Eu amo ele, mas ao mesmo tempo eu não suporto ele, como é possível?

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Eu amo ele, mas ao mesmo tempo eu não suporto ele, como é possível?
O amor tem nome, mas não é nada que a gente possa reconhecer só de olhar. A dor a gente sabe o que é, tem lugar e intensidade que cabem na ciência. A raiva, o medo, o ódio entortam a cara com um jeito provável de se manifestar. Mas e o amor? O que é senão um monte de gostar? Gostar de falar, gostar de tocar, gostar de cheirar, gostar de ouvir, gostar de olhar. Gostar de se abandonar no outro. O amor não passa de um gostar de muitos verbos ao mesmo tempo.
- Tudo é rio (Carla Madeira)
Quando eu te vi pela primeira vez eu não dei muita bola, mas naquela mesma noite nós tivemos uma oportunidade de conversar que eu vi a pessoa incrível que você era, com aquele seu jeito querendo impor moral e demonstrar sua autoridade, mas olhava pra baixo e sorria sem jeito sempre que eu te olhava nos olhos, isso me fez despertar um certo encanto com você. Eu não diria que foi amor à primeira vista, mas foi amor ao primeiro sorriso. Mesmo que nossa conversa não tenha sido longa, eu penso em você todos os dias, e todos os dias eu me arrependo de não ter sequer prestado atenção ao seu nome, infelizmente eu tenho esse defeito de só dar valor as coisas quando elas não estão mais a meu alcance, agora estou aqui sem saber absolutamente nada sobre você e torcendo pra esbarrar com você em alguma noite qualquer e ver onde isso vai levar…
- Lena
Por mais difícil que seja, desfazer amizades que não te fazem bem é extremamente necessário. Demorei bastante tempo pra ver que eu não me encaixava mais ali, que aquelas amizades mais feriam do que faziam bem, então eu, pensando em mim, resolvi me retirar.
“Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 – onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era “You Oughta Know”, da Alanis. Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho. Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS. Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois — acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela. Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de “How I Met Your Mother”. Mais que no começo de “Up”. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo. Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos — não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme — e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.”
— Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice.
é um amar que mata a gente né
Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Clarice Lispector
eu não estava ignorando o fato de você estar me fazendo mais mal do que bem,
é que eu estava tão cheia de problemas que não queria arrumar mais nenhum,
e pensar em você como um problema era doloroso demais
não posso criar expectativas, não sobre você
essa coisa que eu sinto quando penso em você é inexplicável,
o pior é que não sei dizer se é algo bom ou ruim
há esse paradoxo dentro de mim, pois eu sinto muito, mas ao mesmo tempo parece que eu não sinto nada.
Eu ainda sinto falta
mas não quero mais na minha vida
dei uma segunda chance pra quem não merecia nem a primeira
me tirou do seu coração com tanta pressa que nem pareceu que eu já estive lá.
você me dói o peito