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@z-hughes-bl
[Flashback] What About Your Friends | Zara & Parrish
O passado deixava rastros o suficiente para perseguir o presente. Depois de tantos anos graduado em Hogwarts, ainda havia momentos que carregava como os desafetos que teve com Gawain Robards. Era verdade que ao se recordar de tantos desentendimentos, achava os mesmos infantis. Tanto que ao cruzar com o outro nos corredores do Ministério de Magia, o local do trabalho de ambos até Gawain ir trabalhar em Hogsmeade por motivo desconhecido por Milligan, dava um aceno educado com a cabeça ou dirigia um par de palavras educadas no elevador. Eles não tiveram a oportunidade de se aproximarem e provavelmente nem teriam, mas isso não era uma preocupação, talvez o destino quisesse aquilo e quem era ele para questionar? Entretanto, Zara querendo ou não fazia parte do pacote. Parrish nunca teve nada contra ela por conta de Gawain, mas assim que a mesma seguiu seu caminho ao lado do seu amigo assim que terminou o namoro com Rhys, ele não tinha outra opção a se afastar da mesma forma. “Só eu sumi, uh?” Jogou a sentença da mesma forma que Zara. O afastamento não foi somente uma decisão tomada por ele, havia tido um consentimento interno e não dito entre os dois.
“O quê? Apenas vai agradecer, sem gracinhas? O que Robards fez com você, Hughes?” Brincou com o comportamento da mulher. Pelo que podia se recordar, delicadeza estava longe de ser uma das características dela. “Muito bem, obrigado. Agora sou chefe de um escritório. Para todos apostavam que eu acabaria como um barman atrás de um balcão qualquer, posso dizer que surpreendi muita gente.” Parrish estava jogando com as palavras, parecia que a mulher estava tentando arrancar informações e, novamente, Hughes era lembrada pela sua falta de delicadeza e tato. Contudo Milligan se faria de desentendido até ela tocar no ponto que gostaria realmente de falar, que viria mais cedo ou mais tarde, não tinha dúvidas quanto essa questão. “E como sua vida de medibruxa? Surpreendendo pessoas por aí também?” Parrish não deixava de se perguntar se a mulher estava ali de propósito para encontrar ele casualmente sem levantar mais suspeitas. E se ela desse uma certa resposta, teria a certeza de que haveria algo a mais naquele reencontro.
E ele estava certo. Parrish teve de soltar uma risada. Zara Hughes ainda continuava a mesma com falta de sutileza. “Mas é claro. O cara acabou de se instalar no país e acha mesmo que não sairíamos para colocar o assunto em dia?” Comentou olhando para sua caneca de cerveja amanteigada como se tivesse comentando do tempo e tentando disfarçar o quanto achava engraçado o interesse de Hughes no seu amigo. “Eu acho que comentamos rapidamente sobre o encontro de vocês, mas não me pareceu ser algo tão importante para o momento. Ele também não pareceu chateado, afinal, não existe Zarhys, não é mesmo?” Ergueu as sobrancelhas se voltando para o rosto curioso da medibruxa. “Nem eu me lembrava desse nome. Alguém andou pensando muito no passado para desenterrar algumas coisas, uh? Mas deixa eu dizer primeiro isto, meus parabéns pelo noivado.” Ergueu sua caneca num gesto de brindar pelo compromisso estranho que havia ouvido falar sobre. “Espero que vocês consigam se manter vivos até o dia do casório.” Bebeu parte do líquido alcoólico querendo rir e balançando a cabeça. Parrish poderia não estar presente na vida de ambos, mas ele conhecia algumas histórias porque ele também era um grande frequentador de bares bruxos. Como diziam, opostos se atraiam. Ele poderia até acreditar se tudo não parece tão errado. Ou se Zara disfarçasse mais seu abalo com o retorno de Cadwallader.
