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@adambendis
is it too much | adam x belinda.
A forma com que o garoto agia, fazia com que uma pequena admiração, sobre o garoto, desperta-se nela. Ele era diferente, Belinda, gostava disso e não deixaria que uma peça valiosa como aquela fosse embora sem mais ou menos. A morena, estava pronta para jogar e ganhar, como de costume. Virou-se para a parede, por uns instantes, na tentativa de pensar em algo referente aquela situação. “Cuidado, Belinda, não vamos assustar o pobre menino logo de primeira, seja cuidadosa… Como a relação de uma serpente e sua pressa, quando ele menos esperar, você ataca.” Esse pensamento interior, fez com que, um sorriso travesso estampasse seus lábios e volta-se sua atenção ao garoto. “Ah, não, tudo bem… Ei, não precisa corar, acalme-se.” Falou-a, aproximando-se do rapaz com um sorriso no rosto. “Sim, eu liguei, mas já expliquei tudo a ela… Logo, ela apenas pediu que eu cuidasse de você em sua ausência, bem, o pedido dela é uma ordem, certo?” Afirmou, encarando o rapaz e chegando, finalmente, perto da cama onde ele estava.
Belinda, perdeu-se por alguns míseros segundos em seus pensamentos… Por mais que um lado seu gritasse para jogar o mesmo jogo que ela jogava com todos, outra parte implorava para ela dar uma chance para Adam, talvez fosse a hora… Afinal, ela não iria suportar aquela máscara de vadia da escola para sempre, uma hora esse posto iria embora, assim como tudo em sua vida. Inspirou e expirou por um segundo, na tentativa de trazer sua mente a realidade que tanto lutava para não lembrar. Ela nunca tinha encontrado alguém que a fizesse bem, por qual motivo isso aconteceria agora? Não fazia sentindo na cabeça da jovem. A única coisa que isso representava, era o fato de que ela não iria ter ninguém, ela nunca teve, não iria ter razão para ter agora. Mesmo perdida em seus pensamentos, a garota voltou seus olhos para o jovem e abaixou a cabeça. “Oh, não fale assim! Foi o melhor primeiro encontro que eu já tive, com bastante adrenalina e correria.” Brincou a jovem, levantando a cabeça e encarando o jovem. “Hum, posso sentar ai perto?” Questionou-a, apontando para cama.
O rubor em sua face era inevitável. Ele nunca tinha conversado com uma garota tão bonita nos três anos em que esteve na universidade. Se não fosse um ser humano tão ansioso, medroso e tímido, com certeza a convidaria para sair. É, me desculpa por isso... Não costumo ter blecautes desse tipo. Não ultimamente, pelo menos.
Adam coçava a palma de sua mão, tentando evitar olhar para a garota. Ela era um anjo, e ele não era merecedor de tanto. Além de que se continuasse tão próximo, uma ereção poderia surgir e aquela situação ficaria ainda mais constrangedora. E por isso mesmo, sentiu um frio percorrer sua espinha quando ela propôs sentar ao seu lado. Oh my, tem certeza? Eu não tenho nada contra, mas as coisas podem ficar e-estranhas, mas se você não ver problema, tudo bem e... Calou-se quando a garota já estava ao seu lado na cama. Fitou a parede atentamente, seus músculos retesados e sua respiração rápida. Ele estava perto de Belinda. Perigosamente perto. Seu medo mesclava com sua empolgação, e ele já havia sofrido emoções demais naquele dia – não precisava de mais.
