, então você não ficaria com saudades de lá caso se mudasse.” brincou, rindo rapidamente até que estivesse pensativo diante da outra pergunta. “hum, eu tive a impressão de que a lua estava mais brilhante e esperançosa. provavelmente torcendo para que eu voltasse casado.”
chord se esforçava para não se romper em lágrimas, pois tinha a sensação que não pararia tão cedo. seus dedos soltaram o tecido de sua camisa e foram enxugar o canto dos olhos esperando que nenhuma lágrima escapasse e que ele conseguisse se conter pelo menos por hoje, por agora. “está tudo bem.” murmurou numa voz trêmula e sentimental. “eu só sou um cara chorão mesmo.” tentou usar o humor para amenizar o clima que ele mesmo criara, soprando um riso sem graça. “sim. pensar nisso me deixa muito nervoso.” confessou lentamente, notoriamente hesitante. “mas acho que deveria fazer isso, só preciso reunir um pouco de coragem.” completou, fungando e limpando mais uma vez o rosto com as costas da mão. ficou ainda mais emotivo quando ouviu a frase seguinte, piscou os olhos várias vezes e soprou todo o ar que se acumulou em seus pulmões. “por onde você esteve em todos esses anos, cora? e por que demorou tanto?” perguntou por entre um riso exasperado.
o marceneiro riu, contente por não ser o único a desgostar daquela divisória e acabou refletindo se eles se encontrariam em outra ocasião senão aquela? a aparência seria determinante para incitar ou minar o contato noutro cenário? chord achou que se interessaria de qualquer forma desde que conversassem por algum tempo e descobrissem coisas em comum, tal como faziam. “sabe em quantas pessoas eu te procurei?” começou num tom brincalhão, passando uma mão no cabelo nervosamente. sabia que estava muito emotivo então precisava tomar algum cuidado para não cair em queda livre e sem paraquedas. “pretensioso eu não sei, mas é muito romântico e honestamente, estou gostando de pensar dessa forma.” pensar que finalmente havia encontrado o que buscava poderia deixar qualquer indivíduo extasiado. o cenho se franziu em surpresa e deleite com a ideia apresentada. “uau!” exclamou, encantado. “eu acho que escolheria a sala de estar, seria mais fácil me gabar de como tive sorte de me casar com você.” disse de maneira semelhante a dela.
sabia que cora chorava e isso apertou seu coração de maneira quase insuportável, ele não poderia oferecer nenhum consolo corporal e duvidava que suas palavras fossem o suficiente para amenizar a dor sentida. atravessar aquela divisória nunca pareceu uma ideia tão cogitada, não que seu abraço fosse afastar todas as dores alheia, mas esperava oferecer algum conforto e demonstrar que estaria ali. “eu queria tanto estar próximo a você agora, com meus braços ao seu redor, mas saiba que assim como você me sente, eu te sinto também.” murmurou melancolicamente, poderia chorar junto a cora, seus olhos marejando era um sinal de que a qualquer momento poderia irromper em lágrimas. “imagino que seja frustrante lidar com tudo isso, mas eu sei que você vai descobrir um caminho que funcione. a garota que me encorajou a fazer algo que antes me parecia impossível está aqui, eu consigo senti-la, a sinta também.” disse melodiosamente, oferecendo um sorriso dócil que não seria presenciado, mas que existia e dava um formato genuíno as feições masculinas. “não me agradeça, não por isso.” acrescentou suavemente, gesticulando uma das mãos como se dispensasse-o. “nós faremos, cora.” juntos ou não, eles dariam um jeito, chord poderia apostar nisso. “quando pensa em filhos, é algo a longo prazo ou não?” perguntou, curioso. não esperava que em menos de um ano fosse ter um filho, não que ele fosse reclamar se tivesse também, no entanto, sabia como era uma responsabilidade muito grande, especialmente quando envolvia a rotina profissional e as expectativas acerca disso tudo, por isso, era necessário se comunicar.