– Chefe de um escritório! Wow! Parece que mantive contatos com as pessoas erradas... – gracejou e, embora seu tom fosse de brincadeira, não pode deixar de pensar seriamente no assunto. Não que manter contato com Gawain – que, afinal, era o único contato que mantivera de Hogwarts – tivesse sido um erro. Mas, também não precisava ter mantido contato apenas com ele. Ainda que seu temperamento inconstante sempre fora um grande desafio para todos com quem convivia, durante os anos em Hogwarts acumulara muitos amigos que, no entanto, se distanciara quando iniciara sua vida “adulta”. Aspar a palavra adulta se mostrava muito coerente em se tratando de Zara Hughes que, apesar de demonstrar certa maturidade em sua vida profissional, agia feito criança em grande parte do tempo. – Eu não diria surpreendendo, porque todo mundo sempre soube que eu só poderia ser um sucesso... – embora sua pretensão fosse natural, seu tom era de brincadeira. Não que alguém algum dia houvesse duvidado da medibruxa. Filha de também medibruxos renomados, sempre fora esperado que Zara não fosse nada menos do que seus pais haviam sido. – Sou chefe do centro de maldições no St. Mungus, no andar de Danos Causados por Magia. – respondeu sem grandes empolgações, trabalho não costumava ser um assunto que lhe causava grande animação. – Se algum dia você for amaldiçoado, pode me chamar. Ou se sofrer algum acidente, ás vezes dou um auxílio no centro de aplicação incorreta de feitiços...
Para alguém que tentava disfarçar o incômodo do regresso de um antigo amor, a morena estava deixando muito a desejar. Deveria ter esperado que a conversa tomasse o rumo natural e quando algum assunto correlacionado se fizesse presente, aí sim citasse o dito cujo, de maneira que soasse natural e não imposta. Ela havia introduzido o antigo namorado na conversa, o assunto não era aquele e sem qualquer naturalidade ela o colocou em pauta. Estava dando bandeiras demais. Conclui tão logo Parrish comentou algo sobre desenterrar o passado, o que era uma verdade, porém, que ela jamais admitiria. Nem para si mesma. Remexeu-se desconfortável na mesa, sustentando um sorriso deveras forçado nos lábios, enquanto procurava uma razão racional para explicar o motivo de seu incômodo, mesmo sabendo intimamente que não havia nada de racional a ser explicado. Qual era o problema se Cadwallader não havia se importado com o fato de estar noiva?! Não fora ela própria que havia passado a noite interior inteira repetindo mentalmente a si mesma que não havia mais nada entre os dois?
Bebericou mais um pouco de sua bebida, como se assim o gosto amargo em sua boca pudesse sumir. O que não aconteceu. Não era firewhiskey – por melhor que ele fosse – que resolveria sua amargura, afinal. – Obrigada... – então agradeceu visivelmente desconfortável, era estranho agradecer felicitações de um casamento de mentira e que, ao menos de acordo com os planos, sequer iria acontecer. Exceto, talvez, caso se descobrisse mortalmente apaixonada pelo seu melhor amigo e tudo o que sentia – embora negasse – por Rhys sumisse. O que era impossível, ela sabia. – Quanto a isso não posso prometer. – era uma brincadeira, mas havia algo de verdadeiro em suas palavras. Não podia garantir que Gawain não a matasse cedo ou tarde. Mesmo que não fosse a primeira vez que colocava o auror em situações miseravelmente incomodas, talvez tivesse passado dos limites inventando um suposto noivado. E, conhecendo o quão passional era, não se surpreenderia se algum dia não acordasse com vida. – Você sabe como Gawain e eu nos tratamos, não sabe? Podemos estar noivos, mas as irritações continuam as mesmas... – as constantes irritações eram as mesmas, talvez porque o relacionamento ainda era o mesmo. Eles não eram noivos, afinal. Eram apenas bons amigos que gostavam de se irritar e que apoiavam um ao outro. Mesmo quando o outro inventava um noivado de mentira. – Mas e você? Não tem planos de casamento? – perguntou, acreditando ser melhor mudar o sujeito do assunto.
