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cora deixou que um pequeno sorriso se fizesse presente em sua expressão ao ouvir sobre as hipóteses masculinas, de certo modo, era mais que interessante ouvir o que passava pela cabeça alheia, já que nem mesmo a própria tivera imaginado a existência de tantas possibilidades para apenas uma palavra sua de resposta. uma risada fizera com que sua cabeça fosse jogada para trás ao terminar de ouvir tudo que o outro tivera a dizer. ”primeiro de tudo, não sabia que tinha te deixado tão pensativo sobre aquele talvez.“ cora comentou, ajeitando-se da melhor maneira em seu lugar, cruzando os tornozelos e tocando a própria têmpora enquanto deixava que seu sorriso, quase abobalhado se fizesse presente. ”segundo e não menos importante… eu fortemente acredito na segunda opção também.“ murmurou com certa provocação, deixando que seus olhos suavemente se estreitassem, de uma coisa boa aquela divisória iria servir, esconder o calor que começava a percorrer suas bochechas. ”desculpe se meu flerte não foi tão perceptível assim… quem sabe eu acabei perdendo a prática.“ desculpou-se em meio a uma risada, elevando rapidamente os próprios ombros, não era uma queixa tão forte assim, mas poderia entender agora como era difícil tentar flertar sem ver qualquer expressão de seu rosto, pior, nem mesmo saber como é seu rosto e talvez naquele momento tudo tivesse sido dificultado por sua tentativa com as palavras que teriam sido falhas. os olhos femininos saíram da sua mão posta em cima de seu coração e foram direcionados à divisória, impressionada com as palavras masculinas, em uma animação quase infantil, cora deixou que uma gargalhada lhe escapasse ao ouvir o comentário seguinte, tinha que admitir que chord possuía um senso de humor notório e era contagiante rir como uma boba de qualquer um de seus comentários, até mesmo envolvendo cardiologistas. ”oh, meu deus, eu te causei uma arritmia ou algo assim?“ resolveu brincar, ainda sentindo que seu coração ainda batia com intensidade, cora sabia quando a noradrenalina estava sendo liberada por seu corpo, principalmente quando estava em um cenário de atração, mesmo que o cenário atual fosse um tanto quanto mais… exótico, por assim dizer, mas de todas as formas, ela deixaria que todos os sintomas físicos dessa nova realização acontecessem, estavam falando sobre destino, quem sabe aquele não fosse o seu? ”acredito que vamos ter que lidar com essa nova… movimentação sozinhos.“ a mulher provocou suavemente, deixando que um sorriso lateralmente se formasse em seus lábios, se estavam prontos para se apaixonar, que deixassem o curso natural acontecer. cora nunca deixaria que sua paixão fosse impedida, ela não era assim, sempre tivera se permitido todas as sensações e agora em um reality show, certamente não deixaria deixar de ser quem era por conta de algumas câmeras.
ao ouvir o comentário alheio sobre onde seu coração tivera lhe levado, cora deixou que uma sobrancelha curiosamente se arqueasse. ”o que já fez de mais impulsivo amorosamente? que quase te causou arrependimento…“ cora não era o poço de prudência, longe disso, mas entendia o que ele queria dizer, ela tivera sido aquela que se casara com maior rapidez, mesmo acreditando que não faria o mesmo… talvez estivesse enganada, ela gostaria de deixar que o amor a penetrasse, mas dessa vez pelo menos conheceria mais seu parceiro, seguindo o ritmo do programa. ”eu acho que você sabe que eu posso ser um pouquinho impulsiva… mas o meu conselho? sempre se permita, chord, eu provavelmente me arrependeria se usasse a razão no lugar da emoção.“ de certa forma, cora sentia que chord e ela pareciam mais que o até então já visto, não tinha tanta certeza se o outro levava mais a razão que a emoção, por isso, para pessoas como ela, deixava como único conselho, seguir seu coração, emoção, intuição… bem, tudo ficaria bem no final.
ao ouvir as palavras masculinas, cora deixou que relaxasse no próprio acento, trazendo suas mãos entrelaçadas para o colo. ”o que eu tenho te mostrado?“ cora perguntou com certa curiosidade, deixando que sua cabeça horizontalizasse enquanto encarava a divisória. a mulher sabia que muitas das coisas na vida não deveriam ser levadas ao lado individual, mas sempre ficaria em dúvida quando o assunto seria destino, todos possuíam o próprio, isso era claro, mas muitos pareciam ter seus destinos entrelaçados, como se existissem muitos fios emaranhados e por muitas relações, mas em questões de almas gêmeas, ai ela precisava afirmar que existia apenas uma naquela vida. ”e você realmente acha que esse fato não virá trazer qualquer relevância para a humanidade? ser a sua melhor versão já é o que o mundo sempre irá precisar, chord… com certeza nossos netos vão querer ouvir nossas versões das mesmas histórias, então não ouse morrer antes.“ cora não se importava se não tivesse um emprego influente, afinal, ela não tinha, era uma ex-modelo, o que daquilo poderia trazer para a humanidade? bem, suas ações e sua provável influência para algum grupo de pessoas, mesmo que mínimo, poderiam trazer algo para melhorar a humanidade, o mesmo servia para o que o homem tivera falado, ser lembrado pela pessoa que foi, para sua família ou para seus futuros fãs naquele programa, de certa forma, eles também passariam a ser assistidos por pessoas ao redor do mundo. ”mas por exemplo, eu acho que coisas extraordinárias podem acontecer para aqueles que são almas gêmeas com seus propósitos atrelados, digamos que eles tem como um propósito ter um filho que fará algo brilhante para a humanidade, pode ser esse o propósito grandioso, não acha?“ cora acabou devaneando a medida que descruzava as mãos e sorria em seu lugar no sofá, era muito inquietante papear sobre um assunto onde sequer poderia mirar os olhos alheios. ouvir o homem falando sobre a sorte e como ele se sentia bem com ela, deixou com que o coração feminino batesse ainda mais rápido e seus olhos praticamente cintilarem, ela gostaria de poder ver aquela versão. ”eu não sei se acredito tanto na sorte quanto gostaria…“ a mulher começara a murmurar, soltando um riso quase melancólico. ”eu gosto mais da sua versão da sorte.“ ela falou com sinceridade, queria que ele ouvisse a sinceridade, já que não conseguia a ver. ”eu diria também que sou grata por tudo, ou pelo menos grande parte do que já me aconteceu, acredito que tudo faz parte de um grande aprendizado que não poderia ser evitado… mas não sei se isso é considerado sorte.“ a mulher continuou murmurando um tanto quanto pensativa, não diria que a melancolia tivera lhe atingido tão cedo, apesar da mesma existir muitas vezes. ”ensine-me a ver a sua versão da sorte, acredito que gostarei mais dessa parte.“ comentou com um pequeno sorrio, sabendo que para ser otimista, precisaria de motivos para que a fizessem ser otimista, poderia se acostumar facilmente com outra pessoa sendo otimista ao seu lado, parecia leve e ao mesmo tempo poderoso. a mulher precisou piscar um par de vezes, deixando que um pequeno riso lhe atingisse, não iria narrar o sonho que tivera tido, pelo menos não em rede nacional, mas bem, o final do sonho era o mesmo. ”eu acordei, querido.“
