One Shot: SunKissed
A música ecoava alta em todos os cantos: dos carrinhos de comida, dos vendedores ambulantes de bebida, da banda que tocava alegremente músicas que eu não entendia uma palavra. As pessoas dançavam e cantavam alegremente, movendo seus corpos sob o sol escaldante do Rio de Janeiro, numa confusão de glitter, suor e alegria.
A empolgação era contagiante, mas minha bateria social já estava chegando no final.
Eu gosto de festas, e ficamos empolgados quando descobrimos que estaríamos no Brasil na mesma época do Carnaval, mas os brasileiros estão anos luz no que diz respeito à energia, sendo literalmente os maiores inimigos do fim.
E eu sou um grande amigo do fim.
Apesar de ser o membro mais enérgico do Bangtan, não sou do tipo que gosta de ficar até tantas numa balada. Aliás, sequer é meu tipo de rolê.
Posso ficar a madrugada inteira em live com o Army ou bebendo com meus hyungs, mas festa… Ah, isso exige uma energia que eu não consigo produzir em grande escala.
Ao contrário do Hobi hyung.
Esse sim sabe viver.
Quando a equipe informou que veríamos o carnaval brasileiro em primeira mão, Hoseok deu um berro tão alto que quase fez Yoongi hyung ter um infarto pelo susto.
A viagem ao Brasil foi uma ideia coletiva do grupo para comemorar o aniversário do Jung. Ele adora o país, ama as pessoas e, acima de tudo, ama saber que o consideram um brasileiro de coração e de alma.
É o primeiro aniversário dele fora do serviço militar, achamos que merecia uma comemoração à altura para seus 32 anos.
Hoseok AMA festas. E não, isso não foi uma hipérbole.
Eu nunca conheci alguém tão apaixonado pela vida, pelas boas experiências, por ver as pessoas felizes com ele.
— Ei, eu também sou um apaixonado pela vida!
— Taehyung, pelo amor de Deus, vamos focar aqui, essa história não é sobre nós.
— Chato.
Reviro os olhos de imediato.
— Ai, hyung! Não precisa partir pra agressão, porra.
— Foi só um tapinha pra você ficar esperto. Continue a história, ela está curiosa. — Kim diz antes de sair de perto, baixando sua máscara de Pierrot ao voltar a pular no meio das pessoas que passam por nós.
Enfim, como eu estava dizendo antes de ser grosseiramente interrompido, a cidade escolhida foi o Rio de Janeiro. A gente até pensou em ir pra São Paulo, mas depois de muita pesquisa, a escolha ficou entre Salvador e Rio de Janeiro.
— Eu votei em Salvador, diga-se de passagem.
Ah, mas não é possível.
— Taehyung, tem uma garota bonita te chamando ali, olha. — aponto para um canto qualquer, só para ver se ele sai de perto e me deixa continuar a nossa conversa em paz.
Por sorte, realmente havia uma garota chamando por ele.
Ótimo, agora ele vai se distrair.
Voltando… Onde eu parei mesmo? Ah sim, lembrei. Pois bem, deixamos Salvador para o ano que vem, porque o Rio de Janeiro pareceu mais a cara do Hobi.
Dito e feito.
Chegamos alguns dias antes do fim de semana do carnaval e as coisas já estavam intensas pra caramba. Ficamos um pouco surpresos ao ver as pessoas com pouca roupa – bem pouca mesmo – no meio das ruas, aquele choque cultural padrão que se sente quando se tem contato com algo pela primeira vez. Mas isso passou rápido. Assim que vimos como ninguém parecia se importar com nada além da diversão, qualquer estranheza se dissolveu.
— JK! — a voz de Hobi hyung soa ao meu lado. O homem estava ensopado de suor e havia glitter espalhado pelos braços e pescoço, que eu não faço ideia de como foi parar ali — Definitivamente, esse é o melhor aniversário de todos! — diz empolgado.
Ele puxa a máscara para cima do rosto, exibindo a pele avermelhada pelo esforço de estar dançando sob o sol. Apesar de ser um dos maiores dançarinos do mundo e ter um fôlego invejável, até os maiorais ficam ofegantes.
— Que bom que está curtindo, hyung, mas cuidado, não fique mostrando o rosto assim. — adverti.
Hoseok estala a língua.
— Não se preocupe, todos estão tão empolgados e bêbados que não vão notar.
Ajeito a minha máscara no rosto.