we better work — Asher & Adam
Enquanto aguardava a aproximação alheia, Asher cantarolava as canções incluídas no próprio celular, balbuciando as letras bem conhecidas ao mesmo tempo em que os dígitos usavam de uma caneta para batucar contra a própria perna. Era uma forma de não ver o tempo passar, afinal, levando em consideração que não tinha pressa alguma de começar a estudar, se fosse inteiramente honesto. De qualquer forma, sua pequena distração chegou ao fim quando, de esguio, observou a chegada do aluno que conhecia apenas pela aparência. Seus trejeitos solenes e educados – ao menos quando em um primeiro contato – se fizeram presentes quase imediatamente, conforme Asher puxava o fone de ouvido para fora dos ouvidos e se erguia com o escopo de cumprimentar o menino que parecia tão mais jovem que si; ainda que aquele pensamento fosse um tanto irreal, levando em consideração os estudos conjuntos. Fechou a mão sobre a dele, pendendo o sorriso para a esquerda como lhe era mania, ao confirmar o próprio nome com um assentir único. — E aí, Adam! — Após o cumprimento, esperou que o outro indicasse que iria se abaixar, para que voltasse a se sentar, da mesma forma como antes, com a única exceção de que as írises caramelo agora enfocavam seu companheiro, ao invés do ambiente agradável que local ofertava. Puxou o notebook para fora da mochila, deixando-o sobre a grama sem indicar quaisquer problemas com a sujeira, antes de abrir a tela e liga-lo. Foram as palavras de Adam que o surpreendeu, porém. Tinha consciência de que aquele era o melhor lugar para estudar, ao seu ver, mas encontrar a anuência de seu parceiro de trabalho foi ainda mais gratificante. Gostava de estar certo e, por ter tamanho gosto, apreciava as confirmações de que suas decisões eram as melhores. — Também não curto. — Informou sem as formalidades aplicadas anteriormente, conjuntamente com o mover dos dígitos ágeis sobre as teclas do computador, até abrir um site que continha informações interessantes para o andamento do dever. Conforme o fazia, a atenção se alternava entre os escritos na tela e o garoto ao seu lado. Como já dito tantas outras vezes, fazia praticamente qualquer coisa para fugir de seus afazeres e não seria diferente. — Mas, Adam… — Começou falando, antes de girar o corpo e cruzar as pernas em lótus, ficando de frente para o rapaz. — Eu nunca falei com você, certo? — O sorriso escorria pelo canto dos lábios conforme ele se pronunciava; característica marcante das expressões de Asher que ele não tinha intenção de mudar. — Me conta de você. — Apoiou os antebraços sobre as pernas próprias, ostentando a atenção plena ao outro, quase como se as funções acadêmicas não existissem.
Adam apreciou o outro rapaz. Geralmente, o garoto demorava mais tempo até ter alguma conclusão sobre uma pessoa. Mas Asher o convenceu no momento em que apertou sua mão, seu sorriso confiante. Não era como se fosse difícil fazer amizade com ele, porém, costumava levar mais tempo. Ou talvez ele estivesse um pouco mais maleável ultimamente. Depois de uma série maçante de exames, era de se esperar que ele ansiasse por qualquer tipo de interação social.
Notando que Asher abria o notebook, Adam também fez questão de abrir seu caderno, procurando sobre o assunto por entre suas complicadas anotações. Sabia que poderiam achar tudo o que quisessem - ou que precisassem - pelo computador, mas o garoto sentia-se melhor com seus registros pessoais ao alcance. Parou de folhear as páginas do caderno quando Asher começou a falar. Deixou as orbes claras migrarem do objeto para a pessoa, entusiasmado em dialogar com o rapaz. — É, é que sentamos longe um do outro, então... — A frase ficou sem um fim. Não sabia exatamente porque nunca tinha falado com Asher antes. Mas se arrependia de não ter o feito.
A posição do homem à sua frente lhe lembrava a de uma criança. A imagem de um Adam pequeno assistindo Stars Wars com uma Katherine da mesma idade veio em sua mente quase que sem querer. Adam sentia tanto a falta dela que simplesmente não entendia como podia caber tanta saudade em seu coração. Fitou o lago, tentando afastar a memória de sua cabeça. "Foco, Adam!", pensou. Voltou o olhar para Asher, contemplando a voz do outro. — Eu não sei o que dizer de mim. Nasci na Inglaterra e vim para cá com dezesseis anos. Tenho um câncer no pulmão desde pequeno e isso praticamente resume minha vida.— Adam riu, ocupando-se em retirar o lápis da boca e desenhar pequenos e grandes círculos na folha de papel. Era uma técnica que o deixava mais tranquilo, mesmo que não estivesse nervoso. — What about your? — Questionou, sem perceber que deixou seu sotaque escapar.