poderia ser apenas um gracejo, um comentário envolto de uma emoção passageira, ambos estavam bem emotivos e vulneráveis com suas confissões e conflitos internos, isso costuma aproximar as pessoas de uma maneira especial e tocante, e mesmo reconhecendo essas possibilidades o coração de chord se agitou euforicamente. “o que estamos esperando então?” manteve o timbre jocoso ainda que seus pensamentos passassem a levar a ideia em consideração com mais seriedade do que previa. chord apertou os joelhos, depois passou as mãos nervosamente pelas coxas e enfim tocou seu rosto lentamente, manifestando dessa maneira seu frenesi. se antes já achava que poderia se casar com ela, naquele instante em diante, a ideia parecia ir se firmando. o que foi um tanto quanto desesperador dado ao histórico masculino em suas relações amorosas, onde a impulsividade tomara a iniciativa. se esticou para sair daquela posição e começou a caminhar pela cabine a fim de espairecer. “você me descreveu algo tão bonito que eu poderia chorar só com isso. e droga, eu… adoraria me casar nesse cenário.” falou espaçadamente para que alguns suspiros fossem projetados para fora, não entendia como ela poderia caber em suas expectativas tão naturalmente, estava fantasiando tudo aquilo ou realmente encontrou o que desejava? “eu acho que vou me casar com você, cora.” soprou as palavras por meio de um riso nervoso, passando ambas as mãos no rosto e as deixando sobre as bochechas lateralmente. “não pode me dizer essas coisas e esperar que eu não… me derreta por você.” sua voz era uma mistura de indignação, êxtase e inquietação. ficou em absoluto silêncio quando a ouviu falar de novo, a cada palavra alheia era um batida forte, quase dolorosa de seu coração, tudo que chord ouvia era isso; a voz de cora e seu coração tamborilando freneticamente. decidiu tomar um pouco de água supondo que isso o ajudaria, depois de um copo, bebeu outro. no terceiro sentiu que havia retomado o controle, embora seu coração ainda estivesse bem agitado pelos diálogos recentes. “eu não tenho muito a acrescentar” apontou bem-humorado, os ombros subindo e descendo à medida que seus lábios franziam. “você basicamente reuniu tudo que acho necessário também; respeito, comprometimento, lealdade e amizade. o amor sozinho nunca rendeu, precisa de alguns pilares para se manter e florescer a cada dia. dedicação e compreensão também, viver a dois não é uma tarefa fácil. humildade para reconhecer as falhas e corrigi-las. persistência para não desistir nas primeiras tempestades. eu quero envelhecer com a pessoa que me casei e farei o possível para chegarmos até lá da maneira mais prazerosa e saudável possível.”
cora deixou que um pequeno sorriso se fizesse presente em sua expressão ao ouvir sobre as hipóteses masculinas, de certo modo, era mais que interessante ouvir o que passava pela cabeça alheia, já que nem mesmo a própria tivera imaginado a existência de tantas possibilidades para apenas uma palavra sua de resposta. uma risada fizera com que sua cabeça fosse jogada para trás ao terminar de ouvir tudo que o outro tivera a dizer. "primeiro de tudo, não sabia que tinha te deixado tão pensativo sobre aquele talvez." cora comentou, ajeitando-se da melhor maneira em seu lugar, cruzando os tornozelos e tocando a própria têmpora enquanto deixava que seu sorriso, quase abobalhado se fizesse presente. "segundo e não menos importante... eu fortemente acredito na segunda opção também." murmurou com certa provocação, deixando que seus olhos suavemente se estreitassem, de uma coisa boa aquela divisória iria servir, esconder o calor que começava a percorrer suas bochechas. "desculpe se meu flerte não foi tão perceptível assim... quem sabe eu acabei perdendo a prática." desculpou-se em meio a uma risada, elevando rapidamente os próprios ombros, não era uma queixa tão forte assim, mas poderia entender agora como era difícil tentar flertar sem ver qualquer expressão de seu rosto, pior, nem mesmo saber como é seu rosto e talvez naquele momento tudo tivesse sido dificultado por sua tentativa com as palavras que teriam sido falhas. os olhos femininos saíram da sua mão posta em cima de seu coração e foram direcionados à divisória, impressionada com as palavras masculinas, em uma animação quase infantil, cora deixou que uma gargalhada lhe escapasse ao ouvir o comentário seguinte, tinha que admitir que chord possuía um senso de humor notório e era contagiante rir como uma boba de qualquer um de seus comentários, até mesmo envolvendo cardiologistas. "oh, meu deus, eu te causei uma arritmia ou algo assim?" resolveu brincar, ainda sentindo que seu coração ainda batia com intensidade, cora sabia quando a noradrenalina estava sendo liberada por seu corpo, principalmente quando estava em um cenário de atração, mesmo que o cenário atual fosse um tanto quanto mais... exótico, por assim dizer, mas de todas as formas, ela deixaria que todos os sintomas físicos dessa nova realização acontecessem, estavam falando sobre destino, quem sabe aquele não fosse o seu? "acredito que vamos ter que lidar com essa nova... movimentação sozinhos." a mulher provocou suavemente, deixando que um sorriso lateralmente se formasse em seus lábios, se estavam prontos para se apaixonar, que deixassem o curso natural acontecer. cora nunca deixaria que sua paixão fosse impedida, ela não era assim, sempre tivera se permitido todas as sensações e agora em um reality show, certamente não deixaria deixar de ser quem era por conta de algumas câmeras.