— Deveria tirar isso um pouquinho, o Namjoon não está aqui pra puxar sua orelha. — ele fala rindo, bebericando sua cerveja.
Namjoon, Yoongi e Jin tinham ficado no hotel. Hoseok se prontificou a ficar “responsável” pela maknae line inteira quando decidimos sair para curtir os blocos na rua.
Afrouxei a máscara um tanto receoso, mas que se foda né, só se vive uma vez.
Estávamos num cantinho da calçada, perto de uma barraca de bebidas que estava praticamente à nossa disposição, já que nosso tradutor deixou acordado com o ambulante uma generosa quantia em dinheiro. Eu já havia tomado uma quantidade considerável de cerveja, assim como Tae, Hobi e Jimin.
Foi quando me deu um estalo.
Olhei ao redor e vi Taehyung dançando com um grupo de garotas vestidas de fada, Hoseok estava ao meu lado. Só faltava o Park.
— Caralho, cadê o Jimin?!
— Serve aquele ali? — Jung apontou para o lado.
Não muito longe de onde estávamos, Jimin estava atracado aos beijos com duas garotas.
Não, você não ouviu errado.
Era um beijo triplo.
A risada me escapa na mesma hora.
— E foi ele quem disse que não ia fazer nada, que ia só curtir o momento etc etc etc. — debocho.
Hobi solta uma gargalhada sincera, batendo as mãos ao lembrar das palavras do nosso amigo minutos antes de sairmos do hotel.
Saquei o celular e tirei uma foto no mesmo minuto. Isso com certeza seria motivo de zoação por meses entre nós.
— Aliás, tem uma garota que não para de te olhar desde que paramos aqui. — o mais velho comenta comigo.
Olho na direção que ele indica e então a vejo.
A fantasia é alguma coisa que lembra um céu estrelado. Havia um arco na cabeça com estrelas prateadas e fitas brilhantes. O top azul escuro e cintilante abraçava os seios e o short da mesma cor deixava sua cintura ainda mais curvilínea. O cabelo loiro com mechas cor de rosa tinham cachos longos que caíam pelas costas nuas.
Eu estava hipnotizado.
Antes que eu desse um passo na direção dela, a loira fez o primeiro movimento.
Percebendo isso, Hoseok saiu de perto e se virou para conversar com Taehyung que estava pegando mais uma cerveja com o senhor Elias, nosso “personal ambulante”.
— Vai precisar de ajuda? — nosso tradutor, Lucas, pergunta ao notar a aproximação da garota.
— Não, eu me viro. — rio sem graça, mas no fundo apavorado com a possibilidade de me ver conversando com uma brasileira sabendo praticamente porra nenhuma do idioma local.
A garota sorri para mim e eu para ela. Seus olhos castanhos estão adornados por uma maquiagem brilhante, com pedrinhas coladas de um jeito que desenhava uma constelação inteira no rosto bonito.
— E foi assim que eu te vi e criei coragem pra vir aqui falar contigo. — explico a ela.
— Uau… — ela sorri — Essa foi a cantada mais longa de toda a história. Mas tô feliz que você tenha me contado. Meu nome é Luma. Muito prazer!
Faço uma reverência breve ao mesmo tempo que ela me estende a mão. Pequenos desencontros culturais que nos fazem rir.
— Olha, eu não quero ser invasiva nem nada, — ela me puxa e fala ao pé do meu ouvido — mas queria saber se o Hoseok está solteiro.
Meu mundo caiu. Meu sorriso, antes aberto, morreu no meio do caminho.
Senti como se um balde de gelo tivesse sido totalmente despejado na minha cabeça.
Não era um fora, mas doeu tanto quanto um.
E ela pareceu notar no mesmo instante.
Luma arregalou os olhos e me puxou rápido para falar algo no meu ouvido outra vez.
— Não é pra mim que estou perguntando! — se apressou em corrigir atropelando as palavras em inglês.
Eu a encaro surpreso – e confuso – e então ela prossegue.
— Atrás de mim, ali no cantinho perto da árvore. — ela volta a falar — Tá vendo uma morena peituda com um arco dourado que parece raios de sol?
Olho discretamente para o local que ela descreve e vejo a garota em questão.
— Sim, tô sim. — respondo de modo cúmplice, finalmente entendendo o rumo da conversa – visivelmente aliviado — O que tem ela?
Luma sorri e se aproxima mais, fazendo meu pobre coração palpitar como nunca antes.
