ღ be my girl, I’ll be your man ღ
Quando aceitou participar daquele experimento, se convenceu de que apenas poderia sair ganhando; caso não se casasse e não se interessasse por ninguém, teria um bom artigo para escrever. Talvez até uma matéria de capa, dependendo de quão longe fosse. Porém, agora que já havia conhecido tantas pessoas diferentes, sua visão era um pouco diferente da que entrou tendo. Não era apenas sobre o resultado do experimento e os casamentos, era sobre todo o caminho até lá, as possibilidades, e esse estava sendo fantástico.
Objetivamente falando, sabia que não tinha sentido que Jolie julgasse as intenções e sinceridade de alguém com tão pouco tempo de convívio, só conhecia Connor a dois dias, e ainda assim, se sentia confiante por ele. Em diversos sentidos da palavra. Confiante na verdade do que ele dizia, no fascínio que ele lhe causava, confiante até mesmo naquele frio na barriga que sentiu antes de entrar naquele cômodo e escutar sua voz lhe acalentando. E confiante nem mesmo chegava a ser a palavra para descrever tudo, pois queria mais do que tudo, acreditar que havia algo a mais na forma em que se emocionou com o presente. E que fosse recíproco. ❝ ── se não sairmos daqui juntos, como eu poderia ficar com algo tão importante? Não é assim que funciona… Mas posso ser honesta e talvez até um pouco convencida? Eu não tô preocupada com isso agora… ❞ E falava sério, não tinha como ter nenhum tipo de certeza àquela altura ainda, e ainda assim… podia imaginar tão claramente cada uma daquelas situações, o casamento, o lenço sendo entregue para o padrinho e possível cunhado que não tinha nenhuma vontade de se preocupar em acabar com tudo e devolver o presente. ❝ ── eu também vejo a possibilidade de um futuro entre nós, e sei que poderia me comprometer a construi-lo. ❞ sorriu com a ideia, esperava que não parecesse intensa demais, ou que suas palavras perdessem o sentido para ele, se perdessem na dúvida, mas de sua parte só podia ser o mais honesta o possível e esperar que rendesse bons frutos no futuro.
A cada minuto daqueles encontros revelavam as semelhanças e diferenças que tinham, e as diferenças por sua vez, só garantiam a admiração. E isso era novo para Jolie. Sempre havia priorizado se relacionar com pessoas que tivessem parecidos gostos e vivencias, jurava ser mais fácil, e ainda assim, estava ali, vendo todos os seus pressupostos caírem por terra enquanto aceitava que o advogado pudesse lhe fazer repensar as coisas. ❝ ── sabe, acho que eu nunca fui a garota que pensava assim. Eu sou uma pessoa positiva, mas quando as coisas saem do controle, eu só aceito que está estragado e precisa ser contornado. Não me lembro de nenhuma vez pensar que um “desastre” poderia ser mais do que isso, mais do que uma dor de cabeça e fonte de ansiedade ilimitada. ❞ Pelo contrário, quando se tratava de coisas fugindo do seu controle, Jolie entrava no seu modo mais prática e tentava apenas ser racional e dar um jeito de resolver o problema, e quase sempre isso significava devolver tudo ao mais próximo do sentido original. sua habilidade em improviso apenas funcionava em ambientes controlados em que não precisava ficar ansiosa quanto aos resultados. Riu com a ideia de que sua mãe, tão cheia de classe e regras teimando com a produção por vasos de plantas. ❝ ── ah não… minha mãe não briga… ela comunica o que quer, e consegue ser bem convincente… ❞ Para não falar em intimidadora quando queria, entretanto, apesar da primeira imagem ser bem pouco acolhedora, conseguia ser tão educada e suave como um membro da realeza. ou talvez fosse apenas seu olhar deslumbrado falando.
Mordeu o lábio para conter o sorriso e suspiro que a revelação lhe causou, derretendo um pouco sob as palavras. ❝ ── ainda bem, ou já poderia contar com minha primeira desilusão.❞ gracejou, tentando amenizar qualquer seriedade que a revelação causasse a si e nele. Já devia esperar alguma brincadeira quando ouviu o riso discreto do outro lado da divisória, mas ainda assim, quando o ouviu, protestou descrente e bem humorada, batendo a mão contra a testa de forma teatral. ❝ ── Eu achei que seria algo sério. ❞ poderia estar o reprimindo, mas a falsa reclamação manifestou-se em meio a risos que não deixavam a mentira durar. ❝ ── mas quer saber? Não precisa se preocupar, você vai precisar fazer o mesmo. e eu não durmo do lado esquerdo mesmo… Eu vou dormir no meio da cama. ❞ alertou e levou as mãos como quem se isentava por avisar antes sobre suas manias espaçosas, o que podia fazer, era uma mulher solteira, qualquer mudança precisaria vir após um relacionamento, não era?