ao ouvir o comentário alheio sobre onde seu coração tivera lhe levado, cora deixou que uma sobrancelha curiosamente se arqueasse. "o que já fez de mais impulsivo amorosamente? que quase te causou arrependimento..." cora não era o poço de prudência, longe disso, mas entendia o que ele queria dizer, ela tivera sido aquela que se casara com maior rapidez, mesmo acreditando que não faria o mesmo... talvez estivesse enganada, ela gostaria de deixar que o amor a penetrasse, mas dessa vez pelo menos conheceria mais seu parceiro, seguindo o ritmo do programa. "eu acho que você sabe que eu posso ser um pouquinho impulsiva... mas o meu conselho? sempre se permita, chord, eu provavelmente me arrependeria se usasse a razão no lugar da emoção." de certa forma, cora sentia que chord e ela pareciam mais que o até então já visto, não tinha tanta certeza se o outro levava mais a razão que a emoção, por isso, para pessoas como ela, deixava como único conselho, seguir seu coração, emoção, intuição... bem, tudo ficaria bem no final.
ao ouvir as palavras masculinas, cora deixou que relaxasse no próprio acento, trazendo suas mãos entrelaçadas para o colo. "o que eu tenho te mostrado?" cora perguntou com certa curiosidade, deixando que sua cabeça horizontalizasse enquanto encarava a divisória. a mulher sabia que muitas das coisas na vida não deveriam ser levadas ao lado individual, mas sempre ficaria em dúvida quando o assunto seria destino, todos possuíam o próprio, isso era claro, mas muitos pareciam ter seus destinos entrelaçados, como se existissem muitos fios emaranhados e por muitas relações, mas em questões de almas gêmeas, ai ela precisava afirmar que existia apenas uma naquela vida. "e você realmente acha que esse fato não virá trazer qualquer relevância para a humanidade? ser a sua melhor versão já é o que o mundo sempre irá precisar, chord... com certeza nossos netos vão querer ouvir nossas versões das mesmas histórias, então não ouse morrer antes." cora não se importava se não tivesse um emprego influente, afinal, ela não tinha, era uma ex-modelo, o que daquilo poderia trazer para a humanidade? bem, suas ações e sua provável influência para algum grupo de pessoas, mesmo que mínimo, poderiam trazer algo para melhorar a humanidade, o mesmo servia para o que o homem tivera falado, ser lembrado pela pessoa que foi, para sua família ou para seus futuros fãs naquele programa, de certa forma, eles também passariam a ser assistidos por pessoas ao redor do mundo. "mas por exemplo, eu acho que coisas extraordinárias podem acontecer para aqueles que são almas gêmeas com seus propósitos atrelados, digamos que eles tem como um propósito ter um filho que fará algo brilhante para a humanidade, pode ser esse o propósito grandioso, não acha?" cora acabou devaneando a medida que descruzava as mãos e sorria em seu lugar no sofá, era muito inquietante papear sobre um assunto onde sequer poderia mirar os olhos alheios. ouvir o homem falando sobre a sorte e como ele se sentia bem com ela, deixou com que o coração feminino batesse ainda mais rápido e seus olhos praticamente cintilarem, ela gostaria de poder ver aquela versão. "eu não sei se acredito tanto na sorte quanto gostaria..." a mulher começara a murmurar, soltando um riso quase melancólico. "eu gosto mais da sua versão da sorte." ela falou com sinceridade, queria que ele ouvisse a sinceridade, já que não conseguia a ver. "eu diria também que sou grata por tudo, ou pelo menos grande parte do que já me aconteceu, acredito que tudo faz parte de um grande aprendizado que não poderia ser evitado... mas não sei se isso é considerado sorte." a mulher continuou murmurando um tanto quanto pensativa, não diria que a melancolia tivera lhe atingido tão cedo, apesar da mesma existir muitas vezes. "ensine-me a ver a sua versão da sorte, acredito que gostarei mais dessa parte." comentou com um pequeno sorrio, sabendo que para ser otimista, precisaria de motivos para que a fizessem ser otimista, poderia se acostumar facilmente com outra pessoa sendo otimista ao seu lado, parecia leve e ao mesmo tempo poderoso. a mulher precisou piscar um par de vezes, deixando que um pequeno riso lhe atingisse, não iria narrar o sonho que tivera tido, pelo menos não em rede nacional, mas bem, o final do sonho era o mesmo. "eu acordei, querido."
