A gente precisa parar com essa mania de colocar os problemas em uma mala e sair carregando por aí como se eles fossem essenciais. Não são. Aliás, tudo que te faz mal é completamente descartável.
Gabito Nunes. (via rotalizar)

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A gente precisa parar com essa mania de colocar os problemas em uma mala e sair carregando por aí como se eles fossem essenciais. Não são. Aliás, tudo que te faz mal é completamente descartável.
Gabito Nunes. (via rotalizar)
Meu quarto. A melhor coisa que havia ali era a cama. Gostava de ficar deitado por horas, mesmo durante o dia, com as cobertas puxadas até o queixo. Era bom ficar ali, nada acontecia por ali, nenhuma pessoa, nada.
Bukowski, Misto Quente. (via apagou)
Querido Pai, Ontem foi seu aniversário de 40 e poucos anos, e mais uma vez eu não pude estar ao seu lado. Já fazem 5 anos que você foi embora, mas não te culpo. Ao contrário, acredito que foi o melhor para todos. Tentei me convencer disso. A sua vida de casado com a minha mãe nunca deu certo. Lembro-me de acordar todos os domingos com medo, simplesmente porque nesse dia, nenhum dos dois trabalhava. E sempre que estavam juntos, as brigas eram certas. Quando menor, costumava me sentar no chão gelado da sala, fechar os olhos e imaginar que aquilo não estava acontecendo. Eu era apenas uma criança, e por diversas vezes, tive que separar brigas de dois adultos em completo desespero. No final, acabava com duas crianças, uma pra cada canto da casa, em um choro intenso e profundo. Nenhuma dessas crianças era eu. Mas sim, sofri e me senti sozinho. Amadureci depressa. Sinto que não aproveitei a minha infância como deveria. Entretanto, faria tudo de novo. Porque a única certeza da minha vida naquela época, é que eu os amava incondicionalmente. Sempre que relembro os momentos que passamos juntos, a minha alma se acalma. Aprendi a gostar de cantar, porque você sentava comigo todas as noites em que chegava cansado do serviço, pegava o violão e cantávamos juntos as suas musicas preferidas, que acabaram se tornando as minhas também. Houve um tempo em que você trabalhou como radialista, e todas as tardes, exatamente as 16:30, dizia em rede nacional: “Gostaria de mandar um beijo para o meu filham, papai te ama.”. E eu parava tudo, ligava o rádio e esperava a voz do melhor pai do mundo. A gente assistia aos jogos do nosso time do coração e, sempre que ele ganhava, entravamos no carro e você me levava para a padaria da esquina, comprava duas barras de Suflair ou sorvete Magnum, e ficávamos passando alguns momentos inesquecíveis juntos. Como chamam isso mesmo? Ah sim, “momento pai e filho”. Em todas as sexta-feiras, você alugava diversos filmes, em sua grande maioria, de terror. E sempre, repito, sempre, dormia ainda nos trailers e eu acabava assistindo sozinho. Mas nunca me importei, porque você estava do meu lado, ainda que inconsciente, era o suficiente. Confesso que você era do tipo ignorante, e se eu fizesse um barulho que fosse enquanto você estivesse assistindo seus jogos de futebol ou suas corridas de formula-1, iria ouvir alguns xingamentos. E apesar disso, eu apenas ficava ali, sentado no sofá ao lado, mesmo não entendendo nada do que estava passando, ficava quietinho. Foi à maneira que encontrei de estar mais presente na sua vida, e sei que você ficava feliz por eu ficar do seu lado, mesmo não dizendo uma só palavra. Uma vez, estávamos conversando sobre como seria se um dos dois morresse. E bom, não deu muito certo. Acabou com ambos abraçados, chorando uma dor que não existia. Mas que só de pensar em um dia existir, parava o coração por alguns segundos, e depois, voltava a bater. Um milagre. Vou te dizer uma coisa: De todas as pessoas do mundo, você sempre foi a que eu mais admirei. Eu buscava a sua aceitação, a sua admiração. Abaixava a cabeça quando recebia uma bronca e tentava melhorar em seguida. Sei que da sua