A conversa leve lhe distraiu da preocupação caso ele não gostasse ou entendesse o presente, e era mais uma coisa da qual precisava ser grata pelo jeito de Connor. Segurou as próprias mãos sobre o colo esperando que ele tivesse tempo de descobrir o presente, brincava com seu anel esperando as reações, e agora com menos ansiedade. Riu do apelido, provavelmente pegaria e não tinha qualquer objeção à isso. ❝ ── tem muita coisa boa pra se conhecer por aí, sei que não vai dar para experimentar de tudo, mas pretendo morrer tentando. ❞ Não conhecia aquela frase, e sabia que era uma citação pela forma que ele pronunciou cada palavra, e só sabia que poderia muito bem aplicar a citação à ele mesmo. ❝ ── eu poderia viajar o mundo inteiro com você, e não me encantaria apenas pela vista. ❞ Sorriu com o elogio à sua possível habilidade, corando levemente. ❝ ── Eu realmente amo o que eu faço. ❞ Se justificou, talvez encabulada pelo elogio que de fato lhe deixava nas nuvens. ❝ ── Espero que esse diário te ajude a encontrar seu próximo destino, Connor. ❞ E provavelmente não se referia apenas a parada física para férias e descanso, mas quem sabe, emocionalmente falando.
Jogou os cabelos para longe de rosto, cruzando as pernas sobre o sofá e respirando fundo e audível, tinha tanto que queria saber sobre ele, perguntas mais diretas e precisava tirar isso do caminho. ❝ ── Eu fiquei pensando muito em algumas coisas que eu queria saber de você, está pronto para se entrevistado? ❞ Questionou, tinha aquela série de perguntas previsíveis que precisavam serem feitas para saber se ela realmente podia se permitir ficar tão interessada nele quanto se sentia. ❝ ── Acho que normalmente são feitas no primeiro encontro, mas não tem nada de comum na gente. ❞ riu com leveza, puxando a caixa com seu presente novamente para o seu colo. ❝ ── De onde você é? Onde mora, se pensa em se mudar no futuro… Ah e se você pretende ter filhos, se faz questão de ter filhos e caso sim, se tem pressa para isso… ❞ Se interrompeu antes de despejar todas suas dúvidas de uma vez sobre ele.
Era fácil sorrir com as coisas que Jolie dizia, era mais fácil ainda para Connor se pegar sorrindo imaginando não só um futuro distante - como o casamento, mas até um futuro próximo onde poderia segurar a mão da garota enquanto a ouvia falar sobre tudo aquilo. Estava nervoso, mas estava feliz acima de qualquer outro sentimento. E estava muito feliz. Todo mundo lhe dizia que a ideia era maluca, mas Connor sempre foi o cara que topava de tudo um pouco: fosse para ser feliz, fosse pela loucura do momento. Imaginava, naquele instante, que aquela divisória não existia.
Queria, no entanto, que aquilo fosse verdade.
Queria reforçar para ela o quão importante ela tem sido e com ações que possivelmente falariam muito mais do que suas palavras. Se contentou em lhe responder “Eu também não estou preocupado.” Romântico sem causa? Bobão? Galanteador? Talvez um pouco de tudo? Connor sabia que aquele momento não estava realmente preocupado com o lenço em si - possivelmente surtaria em outra situação, caso aquela não fosse a garota da sua vida. Naquele instante, ele só estava preocupado em saber que foi o motivo de risadas, sorrisos genuínos e um quase choro de Jolie - mas principalmente estava focado nas palavras que a garota lhe dizia, de poder se comprometer em um futuro com ele. Seu sorriso já era contagiante, e naquele segundo ouvindo suas palavras, se tornou ainda maior. “Filhos, cachorros e viagens?” Sugeriu, para a jornalista.