cora acabou deixando que um sorriso se abrisse ao ouvir o questionamento alheio, era quase magnético a sensação que sentia de conexão com aquele do outro lado, não esperava que seus sorrisos lhe traíssem tanto, não era para parecer tão sorridente, ou era? "então procuramos até encontra-la." repetiu lentamente completamente absorta, pois aquelas seriam palavras que a própria também diria, cora nunca deixaria de procurar aquele sentimento de que faltava algo, principalmente quando estávamos falando sobre sua alma gêmea. cora ainda estava perdida nos próprios pensamentos quando ouviu a fala seguinte, olhando rapidamente para os saltos em seus pés. "aposto que esse vidro quebraria facilmente com meu salto, ele é bem grande." murmurou divertidamente, será que muito vidro se espalharia ou faria apenas um pequeno furinho? que diabos, por que estava pensando nisso? "eu não sou adepta da violência, mas olhe só o que raios estou falando... você está me deixando ainda mais curiosa, até mesmo sobre meus próprios pensamentos, garoto de indianópolis." ela comentou com uma sutil risada, deixando que seus dedos passassem por seus fios de cabelo. a movimentação de seus dígitos foram estancadas quando ouviu sobre a maneira que o outro gostaria de ser lembrado. "você quer ser lembrado por ter sido o grande amor de alguém, chord?" cora perguntou com pura curiosidade, pois aquela menção parecia muito ideal aos ideias românticos femininos. "caso a resposta seja sim, eu tenho certeza que seria a história mais bonita que eu já teria ouvido e que ocasionalmente eu gostaria de ouvir... e bem, ter sorte de participar." se pudesse escolher como seu destino lhe mostraria sorte, certamente diria que gostaria de amar e ser amada. "seria uma história divertida de contar, aposto que atrairia muitas pessoas para essa roda de histórias... afinal, viria a calmaria depois de corações quebrados por todas as partes de um carpete, seriam dois corações reconstruídos a partir de uma parede divisória sob a benção da lua." cora tinha que admitir que seria uma história atraente demais para ficar apenas na imaginação, provavelmente ela desenharia um caderno inteiro sobre como tudo tivera acontecido, do primeiro ao último encontro seria uma curva interessante. "como seria o primeiro encontro perfeito para você?" emendou rapidamente por ter correlacionado o mesmo romantismo e a um provável encontro do lado de fora de tudo aquilo. "oh, por favor, jamais se sinta estranho por ser sensível, uma vez me disseram que as pessoas mais sensíveis possuíam os melhores corações... e eu já te disse que acreditava no seu." a mulher respondeu rapidamente, mesmo que não soubesse o que ele diria como 'um sujeito como eu', já que não o conhecia fisicamente, ela gostava da versão do chord atrás da divisória, com sensibilidade e sentidos à flor da pele.
