cursedplague·:
Caleb era um milhão de vezes pior do que ela quando se tratava de dizer o que vinha na cabeça e ela reconhecia isso. Conhecia muito do modo como ele agia, era tão habilidoso com um machado mas pouco com palavras, muito embora fossem aqueles traços dele os favoritos dela. Não disse nada, enquanto o fitava e escutava o que dizia. Prendeu a respiração, soltando-a, em um suspiro prolongado, subindo os olhos outra vez para fita-lo. Mas então, aquelas palavras. Eu confio em você? Porra, Caleb. Aquele momento não poderia piorar, era o que ela pensava. Seu rosto esquentou imediatamente e ela torceu para que ele não notasse a coloração corada em seus bochechas. Que inferno. Ela engoliu em seco o bolo na garganta, paralisada. Você não diz que confia na pessoa que te traiu, pensou. Embora aquilo fosse uma mentira. Mas o que, sobre ela, não era uma mentira? As pessoas só sabiam sobre ela o que ela deixava que soubessem, deixava que espalhassem por aí. Boatos, falatórios, fofocas e xingamentos pelas costas. Ela não ligava para qualquer um deles, porque, muito em breve, a importância que aquelas trivialidades teriam em sua vida seria secundária. Por isso, respirou fundo mais uma vez, reprimindo a vontade de gritar a verdade para que todos ouvissem. Finalmente, estendeu a gaze, tocando o machucado com suavidade, para limpar as manchas de sangue seco e o interior do corte. Há tempos Nymeria havia aprendido a controlar seus poderes o suficiente para que só machucasse quem queria machucar, embora tivesse certa dificuldade em controlar a letalidade do efeito que queria provocar. Mas ela não queria machucar o rapaz. — Esquilo zumbi. É ridículo, eu sei. Gadrel fez com que um casal de esquilos mortos me atacassem na floresta. - revirou os olhos, após a fala. — Como conseguiu o corte? Eu achei que você fosse tipo de titânio ou coisa assim.
— esquilo zumbi?! — seus olhos brilharam de animação, como uma criança na perspectiva de receber um doce após o almoço. — isso deve ter sido tão legal! — abriu um sorriso que iluminava toda sua face, e logo em seguida se deu conta de suas palavras. ela tinha um corte no rosto por conta do tal esquilo zumbi. legal era provavelmente uma das últimas palavras que ela usaria para definir tais criaturinhas. — não! não. tão. legal...? é o que eu quis dizer. — emendou logo em seguida. uau, essa foi... você se superou, hein caleb. com certeza conseguiu sair dessa sem que ela percebesse. dez pelo esforço. a parte de seu subconsciente que ainda funcionava esbravejou. agradecia aos céus por não ver nem a sombra de dana naquele lugar. ela nunca mais deixaria que ele esquecesse todas essas gafes que cometera. e ele nem poderia culpá-la. — mas gadrel não estava no nosso time? — perguntou, ansioso para que mudassem o rumo daquela conversa e ao mesmo tempo genuinamente curioso quanto a isso. ele se lembrava de ter conversado com o rapaz, discutindo estratégias e táticas para a defesa da bandeira. tinha certeza disso. teria ele falado com o inimigo? entregara de bandeja para o time adversário as ideias para que a bandeira não caísse em suas mãos? sua cabeça não parava de criar questões, imaginando se quase custou a vitória da equipe por um erro ingênuo e besta. só saiu do espiral que entrou em seus próprios pensamentos com a pergunta da outra, que lhe despertou outro sentimento: raiva. — ahra. — falou entre dentes, ainda irritado que a filha de atena havia conseguido fazer-lhe sangrar. a culpa foi inteiramente sua, já que se tornava errático quando se empolgava demais em batalhas. impulsivo demais. mas isso não impediria que ele jogasse isso nas costas da rival. não admitiria em voz alta que ele causa aquilo, jamais. ou talvez devesse, descreditando ela... muito a se pensar. — é, bom, não. seria bom, mas não. evidentemente. — estava claramente amargurado pelo fato. — graças aos deuses ganhamos esse jogo. se ela tivesse me cortado e ainda pego a bandeira antes de nós, eu seria obrigado a me jogar da árvore mais alta desse acampamento.