Rusty Beginnings | Rhys & Zara | March 78
“Por ter sido um completo idiota e ter mudado de país sem ao menos me despedir de você, talvez? Ou quem sabe por não ter dado valor a única coisa boa que eu tinha naquela época?” Quando Rhys se deu conta, as palavras já estavam lá, pairando em seus ouvidos como aquele pequeno segredo que ele nunca quis realmente revelar porque o fazia parecer vulnerável demais e mostrava que ele se importava demais. Até mesmo quando eles estiveram juntos esse havia sido um problema recorrente para o jovem gryffindor, que tentou encarar aquele relacionamento um pouco moderno demais para os seus padrões com os mesmos olhos que Zara fazia. Estavam juntos mas não estavam realmente juntos, comportavam-se como namorados mas não o eram de fato, agiam como um casal mas não admitiam isso para o outro. Aqueles meses que passaram juntos tinham sido, ao mesmo tempo, um maravilhoso refúgio e uma pequena tortura para quem tentava não se deixar envolver mas que, enquanto tanto se empenhava nisso, apenas se envolvia cada vez mais. Porque, veja bem, Zara Hughes havia sido um verdadeiro presente para alguém cuja vida havia se transformado num verdadeiro inferno após a morte da mulher que o criou como um filho. E então, depois de por tanto tempo carregar nos ombros a responsabilidade de manter sua irmã o mais longe possível de um pai que se rendia cada vez mais ao álcool e aos jogos de azar e de guardar para si mesmo todos esses problemas familiares toda vez que regressava para Hogwarts a cada setembro para ser o artilheiro e o capitão do time que esperavam que ele fosse, Rhys sentiu que podia finalmente ter alguma coisa boa em sua vida. E foi exatamente isso o que Zara significou para ele, mesmo que não tivesse dito isso em voz alta por receio de estragar a atmosfera “casual” do que tinham. Até a vida bater na sua porta e desarranjá-lo completamente, é claro.
Ele não a olhou nos olhos, ao menos não de imediato. Como poderia, depois do que havia dito para a futura esposa do seu amigo? Rhys então engoliu em seco e focou sua atenção na mão de Zara que ainda segurava, afagando distraidamente seus dedos tão pequenos e delicados em comparação a suas mãos grandes e de pele grossa, calejada e repleta de cicatrizes. E enquanto a ouvia, só conseguia pensar na sensação de que aquilo não parecia ser verdade. Talvez fosse estúpido da sua parte pensar que as coisas poderiam voltar a ser como eram antes, afinal. “Está bem. Nós dois ainda somos amigos e nada mudou. Acredito em você.” Mentiu, finalmente erguendo os olhos muito azuis para observá-la com um pequeno sorriso no rosto, sentindo ela desvencilhar a mão da sua e ignorando a sensação de frio que o toque dela deixou para trás. E enquanto Zara se ocupava em arrumar frascos e outros tantos materiais curativos, Rhys desistiu de observá-la trabalhar e tentou, com o braço sadio, vestir o suéter e a jaqueta que estiveram repousando na extremidade do leito durante todo aquele tempo, esforçando-se para não ficar preso em uma gola ou parecer um completo idiota enquanto se vestia. “Uhum, uma poção, certo.” Murmurou, sua voz abafada pelo tecido de lã creme que envolvia sua cabeça e parecia não cooperar em passar por seus braços. “Namorada? Não, eu…” Começou a falar, pensando em explicar que não, não tinha uma namorada, mas além de não haver necessidade, Rhys também não conseguia respirar direito quando seu rosto estava completamente coberto daquela forma. “Zara?” Chamou por ela, um pedido silencioso por ajuda enquanto, agora já completamente imobilizado pelo suéter, balançava a cabeça negativamente e tentava não rir de si mesmo. Como conseguia derrotar talentosas equipes de quadribol em campo e perder para uma peça de roupa? Ele jamais saberia dizer.
