EU DECIDI NÃO MORRER
Certo dia, eu decidi não morrer
Meu corpo os deixaria
Minha mente descansaria
E meus olhos, enfim, eu os fecharia
Mas, sim! Eu viverei, em cada bordão,
Em cada risada alta e falatório sem fim
Em cada póstuma lembrança das piadas mal contadas e das imitações baratas. Disso sempre lembrarão!
Ah, como esquecer, o canto desafinado a cada segunda-feira?!
As reflexões sem sentido as quais os sentidos mais profundos eram dados?!
Quando a casca era passada e a máscara tirada, era notável a cruel empatia, era aprendido o senso comum mais crítico e a fé mais atéia demonstrada
Das certezas incertas às verdades falsas e, de todas as qualidades, a melhor era perguntar sem saber responder
Foi feliz, foi vibrante, nenhum caído deixou sem estender a mão antes ou, pelo menos, sem sentar-se ao lado com palavras tocantes
Eu decidi não morrer
Em cada linha, em cada verso que, da vida, eu escrever






