— Então, ela é doidinha pelo Hobi, ele é o utt dela. Além disso, ela viu ele de longe e ficou interessada, mesmo sem ter ideia de que ele é ele por causa da máscara. Aliás, ela ainda não se deu conta de que são vocês. — ela ri baixinho, se divertindo com a situação — Eu disse que ia vir falar com você, mas na real eu queria desenrolar ele pra ela. — explica.
— Então eu sou apenas um bode expiatório? — faço um bico.
— Claro que não, mas eu precisava de um motivo pra chegar em você. É aquela velha história de “pegar dois coelhos de uma vez”. Se bem que só me interessa pegar um. — sorri com malícia, me olhando no fundo dos olhos.
Ai, puta que pariu… Bem que disseram que as brasileiras não brincam em serviço.
— Então, se eu te ajudar, o que eu ganho? — compro o flerte e me arrisco.
— Todos os beijos que você quiser, biscoitinho.
— Biscoitinho? — pergunto intrigado — O que significa?
— É o diminutivo pra “cookie” em português. — explica me fazendo rir.
— Gostei, gostei. Bom, já que é assim, tô dentro. O que tem em mente, estrelinha.
Luma me dá detalhes da sua ideia, que na verdade era bem simples, consistia apenas em apresentar a amiga à Hoseok. Mas eu calculava as ações na minha cabeça, afinal, estamos no meio de um bloco de carnaval no Centro do Rio de Janeiro munidos apenas de máscaras, protetor solar e nosso tradutor. Dispensamos os seguranças na cara e na coragem, segurando na mão de Deus e torcendo pra nada dar errado.
Antes que a gente pudesse colocar qualquer coisa em prática, um jato de água atingiu todos nós. O céu estava azul e sem uma unidade de nuvem, ou seja, zero chances de chuva. Na verdade, os moradores da rua onde estávamos começaram a usar suas mangueiras para aliviar o calor dos foliões.
As pessoas se apinhavam ainda mais para aproveitar o refresco bem-vindo. O chão – repleto de confete, serpentina e bebida derramada – virou uma armadilha escorregadia para quem não estivesse usando um tênis com o mínimo de aderência.
Foi então que Luma e eu ouvimos um grito e um barulho seco de dois corpos colidindo em direção ao chão.
POV Hoseok
Beleza, beleza, beleza… Deixa que eu assumo a narração daqui pra frente.
— Mas, hyung-
— Você quer mesmo contar como eu e a Eduarda terminamos a noite? — pergunto ao mais novo com um sorriso cheio de intenções.
— Nem a pau! Ainda estou traumatizado por ter escutado a cama batendo na parede.
— Como se você e a Luma não tivessem feito o mesmo.
— Aish… — resmungou e saiu andando.
Ok, hora de vocês ouvirem os fatos pela boca de quem viveu o momento mais absurdo – e incrivelmente delicioso – do dia.
Vamos voltar um pouco essa fita.
Enquanto Taehyung flertava com tudo que se mexia, Jimin trocava saliva com duas ao mesmo tempo e Jungkook e a loirinha do arco de estrelas conversavam ao pé do ouvido, eu estava vivendo o momento da minha vida.
A música, a energia, as pessoas, o calor. Tudo no Rio de Janeiro me fazia sentir em casa mesmo estando a muitos quilômetros de distância da minha casa de verdade.
Eu estava no paraíso!
O Brasil sempre teve um lugar especial no meu coração. Fiquei tão empolgado quando os rapazes contaram da viagem que fiquei dois dias inteiros sem dormir.
Mas enfim, voltemos ao presente.
Como o Jungkook já contou, Luma queria apresentar sua amiga para mim, a morena peituda com arquinho de sol.
Até que o plano dos dois era bonitinho, mas o destino tinha os seus próprios métodos.
Quando o banho de mangueira proporcionado pelos moradores dos sobrados ao redor começou, as pessoas vibraram como se fosse final de Copa do Mundo.
O calor estava insano, do tipo que nem um protetor solar do fator mais alto dá conta direito, mas ninguém ligava. Fechei os olhos e abri os braços ao sentir a chuva improvisada cair dos andares mais altos, me refrescando pelo menos um pouquinho quando um baque fez minha cerveja voar pro alto e eu pro chão.
— Caralho! Meu Deus do céu, moço, desculpa! Merda, eu sabia que não devia ter vindo de chinelo. — a voz carregada de sotaque falava comigo em português.