Mesmo para alguém com tanta facilidade de guardar ressentimentos, Zara estava conseguindo superar todas as expectativas. Jogar toda a culpa de tudo o que não aconteceu conforme o esperado nos ombros de Cadwallader era, decerto, muito mais fácil de admitir que ela própria havia cometido seus erros. Era o caminho mais fácil e, é claro, era o caminho que a healer decidira seguir, como sempre o fazia. No entanto, também não era justo dizer que estava sendo fácil trata-lo com tanta indiferença, dissimulando sentimentos fraternos que não existiam. Ainda antes mesmo de travarem a primeira conversa propriamente dita de suas vidas, ela jamais pensara em Rhys de maneira fraternal. Era como se a atração pelo jogador fosse muito mais inerente as suas próprias razões do que ela jamais admitiria. Talvez fosse exatamente por isso que, durante todo os meses em que permaneceram juntos em Hogwarts, tentara manter o relacionamento como algo estritamente hedonista, sem qualquer intenção em misturar sentimentos – plano que, é obvio, fora totalmente falho.
Não pode, no entanto, impedir o meio sorriso de satisfação que brotou em seus lábios ao ouvir o rapaz negar a existência de uma suposta namorada. Não que tivesse algum direito ou motivo para não querer que estivesse comprometido – ao menos era o que se esforçava em acreditar – mas ainda que o peso na consciência já começasse a se fazer presente, também não era possível negar a existência do sentimento de satisfação. Tentou comentar algo como “Deveria procurar uma namorada, posso lhe apresentar algumas amigas” mas não conseguia proferir tais palavras que estavam na ponta de sua língua, porém impossíveis de serem ditas. Além do que, sequer tinha amigas para apresentar. Verdade seja dita, Zara Hughes era alguém difícil de conviver e poucos eram aqueles que a aguentava com suas maluquices por muito tempo – com exceção única de Gawain, provavelmente.
– O que? – Perguntou roboticamente virando-se para encontrar um Rhys totalmente preso em suas próprias vestes. – Por Merlin! – Exclamou tentando não rir mais do que o considerado apropriado, ainda que a cena fosse realmente engraçada. Não era sempre que encontrava alguém de porte tão imponente preso em algo tão inofensivo quanto um suéter. Apressou-se em direção do jogador, auxiliando que se desvencilhasse da peça e conseguisse vesti-la de maneira correta. – Depois disso, acho melhor ficar com meus contatos, caso precise de ajuda. – Ponderou pensativa, anotando seu endereço em um pedaço qualquer de pergaminho antes de entrega-lo a Cadwallader. – Pode me chamar se precisar de algo. – Sorriu sincera, antes de deixar a sala.
Talvez ela fosse esperar pelo contato dele mais ansiosa do que realmente deveria.
[Flashback] What About Your Friends | Zara & Parrish
Era curioso como o destino trabalhava na vida das pessoas. Era curioso o quanto poderia arrastar do passado para o presente. Ele havia se formadado de Hogwarts por quase uma década e mesmo assim toda sua trajetória refletia ainda em seus dias atuais. Por exemplo, ele continuava melhor amigo da mesma pessoa, embora Rhys fosse um jogador respeitável e não morasse mais na Inglaterra, complicando a relação dos dois camaradas. Ele também não frequentava a sessão de aurores no Ministério por causa de Gawain. Havia um ressentimento entre ele e o homem, que acreditava ser o causador entre o afastamento entre ele e Rhys. Talvez fosse, de fato, o culpado. A relação entre os dois após a partida de Rhys havia melhorado por educação, principalmente trabalhando no mesmo local, porém não passava de cordialidades. E havia o Três Vassouras, um hábito iniciado em sua adolescência que não havia deixado de lado ainda.
