DOSSIÊ DE SEGURANÇA — OPERAÇÃO ALTHARA
DEPARTAMENTO DE INTELIGÊNCIA E SEGURANÇA DO
PALÁCIO DE TREATAN
CLASSIFICAÇÃO: CONFIDENCIAL
ARQUIVO 024 | A. Bourbon
Nome: Alejandro Emiliano de la Vega y Bourbon
Origem: Reino de Castilla
Posição: Príncipe de Castilla
Idade: 25 anos
Status: Observação ativa – Prioridade Máxima
✦ Perfil Psicológico
Indivíduo com traços clássicos de personalidade narcisista: extrovertido, carismático, teatral e altamente consciente de sua imagem pública. Demonstra forte aversão a restrições e protocolos rígidos, com histórico consistente de comportamentos considerados devassos, provocativos e politicamente inconvenientes. Há, contudo, registros de uso político da própria imagem (ver anexo – Caso Sevilha / Caso Granada). Sua reputação de “príncipe passional” tem sido considerada uma das armas mais eficazes da diplomacia informal castellana. Inteligência tática subestimada por boa parte da corte.
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✦ Poder Registrado
Mimetismo pirocinético — Capacidade de transformar o corpo completa ou parcialmente em chamas. Apresenta temperatura corporal em graus elevados, representando risco à segurança coletiva.
Nível de controle: Instável.
✦ Risco Diplomático
Elevado. Popular entre aliados e perigoso em campo inimigo. Volátil em situações de estresse ou confronto direto. Possui histórico de encobrimento de “mal-entendidos” por parte da coroa castellana.
✦ Incidentes Diplomáticos
Caso Sevilha (2023): Envolvimento com a filha de um diplomata francês durante a negociação de tratado comercial.
Caso Granada (2024): Episódio de ataque incendiário não-intencional em salão diplomático. Abafado pela assessoria de imprensa da Coroa.
Caso Valência (2025): Suposto envolvimento com membro da resistência vermelha infiltrado, terminado em ataque incendiário não-intencional. Caso não confirmado, permanece sob observação.
✦ Relações Estratégicas
– Catalina de la Vega y Bourbon: Relação tensa. Sem risco de traição direta.
– Martina, Villavencia e María Soledad de la Vega y Bourbon: Vínculo emocional forte. Influenciável por elas.
– Alfonso Juan Pelayo y Bourbon: Favorito do rei.
✦ Observações Adicionais
Apesar de não ocupar oficialmente o posto de sucessor, é preparado pelo pai como alternativa à primogênita. Episódios envolvendo bebidas, jogos e relacionamentos politicamente imprudentes são numerosos, porém, sistematicamente abafados pelo aparato de comunicação do reino. Fontes próximas à corte também relatam crises de temperamento e episódios de resistência a ordens superiores — ainda que todas essas ocorrências terminem, via de regra, com contenção por parte de conselheiros próximos ou familiares.
✦ Avaliação
Elemento de alta volatilidade. Candidato a golpe palaciano não por vontade própria, mas por manipulação externa. Recomenda-se monitoramento contínuo, especialmente durante cúpulas internacionais e eventos com alta concentração de lideranças mágicas.
T.N.S.
Chefe de segurança do palácio de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – REPRODUÇÃO OU VAZAMENTO DESTE ARQUIVO IMPLICARÁ EM EXECUÇÃO SUMÁRIA POR CRIMES CONTRA A SEGURANÇA MUNDIAL.
O encontro com Bahar não permitia que se arrependesse por completo da rapidez com que deu fim à caçada, mas porra, como queria ter tido só um pouco mais de paciência! As írises acastanhadas mal se moviam da cena escura em seu celular, lágrimas ameaçando cair por sua face tamanha a intensidade de sua risada. Pelos Santos, como pôde perder aquilo!? A cada “ Eu meio que vou precisar de um favor… ” repetido, mais histérico seu riso se tornava, embora não tenha sido só a comicidade da situação a ficar gravada em sua mente.
E como rir sozinho não bastava, saiu pelos corredores do palácio atrás da figura responsável pelo ápice do seu dia. Se por obra do destino ou de forças nefastas, não demorou muito a encontrá-la. Para a sorte do Bourbon, e infelicidade do jovem lobo, o príncipe parecia estar desacompanhado. Ora, se não era a oportunidade perfeita… Com o sorriso que o marcava como o presente de Castilla, permitiu que seus passos ressoassem com confiança pelo ambiente. Confiança essa que se estendia a suas palavras, ainda envoltas em picardia.