Ela se levanta enquanto eu continuo sentado no chão e estende a mão para mim, me ajudando a levantar, ainda falando sem parar.
— Você deve ser gringo e não tá entendendo porra nenhuma. — continua a falar ainda sem olhar pra mim direito — I’m sorry! I am too much… desastrada!
O portuglês me arranca uma risada alta.
E só então ela realmente me vê, e seus olhos me prenderam.
Eram castanhos, profundos e brilhavam com uma mistura de pânico e identificação imediata. Eu via as engrenagens da cabeça dela girando a mil por hora. Ela não estava apenas assustada, mas processando tudo, analisando a situação – e a mim – como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça impossível.
— Luma, corre aqui, eu acho que colocaram alguma coisa na minha caipirinha de pitaya. Eu to vendo a cara do J-Hope nesse sujeito e- — ela interrompe a fala ao notar que o copo em sua mão estava vazio.
O drink arroxeado havia virado uma pintura abstrata na minha camisa de linho – pelo menos na parte que não estava abotoada – e eu não poderia me importar menos com aquilo. A boca dela não parava um segundo. Ela disparava palavras em português que eu não entendia, mas a melodia da voz dela era engraçada e doce ao mesmo tempo. E então, ela soltou uma sequência de palavrões – que eu sabia da existência porque perguntamos os maiores absurdos ao nosso tradutor – com uma naturalidade que me fez querer rir alto.
— Ai, puta que pariu…. — fala torcendo a expressão quando se dá conta do estrago na minha camisa — J-Hope do céu, pelo amor de Deus, foi sem querer, was not my intention! Luma, como fala “eu juro” em inglês?! — se vira para a amiga outra vez, falando ainda mais rápido do que antes.
A morena de cabelos cacheados passa a mão pela minha camisa numa tentativa vã de limpá-la. E por mais que eu estivesse adorando sentir as mãos macias passando pelo meu abdômen, segurei seus pulsos finos com gentileza para pará-la.
— Está tudo bem. — falo devagar em português, da melhor forma que consigo — Acho até que ficou melhor assim, a cor é bonita. Eu gosto de roxo.
Ela me encara ainda mais perplexa.
— V-Você… Você fala… Você fala português?
— Um pouquinho. — ajeito a máscara que estava pendurada no meu rosto — Como você se chama?
Ela volta a me olhar como se eu fosse uma alucinação.
— Eduarda. — a garota loira assume a palavra surgindo ao lado dela acompanhada por Jungkook — O nome dessa maluca é Eduarda, mas pode chamar de Duda ou Dudinha. Ou, quem sabe, amor da sua vida! — empurra a amiga na minha direção sutilmente depois de levar um cutucão da mesma.
Taehyung e Jimin, que até então estavam entretidos com outras coisas, chegaram mais perto, se juntando à Jungkook.
— Parece que o hyung encontrou uma versão feminina de si mesmo. — Kim comenta com os outros dois acreditando estar falando super baixo.
— Vai ser um caos interessante de assistir. — Jimin completa fazendo Jeon rir.
— Ei, eu ouvi isso. — repreendo o trio, mas sem descolar os olhos da morena diante de mim.
Eduarda tenta se ajeitar. Joga o copo vazio no lixo, arruma a meia arrastão, verifica se a pochete está no lugar, mas o que prende minha atenção é o momento em que ela arruma o decote em V do top dourado que sustenta os seios fartos.
Tento não olhar, mas porra… é muito difícil.
Desvio os olhos para qualquer outro ponto, e então percebo que o adereço de cabeça que ela usa está completamente fora do lugar.
— Espera, deixa eu te ajudar com isso.
Puxo Eduarda pelo braço gentilmente até que ela fique de frente para mim. Os olhos castanhos escuros me fitam de baixo, e tenho que manter muito do meu autocontrole quando percebo pela visão periférica que ela morde o lábio inferior.
Ah, e que boca… Carnuda, naturalmente rosada, tão beijável.
Engulo seco fingindo que não vi a cena simplória e ao mesmo tempo absurda de tão sexy, concentrando toda minha energia em arrumar o arquinho que personifica raios de sol sobre os cabelos cacheados.
— Você é o dia e a sua amiga é a noite? — pergunto tentando quebrar um pouco a tensão do momento.
— Acertou. Sou completamente apaixonada pelo sol. — diz de bate pronto.
Ela poderia estar apenas falando do astro rei, mas sinto no tom suave da sua voz que aquilo não foi só sobre a estrela central do nosso sistema solar.