we better work — Asher & Adam
Todas as intenções de protelar os trabalhos devidos até o final de semana vieram a chão uma vez que o professor de linguagem assegurou a necessidade de duplas para a execução do mesmo. Digno de um estudante negligente, Asher não escolheu sua dupla, deixando à mercê da necessidade de algum outro aluno que, assim como ele, precisaria lidar com um companheiro de sala que lhe fosse designado, porém estaria mentindo se afirmasse não estar satisfeito com o rumo que seu risco levou. Já tinha reparado em Adam, um rapaz mais quieto dentro da sala de aulas, aparentemente tímido o suficiente para que fosse fácil de moldar de acordo com suas vontades – como era do gosto de Ash – e, portanto, um parceiro de trabalho agradável. Como não era um aluno com quem Asher se relacionava no dia a dia, pediu para que o mestre lhe entregasse os contatos do rapaz, de tal sorte que facilitaria a possibilidade de um encontro para resolverem suas obrigações. Claro que, apesar de ser exclusivamente profissional, eles não precisavam passar a maior parte do dia trancafiados na biblioteca ou sala de estudos, certo? Asher era demasiadamente livre para que aguentasse passar mais de uma hora aprisionado em ambientes como aqueles. Não obstante, quando enviou uma mensagem para o celular de Adam, não questionou ao pedir que ele se encontrasse consigo nas proximidades do lago do campus. Autoritário, como lhe era de praxe, ignorou quaisquer arguições sobre a disponibilidade do outro aluno, assim como a concordância com o local incomum para estudos. De qualquer maneira, tinha decidido que iria terminar aquele trabalho o quanto antes, com ou sem a presença de seu companheiro. Rumou, por fim, até a região citada na mensagem telefônica, com a mochila nas costas, onde continha não somente um livro sobre o mérito que iriam pesquisar, como também o notebook, caso fosse necessário uma pesquisa maior e, afinal, para que pudesse redigir seus pensamentos. Crente de que seu convite não seria negado, Asher sentou-se abaixo da copa de uma árvore, escorando as costas na mesma para que o aguardo fosse mais confortável, motivo pelo qual, também, ele tinha os fones intra-auriculares dentro das orelhas; mantinha a música baixa, no entanto, para que pudesse avistar o outro, quando ele se aproximasse.
Ter um câncer era exaustivo. Adam nunca dissera essas palavras em voz alta, mas era a realidade. A bateria de exames mensais acumuluou-se em sua agenda de tal forma que lhe foi necessário tirar uma semana para regula-los. Não que ele já não estivesse acostumado com aquilo, mas sentia que sua vida finalmente estava começando a ficar interessante e de repente, ele precisa tirar o atraso de seus testes. Algumas vezes, o garoto pensava que, ou tinha uma vida social, ou cuidava de sua saúde. Parecia impossível ter os dois ao mesmo tempo de vez em quando. Na semana que se passou, ele mal teve tempo de acompanhar seus projetos e suas aulas eficientemente. Passara mais tempo no consultório do seu médico do que na sala de aula.
O garoto ficou surpreso ao ver a mensagem de texto em seu celular. O professor havia avisado que ele faria um trabalho com outro rapaz, Asher. Adam notou-o algumas vezes. Sua postura era sempre formal e seu sorriso era digno de um comercial de creme dental. O garoto também sentia que Asher escondia algo, mas ele cursava Letras, o que deixava sua imagem ligeiramente menos intimidadora. Adam nunca teve a oportunidade de engajar em uma conversa com o outro rapaz antes, e essa parecia ser a chance de ouro. O garoto lembrou que, quando entrou no curso, Asher já se encontrava lá. Adam já cursava Letras há três anos, e se o moreno já estava lá antes dele, com certeza poderia lhe ajudar. Ou ao menos dar algumas dicas.