cora acabou deixando que um sorriso se abrisse ao ouvir o questionamento alheio, era quase magnético a sensação que sentia de conexão com aquele do outro lado, não esperava que seus sorrisos lhe traíssem tanto, não era para parecer tão sorridente, ou era? ”então procuramos até encontra-la.“ repetiu lentamente completamente absorta, pois aquelas seriam palavras que a própria também diria, cora nunca deixaria de procurar aquele sentimento de que faltava algo, principalmente quando estávamos falando sobre sua alma gêmea. cora ainda estava perdida nos próprios pensamentos quando ouviu a fala seguinte, olhando rapidamente para os saltos em seus pés. ”aposto que esse vidro quebraria facilmente com meu salto, ele é bem grande.“ murmurou divertidamente, será que muito vidro se espalharia ou faria apenas um pequeno furinho? que diabos, por que estava pensando nisso? ”eu não sou adepta da violência, mas olhe só o que raios estou falando… você está me deixando ainda mais curiosa, até mesmo sobre meus próprios pensamentos, garoto de indianópolis.“ ela comentou com uma sutil risada, deixando que seus dedos passassem por seus fios de cabelo. a movimentação de seus dígitos foram estancadas quando ouviu sobre a maneira que o outro gostaria de ser lembrado. ”você quer ser lembrado por ter sido o grande amor de alguém, chord?“ cora perguntou com pura curiosidade, pois aquela menção parecia muito ideal aos ideias românticos femininos. ”caso a resposta seja sim, eu tenho certeza que seria a história mais bonita que eu já teria ouvido e que ocasionalmente eu gostaria de ouvir… e bem, ter sorte de participar.“ se pudesse escolher como seu destino lhe mostraria sorte, certamente diria que gostaria de amar e ser amada. ”seria uma história divertida de contar, aposto que atrairia muitas pessoas para essa roda de histórias… afinal, viria a calmaria depois de corações quebrados por todas as partes de um carpete, seriam dois corações reconstruídos a partir de uma parede divisória sob a benção da lua.“ cora tinha que admitir que seria uma história atraente demais para ficar apenas na imaginação, provavelmente ela desenharia um caderno inteiro sobre como tudo tivera acontecido, do primeiro ao último encontro seria uma curva interessante. ”como seria o primeiro encontro perfeito para você?“ emendou rapidamente por ter correlacionado o mesmo romantismo e a um provável encontro do lado de fora de tudo aquilo. ”oh, por favor, jamais se sinta estranho por ser sensível, uma vez me disseram que as pessoas mais sensíveis possuíam os melhores corações… e eu já te disse que acreditava no seu.“ a mulher respondeu rapidamente, mesmo que não soubesse o que ele diria como ’um sujeito como eu’, já que não o conhecia fisicamente, ela gostava da versão do chord atrás da divisória, com sensibilidade e sentidos à flor da pele.
o sorriso feminino se expandiu de uma maneira um tanto quanto boba, não esperava que chord também gostasse daquela versão de casamento, tudo mais parecia como uma versão de um conto de fadas infantil, mas que de alguma forma lhe remetia a magia de tudo aquilo, o casamento para cora era um grande conto de fadas, onde ela sonhara por tantos e tantos anos com muitas maneiras diferentes de ter sua noite mágica, que seria apenas o início de uma vida mágica, mas bem, ela já sabia como tudo poderia ter dado errado… e agora, apesar de seus muitos devaneios e suas desilusões, nada parecia menos importante que não fazer tudo dar certo. ”tudo bem… parece então que ambos queremos nos casar com o céu e com a lua como testemunhas.“ cora ainda tinha o próprio sorriso nos lábios, por deus, onde tudo aquilo iria lhe levar? poderia ver aonde seu coração estava lhe levando, mas e depois? um outro gemido escapou de cora, estaria ela se deixando levar com muita facilidade? seu coração batia fortemente contra seu peito, seu estômago possuía o habitual frio - daqueles que se sentem quando se encontra com um alguém muito interessante - e bem, seus pensamentos estavam rondando apenas pelo nome masculino, cora poderia não ter a menor ideia de como o outro aparentava, mas mesmo assim ele estava preenchendo seus espaços e suas lacunas mentais, que os deuses lhe ajudassem com seus sonhos. ”chord, você realmente não pode me dizer essas coisas se não possuir a intenção…“ ela murmurou, deixando que seus olhos se fechassem e mais uma vez encostasse a própria testa no vidro, cora dissera isso com certa dúvida, pois não sabia se chord estava brincando naquele momento, ela realmente levava a sério frases como ’estava procurando por você’, pois a mesma estava. ”porque eu irei acreditar fielmente nisso.“ terminara com um sopro da própria voz, o coração feminino sempre fora até mesmo ingênuo em questões amorosas, principalmente por ser alguém que apenas se deixava acreditar que tudo poderia ser uma grande obra do destino e que sua felicidade estaria cada vez mais próxima, e caso viesse a tentar explicar aquilo que ninguém parecia entender, ou melhor, tentar vivenciar o mais puro jogo do amor, ela ainda assim o faria. ”eu realmente posso me apaixonar por você, chord, mas eu não sei na verdade até quanto você deseja ir por aqui… comigo, pelo menos.“ cora tinha certeza absoluta que até o final daquele encontro sairia com um nome em mente, não sabia o que poderia acontecer a seguir com seus outros encontros, mas sentia que o nome alheio poderia persistir em seus pensamentos, no entanto, aquilo era recíproco? ”tudo que eu peço é sinceridade, principalmente por aqui, onde não temos qualquer obrigação de decidir em um primeiro encontro, afinal, nos foi avisado que precisamos escolher a melhor opção para si, com quem consegue se ver se casando, essas coisas…“ cora mexeu uma das mãos displicentemente, poderia não ser o que ela verdadeiramente pensava, mas aquele era o intuito do programa, assim como ela não estava julgando qualquer coisa, ela, mais que ninguém, também sabia que deveria existir cautela para certas decisões, mesmo. que seu coração por vezes lhe ludibriasse o suficiente para que não lhe fizesse seguir com tanto afinco decisões plenamente calculadas.