o sorriso feminino se expandiu de uma maneira um tanto quanto boba, não esperava que chord também gostasse daquela versão de casamento, tudo mais parecia como uma versão de um conto de fadas infantil, mas que de alguma forma lhe remetia a magia de tudo aquilo, o casamento para cora era um grande conto de fadas, onde ela sonhara por tantos e tantos anos com muitas maneiras diferentes de ter sua noite mágica, que seria apenas o início de uma vida mágica, mas bem, ela já sabia como tudo poderia ter dado errado... e agora, apesar de seus muitos devaneios e suas desilusões, nada parecia menos importante que não fazer tudo dar certo. "tudo bem... parece então que ambos queremos nos casar com o céu e com a lua como testemunhas." cora ainda tinha o próprio sorriso nos lábios, por deus, onde tudo aquilo iria lhe levar? poderia ver aonde seu coração estava lhe levando, mas e depois? um outro gemido escapou de cora, estaria ela se deixando levar com muita facilidade? seu coração batia fortemente contra seu peito, seu estômago possuía o habitual frio - daqueles que se sentem quando se encontra com um alguém muito interessante - e bem, seus pensamentos estavam rondando apenas pelo nome masculino, cora poderia não ter a menor ideia de como o outro aparentava, mas mesmo assim ele estava preenchendo seus espaços e suas lacunas mentais, que os deuses lhe ajudassem com seus sonhos. "chord, você realmente não pode me dizer essas coisas se não possuir a intenção..." ela murmurou, deixando que seus olhos se fechassem e mais uma vez encostasse a própria testa no vidro, cora dissera isso com certa dúvida, pois não sabia se chord estava brincando naquele momento, ela realmente levava a sério frases como 'estava procurando por você', pois a mesma estava. "porque eu irei acreditar fielmente nisso." terminara com um sopro da própria voz, o coração feminino sempre fora até mesmo ingênuo em questões amorosas, principalmente por ser alguém que apenas se deixava acreditar que tudo poderia ser uma grande obra do destino e que sua felicidade estaria cada vez mais próxima, e caso viesse a tentar explicar aquilo que ninguém parecia entender, ou melhor, tentar vivenciar o mais puro jogo do amor, ela ainda assim o faria. "eu realmente posso me apaixonar por você, chord, mas eu não sei na verdade até quanto você deseja ir por aqui... comigo, pelo menos." cora tinha certeza absoluta que até o final daquele encontro sairia com um nome em mente, não sabia o que poderia acontecer a seguir com seus outros encontros, mas sentia que o nome alheio poderia persistir em seus pensamentos, no entanto, aquilo era recíproco? "tudo que eu peço é sinceridade, principalmente por aqui, onde não temos qualquer obrigação de decidir em um primeiro encontro, afinal, nos foi avisado que precisamos escolher a melhor opção para si, com quem consegue se ver se casando, essas coisas..." cora mexeu uma das mãos displicentemente, poderia não ser o que ela verdadeiramente pensava, mas aquele era o intuito do programa, assim como ela não estava julgando qualquer coisa, ela, mais que ninguém, também sabia que deveria existir cautela para certas decisões, mesmo. que seu coração por vezes lhe ludibriasse o suficiente para que não lhe fizesse seguir com tanto afinco decisões plenamente calculadas.
"como assim você desenhava esse tempo todo e eu apenas estou sabendo disso agora?" cora perguntou depois de escutar atentamente o que o outro estava lhe comentando. "devo pedir uma troca de desenhos?" sugeriu com divertimento, verdadeiramente curiosa pelo mais novo ponto em comum. "você desenhava planetas? oh, meu deus! eu também!" mais uma vez, os lábios femininos se entreabriram em surpresa, não tivera imaginado que aquilo poderia estar acontecendo. "todo o sentido do universo sempre me foi fascinante, não pense que eu estou tentando copiar você ou nada do tipo." ponderou com divertimento, para alguém amante da lua, estender seus gostos ao universo em geral não parecia grande coisa, principalmente quando estava se tratando de planetas coloridos e com significados igualmente místicos. "eu confesso que queria ter sido uma adolescente inteligente o suficiente para gostar de ciências e quem sabe me aprofundar em assuntos como astrofísica ou coisa do tipo, mas nos meus cadernos não existiam espaços para as fórmulas... existiam desenhos... oh, sim, principalmente de roupas." a mulher precisou franzir suavemente o cenho como lembrança, ela realmente era horrível em física, se seu pai um dia desejasse uma cientista, coitado, mais uma decepção em sua conta. "como você era na adolescência?" cora precisou se levantar para que alcançasse uma garrafinha de água no pequeno bar, bebendo um gole antes de voltar a comentar. "cavalos são bem legais, mas extremamente difíceis de desenhar, você cavalga ou algo do tipo?" quem sabe dali teria uma hobbie escondido? "ou melhor, acho que não te perguntei se você possui algum animal de estimação." comentou enquanto se jogava no sofá, ainda pensando no que ela gostava como animais de estimação. "eu gostava de desenhar coelhos... meus pais nunca quiseram me dar um coelho, então eu apenas os desenhava e os pregava em todas as partes da casa." aquela sem dúvida era a melhor forma que uma criança ou adolescente solitária poderia fazer em uma casa onde tudo parecia ser proibido. "coloque na nossa lista: ter um coelho. eu já tenho até um nome para ela." murmurou, deixando que mais um gole do líquido passasse por seus lábios. "eu sou um grande livro aberto de peculiaridades... pode perguntar qualquer coisa e bem, se eu me lembrar, irei responder, se for um fetiche, bem, ai devemos esperar as luzes se apagarem?" cora comentou com diversão, às vezes era bom incrementar uma conversa de um bar entre amigos com quem iria se casar, certo? talvez não, mas assim ela se seguia. "hey! eu acho bom que o senhor resista, eu posso ser uma grande tagarela e já estou prevendo que você irá desmaiar quando eu desenfrear a falar." cora tentou seu melhor olhar de adversão, mas obviamente ele não conseguia a ver e logo sua gargalhada se sobressaiu, engatando prontamente no próximo comentário alheio. "eu preciso de um marido inteiro, não ouse se machucar para quebrar algo assim, já chegamos a conclusão que é vidro."