Hogsmeade era longe de sua casa, porém distância não era um grande problema para bruxos. Não com aparatação. Não sendo para o responsável pelo centro de aparatação. Aparatar era seu ramo e ele próprio deveria dar o exemplo. Bem, era o que dizia. Era possível encontrar Parrish Milligan de tempos em tempos no Três Vassouras tomando o melhor firewhiskey do local e grajecando Rosmerta. E seu velho hábito havia o levado para tal lugar. Havia se liberado mais cedo do trabalho e resolveu se dar uma folga na companhia de um lugar relaxante, acolhedor e familiar. Lá era o lugar certo, ainda mais por estar sem nenhum(a) acompanhante. Não que precisava ou fizesse questão. Porém quando estava sozinho era do costume se dirigir ao Três Vassouras.
Porém o destino trabalha de formas engraçadas. Não haviam apenas três componentes da mesma sentença da época que frequentava Hogwarts. Havia também Zara, a melhor amiga de Gawain e a namorada de Rhys. Ela era como a Suíça para Parrish, mas devido as mudanças ocorridas posteriormente, Parrish considerou se afastar da mesma. Era melhor evitar que Gawain tivesse mais motivos para implicar com ele. Embora a ideia até lhe trouxesse certa diversão, não envolveria Zara em nome dos velhos tempos. E foi logo ela que encontrou ao adentrar o pub. Ou ela o encontrou primeiro, já que exclamou seu nome em alta voz e acenou para Milligan. “Hey Hughes. Quanto tempo.” Exclamou de volta pouco incerto do reencontro. Porém Zara sempre fora uma companhia agradável, apesar do seu gênio tempestuoso. “Muito bem, obrigado. O tempo fez maravilhas, não acha?” Se encostou no balcão dando uma piscadela para Rosmerta no processo. “Vejo que posso dizer o mesmo sobre você, se me permite.”
Nunca entendeu como Gawain conseguia se meter em tantas brigas. Na verdade, podia fazer uma lista bem grande de desafetos do auror, desde bruxos das trevas até pessoas que, tempo atrás, considerava como seus amigos. A verdade era que seu melhor amigo era muito inconstante, arriscaria dizer que era até um bocado estranho, só não mais estranho do que o fato de ainda serem amigos. Até porque, com a mania de Gawain de brigar com as pessoas, e com a mania de Zara de brigar com Gawain, os motivos que mantinham aquela amizade ainda eram misteriosos e mal explicados. Mas, de qualquer maneira, continuavam amigos. E Zara não dava a mínima para os desafetos do auror. De maneira que não dava a mínima também, pelo fato de haver certas rusgas entre ele e Parrish. – Pois é. Você sumiu. – Disse já colocando toda a culpa do afastamento no outro, como se ela própria não pudesse ter tentado retomar contato antes. Não que ela tivesse tomado partido na briga, como já explicado, ela não ligava para as brigas de Robards. Mas, Parrish era melhor amigo de Rhys Cadwallader e isso era motivo suficiente para ter sido riscado de sua lista.
– Que gentil de sua parte, Milligan. – Disse entre sorrisinhos, como se tentasse provar para alguém que conseguia ser uma verdadeira dama. Não que isso fosse algum objetivo na vida da medibruxa que, desde seus tempo de Hogwarts, era conhecida por não ser nem um pouco delicada. Rapidamente fez menção para que Rosmerta enchesse seu copo novamente e aproveitou para que servisse uma dose a sua nova companhia. – Diz aí, como vai a vida no Ministério da Magia? – Perguntou nada sutil, deixando claro que havia algo na vida do outro que ela queria descobrir. E não precisava ser nenhum gênio para saber que o objeto de curiosidade de Zara não era nada menos do que o melhor amigo de Parrish, Rhys Cadwallader. Muito embora a própria houvesse encontrado o jogador tempos atrás, não era como se tivessem trocado muitas informações. Além do que, desconfiava se o outro havia sido realmente honesto no encontro no Hospital. Afinal, ela não fora nem um pouco e por isso agora estava noiva.