”como assim você desenhava esse tempo todo e eu apenas estou sabendo disso agora?“ cora perguntou depois de escutar atentamente o que o outro estava lhe comentando. ”devo pedir uma troca de desenhos?“ sugeriu com divertimento, verdadeiramente curiosa pelo mais novo ponto em comum. ”você desenhava planetas? oh, meu deus! eu também!“ mais uma vez, os lábios femininos se entreabriram em surpresa, não tivera imaginado que aquilo poderia estar acontecendo. ”todo o sentido do universo sempre me foi fascinante, não pense que eu estou tentando copiar você ou nada do tipo.“ ponderou com divertimento, para alguém amante da lua, estender seus gostos ao universo em geral não parecia grande coisa, principalmente quando estava se tratando de planetas coloridos e com significados igualmente místicos. ”eu confesso que queria ter sido uma adolescente inteligente o suficiente para gostar de ciências e quem sabe me aprofundar em assuntos como astrofísica ou coisa do tipo, mas nos meus cadernos não existiam espaços para as fórmulas… existiam desenhos… oh, sim, principalmente de roupas.“ a mulher precisou franzir suavemente o cenho como lembrança, ela realmente era horrível em física, se seu pai um dia desejasse uma cientista, coitado, mais uma decepção em sua conta. ”como você era na adolescência?“ cora precisou se levantar para que alcançasse uma garrafinha de água no pequeno bar, bebendo um gole antes de voltar a comentar. ”cavalos são bem legais, mas extremamente difíceis de desenhar, você cavalga ou algo do tipo?“ quem sabe dali teria uma hobbie escondido? ”ou melhor, acho que não te perguntei se você possui algum animal de estimação.“ comentou enquanto se jogava no sofá, ainda pensando no que ela gostava como animais de estimação. ”eu gostava de desenhar coelhos… meus pais nunca quiseram me dar um coelho, então eu apenas os desenhava e os pregava em todas as partes da casa.“ aquela sem dúvida era a melhor forma que uma criança ou adolescente solitária poderia fazer em uma casa onde tudo parecia ser proibido. ”coloque na nossa lista: ter um coelho. eu já tenho até um nome para ela.“ murmurou, deixando que mais um gole do líquido passasse por seus lábios. ”eu sou um grande livro aberto de peculiaridades… pode perguntar qualquer coisa e bem, se eu me lembrar, irei responder, se for um fetiche, bem, ai devemos esperar as luzes se apagarem?“ cora comentou com diversão, às vezes era bom incrementar uma conversa de um bar entre amigos com quem iria se casar, certo? talvez não, mas assim ela se seguia. ”hey! eu acho bom que o senhor resista, eu posso ser uma grande tagarela e já estou prevendo que você irá desmaiar quando eu desenfrear a falar.“ cora tentou seu melhor olhar de adversão, mas obviamente ele não conseguia a ver e logo sua gargalhada se sobressaiu, engatando prontamente no próximo comentário alheio. ”eu preciso de um marido inteiro, não ouse se machucar para quebrar algo assim, já chegamos a conclusão que é vidro.“
ao ouvir a animação do outro lado com a possibilidade de ser uma contadora de histórias na madrugada, cora deixou que um pequeno riso lhe escapasse. ”e quais são suas habilidades secretas na cama, chord?“ cora perguntou divertida as palavras com certo duplo sentido. ”claro, não precisa ser na cama.“ emendou rapidamente, franzindo o nariz segundos após, afinal, ainda estava com o assunto provavelmente distorcido. ”por deus, você entendeu.“ murmurou, em meio a um sorriso, não propriamente perguntava sobre algo extraordinário, como já dito uma vez, as maiores coisas estavam sempre nos menores gestos e para ela, aquele sempre seria o fato mais extraordinário de uma personalidade. cora fez um pequeno biquinho ao ouvir as palavras alheias, estava ela voltando à adolescência quando via seu ídolo fazendo algo extremamente doce, levando mais uma vez sua mão até seu coração. ”você ainda tem a proposta do cardiologista em pé? acho que meu coração ainda não se acostumou com as suas frases.“ além de fitas, corações, cora era uma moça romântica o suficiente para achar daquela situação doce como o mel a conversa mais atraente que já tivera escutado. ”você não quer que eu chore novamente só por ouvir isso, eu tenho certeza.“ sussurrou, deixando que um riso fungado lhe saísse. ”a luz dos meus olhos também ficariam cintilantemente felizes de encontrar os seus… mesmo se você se assustasse com a visão em todas essas luzes.“ brincou, deixando que apenas sentisse o que seu coração pedia para que o fizesse, sentia que todas as emoções possíveis seriam válidas para aqueles que verdadeiramente se encontrassem, incluindo a luz dos olhos. ”então quer dizer que você planeja retornar para indianópolis com uma noiva, senhor marceneiro? será que eu seria bem aceita por sua lua?“ perguntou com curiosidade, ponderando o que poderia acontecer caso resolvesse se mudar para o lugar alheio. ”não me pareceu uma troca ruim… eu poderia viver muito bem em uma cidade com mais chances de ver a lua e as estrelas, mas com uma objeção: visitaríamos nova iorque na primavera? ou quem sabe no ano novo, você precisa ver como a times square fica reluzente quando está em contagem regressiva para um novo ano.“
um arquear começara a estender os cantos dos lábios feminino, era quase divertido ouvir aquilo, chorar não mostrava qualquer sinal de inferioridade, muito pelo contrário, cora provavelmente poderia ficar brava com quem alguma vez tivesse subentendido que era. ”você não é só um cara chorão… você só sente muito.“ a sensibilidade sem dúvidas era algo que cora gostava de ver nas pessoas, afinal, não era algo aprendido ou inventado, mostravam que aqueles que a possuíam eram mais coração que razão, talvez essa também fosse uma característica sua, mas em sua defesa, sempre disseram que era bom estar com pessoas que também compartilhavam traços de sua mesma personalidade, certo? ao ouvir sobre a questão de conhecer sua mãe verdadeira, cora sentiu que seu coração pesava mais uma vez, ela não sabia como era se ver naquela situação, também estaria nervosa. ”você já conversou com seus pais sobre a encontrar ou mostrou interesse no assunto?“ perguntou com delicadeza, sabia que aquela poderia ser uma decisão individual, mas ele poderia pesar outras opiniões, principalmente daqueles que mais o conheciam. ”eu imagino que deve ser um assunto que apenas possa te deixar confuso… mas para todos os efeitos e todas as decisões, saiba que eu acredito em você e acredito nas suas escolhas, chord… de fato que seja um momento seu, mas sabia que eu estarei de mãos dadas com você, mesmo que em pensamentos.“ não existia um manual, cora sabia disso, mas principalmente sabia que confiava naquele homem que nunca tivera trocado um olhar, e de alguma forma, se pudesse fazer algo para aquela situação, seria estar ao seu lado, pois sentia que ele faria a melhor solução aparecer diante de seus olhos e aquilo era quase confortável. cora precisou soprar um riso em meio as batidas mais intensas de seus coração, ou seria sobre as borboletas enlouquecidas em seu estômago? ”oh, chord.“ talvez estivesse virando um grande costume ele estar a deixando sem palavras tamanhas vezes ”eu estive procurando por você.“ repetiu as palavras masculinas ditas uma vez, dessa vez seu sorriso crescendo inconscientemente, onde quer que ele estivesse, parecia que finalmente tiveram se encontrado. ”eu estou aqui agora, devemos tirar todos os muitos anos perdidos?“ perguntou com certa diversão, mordendo o lábio inferior enquanto encarava a parede divisória. ao ouvir as palavras do outro lado do cômodo dividido, cora bateu ambas as mãos em uma palma seca. ”tudo bem, me convenceu me dê os papeis, irei assinar.“ brincou com uma risada no final de sua fala, colocar na sala ou não, ela não se importava, mas ter alguém que se importava consigo de uma maneira romântica, oh, bem, aí sim você deveria colocar um anel do dedo desse cara. ”não seja bobo, chord, eu que me gabaria de ter me casado com o seu eu romântico incorrigível…“ deixou que um suspiro lhe saísse, a medida que suas palavras delicadamente lhe romperam. ”porém espero que saiba que eu sou uma pessoa esforçada… principalmente quando estamos falando sobre culinária.“ cora tentou manter a seriedade, se forem dividir uma casa, ele deveria saber como manusear um extintor de incêndio. ”eu diria que eu sei fazer dois pratos… no máximo, sem uma panela queimada.“ completou com uma risada, dizia-se esforçada, pois realmente planejava aprender a cozinhar, mesmo que suas mãos não parecessem tão afirmativas a essa questão.
