[giro, girão] sobre terminar o romance e outras coisas mais
Eis que março vai seguindo o seu curso e, logo na primeira semana do mês, como quem encarna um espírito workaholic pouco comum para seu normal, consegui terminar a reescrita do meu mais novo romance, carinhosamente chamado por EQB. Sim, uma reescrita que eu tenho ciência de que vai passar pelo processo de reescrita... de novo. Não edição, ou revisão, mas reescrita pura e simples. Enquanto inseria as novas cenas, recheando o que comecei lá em 2020, colocava as notas para o meu eu futuro (provavelmente uma Kami do mês de maio): "resolve esses B.Os aí, mulher."
Ainda não sei bem como me sentir com esse término, talvez porque sinta que não o foi de fato. Sei que terei muito trabalho pela frente ainda - e minhas notas pelo arquivo só mostram que, agora, o que tenho em mãos é um esboço um pouco mais robusto. O que posso dizer é que, no máximo, fiquei entusiasmada ao me perceber trabalhando com um pouco mais de agilidade. Afinal, foram 13.838 palavras em quase dez dias. Bastante para quem sempre escreveu de forma mais lenta.
Muito dessa intensa produção eu devo ao curso maravilhoso da Aline Valek que fiz também nesses primeiros dias de março, Técnicas criativas para transformar ideias em textos. Sou fã da Aline e não é de hoje, então fiquei muito empolgada quando soube que ela seria professora da Domestika. O que mais me fascinou nas suas aulas foi ver muito do conteúdo que já tinha certo conhecimento do design gráfico sendo aplicado na linguagem literária. Isso foi decisivo para me dar o boom de criatividade e produtividade necessários não apenas para que eu concluísse EQB, como também para continuar a minha newsletter (projeto final da gente, inclusive).
Quando concluí, me dei um dia de descanso. Inquieta como sou, estava cansada, mas já à procura de outra coisa para ocupar a cabeça. Tá, o que fazer agora? Tenho muitas coisas nessa lista. Retomei o meu estudo de desenho e precisei dar um tempo nas minhas oc's (original character) para me dedicar mais à anatomia. Saio catando foto de modelos fotográficos que posam exatamente para desenhistas, como também de outros que tiram fotos mais sensuais. Isso me ajuda a decompor o corpo de maneira mais facilitada. Inclusive, as lives da Sula Moon têm me auxiliado bastante com dicas de estudo, e recomendo demais para quem também está no início como eu e sente muita dificuldade.
Eu pretendia dar um tempo da escrita, mas não consegui. Coisa de um ou dois dias depois, lá estava eu, retomando minha fanfic de Naruto (essa eu não divulgo). Escrever em outra língua é desafiador. Até mesmo articular as ideias se torna um processo mais penoso quando aquele idioma não é o seu, porém percebo que comecei a ter mais agilidade, ainda que use recursos para me auxiliar. O que me deixa feliz é perceber que há um feedback positivo, que chega na forma de reblogs no Tumblr ou kudos no AO3. De alguma forma, tenho feito as coisas darem certo.
E, não posso esquecer, tenho me nutrido da minha paixão por Atelier of Witch Hat. Li os cinco primeiros volumes em uma tacada só (me faltam o 6 e o 9 para completar a coleção de lançados no Brasil) e facilmente posso dizer que o mangá se tornou um dos meus favoritos da vida. No Twitter, sou bem ativa em recomendar o trabalho de Kamome Shirahama, não só pela beleza do seu traço, como também pela delicadeza com a qual ela trabalha a infância. Em tempos em que adultos se unem para excluir os pequenos, ter uma história como essa resgata uma das melhores partes de nós.
Meus quinze primeiros dias desse mês foram, volto a repetir, intensos. Um misto de ansiedade com satisfação por ver coisas ganhando forma e encerrando seus ciclos. Também foram de aprendizado sobre minha própria arrogância em achar que tenho controle sobre coisas que estão fora da minha alçada. Mas quem nunca errou por querer controlar demais?
Espero trazer boas notícias em breve. Nos vemos já!