ao ouvir a animação do outro lado com a possibilidade de ser uma contadora de histórias na madrugada, cora deixou que um pequeno riso lhe escapasse. "e quais são suas habilidades secretas na cama, chord?" cora perguntou divertida as palavras com certo duplo sentido. "claro, não precisa ser na cama." emendou rapidamente, franzindo o nariz segundos após, afinal, ainda estava com o assunto provavelmente distorcido. "por deus, você entendeu." murmurou, em meio a um sorriso, não propriamente perguntava sobre algo extraordinário, como já dito uma vez, as maiores coisas estavam sempre nos menores gestos e para ela, aquele sempre seria o fato mais extraordinário de uma personalidade. cora fez um pequeno biquinho ao ouvir as palavras alheias, estava ela voltando à adolescência quando via seu ídolo fazendo algo extremamente doce, levando mais uma vez sua mão até seu coração. "você ainda tem a proposta do cardiologista em pé? acho que meu coração ainda não se acostumou com as suas frases." além de fitas, corações, cora era uma moça romântica o suficiente para achar daquela situação doce como o mel a conversa mais atraente que já tivera escutado. "você não quer que eu chore novamente só por ouvir isso, eu tenho certeza." sussurrou, deixando que um riso fungado lhe saísse. "a luz dos meus olhos também ficariam cintilantemente felizes de encontrar os seus... mesmo se você se assustasse com a visão em todas essas luzes." brincou, deixando que apenas sentisse o que seu coração pedia para que o fizesse, sentia que todas as emoções possíveis seriam válidas para aqueles que verdadeiramente se encontrassem, incluindo a luz dos olhos. "então quer dizer que você planeja retornar para indianópolis com uma noiva, senhor marceneiro? será que eu seria bem aceita por sua lua?" perguntou com curiosidade, ponderando o que poderia acontecer caso resolvesse se mudar para o lugar alheio. "não me pareceu uma troca ruim... eu poderia viver muito bem em uma cidade com mais chances de ver a lua e as estrelas, mas com uma objeção: visitaríamos nova iorque na primavera? ou quem sabe no ano novo, você precisa ver como a times square fica reluzente quando está em contagem regressiva para um novo ano."
um arquear começara a estender os cantos dos lábios feminino, era quase divertido ouvir aquilo, chorar não mostrava qualquer sinal de inferioridade, muito pelo contrário, cora provavelmente poderia ficar brava com quem alguma vez tivesse subentendido que era. "você não é só um cara chorão... você só sente muito." a sensibilidade sem dúvidas era algo que cora gostava de ver nas pessoas, afinal, não era algo aprendido ou inventado, mostravam que aqueles que a possuíam eram mais coração que razão, talvez essa também fosse uma característica sua, mas em sua defesa, sempre disseram que era bom estar com pessoas que também compartilhavam traços de sua mesma personalidade, certo? ao ouvir sobre a questão de conhecer sua mãe verdadeira, cora sentiu que seu coração pesava mais uma vez, ela não sabia como era se ver naquela situação, também estaria nervosa. "você já conversou com seus pais sobre a encontrar ou mostrou interesse no assunto?" perguntou com delicadeza, sabia que aquela poderia ser uma decisão individual, mas ele poderia pesar outras opiniões, principalmente daqueles que mais o conheciam. "eu imagino que deve ser um assunto que apenas possa te deixar confuso... mas para todos os efeitos e todas as decisões, saiba que eu acredito em você e acredito nas suas escolhas, chord... de fato que seja um momento seu, mas sabia que eu estarei de mãos dadas com você, mesmo que em pensamentos." não existia um manual, cora sabia disso, mas principalmente sabia que confiava naquele homem que nunca tivera trocado um olhar, e de alguma forma, se pudesse fazer algo para aquela situação, seria estar ao seu lado, pois sentia que ele faria a melhor solução aparecer diante de seus olhos e aquilo era quase confortável. cora precisou soprar um riso em meio as batidas mais intensas de seus coração, ou seria sobre as borboletas enlouquecidas em seu estômago? "oh, chord." talvez estivesse virando um grande costume ele estar a deixando sem palavras tamanhas vezes "eu estive procurando por você." repetiu as palavras masculinas ditas uma vez, dessa vez seu sorriso crescendo inconscientemente, onde quer que ele estivesse, parecia que finalmente tiveram se