Beer #19: João Maria Rosa (amigos no Facebook desde Agosto 2013, 122 amigos em comum).
Encontrar pessoas com a vontade que o João tem em por o mundo a girar é difícil. Ainda para mais quando falamos de comida. Fogo, eu garanto. Tenho pena de me ter cruzado com ele na faculdade e desde então termos andado por aí. Voltei a encontrar o João num dia destes, entre trabalho. E que encontro do caraças.
Eu não sei há quanto tempo não me cruzava com alguém novo que conhecesse (e bem) as merdas do David Chang, que já tivesse provado todas as loucuras da Christina Tosi, ou sequer que achasse a comida bonita tal como ela é, seja ela feia ou sem forma, porque ela deve ser tão simples como a forma como é comida.
Este puto é daquelas pessoas com quem tens de falar sobre projectos, e eu vi isso quando cruzámos o que andávamos a fazer. Ele mostrou-me umas fotografias da micro-brewery que está a criar na garagem. Uma espécie de chinês clandestino das cervejas artesanais, ou das craft beers, se acham que assim tem mais pinta, e de tão leve que esta conversa foi, fez-me por em perspectiva o que andava a fazer e umas coisas que tinha na cabeça já há algum tempo. Se há dias em que precisamos de triggers, o dia em que me voltei a cruzar com o João foi um desses, e por isso embarcámos para o Cais do Sodré, de jola na mão, independentemente do que o Cais se está a tornar novamente. Falando de que a sorte só vem ter contigo, se tiveres a sorte de saires onde a sorte está. E a sorte está onde menos estiveres, basta saires. Meio capicua, é verdade, mas há um tempão que não encontrava alguem que acreditava e percebia um dos valores criativos em que acredito: a colaboração. Seja ela apenas na de dar um thumbs up ao que se vai fazendo por ai, porque as pessos ainda importam, acreditem. A colaboração no seu sentido mais puro: se eu preciso de limões, mas só tenho laranjas e tu tens laranjas,mas precisas de limões, vamos a isso.
O João era copywiter e, do nada, foi trabalhar num restaurante, onde se apaixonou por comida. E daí tem sido um dominó de ideias ligadas a coisas que realmente importam e que põem em perspectiva as 8 horas de trabalho num escritório em Lisboa. Eu tenho pena de não ter conhecido o Peixe-Porco do João (o nome é tão giro como o do peixe Candiru, mas nada a ver), um projecto piloto de tapas que surgiu durante os Santos Populares, bem numa das janelas de casa dele ali perto do Intendente, onde pôs mãos no fogão com um amigo e todos os outros amigos foram as cobaias de petiscos que misturam carne e peixe. É aqui que vi no João a vontade de por o mundo a girar à volta da comida.
O João é um verdadeiro Buzzfeed. Um Tasty, ou um Munchies. Um dia destes está na hora de cagarem no colesterol, porque um Smash Burger é delicioso e eu faço figas para que o joão volte à grelha e ponha isto em prática. E faço questão da próxima cerveja não ter de ser entre mitras do Cais do Sodré, mas na brewery do João, onde me parece que muita coisa vai acontecer. E por mim falo.
Ficámos pela Super Bock. Opção segura, pelo menos até surgirem novidades.
Um abraço, João. Que havemos de nos encontrar ainda este ano.