— Gosto da luz que ele emana, da forma como ele me aquece sem nem sequer me tocar diretamente. — ela continua dando um passo na minha direção — Da forma como tudo ao redor se ilumina quando ele aparece.
Baixo os olhos encontrando os orbes escuros e intensos fixados nos meus.
— Cuidado, Eduarda… Falar assim do sol pode fazer ele achar que tem concorrência.
Ela inclina a cabeça.
— Concorrência?
Dou um passo adiante, diminuindo mais ainda a distância entre nós.
— Porque eu também gosto de esquentar as coisas.
Ela sorri de canto e eu de volta.
Ah, garota, você não tem ideia da bagunça que está fazendo na minha cabeça com tão pouco.
Eu estava pronto para avançar e beijá-la quando a música muda e as pessoas ao redor se empolgam.
— Dudinha, tá tocando a sua música! — Luma, a garota loira que até poucos segundos atrás estava aos beijos com Jungkook, grita para a morena.
A batida começa vibrando no chão, e Eduarda arregala os olhos.
— Já ouviu essa, Hobi? — nego com a cabeça — Vamos ver se você pega essa coreografia.
O tom de desafio só me deixa ainda mais instigado.
— Ah não, você não vai escapar dessa. Você tá no Brasil, meu amor.
— Eu danço muito bem — provoco.
— Eu sei disso, mas quero ver você amassando no funk.
Ela segura a minha mão e me puxa para o meio do bloco.
— É fácil, você vai pegar rapidinho. Luma, vem também!
A loira se posiciona ao lado de Eduarda. Quando o refrão começa, as duas iniciam a coreografia.
— Em cima do jet ski, vou rebolar pra tu… — elas cantam junto com empolgação, uma atrás da outra fazendo o movimento de dança que lembra uma moto sendo pilotada.
Eduarda rebola até o chão de forma lenta, balançando a bunda redondinha de uma forma hipnótica. A diaba ainda resolve fazer cada movimento olhando nos meus olhos em todas as oportunidades possíveis.
Luma a acompanha em sincronia, fazendo Jungkook babar como um cachorro no cio ao meu lado.
— Limpa o cantinho, hyung, tá escorrendo saliva. — Jimin implica rindo, acompanhado de Taehyung.
Dou um chega pra lá nos dois sem desviar a atenção da morena diante de mim.
— Viu? É facinho. Sua vez agora!
Realmente, não era difícil. O problema é que eu não prestei muita atenção nos passos, mas sim no corpo moreno bronzeado espetacular que dançava bem debaixo do meu nariz.
Ela repete os movimentos junto comigo, puxando minha mão para a sua cintura no momento em que a coreografia se enfileira. Na parte que ela rebola, Eduarda acopla o corpo no meu e remexendo o quadril daquele jeito criminoso mais uma vez.
A tensão é absurdamente sufocante.
Os moradores voltam a jogar água nas pessoas para amenizar o calor, mas nada é capaz de apagar o nosso fogo.
As gotas d’água escorrem pela pele dourada de uma forma quase obscena. Quanto mais ela rebola em mim, mais duro eu fico.
A bermuda fica cada vez mais incômoda, a cueca mais e mais apertada.
— Tá aprendendo? — pergunta, ofegante, sem parar de se mover.
— Acho que vou precisar de mais aulas — respondo com a voz mais grave do que deveria.
O ritmo desacelera por um instante antes de subir de novo. Eduarda aproveita a pausa, vira de frente, deslizando as mãos pelo meu peito úmido da água, do suor e da bebida que ela derrubou em mim não muito tempo antes.
As pessoas ao redor viram um borrão.
A música se torna só um zumbido distante.
O mundo se reduz ao espaço mínimo entre a boca dela e a minha.
Ela ajeita minha máscara no meu rosto, toca meu maxilar com a ponta da unha do dedo indicador. Um tracejado que faz minha pele pegar fogo.
— É loucura falar que eu quero muito beijar você, Duda? — pergunto quando nossos narizes se tocam.
— É Carnaval, Hoseok… Loucuras são mais do que permitidas. Principalmente as desse tipo. — ela morde meu lábio inferior de leve, me arrancando um som que é quase um rosnado.
Sem mais tempo a perder, ataco os lábios carnudos com fome, consumando o beijo que ambos ansiavam. A boca dela é quente, insistente. Eu seguro a cintura dela com firmeza, puxando mais para perto, sentindo o corpo dela encaixar no meu como se tivesse sido moldado para isso.