cora sentiu que mais uma vez, as lágrimas lhe corroíam, ela verdadeiramente desejava estar nos braços masculinos naquele momento, ou melhor, desejava mais que aquilo, ansiava para que todos os dias estivessem em momentos tão intimistas quanto aquele já pensado. ”eu provavelmente estaria no seu colo, com meus braços em volta de você também.“ sussurrou, pensando naquela como uma cena que poderia ser até então muito intimista, porém, a mesma visualização não parecia lhe assustar. em um mesmo repente, como um autêntico farol, as palavras de chord pareceram com aquela luz, aquela, que no meio da escuridão ilumina o ser interior feminino e clareia um novo rumo, de forma que a fez acreditar que poderia navegar com segurança e firmeza por este mundo. balançando lentamente a cabeça de um lado para o outro, cora deixou que seus olhos fechassem, sentia-se emocionada e bem, sentia que lágrimas se formavam por trás de suas pálpebras fechadas mais uma vez. ”oh, chord… eu acho que enfim então nos encontramos… isso era o que eu desejava encontrar, alguém que eu sentisse e que me sentisse e mesmo sem qualquer proximidade, eu te sinto próximo.“ e aquele talvez fosse o motivo da maior utopia ousada que a mulher almejou ao se inscrever em um reality show, obviamente nunca acreditou que aquilo pudesse acontecer, mas seu coração palpitava tão forte lhe mostrando o contrário, que ela precisou levar uma das mãos até aquela região. ”nós faremos, chord.“ acabou respondendo um tanto quanto confiante, não queria soar como titanic ’you jump, i jump’, porém ela então compreendia o que jack e rose estavam dizendo. ao ouvir a pergunta masculina, cora deixou que seus pensamentos lhe levassem ao seu maior desejo: ser mãe, no entanto, sabia que essa poderia ser a missão mais complicada, principalmente vendo a situação em que se encontrava, estava solteira, um tanto quanto instável pelas mudanças de carreira recente e se caso viesse a se casar, o casamento seria duradouro? no entanto, apesar de todas as conjunturas, ela ainda via a ideia de ser mãe seu grande, talvez ainda maior, desejo. ”eu tenho vinte e sete anos… até então estou solteira e caso venha a me casar agora, imagino que antes dos trinta eu esteja com os planos bem mais… firmados, por assim dizer… na verdade, eu não sei o que você considera longo prazo… tudo para mim parece longo demais para ser planejado, não sei se os planejamentos ou os planners gostam de mim a esse ponto.“ ela comentou com divertimento, afinal, decidira se casar da primeira vez meia hora antes de estar conseguindo um vestido branco de noiva e jurando qualquer coisa para um elvis presley casamenteiro de las vegas. ”não que eu queira soar mandona ou nada do tipo, mas que os deuses me concedam uma criança até meus trinta anos. claro, eu não acharia ruim se um bebê viesse antes ou depois, mas eu preciso pelo menos de um marido presente e que possua os mesmo planos que eu, assim como eu ainda deveria estar… fértil?“ tentou emendar rapidamente, juntando as mãos e olhando para o céu, quase dramaticamente em preces, logo deixando que uma risada lhe escapasse. ”e quando você pretende começar uma família, chord?“
”eu na verdade não sei o que estamos esperando…“ a estilista comentou com certa lentidão com um sorriso crescente em seus lábios. poderia ser as mesmas palavras que tivera dito em um passado, mas a mulher mais que ninguém sabia que um rio nunca era o mesmo, além de que, sua personalidade caía muito melhor com a impulsividade de um amor exagerado e intenso que qualquer coisa bem planejada e milimetricamente cronometrada, não seria cora se se permitisse fazer algo assim. um riso um tanto quanto afetado saiu pelos lábios femininos, ela poderia chorar mais uma vez, o que diabos estava acontecendo com seu sistema? estava ainda muitíssimo emotiva… e bem, não sabia se era bom continuar chorando e rindo, quem sabe lhe ocorresse um curto circuito. ”podemos chorar juntos quanto estivermos vivenciando esse casamento.“ a novaiorquina murmurou, deixando que seus pés batessem suavemente contra o carpete. ”oh, chord… eu quero que você faça isso.“ cora acabou soltando enquanto deixava que sua respiração também lhe escapasse, nem mesmo entendendo o motivo de ter preso, talvez inconscientemente sentindo que a intensidade seria ainda maior. o riso plenamente alegre que lhe sucedeu quase lhe assustou, era ruim estar tão animada por ouvir apenas aquelas palavras? suas bochechas de alguma forma ardiam tamanho sorriso que estampava. ”você realmente também não acha que depois de me dizer algo assim eu já não me encontro plena e completamente derretida por você?