Deixou a bebida de lado por alguns minutos, se inclinando em direção de Parrish, como se precisasse captar cada informação que o outro lhe daria. Não era como se sutileza e Zara Hughes andassem juntas. – Tem falado com Cadwallader? – Desferiu tal pergunta sem sequer se importar em parecer menos interessada. Talvez já tivesse ingerido bebida demais para uma só noite. – Não sei se ele te contou, mas estou noiva. – Adiantou, sem muita paciência para esperar pelo outro. Ela bem havia reparado na reação do jogador quando contara a mentira novidade, mas adoraria saber a versão do melhor amigo. – Só estou comentando porque fiquei meio receosa dele ficar chateado. Não que ainda exista Zarhys, mas... Robards e ele são amigos. – Justificou-se percebendo que estava dando muita bandeira abordando o seu noivado sem qualquer motivo, e sem nem tempo para ter desenvolvido uma conversa propriamente dita.
[Flashback] What About Your Friends | Zara & Parrish
Não era a primeira vez – e duvidava muito que seria a última – que Gawain desmarcava algo em cima da hora, como se ela própria não tivesse nada mais importante para fazer a não esperar pela boa vontade de seu melhor amigo. Embora tentasse ser compreensiva, a única coisa que lhe passava pela mente era que o auror, provavelmente, a trocara por algum encontro com alguma garota do Ministério da Magia. Não seria nenhuma surpresa esbarrar com ele naquela noite acompanhado de alguma mulher misteriosa. Na verdade, apenas se mantinha sentada e totalmente solitária no balcão do Três Vassouras na esperança de encontra-lo e fazer de seu suposto encontro um verdadeiro fracasso. Zara Hughes poderia ser uma boa amiga, a melhor amiga do mundo, caso não fosse tão rancorosa. E Gawain, com certeza, a presentava com motivos o suficiente para querer destruir cada ponto de sua vida. Ao menos era o que sua mente insana e nada coerente lhe dizia.
Girava um copo de firewhiskey nas mãos enquanto observava atentamente cada um que adentrava pela porta do estabelecimento, preferindo ignorar por completo os conselhos – inúteis em sua opinião – de Rosmerta que insistia em dizer que seu plano não fazia qualquer sentido. A dona do bar, embora muito flexível com relação ao pagamento de todas as contas que pendurava durante todo o mês, parecia ter certo apreço em dizer o quão Hughes era incoerente, sempre se mostrando contrária a tudo o que dizia. Provavelmente Robards a pagava para contraria-la e fazer com que parecesse uma idiota, pensava enquanto fingia não ouvir o que a outra mulher lhe dizia do outro lado do balcão, ao mesmo tempo em que lhe servia mais uma dose de bebida. – Shush! Você não está deixando eu ouvir meus próprios pensamentos! For Merlin’s sake, Rosmerta! – Reclamou gesticulando para que a outra se afastasse.
Quando a porta do bar abriu pela quinta vez naquela noite, pode observar uma conhecida figura masculina adentrando ao local que, no entanto, não era de quem esperava. Parrish Milligan, um antigo amigo com quem estudara durante os anos em Hogwarts e que não encontrava fazia algum tempo, muito embora dividissem o mesmo ciclo de amizades. Abriu um sorriso genuína levantando uma das mãos e acenando para que o rapaz lhe avistasse, esquecendo-se completamente de seu plano de vingança de horas atrás. – Hey! Milligan! – Chamou animada para que se juntasse no lugar vazio ao seu lado. Parrish era melhor amigo de Rhys e por motivos óbvios, fazia algum tempo que não se encontravam. O que não significava, porém, que a healer guardava qualquer tipo de rancor. Não, até porque seu problema era com o Cadwallader e não com o seu melhor amigo. – Como você está? – Perguntou genuinamente curiosa, já o servindo de uma dose de firewhiskey sem sequer consultar se queria.
I’ll keep that in mind.
Childhood friends. He used to go to Hogwarts with me. As well as old Rosmerta, actually. Mas, bem, o público dela é bem amplo, huh? You can’t really blame her. O Três Vassouras costuma ficar infestado de alunos, principalmente aos finais de semana… But I am not making excuses for her, and if is of your wish, maybe you should really consider dropping by here then.
