erik.
Se fosse em vida, não daria a mínima para aquela situação. Nunca havia dado a mínima para absolutamente nada. Era engraçado pensar em como a morte havia lhe transformado, de um assassino cruel e frio para alguém que agora protegia aqueles que lhe eram próximos. Sorte não ter ficado em casa aquela noite, odiava quando aquele tipo de coisa acontecia, principalmente em sua ausência. Passou um dos braços ao redor do ombro da garota enquanto caminhava com ela até o local onde estava antes, agora mais ao fundo, onde a iluminação não batia. O próprio russo soltou um suspiro pesado quando o corpo caiu sobre o banco acolchoado em forma de L, apesar da pouca iluminação, podia ver Luna muito bem.
A ouviu com atenção, agradecendo pela bebida servida, tomando um longo gole que quase deixou o copo vazio. O encheu por conta própria em seguida, usando o braço livre para enlaçar a cintura da garota até que a tivesse em seu colo. Deixou um beijo rápido em seu ombro antes de beber de novo, correndo os dedos de forma sutil contra a cintura dela em um carinho sem malícia alguma. Nunca tivera uma família em vida, mas Luna chegava a ser como uma irmãzinha para Erik. — Não é não, mesmo que você estivesse nua no meio da pista. — Aquele comportamento era inaceitável para si, jamais permitiria algo desse tipo. Então, cada caso era tratado com extrema violência e não ligava a mínima para as inspeções feitas pelos anjos.
— Eu vou te ensinar a bater, da próxima vez, você quebra o nariz do babaca. — Soltou uma risada baixa, apoiando a cabeça contra o ombro da loira brevemente. Tinha quase um sorriso sádico no rosto e talvez o escuro não deixaria Luna perceber. Mas não era nada que ela já não tivesse visto antes, lhe acompanhava a tempo o suficiente para conhecer os muitos parafusos que faltavam em sua cabeça instável. — Eu fico dividido entre não querer que aconteça, e ao mesmo tempo querer. Porque assim eu posso ter uma desculpa pra bater em alguém. — Riu novamente, naquele tom ainda mais arrastado graças ao álcool, deixando o copo de lado para tomar o whisky diretamente da garrafa. E esperava que Luna lhe acompanhasse naquilo.
estava no meio de mais um gole em seu copo quando sentiu o braço de erik em seu corpo e não hesitou em deixar que ele a levasse para seu colo, acomodando-se ali imediatamente. ao sentir o beijo em seu ombro, a loira se encolheu e sentiu o coração se apertar pelo carinho que tinha pelo homem, e aproveitou a posição para se encolher e abraçá-lo também, escondendo o rosto contra o pescoço do russo. usou o nariz para acariciá-lo naquele lugar, retribuindo o beijo bem embaixo da orelha. por um momento permitiu-se esquecer do acontecido para aproveitar-se do calor do corpo alheio contra o seu. aquele sim era bem-vindo, aquele assim não hesitaria em procurar. porque sabia que erik não faria lhe faria mal nenhum.
não conseguiu evitar uma risada com as palavras do chefe. luna realmente não conseguiu se imaginar quebrando qualquer parte do corpo de ninguém, era magra e fraca demais para isso. —— na próxima vez eu te chamo de novo e você mesmo quebra o nariz dele por mim, que tal? assim eu fico protegida e você mata sua vontade de bater em alguém. —— disse baixinho, acompanhando com o olhar enquanto erik levava a garrafa aos lábios. quando ele terminou, pegou-a de sua mão para fazer o mesmo, devolvendo em seguida. no fundo a loira sabia que deveria achar aquilo errado, mas não conseguia, não mais. era algo tão corriqueiro quanto os babacas que tentavam forçá-la a algo.
—— ah, aliás! —— ergueu o corpo de supetão para poder olhá-lo, cruzando uma perna sobre a outra e devolvendo a garrafa em seguida. —— eu vi outros caras assim rondando as outras meninas. acho que seria melhor deixar os meninos avisados. mas... —— voltou a se acomodar no colo de erik, abrindo um sorriso felino e contente. tinha certeza que se fosse uma gata iria começar a ronronar nos próximos segundos. —— depois. não sai daqui agora. —— pediu em um tom manhoso, erguendo uma das mãos até a garrada de bebida para que fosse passada para ela. —— eu fiquei com tanto medo!
e aquilo não era totalmente mentira, mas não era uma verdade também. sabia que não deixariam que as coisas passassem dos limites, mas queria fazer um pouco de manha para erik. depois daquele susto, não era demais pedir para ser um pouco mimada, era?