Descendo as escadas em alta velocidade, o rapaz respirava em pequenas inspirações e expirações mais curtas ainda. Seu cabelo, curto e nada volumoso, parecia flutuar pelas correntes de ar que o atravessava. Estava atrasado. Por sorte, seu dormitório ficava perto do seu destino, e em seu passo apertado, Adam chegou ao lago. Avistou seu companheiro de trabalho e caminhou tranquilo em sua direção. Encolheu seus ombros ao aproximar-se, com um sorriso acanhado pintando seus lábios. —Oi. Asher, certo? — Estendeu a mão para o rapaz, o cumprimentando. Retirou a mochila das costas e lançou-a no chão, se ajoelhando e pegando seus livros e estojos. Com uma caneta apoiada no ouvido, um lápis posicionado estrategicamente na boca e um caderno em mãos, Adam sentia-se muito mais seguro. —Ótima escolha de local para estudo. Odiaria ter de ficar em uma sala fechada. — O garoto sorriu, fitando o lago cristalino à sua frente.
i can see you struggling | adam x melanie
O dia já havia começado bastante agitado para Melanie. Acabou acordando junto com o sol, com a ligação da diretoria avisando que uma aluna passou mal de madrugada e ela precisava ajudar. Nem havia dormido direito, mais pesadelos a assombraram durante os pequenos cochilos que tirou. Mas não ficou nem mais um segundo na cama. Após desligar o celular, levantou-se rapidamente e tratou de se arrumar, colocando o seu uniforme e logo saindo de seu dormitório, que por sorte ficava no mesmo corredor que a enfermaria. Quando chegou lá e se encontrou com a menina, a examinou nos mínimos detalhes e constatou o que ela tinha. Como não era nada grave, apenas a deixou no soro e ficou lendo um livro enquanto a garota dormia na maca. Duas páginas depois e já tinham mais pessoas paradas lá dentro, a maioria sendo só uma desculpa para não ter que ir para as aulas, mas Melanie os liberou, dizendo que não era “nada grave” e que poderiam assistir normalmente as aulas.
Depois de liberar a menina, que dizia já não sentir mais nada, Melanie se deparou com um menino, bastante pálido, porém mesmo assim bastante educado. - Claro, meu anjo, sente aqui. - ela apontou para uma cadeira confortável e se sentou na cadeira à frente, preparando os papéis para fazer as anotações. - Foi somente uma tontura? Pode me dizer com detalhes o que aconteceu? - a morena pegou uma caneta em cima da mesa e encarou o menino com um sorriso acolhedor.
Adam usou toda a visão que lhe faltava para conseguir achar a cadeira e sentar nela. Sempre pensou que se ficasse cego, veria tudo escuro, mas o branco dominava seu campo de visão. Fechou os olhos, tentando relaxar. A claridade que o impossibilitava de ver era agonizante. Eu estava estudando, de cabeça baixa, e quando levantei, senti uma vertigem e um pouco de tontura. Abriu os olhos, processando melhor as imagens que lhe chegavam. Tem a parte do "eu tenho câncer" que pode ter ajudado nisso, mas não sei o que o pulmão pode ter a ver com o cérebro.
Deixou sua cabeça pender para o chão, desanimado. Ele mal pôde terminar de copiar o nome do livro.