“ talvez já estivesse desde o primeiro momento que o outro falara sobre destinos ou quem sabe sobre sensibilidades, cora sempre fora apaixonada pela sensibilidade do desconhecimento, principalmente quando ousavam comentar sobre destinos entrelaçados e sua respectiva relevância. bem, cora agora estava conversando com um desconhecido e completamente derretida por ele, parecia o pacote perfeito. deixando que seus lábios pegassem o lábio inferior, com certeza seu coração batia tão alto que o outro conseguiria ouvir, a mulher deixou que uma de suas mãos alcançasse mais uma vez o local de seu coração. ”para se casar comigo, você precisa pedir para se casar comigo, você sabe…“ ela murmurou com certa diversão, deixando que seus dedos de sua mão livre passassem despretensiosamente pelo tecido de sua calça. ”ou talvez eu possa pedir você em casamento também.“ comentou por fim, deixando que sua cabeça fosse erguida e lateralizada, mesmo que sequer conseguisse ser vista de qualquer forma do outro lado do vitral. ”eu realmente poderia pedir você em casamento.“ murmurou mais para si que para o outro, deixando que sua cabeça tombasse contra o vidro, e se ele visse a se arrepender? cora não sabia também se suportaria uma rejeição ou se poderia simplesmente propor outra pessoa por ter sido negada, talvez ir para casa fosse um bom caminho. ”acho que podemos conhecer o mais básico de um pedido, qual é o seu nome completo?“ lembrava-se que sequer tivera se apresentado na primeira conversa, quase cômico, pois seu nome e sua apresentação não lhe pareceram importante no momento. ao ouvir sobre o que o outro esperava de uma relação, cora se tivesse um checklist marcaria todas as lacunas, tudo parecia uma coincidência plausível de descrença, pois bem, mais uma vez era uma visão muito parecida com a dela. dessa vez, não era somente seu coração que parecia ousado o suficiente para denunciar a própria presença, mas as borboletas em seu estômago pareciam sobrevoar ainda em maior quantidade, não era uma dança rítmica, apenas o mais profundo desgoverno, mas bem, cora preferia que tudo continuasse em seu looping aleatório, tudo parecia ainda melhor e ainda mais a sua cara. ao ouvir o comentário seguinte, cora deixou que o sorriso em seus lábios surgisse. ”o que você mais gosta de fazer no seu tempo livre, chord?“
o riso feminino fez com que chord sorrisse de maneira afetuosa e este movimento se alastrou mais alguns milímetros conforme a ouvia dar continuidade a brincadeira que iniciou. “digamos que eu tenho uma tendência considerável a pensar em possibilidades.” confessou por entre um riso parcialmente divertido e um tanto quanto constrangido, afinal, pensar demais nunca foi uma característica louvável, no entanto, em sua defesa e pelo menos levando em consideração a experiência na qual estava inserido, qualquer indivíduo poderia sentir-se ainda mais ansioso do que o costume naquele cenário repleto de ‘novidades’. o homem riu mais uma vez, apertando ligeiramente os olhos ao presumir que o tom usado correspondia a uma tentativa sutil de galanteio, a confirmação surgiu não muito depois, o que provocou um novo riso e incitou aquele estranho sentimento de proximidade para com cora, já que ambos não pareciam ser ‘habilidosos’ no respectivo assunto. “eu não posso te julgar. estou tentando te paquerar com o uso exagerado e banal do humor.” retorquiu jocosamente, encolhendo os ombros como quem dizia não saber de outra maneira senão aquela. “estou preocupado que você esteja ouvindo as batidas dele, você está?” indagou numa mistura de diversão e falsa apreensão. o assunto seguinte o fez franzir as feições numa careta passageira. “eu vendi meu carro para darmos entrada em um apartamento e comprar os móveis que faltavam.” resumiu, levando uma das mãos até o rosto e o apoiando brevemente ali, sentindo uma espécie de cansaço somente por tocar no assunto. “a parte boa é que ela mudou de ideia antes de assinarmos os papéis, a ruim é que eu perdi meu audi.” suspirou exageradamente quando mencionou o carro, sendo essa a principal razão de seu desgosto contínuo, seu coração já havia se recuperado da decepção amorosa, mas não de sua perda material. chord sorriu docilmente frente ao conselho, ciente de que poderia dizer o mesmo a qualquer outra pessoa. “sempre, querida.” concordou suavemente.