As línguas travam uma guerra afoita, desesperada.
Tudo ao nosso redor simplesmente silencia.
O beijo se quebra aos poucos, o bastante para recuperarmos o fôlego para mais um.
Meus dedos se infiltram nos cabelos cacheados, puxando-os com uma força comedida que faz ela arfar.
O som me deixa a beira da insanidade.
— Porra, Duda… — ofego.
— Me diz que seu hotel não fica longe daqui. — a pergunta me faz rir, mas de nervoso, porque fica longe pra caralho e o trânsito com certeza está pior do que na hora que viemos.
— Pra nossa tristeza, fica muito. — ela estala a língua no céu da boca, frustrada — Foi quase impossível chegarmos aqui de carro.
O olhar da morena se ilumina e ela arqueia uma sobrancelha.
— Vocês vieram de carro?
— Sim.
— Um carro de vidros bem escuros?
— Sim… — respondo tentando entender o motivo do questionário sobre o veículo.
— E cadê ele?
— Num estacionamento não muito longe daqui, mas por quê?
Eduarda passa a língua pelos lábios rosados lentamente e só aí eu entendo.
Um sorriso se alarga pelo meu rosto no mesmo instante.
Puxo a morena pela mão e vou até Lucas, nosso tradutor, pedindo a chave do carro depressa.
Ele ri – sacando a urgência sem que eu precise falar – e joga as chaves para mim.
— Fica de olho no trio apocalíptico por mim, por favor. — oriento enquanto me afasto.
O rapaz encena uma continência em resposta.
Duda faz um gesto qualquer para Luma, e a loira acena de volta com uma expressão maliciosa.
Pelo visto, os brasileiros não precisam de muitas informações para entender quando alguém está prestes a escapulir pra transar.
Entro com Eduarda no estacionamento aos beijos, caminhando com ela aos tropeços até o SUV preto parado nos fundos.
Prenso ela contra a porta, fazendo ela sentir minha ereção nada discreta.
A língua quente dela passeia pelo meu pescoço, me fazendo enlouquecer de desejo cada vez mais. Subo a mão até um dos seios dela, apertando com vontade e ouvindo seu gemidinho gostoso em resposta.
— Destranca logo esse caralho, Hobi… — pede ansiosa.
— Está com pressa? — desço os beijos ombro, clavícula, puxando a alça do top dourado para baixo o suficiente para libertar o que eu tanto queria.
Deslizo minha língua faminta pelo mamilo durinho, chupando com vontade. Repito a ação no outro seio, dando atenção total a ambos, mordendo bem de levinho os bicos.
— Porra, que delícia… Quero chupar você inteirinha, linda. — confesso ao destravar o carro e abrir a porta do banco de trás.
Eduarda se livra da minha camisa arrebentando os dois únicos botões que a mantinha fechada, fazendo os mesmos voarem para algum canto do veículo. Ajudo ela a se livrar do top, fazendo os seios fartos caírem pesados e ainda mais convidativos.
Acaricio a pele macia, pinçando os mamilos com meus dedos enquanto nos beijamos ferozmente, fazendo a temperatura dentro do carro ficar insuportável de tão quente.
Me afasto dela só pelo tempo de ligar o ar condicionado do carro, e quando retorno meu olhar para ela, o shortinho curto e a meia arrastão já não estavam mais em seu corpo.
— Caralho… — é tudo que consigo dizer ao vê-la nua, de pernas abertas e se tocando.
A b0ceta carnuda brilha pela sua excitação, melando os dedos que circulam seu clitór1s.
Desabotoou minha bermuda o mais rápido que posso, me livrando da peça junto da cueca que me apertava ao extremo.
Meu pau salta para fora dolorido, duro demais pro meu próprio bem.
— Que foi, Hobi? Ficou sem palavras? — ela provoca.
Eduarda é daquele tipo de mulher que tem um rostinho angelical, mas pode ser tão endiabrada quanto o próprio Lúcifer.
— Cachorra…
— Hmm… Xinga mais, vai… — pede aumentando o ritmo da masturbação que faz em si mesma.
Me ajoelho no chão do carro e abro ainda mais as pernas torneadas, retirando os dedos dela do seu centro.
Minha boca saliva, implorando pelo gosto dela.
— Deixa que eu cuido disso pra você, linda.
Não espero por respostas, apenas afundo meu rosto em sua carne úmida e quente, saboreando o néctar que ela me oferece.
