ferdinhadasrespostas:
“Creio que podemos nos acostumar com qualquer coisa, sabe? mas não significa que gostamos disso.” Jisu comentou, não falando exatamente sobe os vampiros apenas, apesar do assunto principal ser eles e sua solidão. Jisu mesmo se acostumou com muita coisa, muitas situações e vivia assim, apenas levando as coisas, mas muitas delas eram extremamente incômodas. “Mas concordo nisso com você, seria perigoso uma colônia muito grande. Acho que os humanos têm a tendência a destruírem tudo que acham que é uma ameaça. Ou qualquer grupo menor.” O revirar de olhos deixou claro que, mais uma vez, não falava necessariamente sobre o assunto sobrenatural do qual discutiam somente, e coisas que via na realidade e no dia a dia. As pessoas tinham um ego muito frágil, mesmo. “Um bom exemplo disso é a caça às bruxas, não é? Claro que temos que considerar vários outros preconceitos que estavam misturados nessa época, mas…” Nem passava pela cabeça de Jisu que Sae estava tentando disfarçar alguma coisa, via toda o assunto já como se estivessem mesmo falando de coisas que não existem, mas que aparentemente era algo que o outro rapaz gostava muito, e era interessante demais conversar com ele.
Um pequeno sorrisinho se formou no rosto de Jisu ao ouvir aquela conclusão, e não pode ter outra reação que não o mover de cabeça em concordância. “Nossa vida é muito chata, eu acho. Então é legal e normal ter um fraco por fantasia, não é? Não sei. Acho que eu gostaria de sei lá ter poderes e tudo mais. Tipo um super herói.” Ele riu nasal e fraquinho com sua confissão. Não queria soar bobo, mas essas coisas sempre pareciam divertidas e emocionantes de se ler ou de acompanhar num filme ou série.
Sentia Saeroyi aos poucos cedendo. Claro que não podia esperar que fossem virar melhores amigos depois de uma conversa e umas insistências de sua parte, mas, hey, Jisu estava certo! Saeroyi parecia ser uma boa pessoa e eles podiam se dar muito bem em algum futuro aparentemente próximo. “Vamos trabalhar nisso juntos, hm?” Ofereceu então, com um sorrisinho, querendo mostrar que estava disposto a esperar o tempo que espaço que Sae precisasse, assim como ele mesmo não conseguira falar alguma coisa muito pessoal assim logo de cara. “Um nerd esquisitão? Eu diria um nerd bonitinho. Mas isso nós dois somos, então mais coisas em comum.” Experimentou uma piscadela com um olho só na direção do outro rapaz, rindo em seguida. “Também acho que vamos nos dar bem, confia.” A pergunta que veio em seguida não logo respondida com um aceno negativo da cabeça e um sorriso que já vinha com a explicação que ele falava tantas vezes que já era natural: “Já comi, não se preocupa.” Ofereceu mais um sorrisinho sem mostrar os dentes, como se para o incentivar a deixar aquilo pra lá. “Podemos passar o resto do intervalo conversando.”
“você está certo, ninguém gosta de se manter amarrado a algo que sufoca, mas não é necessário se acostumar, pode-se desprender. O problema, ou melhor, o caminho a se seguir para se desvencilhar sempre demandará muito mais energia, é difícil.” Argumentou, se sentia um pouco hipócrita em afirmar uma verdade absoluta que nem mesmo praticava, escondia muito e engolia uma imensidão de palavras e situações, sentimentos e segredos familiares, com certeza o pior. Era tanto que nem mesmo sabia se tudo cabia em si. Se desvencilhar de uma armadilha cortante era o que sentia que estava fazendo sempre que pensava onde estava, em todos os âmbitos. Não queria pensar assim, na maioria do tempo não pensava, mas é meio impossível. “Penso também que não demandar essa energia aos poucos, pode causar muito mais danos, digamos assim, pois o caminho de reversão é sempre maior também, e perde-se a força para reagir, sei lá”. As vezes entrava demais em energias densas, gostava de pensar e não podia evitar , não podia sempre externalizar o que pensava. “Me ignore, devo ter suado como um bobo” manejou a cabeça para o lado oposto ao que Jisu estava, colocando seu caderno de lado.
“Sim, nisso você também está certo, humanos destroem tudo, até a si mesmos, não consigo compreender tamanha ganância” Era estranho falar isso perto de um humano, se passando por um, mas não dava para ser diferente, ao menos por enquanto, seja lá quanto tempo isso for. “Caça as bruxas... sim” engoliu em seco, tentando não transparecer o estremecimento que aquela afirmação, tão natural quanto proferida pelo outro, causava em si. “Esse é só um dos grandes erros humanos” afirmou, ainda um pouco chocado.
Ouvir Jisu comentar sobre seu desejo de possuir poderes ativava dois sentimentos em sua mente, o primeiro deles era o quanto queria falar dos milhões de benefícios, talvez privilégios que se tinha por ser humano e não interagir com dimensões que estão mais e mais ameaçadas, caminhando para um possível fim, e tudo que te constitui apenas sumir. Além de toda a repressão e pressão que sofria da própria família, para humanos não deveria ser diferente, mas Sae parecia não ter escolhas. E o outro era o quão adorável soava aquela frase proferida por Ji. Sabia de alguma forma que ser um herói era a verdadeira fantasia, então podia ressoar com aquele sentimento sem se sentir enganando alguém. “Seria interessante ser um super herói, mas eles destroem demais para fazer tão pouco” sorriu de leve, mirando Ji enquanto encostava sua cabeça na árvore, podendo sentí-la para além do tato. “Mas tenho certeza que você seria um bom herói, digo, de coração bom” Não sabia porque falou aquilo, mas podia sentir pureza no outro, talvez embaixo de tantas camadas tenha se cristalizado o mais puro coração.
“Sim, podemos...trabalhar...nisso juntos, você tem muito a me ensinar, faz tempo que não sei o que é uma amizade, física, pelo menos” Pensou no que disse, por mais que tenha sentido um receio e vontade de corrigir, sabia que Jisu nem perceberia. “Bem, se você acha isso... eu não discordo” sem graça encarou novamente Jisu. Não tinha problemas em encarar outros, era algo tão básico, mas as vezes sentia o interior alheio, então não o fazia com frequência, pois tinha medo de invadir e confundir a mente dos outros, especialmente humanos. “Certo, não vejo problema nenhum em ficar aqui, conversando” se permitiu ceder, não parecia ruim, nem um pouco. “confiarei em você” ainda não era 100% verdade. “Mas me diz novamente, por que você quis fazer aquele trabalho comigo, você parecia decidido e sei lá, repentinamente. até ontem eu não era ninguém para você e já estamos quase no meio do semestre”. pergunto curioso “isso não é um teste, só curiosidade, antes que seus pensamentos pesem, eu não sei puxar assunto”. Sorriu com sinceridade e afeto para Jisu, para mostrar-lhe que só estava criando um assunto, da pior maneira possível, convenhamos