tirou alguns instantes para refletir ante a pergunta, mordiscando distraidamente o lábio inferior até que finalmente se pronunciasse com certa vagarosidade. “no meu ponto de vista e considerando tudo que conversamos, você não me parece se adequar a ideias tão individuais, pessoas românticas dificilmente se enquadram nisso.” a voz alheia soou pela cabine, rematando toda sua atenção, um sorriso caloroso e lateral surgiu no semblante masculino. “é, você tem razão.” reconheceu, raspando levemente as unhas em sua garganta para coçá-la à medida que refletia a respeito do que fora dito. “tudo bem, prometo me manter saudável para diminuir as chances de ir primeiro.” disse zombeteiramente, um sorriso preguiçoso surgindo em seus lábios. a fala posterior o fez soprar o ar que acumulara nos pulmões sem que percebesse, para seu coração, cora lhe parecera uma pretendente romanticamente irresistível. “sim, eu acho que sim.” murmurou, ligeiramente desnorteado com os próprios devaneios. a partir da fluidez dos assuntos, chord conseguiu voltar a si. não pretendia soar exageradamente otimista, afinal, nem mesmo ele resistira a tanto com tamanho entusiasmo em determinadas situações. “você mencionou gratidão e isso me parece o principal para que notemos as demais coisas numa perspectiva mais otimista. talvez pra você, sorte não seja a denominação que usaria para descrever esse sentimento ou motivação.” visto que cada indivíduo tinha uma visão de mundo e percepção dele. ainda sim, tinha um sorriso lisonjeado moldando seu rosto, cora parecia levá-lo em consideração e isso provocava um sentimento aprazível no marceneiro que costumava falar muitas bobagens filosóficas, sendo esta uma espécie singular de validação. “creio que podemos encontrar a sua versão de sorte. será divertido, sim?” contrapropôs. ele riu com a resolução tão simplista do sonho, ciente de que estava com a maior cara de bobo já vista por aqueles que o filmavam.
a destra encaminhou-se para os lábios de chord, seus dedos servindo como um estúpido escudo para disfarçar o sorriso que não poderia ser contido. as pálpebras cederam por alguns instantes dando a chord a oportunidade de processar as emoções e filtra-las com algum cuidado. “vidros temperados tem uma resistência muito grande, querida. mas imagino que sua força de vontade seja ainda maior.” provocou suavemente, as sobrancelhas se arqueando em curiosidade com o comentário seguinte. “isso é algo bom, não é?” questionou, tendo a impressão que sim, talvez porque gostaria que fosse. “nunca pensei de maneira tão simplificada” começou, ligeiramente impressionado, os lábios franzidos antes de prosseguir. “mas imagino que sim, afinal, qual a graça de viver sem ter vivido um amor recíproco? não sabemos nosso objetivo aqui, se é que há um, então nossas emoções são o nosso melhor presente e talvez o maior indicativo do que deveríamos fazer se pensarmos bem.” disse reticente, imerso a ideia abrupta que cruzou seus devaneios. sentiu o coração tremular numa sensação boa quando cora preencheu o espaço com suas palavras e sabia que sorria como o tolo que costumava ser, um tolo que esquecera sua habilidade de fala por segundos preciosos. “hum, acho que isso tem mais a ver com a companhia do que propriamente o cenário. mas se tivesse que escolher, provavelmente optaria por um encontro durante a noite. teria que ser divertido, mas de alguma forma intimista. quem sabe ir a um parque de diversão e ter um primeiro beijo na roda gigante ou quando dividir uma maçã do amor?” sugeriu com uma pincelada de diversão, os ombros se encolhendo levemente. “e para você?” sua voz não negava sua curiosidade.
hesitantemente sua mão se afastou do caderno de retalhos e se apoiou na mesa, não levou mais do que um minuto para que seus dedos estivessem batucando ritmicamente a madeira. todas aquelas coincidências fervilhavam seu emocional e chord precisava ser cuidadoso. ele acenou à medida que a escutava, os flertes faziam parte de seu repertório para aquele experimento, costumava brincar com situações e talvez aquilo não fosse algo que deveria perdurar, visto que as pessoas poderiam criar expectativas. “me desculpe, não quis parecer tão leviano.” disse completamente sem jeito, seu olhar deslizando até que estivesse encarando o chão da cabine. “mas assim como você, eu poderia me apaixonar também.” admitiu um pouco mais baixo do que pretendia, puxando uma respiração antes de prosseguir: “eu te disse no nosso primeiro encontro que você me parecia familiar. e esse segundo está reforçando essa sensação e muitas outras. estou um pouco desnorteado, cora.” anestesiado também, cora parecia ter saído de seus sonhos mais doces. “primeiro porque não esperava que fosse me causar tamanhas reações e segundo porque há alguns dias tive um encontro intenso também. e eu não estou aqui para ser desleal com ninguém.” ressaltou cuidadosamente. “então eu preciso de um tempo para processar tudo isso, cora.” chord não iria se comprometer com algo que não tinha plena convicção. “e eu gostaria de continuar a encontrando, se possível.” disse numa espécie de pedido e confissão. “mas obviamente entenderei caso não queira o mesmo.”