Eduarda geme alto, rebola sob mim, puxa meus cabelos sem qualquer piedade enquanto aperta os próprios seios. Eu a olho de baixo, como um completo rendido.
Minha língua trabalha em seu ponto sensível, descendo até a entrada e subindo de volta. Sugo seu ponto de prazer com destreza, notando cada reação que eu provoco nela.
— Seus dedos… Hoseok, me deixa sentir seus dedos… — pede.
E eu obedeço com toda boa vontade.
Insiro dois dedos no seu interior, bombeando devagar. O som úmido me atinge em cheio, me deixando ainda mais cheio de tesão – se é que isso é possível.
— Assim que você quer, Dudinha? — pergunto com a boca ainda colada na intimidade pulsante.
— Isso… ah, porra… Que delícia, Hobi!... — geme.
— Já tocou essa b0cetinha deliciosa pensando em mim, Eduarda? — aumento o ritmo dos dedos.
A morena não responde de imediato, perdida no próprio frenesi que eu mesmo causo.
Me ergo um pouquinho, levando a mão livre até o pescoço esguio fazendo uma pressão leve. A maldita revira os olhos, morde os lábios enquanto sorri.
— Responde, puta! — ordeno, xingando do jeito que ela pediu mais cedo.
— Sim! Já bati tanta siririca pensando no seu pau socado dentro de mim que você já deve ter me visto gozando nos seus sonhos, seu puto gostoso do caralho! — rebate.
Inferno de mulher.
Volto minha língua para o meio das suas pernas, chupando com desejo. Os gemidos dela ficam cada vez mais fora de controle e mais altos, ela está bem perto e eu não consigo mais postergar o momento. Quero sentir ela gozando na minha língua o quanto antes.
E isso não é mais apenas um desejo, mas uma necessidade.
Eduarda convulsiona no banco do carro, aperta minha cabeça entre suas coxas grossas e goza. Bebo até a última gota, cuidando para não desperdiçar nada enquanto prolongo a sensação ao máximo.
Me levanto e me sento no espaço livre ao lado dela, secando meu queixo molhado com as costas da mão. Não consigo tirar o sorriso satisfeito da cara ao ver a cena da morena ofegante ali tão perto.
Levo a destra até meu falo endurecido, masturbando devagar, assim que noto o olhar dela caindo pesado sobre ele.
— Quer?
— Você ainda pergunta? — devolve com atrevimento — Vou te engolir todinho, lindo.
— Vai mesmo? Não é tão pequeno como as estatísticas dizem. — brinco.
— Eu sabia que seria do tamanho que eu mereço.
Eduarda não começa devagar. Pelo contrário.
Ela cai de boca como se a vida dela dependesse daquele b0quete.
Com uma habilidade invejável, a cacheada me engole como disse que faria, me levando até o fundo a ponto de sentir sua garganta me envolvendo.
— Caralho, isso! Porra, você faz isso tão bem! — exclamo imerso em prazer.
Embolo os dedos nos cabelos cacheados, fazendo um rabo de cavalo desajeitado, apenas para não ter nada impedindo a visão deliciosa que é a boca suculenta me mamando tão bem. A essa altura, Duda estava ajoelhada no estofado de couro com a bunda empinada para cima, me fazendo desejar fode-la nessa posição.
O pensamento somado ao oral divino começa a provocar a formação de um orgasmo, e por mais que eu queria ver a boquinha gulosa dela cheia de leite, ainda não é o momento para isso.
Puxo a garota pelos cabelos, afastando ela do meu p4u, vendo um fio de saliva unindo a língua afoita ao meu membro.
— Sei que você gostou de mamar isso aqui, — bato meu pên1s na carinha bonita — mas eu não quero gozar ainda e quero muito sentir você rebolando em mim do jeitinho que você estava fazendo quando estávamos dançando.
Ela sorri com a mesma malícia de sempre, mas antes de se sentar no meu colo eu tenho um insight: não tenho camisinha alguma comigo.
— Duda, espera, — a interrompo, me sentindo horrível ao ver seu semblante ficar confuso — e-eu não tenho camisinha…
A morena tomba a cabeça para o lado e se estica até alcançar a pochete que estava jogada no chão do carro, sacando uma fileira inteirinha de preservativos.
— Ainda bem que sou uma mulher muito bem precavida, hm? — diz de um jeitinho adorável, me dando um selinho e tocando a ponta do meu nariz com o indicador.
