Food can make it all looks better, right? | Daphne & Aidan
Enquanto a professora falava sem parar sobre um assunto o qual Daphne simplesmente não conseguia entender, ela olhava para o relógio em seu pulso, contando os segundos para que todos se cansassem e começassem a demonstrar sinais de cansaço fazendo a professora ficar com um peso na consciência e liberar a sala. Mordeu a tampo da caneta em impaciência e quando ela disse que todos estavam liberados e então começou a falar sobre outro assunto Archer recolheu suas coisas, saindo da sala de aula antes de todo mundo.
Estava inquieta desde de que acordara e se não fosse as duas cadeiras mais importantes do período ela não teria sequer saído da cama. É claro que a vida não era fácil e nem nunca iria ser, então lá estava Daphne, querendo colocar um saco na cabeça e não falar com ninguém. Porém avaliou suas opções e decidiu por alguém com um toque mais “divino”. Eram quase sete horas da noite, então ele não estava mais na Igreja. Correndo talvez, a mulher imaginou. Sorriu com o pensamento, rindo sozinha. Ela com certeza não estava vestida para correr, mas faria um esforço se aquilo fosse fazer com que ela encontrasse Aidan. Arrumou a mochila nas costas, descendo a rua que dava em direção a casa do mais velho Callahan num passo apressado.
Sabia que olhares tortos que recebia por estar parada numa esquina eram merecidos, agora com certeza além de ser a mãe adolescente seria a garota de programa da cidade, mas para sorte da morena, ela não se importava. Eles podiam falar o que quisessem, ela nunca duvidou de quem era e não seria boatos que mudariam aquilo. A esquina onde estava era um dos lugares onde ela tinha certeza de que o Padre passaria, e esperava ansiosa para que ele apontasse na esquina pois queria a companhia de alguém, podia não se importar com o olhares mas não gostava de ficar tão exposta. O assassino ainda não havia sido capturado então qualquer um era suspeito. Um sorriso involuntário repuxou seu rosto quando viu a figura alta correndo na direção da rua. Deu alguns passos para poder interceptar o mais velho. Sua voz era baixa porém clara, não queria chamar ainda mais atenção. — Padre, perdoa-me, eu pequei. — Juntou ambas as mãos na frente do peito, fechando os olhos, com um sorriso malicioso brincado em seus lábios.
A maioria das noite de Aidan eram preenchidas da mesma maneira. O padre terminava suas obrigações na Igreja, verificava se estava tudo em ordem e trancava todas as portas e portões antes de sair lá pelas seis meia, sete horas - isso é, quando não tinha missa para celebrar. Ai ele repetia esse ritual duas horas para frente. O caminho até a sua casa era curtíssimo, cinco minutos e duas quadras depois, lá estava ele destrancando a porta, acendendo as luzes e indo em direção ao seu quarto, onde trocava a batina por uma camisa branca de malha e short ou calça de nylon preta. Calçava os tênis com uma certa pressa no caminho entre o quarto e a porta e saia para correr, os fones de ouvido sendo enfiados na orelha já do lado de fora e a música sendo escolhida quando ele já havia começado seu exercício diário, geralmente variando entre música clássica, blues ou jazz.
Quando chegava em casa, ia direito para o banho, lia alguma coisa, de preferência - literatura algum livro de arte já que preferia deixar teologia para suas horas na igreja. Eram poucos os momentos que Aidan tinha pra dedicar para os gostos, suas paixões e interesses, preferia não gastar seu tempo livre com ele mesmo ao invés de fazer da sua casa uma extensão do seu trabalho como padre - ou testava uma receita nova. Ia dormir pouco depois de ter dado uma olhada nas suas tarefas do dia seguinte. Era uma rotina pacata.
Naquela noite, entretanto, Aidan talvez não tivesse que passar o resto do seu dia sozinho. Quando já estava voltando para casa, as costas encharcadas pelo suor e a respiração ofegante, o padre deu de cara com uma velha amiga: Daphne Archer, uma antiga e querida amiga. Diminui o ritmo bruscamente e tirou os fones com um puxão. “Daph?” Ele perguntou com uma certa confusão, ainda com a respiração pesada. “Aconteceu alguma coisa? Você precisa de ajuda? Minha casa, como você sabe, é logo ali…” O tom preocupado da voz dele era visível, mesmo misturado às inspirações longas e audíveis.