encontrado. "eu estou aqui agora, devemos tirar todos os muitos anos perdidos?" perguntou com certa diversão, mordendo o lábio inferior enquanto encarava a parede divisória. ao ouvir as palavras do outro lado do cômodo dividido, cora bateu ambas as mãos em uma palma seca. "tudo bem, me convenceu me dê os papeis, irei assinar." brincou com uma risada no final de sua fala, colocar na sala ou não, ela não se importava, mas ter alguém que se importava consigo de uma maneira romântica, oh, bem, aí sim você deveria colocar um anel do dedo desse cara. "não seja bobo, chord, eu que me gabaria de ter me casado com o seu eu romântico incorrigível..." deixou que um suspiro lhe saísse, a medida que suas palavras delicadamente lhe romperam. "porém espero que saiba que eu sou uma pessoa esforçada... principalmente quando estamos falando sobre culinária." cora tentou manter a seriedade, se forem dividir uma casa, ele deveria saber como manusear um extintor de incêndio. "eu diria que eu sei fazer dois pratos... no máximo, sem uma panela queimada." completou com uma risada, dizia-se esforçada, pois realmente planejava aprender a cozinhar, mesmo que suas mãos não parecessem tão afirmativas a essa questão.
cora sentiu que mais uma vez, as lágrimas lhe corroíam, ela verdadeiramente desejava estar nos braços masculinos naquele momento, ou melhor, desejava mais que aquilo, ansiava para que todos os dias estivessem em momentos tão intimistas quanto aquele já pensado. "eu provavelmente estaria no seu colo, com meus braços em volta de você também." sussurrou, pensando naquela como uma cena que poderia ser até então muito intimista, porém, a mesma visualização não parecia lhe assustar. em um mesmo repente, como um autêntico farol, as palavras de chord pareceram com aquela luz, aquela, que no meio da escuridão ilumina o ser interior feminino e clareia um novo rumo, de forma que a fez acreditar que poderia navegar com segurança e firmeza por este mundo. balançando lentamente a cabeça de um lado para o outro, cora deixou que seus olhos fechassem, sentia-se emocionada e bem, sentia que lágrimas se formavam por trás de suas pálpebras fechadas mais uma vez. "oh, chord... eu acho que enfim então nos encontramos... isso era o que eu desejava encontrar, alguém que eu sentisse e que me sentisse e mesmo sem qualquer proximidade, eu te sinto próximo." e aquele talvez fosse o motivo da maior utopia ousada que a mulher almejou ao se inscrever em um reality show, obviamente nunca acreditou que aquilo pudesse acontecer, mas seu coração palpitava tão forte lhe mostrando o contrário, que ela precisou levar uma das mãos até aquela região. "nós faremos, chord." acabou respondendo um tanto quanto confiante, não queria soar como titanic 'you jump, i jump', porém ela então compreendia o que jack e rose estavam dizendo. ao ouvir a pergunta masculina, cora deixou que seus pensamentos lhe levassem ao seu maior desejo: ser mãe, no entanto, sabia que essa poderia ser a missão mais complicada, principalmente vendo a situação em que se encontrava, estava solteira, um tanto quanto instável pelas mudanças de carreira recente e se caso viesse a se casar, o casamento seria duradouro? no entanto, apesar de todas as conjunturas, ela ainda via a ideia de ser mãe seu grande, talvez ainda maior, desejo. "eu tenho vinte e sete anos... até então estou solteira e caso venha a me casar agora, imagino que antes dos trinta eu esteja com os planos bem mais... firmados, por assim dizer... na verdade, eu não sei o que você considera longo prazo... tudo para mim parece longo demais para ser planejado, não sei se os planejamentos ou os planners gostam de mim a esse ponto." ela comentou com divertimento, afinal, decidira se casar da primeira vez meia hora antes de estar conseguindo um vestido branco de noiva e jurando qualquer coisa para um elvis presley casamenteiro de las vegas. "não que eu queira soar mandona ou nada do tipo, mas que os deuses me concedam uma criança até meus trinta anos. claro, eu não acharia ruim se um bebê viesse antes ou depois, mas eu preciso pelo menos de um marido presente e que possua os mesmo planos que eu, assim como eu ainda deveria estar... fértil?" tentou emendar rapidamente, juntando as mãos e olhando para o céu, quase dramaticamente em preces, logo deixando que uma risada lhe escapasse. "e quando você pretende começar uma família, chord?"