Rapidamente ela destaca uma unidade e me entrega. Eduarda acompanha cada movimento meu enquanto rasgo a embalagem e deslizo o látex pela minha extensão.
— Vem cá me dar essa b0cetinha, vem, cadela. — comando.
Duda se ajeita e me encaixa na entrada molhada, descendo devagar até me ter totalmente dentro de si.
— Porra, Hoseok… Você parece ainda maior desse jeito. — exclama enquanto começa a se mover em cima de mim.
Ela coloca minhas mãos na sua cintura curvilínea, no limite da curva da lombar com a bunda, me fazendo sentir os movimentos que ela provoca enquanto cavalga.
Dessa vez ela começa devagar, rebolando lentinho assim como na hora que dançamos. As mãos dela vão pros meus ombros, descendo e arranhando de leve meu peitoral.
Ela curva o tronco na minha direção, me dando acesso livre para beijar seu colo e os sei0s gostosos.
Estalo um t4pa forte na nádega esquerda dela e incentivo ela a aumentar o ritmo.
Nossos gemidos ficam mais altos, os beijos mais afoitos, os vidros embaçam. O cheiro de sex0 impregna o carro todo, e se não estivéssemos dentro de um estacionamento, com certeza já teria alguém achando o movimento do carro suspeito.
— Hoseok!
— Vai g0zar, putinh4? — pergunto segurando o queixo dela, vendo ela assentir em desespero.
Dou um t4pinha ardido em seu rosto, nada que fosse machucar, mas o bastante para atiçar ainda mais – e é o que eu consigo.
Eduarda senta com força em mim, projetando um som erótico com a colisão dos nossos corpos.
Agora é o meu fim que se aproxima.
— Não para! — peço.
— Tá gostando do chá de b0ceta, lindo? — provoca quicando com mais força.
Ela está tão molhada que meu p4u entra e sai dela com uma facilidade absurda.
— Eduarda…
— Fala, Hobi… — geme enquanto me olha nos olhos, com uma carinha tão pura que nem parece que está cavalgando em mim como uma putinha devassa.
— Isso não vai acabar aqui, está me entendendo? — rosno entre dentes, segurando os cabelos dela entre os dedos — Você vai comigo pro hotel e eu vou te c0mer em todas as posições possíveis, mas principalmente de quatro, como uma boa cadelinha que você é. Me entendeu?
Ela ri vitoriosa como se minhas palavras fossem exatamente as que ela queria ouvir.
— Prometa! — ela diz ao passar a língua pela minha boca — Prometa que vai me f0der bem gostoso a noite todinha com esse c4ralho delicioso.
— Ah, eu prometo… Como eu prometo… — sorrio tão diabólico quanto ela.
Impulsionou meu quadril no sentido oposto ao dela, arrancando mais um grito de prazer.
— E-Eu… eu vou…
— Goza, Dudinha… Goza pra mim.
Eduarda explode num org4smo que faz seu corpo inteiro tremer. Eu vou logo em seguida, enchendo o preservativo.
A morena apoia a cabeça no meu ombro, ofegante, trêmula.
A puxo mais para mim, envolvendo seu corpo suado no meu, sentindo as batidas aceleradas do seu coração em sincronia com as minhas.
Afasto os cabelos úmidos do rosto corado, vislumbrando o rosto lindo, os olhos brilhantes… e o maldito sorriso.
Diferente dos sorrisos maliciosos, esse é quase tímido. Um contraste belo entre a mulher selvagem e a garota atrapalhada que caiu nos meus braços no meio do bloquinho.
Uma dualidade perfeita.
Eu a puxo num novo beijo, mais lento, mais íntimo. Um beijo que diz mais do que palavras poderiam comunicar.
Ela sai de cima de mim me fazendo sentir falta do calor do seu corpo.
Me livro do preservativo, nos vestimos, mas seguimos ali no carro, conversando, nos conhecendo e nos beijando. Até que uma batidinha no vidro chama nossa atenção.
— Desocupa o motelmóvel, Hobi hyung! — Taehyung exclama — Vamos logo embora antes que Jungkook faça coelhinhos no meio da rua e antes que o Jimin fuja pra transar com um trio de garotas vestidas de Meninas Superpoderosas.
A risada é inevitável para nós dois.
Eduarda esconde o rosto no meu peito.
— Meu Deus do céu… eu não acredito nisso.
Eu beijo o topo da cabeça dela.
— Bem-vinda ao caos.








