Eu acreditava em Saturno, Marte e todos os outros planetas, como algo diferente. Pensava que era deles que imergia a inspiração dos poetas. Jurava que todas aquelas constelações eram obras de algo superior; algo que nunca compreenderíamos. Era ingênuo. Meu ser se alimentava de luz, naquelas circunstâncias. Tudo era um mar de rosa e não conseguia compreender, ou, simplesmente captar que a maior inspiração não está na glória e sim, na derrota. Não compreendia que os grandes poetas eram os causadores da grande epidemia de depressão pelo mundo afora. Cada um deles sabia que o mundo nunca seria o que cada letra daqueles poemas (sem nexo) abrangiam. Era tudo mentira. Nenhum sentimento amoroso iria perpetuar o final daquela pintada de saudade que mora no fundo de cada peito. Naquele época, eu não sabia que tudo que havia no mundo era destruição. Acreditava que tudo se remetia a um determinado destino, e nem imaginava que o destino jogava cartas todo domingo com a promíscua dor. E nunca passou pela minha cabeça que a tristeza conta-nos todo dia histórias infantis sob a felicidade. Até hoje, nunca havia percebido de que o poeta é um grande farsante, e que a farsa dele, fez com que eu crê-se numa realidade melhor. Por causa de Quintana e Drummond, joguei meu coração no lago do amor e, cada pouco, ele é mordiscado por uma piranha do amor e ela, machuca-me. Mas também, devido a eles, eu continuo a crer num futuro diferente. Por causa da escrita, o meu existir não se tornou o meu inexistir e o meu presente não virou meu passado. A escrita salva-me, todo dia.