Bom, pelo jeito Hogwarts formou uma boa leva de dono de bares na sua época, huh? Devo supor que você também tem seu próprio bar? E sim, o Três Vassouras fica infestado de crianças. Mas é exatamente por eu ter uma criança em Hogsmeade que frequento tanto lá. O nome dele Gawain Robards, e ele não é exatamente uma criança, mas ás vezes eu realmente acho que ele é uma.
If you promise me bumping into me whenever I come, I can come here more often. Firewhiskey for free, no one can blame me.
Augustus Rookwood, pleasure.
I happen not to be, actually. I am a friend of the owner of the pub and he is kind of owing me one, so… enjoy, I guess?! Oh, why, it is the least I could do, I am glad to hear so. And well, that is quite a tempting proposal, miss Hughes, so you should be careful, ‘cause I may really consider bumping into you again, huh? Cheers!
Paying shots of firewhiskey you can bump into me whenever you want.
Cheers! Você é amigo do dono? Bom saber... Sabe, Rosmerta do Três Vassouras têm me tratado muito aquém do que mereço ultimamente. Talvez ela perca uma cliente fiel.
Eu sinto muito, Zara! Quero dizer senhorita Hughes. Não imaginei que fosse chegar a esse estado de te chamarem.
Uma criança trouxe seu rato de estimação enquanto a outra tinha um gato e um saiu correndo atrás do outro tentei segui-los até aqui para pegá-los, mas parece que eles chegaram primeiro do que eu.
Um rato e um gato? Mutantes ou meio gigantes? Porque só isso explicaria a bagunça que está aqui!
Você é bom em feitiços de arrumação? Porque eu não. Sou ótima com feitiços para colar ossos, estancar cortes... mas nunca fui muito boa em organização. Quero dizer, em feitiços para organização. Será que conseguiria dar um jeito nisso aqui?
Eu… o quê?! Oh Merlin, I am terribly sorry ‘bout that! Perdão, eu realmente não percebi… Você está bem?
Did I already say that I am sorry? Sorry, this is getting a little too much, innit? But alright. I believe it is only fair that I pay you as many shots of firewhisky as you wish, Miss…?
Hughes, Zara Hughes. E você é...
Will you pay as many shots of firewhiskey as I wish? Are you kidding? Wow! You're totally forgiven! I mean... that's a good way to start a new friendship! Eu estarei aqui amanhã, se você quiser derrubar minha fire de novo...
Por Merlin, Smethwyck! Quando me disseram que você precisava de ajuda não imaginei que esse lugar estaria essa bagunça!
O que aconteceu? Passou um furacão nessa sala? Ataque de bruxos das trevas? Por que está tudo tão bagunçado aqui?
Hey! Você! Você mesmo! Pode parando aí! Caso não tenha percebido, a sua pequena esbarrada em mim derrubou todo meu firewhiskey! E, eu não me importo que você esteja com pressa para ver a rainha ou Merlin! Vai ter que me pagar outra fire... outras duas, aliás! Uma só pelo transtorno. Estamos combinado?
Wow, wow, wow, calm down, Hughes. Fico me perguntando o quão pouco pensa de mim para sempre deduzir o pior cada vez que apareço nesse hospital. Beber e treinar? Não dessa vez, obrigada. Não estou sequer machucada, para a sua informação. O motivo de eu estar aqui? Uma visita. Isso mesmo, aquilo que conhecidos e amigos fazem um ao outro de vez em quando.
É que normalmente as pessoas vêm para o Hospital por causa do pior. Você não pode me culpar, depois de trabalhar aqui por tantos ano é quase inevitável.. além de eu te conhecer.
Mas, vem cá? O que é isso de visita? Tem algum conhecido doente? Namorado talvez?
Por Merlin, Cadwallader! Você aqui? De novo? O que você anda fazendo? Bebendo antes dos treinos? Sério, não acho que essa prática seja aconselhável. Mas fico feliz em te encontrar... talvez não nesse estado. Mas, de verdade, reconsidere essa prática de beber e ir treinar. Não é saudável.