i can see you struggling | adam x melanie
A expressão de todos os outros alunos era de terror e frustração. O professor mostrava um livro, grosso, e que aparentava ter ao menos mil páginas. Quando o pousou encima da mesa, o estrondo foi alto. Todos os outros alunos já estavam tendo mini crises de ansiedade somente em saber que teriam que estudar tudo aquilo em apenas um mês, mas Adam sorria. Ele veio para Albany buscando desafios, e aquele com certeza iria o deixar entretido por, quem sabe, uma semana, talvez. O professor começava a escrever o título e autor do livro na lousa, e o garoto copiava em seu caderno, em uma letra grande e arrastada. Ficou alguns minutos com a cabeça baixa focado no papel à sua frente, e quando a levantou, sentiu uma forte dor de cabeça. Pontos brancos irritantes infestavam a sua visão e Adam sentia sua mente ficar pesada, poluída. Completamente desorientado, ele tentou sair da sala - e por sorte, todo mundo sabia de sua condição, lhe dando espaço para passar e o auxiliando até a saída. "Ei, Adam, quer que eu te leve até a enfermaria?" um rapaz se ofereceu. Adam tentou olhar para ele, mas sua visão estava danificada no momento. As imagens chegavam claras e distorcidas, quase como uma televisão chiando. Sim, por favor. Adam deu a mão para o bom samaritano e foi guiado até o destino anunciado. Ele reconhecia a enfermaria pelo cheiro, e pelo barulho de seus pacientes que vez ou outra, era os seus também.
Ainda com a ajuda do rapaz, sentou em uma cama. Agradeceu-o e disse que já estava tudo bem. De fato, sua visão melhorara bastante, e ele podia ver o vulto da enfermeira vindo lhe socorrer. Você pode me ajudar? Eu tive uma tontura.
is it too much | adam x belinda.
Uma corrente de alivio invadiu o corpo da garota no momento que avistou a ambulância vindo em sua direção. Pela a primeira vez na vida, Belinda, sentiu que estava fazendo a coisa certa e talvez isso alivia-se um pouco da sua ficha negra no veredito final. Seus olhos, não desgrudavam do garoto, ela sentia-se no dever de protege-lo, pelo menos naquele momento. Um sorriso apareceu no seu rosto, quando viu o garoto fazendo pequenos movimentos com a cabeça. A morena só tirou seus olhos do garoto para responder algumas perguntas dos médicos, bem, se não fosse por isso ela estaria igual uma idiota encarando ele e seu belo rosto. — Ah sim, fui eu e acho que posso ir sim, hm, é. — Respondeu-a entrando na ambulância com os paramédicos. A jovem sentou-se perto do garoto, onde pegou na sua mão e entrelaço seus pequenos dedos nos dele, com um sorriso fraco no rosto.
Ao chegar no hospital, a garota respondeu todas as perguntas dos médicos e direcionou-se até o quarto, onde o garoto e um médico estavam. Quando a morena questionou o médico sobre o motivo do garoto ter ficado daquele estado, o rapaz apenas suspirou e a respondeu da maneira menos pesada, digamos. Belinda, não conseguiu evitar o espanto ao escultar o motivo daquilo tudo, afinal, o garoto não aparentava nada da doença, tinha a aparência de uma pessoa saudável demais, até. Depois de alguns minutos conversando com o rapaz, a jovem, voltou sua atenção para o garoto, no momento que ela ia se aproximando dele, ela escultou uma voz e suspirou ao esculta-a. — Na verdade, eu quero saber o motivo de você está parecendo um tomate de feira… Depois, anjos? — Belinda, não conseguiu evitar de não rir do comentário, afinal, a garota aparentava ser tudo, menos um anjo indefeso que só queria o bem. — É, isso é seu, certo? — Questionou-a, entregando a foto do garoto para ele, com um sorriso fraco. — A proposito, Adam, eu sou Belinda. Eu sei seu nome, porque ligaram para seus familiares e eles falaram tudo sobre você, quer dizer, quase tudo.
O garoto sorriu ao ouvir a voz de Belinda. Era como se aquela fosse outra prova de que ela, de fato, existia. Já havia a visto, e a escutado. Só faltava a tocar. Mas essa ação estava fora de seus limites. Tentou relaxar sua face, mas corou ainda mais. Tudo bem, aquilo estava começando a ficar constrangedor. A risada da garota não lhe auxiliou a diminuir sua vergonha. D-desculpa. Virou o rosto para o lado oposto de Belinda, tentando esconder sua timidez no travesseiro. A encarou novamente quando a mesma falou sobre sua fotografia. É sim, obrigado. Pegou o papel e o guardou no bolso. Seus olhos passeavam por Belinda sem nem ao menos perceber, observando com atenção o cabelo da garota, seus olhos, sua boca, seus seios. Adam corou novamente. Droga, ele tinha esquecido por um momento que garotas vinham com seios. E outra coisa também. O garoto respirou fundo, tentando acalmar o rubor em sua face. Oh, you did not call my mother, did you? Ela está na Sibéria e odiaria trazer ela aqui por nada.