maneira, você me amou e ama, mais que a sua própria vida. E foi por isso que eu sofri tanto quando você foi embora. Eu podia aceitar a ideia de não te ter por perto sempre, mas não a de não te ter por perto nunca. E ainda assim, aceitei, compreendi. Porque a sua felicidade era o mais importante e sempre será. Você conheceu outra mulher, casou-se e foi morar com ela e suas duas filhas de outro casamento. E eu também podia aceitar isso. Fui tratado como um filho que a sua mulher nunca teve e me entendi super bem com as filhas dela, posso dizer que estou feliz por você. E feliz por ter encontrado alguém tão especial. Porém não vou mentir. Não foram fáceis os meses e anos que se passavam sem você por perto. E nem passar os meus aniversários longe de ti, mesmo que todos estivessem presentes. Sem você, tudo é vazio. A maior dor de todas, era passar o dia dos pais, sem o meu pai por perto. Mas tudo bem, porque eu sabia que de onde você estivesse também sentia a minha falta. Aguentei cada dor e saudade, e aceitei todas as coisas, porque era melhor ter você uma vez por ano do que não ter durante uma vida. Sou forte para aguentar qualquer coisa, pensei. Até que um dia, minha mãe me levou em um parque e sentou comigo em um banco. Dizia que tinha algo sério para conversar comigo e seus olhos estavam inchados e acusavam que ela já havia chorado muito naquela manhã. Não entendi muito bem a história, na verdade, ela não me importava. Mas a parte da história que interessava, era a que, assim que ela se casou contigo, passou cerca de 4 anos tentando engravidar, e não conseguia. E que em uma de suas brigas, vocês se separaram. Ela se relacionou com um ex-namorado. Mas na mesma semana se relacionou com você. E que logo em seguida, descobriu que estava grávida, de mim. E você se enfureceu e disse que não podia ser seu filho, pois você havia feito um exame e as chances de você ter um filho eram mínimas. Depois de um tempo, se arrependeu e disse que o filho era seu, não importasse o que acontecesse. Fiquei alguns segundos digerindo toda aquela informação, e finalmente, desabei em lágrimas. Não podia ser verdade. A pessoa que eu mais admirei na vida, que sempre tive orgulho por ter o mesmo sobrenome. Agora, poderia não ser quem eu passei a vida inteira pensando que fosse. Fiquei longos dias apenas refletindo sobre isso. Algumas semanas depois, nos encontramos nas festas de fim de ano. As coisas estavam estranhas. Fomos até a varanda de sua casa, e pude apreciar uma das noites mais lindas da minha vida. O céu totalmente estrelado, brilhante, refletia todas as luzes existentes do universo. Você me olhou cabisbaixo, e disse: “Sua mãe me disse que te contou tudo.” “Sim, ela contou.” “Eu sinto muito por não ter contado antes, eu…” “Não diga nada.”, falei rapidamente. “Não importa, você é o meu pai e sempre vai ser. E se eu pudesse mudar algo, não mudaria nada. Você foi o melhor pai que alguém poderia ter. E tive sorte por ter você na minha vida, obrigado por tudo.”Abri os braços e te abracei repentinamente. Um abraço que poderia durar uma vida toda. “Eu te amo, pai.”, falei. “Eu sempre te amei, filho.”, sussurrou.Senti lágrimas e mais lágrimas molharem o meu ombro. Compreendi que na vida, a gente não escolhe quem vai amar, e que o amor acontece da forma mais inesperada possível. E que nada é por acaso. Eu faria tudo de novo. A incerteza e o medo me fizeram entender que amor é amor, não importa de qual forma ele surja. Estando perto ou não, presente ou não, nada ira mudar o que sentimos e somos. Os outros que me desculpem, mas eu tenho o melhor pai do mundo.
Allax Garcia. (via apagou)
Quem sabe você tropeça em mim.
Tiê. (via apagou)
Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar.
O Teatro Mágico. (via apagou)
Acho que, independente da religião, a gente tem que fazer o bem. E fazer o bem consiste em fazer as coisas de coração, por vontade, por se sentir em paz.
