Food can make it all looks better, right? | Daphne & Aidan
A maioria das noite de Aidan eram preenchidas da mesma maneira. O padre terminava suas obrigações na Igreja, verificava se estava tudo em ordem e trancava todas as portas e portões antes de sair lá pelas seis meia, sete horas - isso é, quando não tinha missa para celebrar. Ai ele repetia esse ritual duas horas para frente. O caminho até a sua casa era curtíssimo, cinco minutos e duas quadras depois, lá estava ele destrancando a porta, acendendo as luzes e indo em direção ao seu quarto, onde trocava a batina por uma camisa branca de malha e short ou calça de nylon preta. Calçava os tênis com uma certa pressa no caminho entre o quarto e a porta e saia para correr, os fones de ouvido sendo enfiados na orelha já do lado de fora e a música sendo escolhida quando ele já havia começado seu exercício diário, geralmente variando entre música clássica, blues ou jazz.
Quando chegava em casa, ia direito para o banho, lia alguma coisa, de preferência - literatura algum livro de arte já que preferia deixar teologia para suas horas na igreja. Eram poucos os momentos que Aidan tinha pra dedicar para os gostos, suas paixões e interesses, preferia não gastar seu tempo livre com ele mesmo ao invés de fazer da sua casa uma extensão do seu trabalho como padre - ou testava uma receita nova. Ia dormir pouco depois de ter dado uma olhada nas suas tarefas do dia seguinte. Era uma rotina pacata.
Naquela noite, entretanto, Aidan talvez não tivesse que passar o resto do seu dia sozinho. Quando já estava voltando para casa, as costas encharcadas pelo suor e a respiração ofegante, o padre deu de cara com uma velha amiga: Daphne Archer, uma antiga e querida amiga. Diminui o ritmo bruscamente e tirou os fones com um puxão. “Daph?” Ele perguntou com uma certa confusão, ainda com a respiração pesada. “Aconteceu alguma coisa? Você precisa de ajuda? Minha casa, como você sabe, é logo ali…” O tom preocupado da voz dele era visível, mesmo misturado às inspirações longas e audíveis.
Abriu seu sorriso costumeiro, balançando a cabeça rapidamente, levantando as mãos enquanto Aidan falava. Apesar de todos verem Aidan como O Padre, Daphne o via como O amigo. Ele era inteligente e engraçado, além de ser fácil de conversar, qualidade que ela tinha certeza de que vinha graças a sua "profissão". Ainda lembrava como a amizade havia ocorrido, e às vezes, quando ela se permitia pensar naquela época, ficava grata por tudo aquilo ter acontecido, já que ela pode realmente conhecer o Callahan mais velho.
Deu um passo na direção do mais alto, na intenção de dar um tapinha reconfortante no ombro do mesmo, porém tinha suor demais, e ela acabou por desistir, fazendo uma careta involuntária. — Calma, Aid, não aconteceu nada. Eu só... bem, eu só queria conversar. — Encolheu os ombros, comprimindo os lábios enquanto capturava um fio solto dos cabelos, o colocando atrás da orelha. A verdade que era muito mais do que vontade de conversar. Volta e meia se pegava pensando sobre a morte das garotas, e na dor que as famílias estavam sentindo. Isso também a fazia pensar na sua própria dor e em como sua família não esteve ali por ela. Piscou voltando a realidade, esperando que não tivesse ficado claro seu devaneio.
— Uma garota precisa de um motivo de força maior para visitar um amigo? — Indagou com uma das sobrancelhas erguidas, sorrindo de maneira cúmplice para Aidan. — Olha, eu não quero parecer que estou louca para ir para sua casa, mas na realidade eu estou. Não gosto de ficar na rua tarde. — Confidenciou, puxando o padre pelo pulso, começando a andar.