Adam era um péssimo filho e sabia disso. Não que sua mãe já tivesse lhe dito algo desse gênero, mas era óbvio. Seu nascimento causou o divórcio dos pais, e agora, perto de se tornar um adulto, ainda arranjava problemas. Nesses momentos, ele se pergunta o que Kitty faria. Mas ao seu lado, está somente a garota que ele quer pedir para sair mas não tem coragem para isso. De alguma forma, a presença de Belinda já era o suficiente para fazer o garoto ficar nervoso. Após quase cinco minutos sem dizer uma palavra, ele senta na cama, ficando no mesmo nível que Belinda. A serve com seu melhor sorriso, sem desgrudar os olhos da morena. Que péssimo primeiro encontro, não? Deu uma leve risada.
is it too much | adam x belinda.
O sorriso do garoto chamou a atenção da morena, era algo tão puro, intenso e diferente de todos ali. Isso chamava sua atenção, bastante, alguns sorrisos tem o poder de fazer com que pessoas muda-se de humor e fazer com que elas senti-sem bem de uma forma incrível. Belinda, não mediu esforços para analisar o garoto ao seu lado. A garota, pegou-se presa naquele sorriso, ele chamou a atenção da jovem de uma forma grande, o que nunca aconteceu. A frase do garoto, fez com que a morena acorda-se da sua longa linha de raciocínio, o que fez com que ela se assusta-se e ficasse com que a aparência confusa domina-se seu rosto. Suspirou por uns segundos, até entender o que estava acontecendo e virou seu rosto, que antes estava na direção do garoto, para as arvores daquele lugar… Qualquer coisa que fizesse ela distrai-se daquele sorriso estava valendo. — Esse lugar é público, certo? Logo, você não deve satisfação a minha pessoa sobre esta aqui. — Respondeu-a, séria e sorrindo fraco, logo em seguida.
Foi questão de milésimos, para que a mente da jovem Broussard fosse para outro plano. A forma como o vento vinha sereno e o silencio fosse a tona, não ajudava a garota afastar qualquer pensamento sobre si mesma e seu futuro. Não que esse assunto fosse raro nas inúmeras pastas encontradas na mente da pequena, a questão era que ele era delicado de ser pensando… Qualquer movimento em falso, acabaria com toda aquela máscara que a morena tinha adotado a anos como forma de proteção. Sem perceber, seus olhos foram para o tal garoto ao seu lado. E como uma ação involuntária, foi ao lado dele e colocou a cabeça do rapaz no seu colo e com uma das mãos, tentou abanar o garoto na tentativa dele se recuperar. — Ai senhor! Ei!! Fica aqui, não vai para outro plano, seu sorriso é lindo demais para não ser mais mostrado ou admirado. — Disse-a em um tom desesperado e logo depois percebeu o que disse, consequência disso foi a careta da morena. Broussard, olhou para o braço do rapaz e logo pegou seu celular. Suspirou por um segundo e ligou para o hospital mais próximo. — ALÔ? TEM UM MENINO QUASE MORRENDO DEITADO NAS MINHAS PERNAS, ELE MAL RESPIRA E TEM UMA PULSEIRA ROXA…. EU SEI LÁ QUE MERDA ISSO SIGNIFICA. Só, tragam ajuda o mais rápido, por favor. — Finalizou a morena, fitando o garoto. As mãos da garota foram até o rosto do moreno, onde a jovem fazia lentas caricias. — A ajuda já está vindo, por favor, tenta ficar comigo.