Clarissa Corrêa. (via apagou)
E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando praquilo, você não tem idéia. Mas das ultimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desanimo, com saudade e mágoa misturadas. Porque você tinha que morrer? Porque você tinha que matar tudo que eu sentia? Me obrigar a morrer também. Me obrigar a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigar a não chorar, quando tive vontade de chorar. Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. E quando eu procuro outras pessoas, eu procuro imaginando você me vendo. E tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, hoje não é nada. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, por que eu continuo te olhando? Por que eu sempre volto aqui? Por que eu ouço musicas que falam de tristeza? Por quê? Você não vale isso. Mas eu faço. Eu continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo a risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu preferia que morresse. Você está ai vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, feliz, tranqüilo, sem sentir minha falta, sem olhar minha foto em rede social. Por que eu não consigo? Por que você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você? Não. Eu não esperei nada, eu entendi tudo, eu entendia o que ninguém entenderia. Eu respeitei. Eu fiz como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu agüentei besteiras. Agüentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.
Tati Bernardi, A sua foto. (via apagou)
Chester and Mike
Eu tenho que estar bem, sem estar bem… Isso cansa.
Cartas dos Derrotados. (via evidencias)
Foi numa dessas conversas cotidianas que eu percebi que as pessoas não se importam com o que te faz feliz. Você não pode simplesmente fazer o que te deixa bem, sem que alguém te aponte o dedo dizendo que é errado. Você, por exemplo, não pode namorar alguém do mesmo sexo, porque a sociedade diz que é errado. Somos produtos descartáveis, somos produzidos por pequenos microempreendedores chamados de “Pai e Mãe”, e temos validade que é a nossa morte. A ANVISA é a sociedade, e ela como sempre faz questão de informar o consumidor, que de certa forma também somos nós, sobre - nós - os produtos. Assim nos estipulando rótulos e informações que “nos ajudará a sobreviver”. Nos consumimos até o nosso próprio fim. É engraçado como somos obrigado a nos homogeneizar em um só tipo de criatura, você não pode seguir seu sonho de cursar algo que não ganhe tão bem, não pode planejar um futuro sem incluir filhos, não pode se relacionar com alguém mais velho, não pode ser mãe solteira, não pode ter mais de 30 anos e não ter um marido, dentre tantas outras coisas que são consideradas erradas e tudo isso só por padrões e tabus que não são relevantes, tudo isso porque nós somos produtos de um ser, e não podemos desapontar os consumidores, nossa política, cultura, religião, opinião e livre arbítrio “tem que agradar os outros”, não podemos ter defeito, porque produtos defeituosos são deixados pra trás, excluídos da linha de produção, destruídos, e refeitos. E de certa forma não podemos perder nossos produtos, até porque quanto menos defeitos, mais lucros. Somos produtos descartáveis, e não podemos ser reciclados, porém somos consertáveis. Mas a verdade é que eles sempre vão te julgar, te rotular, e te colocar em um grupo social para que mesmo que seja diferente da maioria, seja igual a uma minoria. Sempre. Independente do que você escolher ser. Eles não percebem que hoje somos o que somos pois as pessoas foram diferentes um dia. Imagina se nos acostumássemos a viver sem a energia elétrica? Imagina se nos acostumássemos a viver com uma grande mortalidade infantil? Eles não percebem que o que temos hoje é fruto do diferencial desses produtos, até porque, do que seria uma lâmpada sem energia, do que seria um carro sem suas rodas. Então não deixe o que te faz bem de lado, não deixe de ser quem você quer ser, sua felicidade é mais importante que qualquer rótulo. Queira sim descobrir a cura do câncer, queira sim criar um país melhor, quem sabe você não muda o mundo, e entra pra história do mundo por criar um mundo novo, quem sabe no futuro meus filhos não leiam seus nomes nos livros de história. Até porque eles têm medo do que é diferente, porque o diferente é imprevisível, e às vezes sem querer pode ser melhor.
Somos descartáveis. Romeuemcrise & Inaptar (via evidencias)