Sabia que o seu jeito nem sempre combinava com o de outras pessoas - às vezes era um pouco exagerado em ver o lado positivo das coisas, e isso causava um pouco de irritação alheia, mas não podia deixar de tentar dar a volta por cima em situações possivelmente desastrosas. Deu uma risada sobre a experiência da garota. “Acho que a grande maioria das pessoas é assim, não está muito preocupado em tirar o melhor da situação e sim superar algo ruim.” E não é algo que necessariamente é ruim, de fato não - o próprio já passou por momentos que não esteve muito feliz e não tentou melhorar, só não entendia como alguém podia fazer isso todas as vezes e apenas reclamar de situações ruins. O casamento do irmão facilmente poderia ser uma lembrança horrível, que decidiram guardar e cultivar como algo positivo. “Vamos juntos construir um pensamento diferente para os seus desastres particulares.” Connor apoiou as duas palmas nas coxas, finalmente se sentindo completamente relaxado desde o início do encontro.
Riu pensando em como poderia ser sua possível futura sogra, e imaginou que a situação entre suas mães seriam complexas visto que a sua não era apenas sugestiva. “Entendido. Então deixe as brigas com a família do noivo.” Connor deu mais uma risada, pensando em como estaria o pós casamento com uma italianinha de um metro e meio brigando pelas flores e decorações - enquanto a mãe de sua esposa seria extremamente fofa e educada pelos mesmos objetivos. “Vamos ter alguns feriados engraçados.” Sugeriu, pensando em como suas mães seriam juntas.
Aquela conversa toda o fazia sorrir, imaginar coisas que há muito não imaginava e se permitir rir enquanto constrói situações com a outra. “No meio da cama? Eu vou deitar em cima de você, então...” Ficou reticente, segurando um pouco o riso. Sabia que coisas como essa eram muito fáceis de serem mudadas uma vez que de fato estivessem junto - tudo se tornava cada vez mais real, e conhecer cada pedaço de Jolie era algo que ele estava animado em ver acontecendo. Tanto de questões em níveis de brincadeira quanto reais - como era o caso do diário de viagens da jornalista. Acreditava, a cada página virada e cada detalhe visto, que a garota era simplesmente muito para o pouco que ele podia oferecer.
“Sei que talvez voltar a explorar o mundo comigo agora talvez te atrase, mas eu realmente gostaria de ver muitas dessas coisas que você relatou e muitos desses lugares que você já conheceu.” Seus dedos pararam em mais algumas páginas, agora relatando sobre algum lugar ermo na Ásia. Ela era tão culta. Queria poder disfrutar de momentos assim também. As palavras da garota primeiramente o fizeram sorrir, e depois tiraram por completo seu ânimo do rosto. Como se um medo tomasse conta de seu ser e seu estômago enjoasse instantaneamente. Esquecera a última vez que se sentiu tão nervoso e ansioso com alguma situação. “Eu acho que esse diário era algo que eu precisava e não sabia.” Deu um sorriso lateral e o fechou. Gostaria de observar com calma aquelas páginas, e não queria perder seu tempo com Jolie o fazendo - guardaria aquele para um momento sozinho no hotel ou entre conversas.
Colocou seu presente no braço do sofá, de forma que ainda conseguia o ver e cruzou os braços na altura do peito, pigarreando baixo. Talvez aquele seria o momento que Jolie ia desistir por completo do advogado. “Eu não sei se estou pronto, mas com toda certeza darei o melhor de mim.” Assentiu, esperando para ouvir a voz da garota lhe dizendo o que gostaria de saber sobre ele - e o tipo de pergunta o deixou menos nervoso, com toda certeza. Ele respirou fundo, pronto para responder a outra. “Eu sou do estado de nova iorque, e agora moro na cidade. Sempre fui de lá e estudei em Cornell, então nunca saí desse eixo.” Começou a falar sobre, não sabia o quanto de detalhe daria sobre sua vida naquele momento - e nem se aquilo interessaria a jornalista. “Eu venho de família grande... O meu núcleo é o menor de toda a família - somos só dois irmãos, mas temos incontáveis primos. Cresci sendo o melhor amigo do meu irmão e tendo ele como meu melhor amigo. Não imagino a minha vida sem ter filhos, sendo sincero. “ Confessou. “Eu quero ter no mínimo dois. E isso é algo que sim, eu faço questão.” Talvez aquele fosse o momento que perderia o seu encontro por completo? “Mas não tenho pressa, não ainda. Moro em um apartamento não muito grande e quero poder dar uma vida melhor para minha família.” Era bom poder admitir todas essas coisas em voz alta. “Você quer ter filhos, Andy?” Pensou que trazendo o apelido que dera para a garota, talvez a sua resposta não fosse tão pesada no fim das contas. Esperada, com toda sua sinceridade, que ela tivesse os mesmos objetivos.