Adam abriu os olhos, e como estava tendo dificuldade em se acostumar com a claridade, assumiu que estivera inconsciente por pelo dez minutos. O barulho no parque havia diminuído severamente - ou seria ele que estava temporariamente surdo? Não, não estava surdo. O som das sirenes da ambulância o tiraram de seu transe. Sua cabeça descansava confortavelmente nas mãos de uma garota. Ao ajustar-se à claridade, Adam pôde ver sua face. Ela parecia um anjo. Apesar de toda a preocupação em sua expressão, Adam podia quase imagina-la com asas e uma auréola. Pena que aquela deusa nunca daria uma chance para o garoto geek com câncer. Ele aceitava aquilo fácil demais, até. Sua tolerância em aceitar a verdade e os fatos era quase sobre-humana. Mãos ágeis e experientes - e nada angelicais - carregaram seu corpo até uma maca. E somente agora Adam percebeu como não conseguia se mover. Sentia seu corpo pesado, e sua mente neblinada, ainda que não largasse a fotografia na sua mão. Esforçou-se para virar sua cabeça para o médico que o atendia, e responder suas perguntas. "Você foi quem socorreu ele? Você pode vir com a gente? Temos algumas questões para a senhorita." foi a última coisa que ouviu antes de fechar os olhos e adormecer novamente.
A janela do hospital era ampla, e deixava a maior parte dos raios de sol entrarem sem serem impedidos. A viagem de ambulância foi rápida, e Adam agora descansava em uma cama. Embora ainda não houvesse aberto os olhos, ele podia sentir que mais alguém estava ali. Mãe, eu não acredito que a senhora saiu do trabalho só pra me v... Ao virar sua cabeça para o lado, sua surpresa foi tamanha que o garoto corou no mesmo segundo. Você... É real. Não estava sonhando. Anjos existem de verdade. Uau. Que dia.
Ah, faz sentindo. Eu acho. Só parece mais… cansativo. Bom, você conseguiu validar seu ponto. Mesmo assim, não cofio em você. Vai que você me manda prum médico pedófilo ou algo assim, como vingança? E pior, se eu for tirar seus órgãos como bom membro da Yakuza que sou, não vou ganhar muita coisa no mercado negro.
Tudo bem, tome o seu tempo. Mas acho que não te dei motivo para não confiar em mim, me sinto até um pouco ofendido.
Cara, vou fazer uma pergunta insensível. Como você tem câncer desde pequeno e ainda não morreu?
Na verdade, é muito mais fácil sobreviver ao câncer quando se nasce com ele. Você pode começar o tratamento antes e educar todo mundo cedo para a vida que você vai ter. Ou que eu tenho, no caso. And if you are a badass motherfucker like me, tudo fica mais fácil.
Brincadeira.
E por qual motivo eu pegaria recomendações médicas de um cara que consegue se cortar com o papel?
Porque eu tenho câncer de pulmão desde quando me conheço por gente? Acredite ou não, tenho experiência em hospitais e médicos.
As duas acontecem quando não se está prestando atenção. Com o corte de papel, acho que a responsabilidade sai um pouco mais de você. Tomar água do copo errado é patético. Vai que eu desenvolvo algum problema no intestino?
Se desenvolver, pode contar comigo que conheço médicos ótimos perto daqui. Mas tenho certeza que não vai. Esse é o tipo de coisa que só dá problema quando você faz repetidas vezes.
Tem alguma coisa pior que beber a água suja do copo que você limpa os pincéis?
Acho que o gosto de tinta vai ficar permanentemente na minha língua.
Acho que se cortar com papel é de longe a pior coisa.
is it too much | adam x belinda.