o homem riu levemente. “desculpe, eu achei que fosse deduzir isso por conta da minha profissão. não que desenhar móveis seja uma tarefa complexa.” os desenhos eram a parte mais tranquila do processo e uma das mais divertidas já que poderia deixar sua imaginação fluir naturalmente. “claro, mas devo esclarecer que desenhar não é uma das minhas maiores habilidades.” avisou, um pouco intimidado pelo que vira no caderno alheio. sua testa se franziu numa agradável surpresa e chord se remexeu no assento como uma criança empolgada faria. “sim! eu costumava desenhar saturno por conta de seus anéis que são mais visíveis que júpiter, urano e netuno. acho que este é o meu planeta favorito entre esses que citei.” tagarelou animosamente. ele riu e meneou a cabeça quando ouviu o comentário posterior. “considerando que gostamos da lua, talvez seja natural dividirmos esse interesse, cora.” acrescentou despretensiosamente, sorrindo de canto ao cogitar que todas aquelas coisas em comum poderia ser uma espécie de sinal. por sorte, ela voltou a falar e seus pensamentos se dispersaram facilmente, se identificava com a parte de desejar ser mais inteligente durante a adolescência, por isso sua cabeça se moveu assertivamente. “eu também! mas infelizmente não tinha a menor vocação para isso.” confessou aos risos. “foi nessa época que decidiu que gostaria de trabalhar com moda?” questionou, lembrando que durante a adolescência ser advogado pareceu uma boa ideia. por sorte, a vida permitia mudanças e redescobertas. “acho que tranquilo, pelo menos me esforcei para não dar trabalho algum e ser um adolescente normal. não tive as melhores notas da turma, também não fui popular, mas me diverti bastante com os meus amigos. jogamos muito guitar hero e zelda. e eu me apaixonei muitas vezes por amigas minhas. um desastre total. mas e você, cora?” eram lembranças que o fazia rir, seja por constrangimento ou não. “não tenho o costume, tive pouquíssimas oportunidades na verdade, mas acho um animal muito majestoso. meu pai costumava desenha-los e eu acabei aprendendo por osmose.” explicou rapidamente. “eu tenho um furão, ele se chama dex. e está comigo há uns dois anos.” estar longe de casar significava estar longe de dex e isso o deixava triste. o assunto, no entanto, chamou sua atenção já que era essencial casar-se com alguém que gostasse de animais. “coelhos são adoráveis. eu adoraria te presentear dessa forma. qual nome daria a ela?” perguntou nitidamente entusiasmado com a ideia de faze-lo num futuro próximo. “agora eu gostaria de saber seu maior fetiche, mas considerando que não me contou o desfecho de seu sonho com detalhes sórdidos, talvez não me responda essa pergunta também.” se mostrou um pouco indignado, embora não fosse algo real, entendia que alguns assuntos deveriam ser tratados com a devida privacidade. “não se preocupe, querida. o máximo que posso fazer é descansar os olhos por alguns instantes, mas me manterei atento a cada palavra.” seu pai costumava dizer que estava descansando os olhos quando chord o pegava cochilando em meio a um jogo dos colts e ele sempre achou uma desculpa genial e que usaria em algum momento. “poxa, seria um grande gesto de amor.” zombou.
dizem que você saí da quinta série, mas ela não sai de você. chord riu diante do duplo sentido. “se são secretas eu não deveria explana-las, não é?” colocou uma das mãos na cintura e ergueu um pouco o queixo ao retrucar com graça. “hum, eu posso dormir em qualquer lugar desde que esteja exausto. e isso serve para todas as outras coisas, afinal, uma pessoa motivada lida com qualquer adversidade.” seu timbre inicial era inocente, mas a sugestão pincelou as palavras finais. “e você me deixa muito motivado, cora.” acrescentou, sentindo um rubor subir por seu rosto e ressaltar suas bochechas. falava no sentido… atrativo da coisa, assim como ia além, visto que cora o ajudou a lidar com uma questão pessoal que há muito tempo tentava superar. “a coisa do livro, você sabe…” justificou desajeitadamente após pigarrear para que sua voz não falhasse. “achei que fossemos lidar com isso sozinhos, mas uma consulta não seria ruim, faz muito tempo que fiz um check up e eu não quero infartar no altar.” devolveu a brincadeira. levou uma das mãos a boca roendo superficialmente as unhas dela, quer dizer, seus dentes apenas contornaram o formato da carne e puxavam as poucas peles que haviam ali. chord nunca entendeu o motivo de romantizarem tanto o coração enquanto que o estômago parecia um órgão muito mais emocional. o seu, no momento, revirava numa dança lenta e agridoce. “você quem deveria estar preocupada, minha aparência pela manhã pode ser assustadora.” a cara de quem não era uma criatura matutina poderia afugentar alguém. “é o que eu pretendo, sair daqui casado. hum, sim, tenho a impressão de que a minha lua te aprovaria facilmente.” disse com honestidade. “claro, eu ficaria feliz em acompanhá-la em qualquer oportunidade, seja na primavera ou no ano novo. eu diria até que em algum momento poderíamos ficar um tempo em nova iorque se isso for importante para você. atualmente eu não consigo fazer isso por conta da loja, mas quem sabe não consigo expandir meus negócios no futuro?”