Zawain moodboard [1/?]
(Zara’s point of view)
[Flashback] When I met you I didn't really like you | Zara & Gawain| September 1961
Ele falava alto, gritando para ser ouvido pelos alunos do barco lado, como se o mundo inteiro fosse obrigado a ouvir o que tinha a dizer. Além da postura pretenciosa, como se fosse a pessoa mais interessante de todo o mundo. Muito embora alguns alunos estivessem rindo das piadas dele, ela apenas se limitava a revirar os olhos escuros em visível desconforto. Ainda não sabia, mas quando soubesse realizar azarações, ele seria o seu primeiro alvo. Com certeza. – Shut up! For Merlin’s sake! Shut the fuck up! You’re annoying me! – Pediu com sua paciência já esgotada, ainda estava na metade do caminho e não sabia se aguentaria mais nem um segundo com aquele garoto. Gawain Robards, como ele mesmo havia dito em alto e bom tom quando entrara no barco. Não que alguém realmente estivesse interessado nessa informação, afinal. De qualquer maneira, eles haviam sobrado, assim, não lhe restara nenhuma outra opção ao não ser dividir o barco apenas com ele. – I’ve never thought in my entire life that ten minutes, just ten minutes, could be so annoying! – Levantou-se irritada, tentando manter o equilíbrio no pequeno barco que mal conseguia abriga-los, ao mesmo tempo em que apontada o dedo na face do garoto de maneira insolente. – So, you'd better keep your mouth shut or I won’t answer for my actions! – Disse já com o rosto vermelho mantendo um olhar pouquíssimo amistoso em direção ao garoto de cabelos claros.
Ainda na manhã daquele mesmo dia, minutos antes de tomar o expresso em direção ao seu primeiro dia de Hogwarts, seus pais lhe entregaram um pergaminho com uma lista de recomendações. Entre os tópicos levantado, se encontrava o conselho para que evitasse gritar com seus colegas ou professores. Muito embora o tivesse lido atentamente durante a viagem no trem, a verdade era que Zara nunca fora do tipo que obedece os pais. Filha única de um casal de idade já avançada, a garota de cabelos escuros nascera acostumada a ter todas as suas vontades realizadas, de maneira que até seus onze anos, ninguém jamais a contrariava. Mas aquele garoto irritante estava lá para mostrar que nem tudo era como imaginava ser. Não, porque não esperava que o garoto fosse retrucar o seu pedido. Talvez exatamente pela criação que tivera, não costumava perceber quando ultrapassava os limites a fim de conseguir o que queria. Sentia como se todo o mundo fosse obrigado a responder as suas expectativas. E, provavelmente, essa seria a primeira grande lição que tomaria naquela escola. Muito embora, não fosse realmente aprendê-la.
– Qual parte do cale a boca você não entendeu? – Perguntou com as mãos na cintura, como se realmente fosse obrigação do garoto seguir suas ordens. Não era. Pelo menos não ainda. Aquele era apenas o primeiro contato de uma amizade que duraria por anos, mesmo que começada de tão mal jeito. Como se o destino já estivesse ciente que aquelas duas figurinhas precisavam se encontrar, os dois foram os últimos primeiranistas a entrarem nos pequenos barcos que transportavam os alunos para o castelo, de maneira que se mantinham sozinhos naquele barco minúsculo. Caso alguém lhe dissesse que o garotinho de postura – em sua opinião – pretenciosa, se tornaria a sua pessoa preferida em todo o mundo, provavelmente daria risada e responderia que aquele garoto não merecia nem um mínimo de sua amizade. E que a única coisa poderia ser para ele, era a autora do soco que lhe daria caso não fechasse a matraca. – Eu vou te dar um soco se você não ficar quieto! Eu não te aguento mais! Isso é o que? Tortura?
And I still don’t have the right look And I still have the same three two friends And I’m pretty much the same as I was back then High school Hogwarts never ends