O vento no parque não era os do melhores, porém era o suficiente para ajudar a mente da pequena jovem refrescar-se e pensar sobre suas atitudes. Não que a garota estivesse arrependida, — ela nunca se arrependeu de nada e não veria motivo disso acontecer agora. — ela só estava querendo um tempo para pensar, um tempo para respirar. Algo que ela quase nunca teve, devido a correria da sua vida. Um pequeno sorriso apareceu no seu rosto ao lembrar, rapidamente, da sua trajetória e do quanto era feliz. Seus olhos vasculhavam cada novidade naquele local, algo comum da morena fazer ora para o passar o tempo ora para pensar. Conforme sua mente aprofundava nos pensamentos, referente a paisagem, mais o tempo voava. Lá, foi o melhor lugar que Belinda encontrou desde que chegou na universidade e desde então, nunca saiu de lá. Ficar em volta da paisagem natural acalmava a garota de uma forma inexplicável e iria ser lá seu refugio, seu ponto de paz.
Seus braços envolveram suas pernas, na tentativa de espantar um pouco dos cala-frios que insistiam em atormentar a garota. Sua cabeça, apoiou-se em suas pequenas pernas, na falha tentativa de esquecer a temperatura. Seus olhos fecharam-se lentamente, sua respiração foi ficando lenta e sua mente focou-se apenas nos pequenos sons do ambiente. Naquele momento, seria, perfeito para questionar quem seria Belinda, quem realmente seria ela… Talvez, uma pergunta sem uma resposta concreta, ainda. Uma voz um tanto que agradável invadiu o plano auditivo da morena, que ainda sonolenta, virou-se para fitar o dono dela e o que ele apontava. — Ah, sim, bem acho que sim. Pelo menos, parece bastante com você. — Afirmou-a ainda na mesma posição e encarando o rapaz.
Adam armou-se do seu melhor sorriso ao notar que a pessoa em questão era uma garota. Uma bela garota, se ele fosse sincero consigo mesmo. Recolheu a foto e sentou no banco, ao lado dela. Obrigado, já vou te deixar em paz, deixa eu só..
O cansaço que ele não sentira durante a corrida veio à tona de uma vez só quando ele repousou no banco. Adam exclamou um grunhido que lembrou o de um animal sendo abatido, e encurvou seu corpo para frente, liberando um rugido em alto e bom som. O cansaço físico e mental tomaram todas as suas energias, e seu corpo nunca pareceu tão pesado. Ele fincou o pé no chão e tentou se levantar, causando seu tropeço e consequente queda. E apesar desse último esforço o esgotar, Adam ainda segurava a fotografia em sua mão com toda a firmeza que lhe restava. Sua visão começava a ficar turva, e ele percebeu que sua queda afetou em grande parte sua cabeça, que se chocou com força contra o chão momentos antes. Ergueu o braço pela grama, tentando mostrar sua pulseira para qualquer boa alma que fosse o socorrer.
is it too much | open
Adam sabia que não era uma boa ideia deixar a janela aberta enquanto remexia papéis, da mesma forma que ele sabia a diferença entre um gerúndio e um verbo no particípio passado. E ainda assim, o garoto insistia em pegar a mala debaixo de sua cama e abrir a mesma no meio do seu quarto. O resultado: o vento esvoaçou tudo que era remotamente leve de dentro do compartimento. Em sua maioria, fotos de infância, fotos de sua mãe e documentos importantes.
Desesperado, pegou a maleta e saiu em disparada atrás de seus pertences. Recolheu os papéis de documentos rapidamente, já que eles eram fáceis de se achar e se encontravam no corredor do outro prédio da universidade, que geralmente era vazio. Correndo, pegou algumas fotografias que ainda flutuavam no ar ao redor do campus; exceto por uma, do garoto ainda bebê, ligado a vários aparelhos, deitado em uma cama de hospital, com sua mãe ao seu lado. Esta voou para bem longe, indo em direção ao parque. Ofegante, Adam estava quase desistindo de ir atrás deste último pedaço de memória. Mas se ele não havia desistido para um câncer, não desistiria para uma simples foto. Seus exercícios diários ajudavam em sua condição física, e ao entrar no parque, viu sua foto pousada em um banco, ao lado de uma pessoa. Deu um curto trote até chegar ao seu destino, e com suor escorrendo da testa, apontou para a fotografia. Olá! Acredito que isso seja meu.
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