saber que não precisaria modificar uma parte sua para caber em algum relacionamento o deixava em paz e extremamente confortável. sua sensibilidade por vezes se transformara numa pauta interminável de discussões e ele obviamente não desejava reviver nenhum desses episódios. “obrigado, cora.” foi tudo que conseguiu dizer frente ao assunto. estava prestes a roer as unhas, mas se conteve, o assunto enrijecia sua musculatura e fazia com que seu coração se agitasse numa sensação desgostosa, fazendo-o parecer menor, como aquele garoto que um dia fora deixado à sorte. “uma vez. eu perguntei se eles tinham alguma informação e eles disseram que não, mas que poderiam procurar e eu recuei imediatamente. isso aconteceu no meu aniversário de dezoito anos, onde eu estupidamente achei que era adulto o suficiente para lidar com os meus fantasmas.” soprou uma risada curta e sem humor, porém não ousou se apegar a sensação de melancolia que pairava seu tom. “eu agradeço, cora. imensamente. falar com você tem me surpreendido de várias formas. e acima de tudo, tem me feito muito bem. espero poder provocar o mesmo em você.” concluiu com delicadeza, esperando que não soasse meloso demais, porém ressentia que provavelmente se aproximava muito deste adjetivo. ele suspirou de maneira sonhadora, ouvindo o próprio coração disparar em resposta ao que cora dizia. era um tanto quanto desesperador vivenciar tudo aquilo numa fração limitante de tempo, sentia-se no ápice de suas emoções. “teremos a eternidade de uma vida para isso, querida.” retorquiu, mordendo o sorriso que dobrava seus lábios. não sabia se poderia continuar gracejando com o assunto, se seria mal interpretado ou não, contudo, era irresistível, primeiro porque a ideia de que tudo aquilo pudesse se realizar o deixava quase que nas nuvens. e segundo, bem, chord tinha o péssimo hábito de brincar com quase tudo, embora conseguisse falar sério com algum esforço. “veja bem, mocinha. eu não pretendo me divorciar, então... teríamos que fazer isso funcionar de qualquer forma.” disse em tom de advertência, estreitando os olhos como se ela pudesse sentir o que fazia e riu não muito depois. “eu também não sou um grande cozinheiro, mas garanto que não morreremos de fome, talvez de desgosto, mas não de fome.” disse divertidamente, mexendo um dos indicadores simultaneamente enquanto ria da própria gracinha. “ótimo, uma variedade de pratos. então trabalharemos com três opções. e bom, com o seu esforço e o meu, o máximo que pode acontecer é colocarmos fogo em casa, mas para isso que existe o seguro, não é?”
o que está acontecendo comigo?, poderia perguntar abertamente e esperar que a mulher do outro lado lhe respondesse, talvez ela soubesse já que estava provocando nele tantas emoções num curto espaço de tempo. ele tirou o paletó e ocupou as mãos ao dobrá-lo cuidadosamente, uma distração necessária para que não entrasse em curto. “você é mesmo real?” questionou por entre um riso exasperado, apertando o tecido contra o peito mesmo depois de tê-lo dobrado. cora parecia ser a personificação de seu sonho mais açucarado e normalmente quando se sonha, você acorda. “minha mente poderia tê-la criado depois de tantas decepções” devaneou, movendo a cabeça de um lado para o outro, havia um pouco de humor em suas palavras. restava apenas um mês para que fizesse vinte e oito, não sabia se essa era a idade adequada para ter filhos ou se deveria esperar até os trinta ou mais. em todo caso, não parecia existir uma regra universal a respeito disso, então deixaria com que o destino se encarregasse. “no momento que tiver que ser. obviamente tenho minhas expectativas, tanto para o casamento quanto para ter filhos, mas entendo que a vida é imprevisível e não há como se preparar para tudo, mas o mínimo pode ser planejado; um relacionamento estável e recíproco, condições financeiras adequadas. muitas tentativas sem preservativos. ou dar entrada na lista de adoção. de resto, eu aceito o que vier e como vier.”
um momento de insanidade, talvez. pensou divertidamente. reconhecendo que duas criaturas com personalidades aparentemente correspondentes poderiam se entender com demasiada facilidade, restava saber se seria algo que perduraria, chord poderia apostar que sim. “eu te disse que seu número de sorte seria o quatro, querida.” seus dedos se levantaram sutilmente e se mexeram ligeiramente, demonstrando o valor ainda que cora não estivesse vendo. “se lembra disso?” quatro encontros, quatro semanas e quatro palavras: quer se casar comigo?, seria interessante apegar-se a esses detalhes, não seria tão inesperado quanto ajoelhar naquele mesmíssimo instante, mas funcionaria tão bem quanto. chord sorriu com a menção do choro durante o casamento. “podemos.” concordou suavemente, imaginando que seria um noivo certamente emocionado. “oh.” exclamou baixinho, sentindo um estranho frio na barriga diante da afirmação. se ela também queria…por que não fazê-lo? preciso conhecê-la um pouquinho mais. disse a si mesmo, incerto se abriria alguma exceção ao sentido de tempo; um minuto, uma hora ou mais um encontro? ele nem mesmo sabia o nome completo da mulher que o entorpeceu tão rapidamente. sinal amarelo. “estou feliz por ouvir isso. de verdade.” o risco de não ser correspondido parecia cada vez menor e ainda que fosse cedo demais para se vangloriar, chord apreciou a boa sensação. “hum. sempre imaginei que seria eu a fazer o pedido, mantendo a tradicionalidade do negócio, mas seria interessante o inverso. você me daria um anel bonito de noivado para eu colocar no mesmo dedo da aliança algum dia?” zombou, encarando a mão canhota como se pudesse imaginar a joia que caberia em seus longos dedos. “mas falando sério, eu gostaria bastante disso.” emendou depois de soltar uma risadinha. “e quase nos esquecemos do essencial. chord francis hopper. e o seu?” que loucura! pedir alguém em casamento antes de saber informações básicas como seu nome completo, aniversário, se tomou todas as vacinas disponibilizadas e posicionamento político. chord sentiu que voltou aos eixos ao refletir brevemente sobre. "não tenho nenhum hobby fixo, faço basicamente o que me dá vontade na hora." respondeu com sinceridade. "e você?"

