"eu na verdade não sei o que estamos esperando..." a estilista comentou com certa lentidão com um sorriso crescente em seus lábios. poderia ser as mesmas palavras que tivera dito em um passado, mas a mulher mais que ninguém sabia que um rio nunca era o mesmo, além de que, sua personalidade caía muito melhor com a impulsividade de um amor exagerado e intenso que qualquer coisa bem planejada e milimetricamente cronometrada, não seria cora se se permitisse fazer algo assim. um riso um tanto quanto afetado saiu pelos lábios femininos, ela poderia chorar mais uma vez, o que diabos estava acontecendo com seu sistema? estava ainda muitíssimo emotiva... e bem, não sabia se era bom continuar chorando e rindo, quem sabe lhe ocorresse um curto circuito. "podemos chorar juntos quanto estivermos vivenciando esse casamento." a novaiorquina murmurou, deixando que seus pés batessem suavemente contra o carpete. "oh, chord... eu quero que você faça isso." cora acabou soltando enquanto deixava que sua respiração também lhe escapasse, nem mesmo entendendo o motivo de ter preso, talvez inconscientemente sentindo que a intensidade seria ainda maior. o riso plenamente alegre que lhe sucedeu quase lhe assustou, era ruim estar tão animada por ouvir apenas aquelas palavras? suas bochechas de alguma forma ardiam tamanho sorriso que estampava. "você realmente também não acha que depois de me dizer algo assim eu já não me encontro plena e completamente derretida por você?" talvez já estivesse desde o primeiro momento que o outro falara sobre destinos ou quem sabe sobre sensibilidades, cora sempre fora apaixonada pela sensibilidade do desconhecimento, principalmente quando ousavam comentar sobre destinos entrelaçados e sua respectiva relevância. bem, cora agora estava conversando com um desconhecido e completamente derretida por ele, parecia o pacote perfeito. deixando que seus lábios pegassem o lábio inferior, com certeza seu coração batia tão alto que o outro conseguiria ouvir, a mulher deixou que uma de suas mãos alcançasse mais uma vez o local de seu coração. "para se casar comigo, você precisa pedir para se casar comigo, você sabe..." ela murmurou com certa diversão, deixando que seus dedos de sua mão livre passassem despretensiosamente pelo tecido de sua calça. "ou talvez eu possa pedir você em casamento também." comentou por fim, deixando que sua cabeça fosse erguida e lateralizada, mesmo que sequer conseguisse ser vista de qualquer forma do outro lado do vitral. "eu realmente poderia pedir você em casamento." murmurou mais para si que para o outro, deixando que sua cabeça tombasse contra o vidro, e se ele visse a se arrepender? cora não sabia também se suportaria uma rejeição ou se poderia simplesmente propor outra pessoa por ter sido negada, talvez ir para casa fosse um bom caminho. "acho que podemos conhecer o mais básico de um pedido, qual é o seu nome completo?" lembrava-se que sequer tivera se apresentado na primeira conversa, quase cômico, pois seu nome e sua apresentação não lhe pareceram importante no momento. ao ouvir sobre o que o outro esperava de uma relação, cora se tivesse um checklist marcaria todas as lacunas, tudo parecia uma coincidência plausível de descrença, pois bem, mais uma vez era uma visão muito parecida com a dela. dessa vez, não era somente seu coração que parecia ousado o suficiente para denunciar a própria presença, mas as borboletas em seu estômago pareciam sobrevoar ainda em maior quantidade, não era uma dança rítmica, apenas o mais profundo desgoverno, mas bem, cora preferia que tudo continuasse em seu looping aleatório, tudo parecia ainda melhor e ainda mais a sua cara. ao ouvir o comentário seguinte, cora deixou que o sorriso em seus lábios surgisse. "o que você mais gosta de fazer no seu tempo livre, chord?"
















