Paulo Leminski
he wasn't even looking at me and he found me
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@aboboravoadora
Paulo Leminski
existe um arrependimento para cada coisa que deixamos de fazer por medo.
“A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.”
— Caio Fernando Abreu.
E finalmente, sem saber ao certo porque o fiz, comecei a andar para frente. Eu só sabia de uma coisa: era eu que me movia e ninguém mais. — A Hospedeira.
“E eu estava lá, vestido de mim, falando igual eu, sorrindo e fazendo os movimentos parecido comigo, mas no final não era eu, meu corpo, minha roupa, meu tênis, minha voz, meu jeito, tudo idêntico mas minha cabeça não estava lá, se olhassem bem pro fundo dos meus olhos, dava pra enxergar uma placa pendurada na maçaneta da alma, escrito: Saí, não sei quando eu volto, não sei pra onde vou, não tenho previsão de voltar. Aquilo ali era uma cópia borrada minha, interagindo com os demais, com os olhos apagados e ninguém notou.”
— Diário de Rorschach. Dia 33