have a break | Aella&Hector
aellacrouch:
Família era um tema complicado para Aella. Os Crouch não eram uma família de tamanho expressivo, a maioria focava demais em suas carreiras para ter filhos e a importância de deixar descendentes só foi diminuindo com o tempo. Aella e Bartemius Jr. eram os últimos Crouch, que haviam crescido sem mais irmãos ou primos por perto. Barty Sr. era o maior alicerce de Aella, a quem ela havia dedicado toda a sua vida e sem arrependimentos. Admirava e respeitava o pai, e cada migalha de atenção que ele lhe dava era uma memória guardada com carinho, algo difícil de se arrancar dela. Em contraponto, sua relação com Edith era bastante tortuosa, a mãe era uma mulher extremamente acomodada e com visões curtas, que se contentava em ser apenas um bibelô da sociedade bruxa. Além disso, tamanha era a delicadeza de sua mãe que dificultava qualquer conversa entre as duas, pois os comentários duros de Aella pareciam ofender Edith com uma facilidade inimaginável. E a relação com seu irmão conseguia ser pior ainda. Desde muito novos, os dois desaprovavam o estilo de vida um do outro completamente, e as críticas dela sempre davam início a discussões à base de berros. Depois de algum tempo, os dois simplesmente decidiram se ignorar, e a maior parte da vida foi como se fossem filhos únicos.
Muito provavelmente por conta de seu histórico familiar, a vinda de seus primos da França não lhe agradou muito. Havia encontrado os irmãos Yaxley poucas vezes durante sua vida, quase nada se lembrava de Hector e Mirabelle, talvez porque todas as ocasiões em que se encontraram Aella estava imersa em seu próprio nervosismo de ter que ficar exposta na frente de tantos outros jovens de sua idade. E logo que encontrou seu primo novamente, depois de anos e anos, Aella notou que se livrar dele seria uma árdua tarefa. Hector era… Uma florzinha. Era alguém com conceitos de família unida, alguém sentimental, o tipo de pessoa que gostava de rituais como jantares para jogar conversa fora e formar laços. Algo que Aella nunca havia aprendido. Durante seu último ano em Hogwarts, não era tão difícil se esconder dele, sendo de casas diferentes e com tantas ocupações pessoais, ele mesmo se cansava de procurá-la. Mas quando os dois tornaram-se trainees no ministério, em departamentos bastante interligados, se evitar tornou-se bem mais difícil.
Em pouco mais de um ano que se passara desde que os dois haviam se formado, a convivência de Aella e Hector havia aumentado expressivamente. Quando não estava com as garotas do Wizengamot, ou no apartamento de Augustus, estava com Hector. Era, na verdade, raro um dia em que os dois não fossem visto juntos, fosse pelo trabalho ou em conversas informais. Os dois almoçavam juntos – ou melhor, Aella comia uma barra de cereais e tomava um café morno enquanto Hector lhe contava sobre as novidades do Ministério e dizia que ela precisava urgentemente de uma refeição decente – e às vezes deixavam de aparatar e caminhavam juntos de volta para casa, quando precisavam de um tempo para pensar. Havia acontecido de forma tão natural que ela nem havia percebido, e quando alguém dizia como achava os dois próximos, a primeira reação dela era pensar de onde aquela ideia havia saído. Ela e Hector, próximos?
Com a publicação do novo ato – algo sobre o qual Aella havia se mantido bem longe – a semana havia sido caótica para o Ministério, principalmente para os jovens estagiários. Mesmo depois de mais de um ano no programa de trainees, se provar era uma tarefa diária para eles. Logo, Aella não tinha visto Hector a semana toda, ou qualquer outro ser humano que não fosse empregado do Wizengamot. Havia combinado de ir para o apartamento de Augustus quatro vezes naquela semana, e desmarcara as quatro vezes pois mais trabalho ia aparecendo e ela nunca soube dizer não – pelo menos não para mais responsabilidades. Aella gostava de trabalhar, gostava de um serviço bem feito e gostava de ser proativa. Mas tudo isso vinha com um preço, e isso era chegar no departamento às oito horas e sair de lá as onze, todo dia. Estava quase pegando no sono em cima de uma documentação nova, quando sentiu um toque em seu ombro. Dando um pulo da cadeira, Aella virou-se rapidamente e agarrou com força o pulso da mão em seu ombro, pronta para usar o pouco de defesa pessoal que conhecia quando reconheceu seu primo.
– For fuck’s sake, Hector! – Aella exclamou, soltando Hector e cruzando os braços. Seu primo ostentava um grande sorriso, grande demais para quem havia sido enterrado em papelada a semana toda – Tira esse sorriso da sua cara, tenha um pouco de respeito pelos pobres trabalhadores do Wizengamot, Hector – Reclamou, empurrando-o levemente com seu ombro – Eu tomei um café faz algumas horas, até comi um pacote de biscoitos. Se bem que não foi uma ideia muito boa, acho que eles eram do antigo dono dessa mesa – Aella ponderou, fazendo uma careta. Quando Hector fez a sugestão de um jantar, primeiramente, a barriga da garota roncou feito um dragão. E logo depois, ela negou veementemente com a cabeça – Ficou maluco? Olha o tanto de coisas que eu preciso terminar. Sem chance, florzinha – De fato, um jantar e um pouco de companhia humana e não de papéis e pastas cairia muito bem. Olhou para a bagunça completa em sua mesa, e olhou para Hector, muito tentada a aceitar a proposta.
Para Hector era engraçado a maneira como Aella era tão dedicada a seu trabalho. Não engraçado de uma forma ruim, mas como em algum desenho animado quando a pessoa se lota de afazeres e tudo vira um caos. O Yaxley se achava um funcionário responsável. Entrava cedo, e ficava até bem tarde, mas a sua prima levava todo aquele dever a outro nível. Observar a dinâmica de trabalho de Aella era estranho. Ela realmente parecia estar presa no próprio mundo, e a maneira como ela sempre parecia pronta para uma discussão quando Hector se aproximava sempre animava o homem. Não sabia o porquê da prima sempre estar tão apreensiva em relação a ele. Hector sempre tentou ser um bom primo. Ele não havia convivido muito com seus parentes, mas desde que se mudou para aquele lugar ele havia tentando. Tentando mais do que qualquer outro em seu lugar tentaria, pois lidar com os apelidos que a prima o chamava não era lá algo que qualquer um faria de bom grado. Encolheu-se sobre o frio da noite. Fez uma nota mental de deixar algumas cobertas perto da cadeira da prima e casacos, pois a tendência era cada vez ficar mais frio naquele lugar. Como estavam fadados a trabalhar mais do que deveriam nesses últimos tempos estar confortável era o mínimo que podiam fazer.
Ao ser notado, o homem descruzou os braços e abriu um sorriso amigável. Encarou a prima, revirando os olhos a cada comentário ácido que era dirigido a ele. Sinceramente, ele já havia feito um filtro mental para jamais levar a sério os comentários que sua prima fazia. “Não está aberto para discussões, Aella! Você vai tirar sua bunda flácida daí. Iremos pegar a rede de pó de flu e voltar para meu apartamento. Se quiser você pode depois de jantar ir para seu namorado, ir para sua casa, ou até mesmo dormir lá que eu fico com o sofá, mas eu vou colocar um pouco de comida nesse seu sistema antes que entre em colapso.” Comentou de um modo mais duro. O que era bem difícil para Hector que só deixava aquele tipo de tratamento para seu trabalho, mas sabia que a prima não o levaria a sério se continuasse com seu jeito descontraído. Sabendo que aquela ainda era uma longa batalha, o maior nem pensou duas vezes. “Você vai vir por bem ou por mal. Sugiro você levantar antes que eu te coloque em meus ombros e cause a maior cena nesse Ministério.” Sugeriu cruzando os braços novamente com tom desafiador.
Ele jamais faria algo do gênero, por respeitar o ambiente em que os dois trabalhavam, mas ele sabia o quanto Aella tinha aversão a contato público e coisas do gênero, e por conta disso, sabia como mexer no ponto fraco da prima, de uma maneira que agora poderia começar a pensar em chamar a atenção da mesma. Seus olhos cercaram o escritório quase vazio pelo já tardar da noite. Seu corpo estava cansado, e tudo dele gritava por um banho quente. Hector queria relaxar em sua lareira. Aquela seria uma ótima semana se não fosse aquele noticia caótica levando o seu departamento a loucura. E pensar que ele ainda teria duas viagens marcadas na próxima semana a negócios. Só de pensar no tanto de trabalho que tinha começou a considerar sentar ao lado da prima, e colocar o seu mesmo em dia, mas ao ver o estado da prima sabia que ela precisava sair.
Não estava nos traços de Hector Yaxley abandonar pessoas, então longe dele abandonar sua prima aquela noite. Ele só estava cansado por ser sempre daquele jeito. Ele geralmente a ganhava no cansaço. Sua irmã era outra. Quase impossível de colocar na mesma mesa e conversarem, mas ali estava Hector sempre tentando. O choque de ver todas aquelas famílias separadas havia deixado o homem bastante chateado. Tinha de agradecer por sua família não ser assim, e queria aproveitar um pouco dela. Mesmo que fosse por pouco tempo. Seus olhos se voltaram para a menor, com um sorriso um pouco pidão estampado neles. “Por favor.” Disse de uma maneira mais manhosa querendo logo voltar para casa.
