—— ¡Vaya si no es mi perrito! Não sabia que era adepto ao exibicionismo, cariño. Corajoso da sua parte revelar esse lado em rede internacional. — Parando ao lado de @dehvsse, desejou por um segundo tocá-lo, mas se conteve. Mal havia começado a se divertir e Malek sabia que Hakon era, por si só, um gatilho sensível. Com um suspiro teatral, continuou. —— Mas devo admitir que fiquei um tanto magoado… Somos amigos, sí? Podias ter me chamado, jamais negaria uma… mão a um amigo. — Despudorado, sequer titubeou ao lançar um piscar de olho para o outro. —— Mas como você estava um gato, sinto-me inclinado a perdoá-lo. Ou o politicamente correto seria dizer um cachorrão? Lobão? De qualquer forma, uau-uau.
O nome dela ecoou com solenidade, e Bahar sentiu o sangue esvair das pontas dos dedos. O Sumo Sacerdote não precisava dizer muito — seu tom solene já bastava para que os olhos de todos se voltassem na direção dela. Como se, por um breve instante, o mundo se reduzisse a seus passos lentos da área do brunch até a entrada da floresta. Ela não gostava de ser vista. E ali estava, na frente de todos, sob os olhos de nobres, câmeras e deuses. O Sumo Sacerdote esperou que a figura de Alejandro se aproximasse antes de limpar a garganta e anunciar: "O medalhão da srta. Bahar foi encontrado por… Sua Alteza Alejandro Bourbon." O nome caiu como um golpe. Bahar sequer conseguiu esconder o estalo baixo que soltou com a respiração, nem o modo como seus joelhos fraquejaram sob o peso súbito do espanto. Por um momento, ela realmente pensou que iria desmaiar. Alejandro. Dos príncipes possíveis, ele era o pior resultado. Popular, carismático, filmado o tempo todo, um nome com o qual as pessoas sonhavam. E ela? Assistente pessoal. Prática. Invisível por escolha. Tê-lo como “par” no jogo era um tipo de exposição que fazia sua pele queimar. Por que não um duque? Um conde excêntrico? Ou, com alguma sorte, ninguém? As câmeras focalizavam seu rosto. A tensão estava gravada em cada músculo — as mãos frias, os ombros ainda inclinados em deferência, como se pedissem para sumir dali. O Sumo Sacerdote inclinou levemente a cabeça, em voz grave: "Srta. Bahar… aceita ou recusa o seu Caçador?" Era uma pergunta cerimonial, mas que continha o poder de uma sentença pública. Recusar o herdeiro favorito de Castilla, diante de todos, com as lentes apontadas para ela… seria uma humilhação que mancharia ambos, mas sobretudo ele. Ela sabia disso. Sabia o que se esperava dela. ❛ Alteza... ❜ Cumprimentou Alejandro, com breve reverência, tencionando postergar sua resposta.
Frustrado era uma palavra amena para definir o humor do Castilla naquela manhã. Desde o fatídico sorteio que havia definido seu papel durante a caçada, o príncipe vinha demonstrando certa… Insatisfação. E com toda razão! Como um predador da mais fina espécie, Alejandro era também extremamente vaidoso e pretensioso. Ao seu ver, era inaceitável que, numa dinâmica como aquela, tivesse sido relegado ao papel de caçador ao invés de esperar pacientemente por sua próxima vit–, quer dizer, pelo próximo competidor aparecer com seu medalhão e mimá-lo. Estava pronto para servir beleza e carisma, não suor e lama.
Que a culpa da situação só pudesse ser atribuída à própria sorte não impedia que se sentisse completamente contrariado. Porém, ainda que sua mente fervilhasse com os mais criativos impropérios e ameaças aos santos, para qualquer observador externo, Alejandro parecia estar levando seu papel a sério. Com muita má vontade, mas a sério.
Nos primeiros minutos da caçada, manteve-se nas bordas da floresta, o olhar turbulento percorrendo a linha de árvores com atenção simulada. Sua estratégia até ali era simples: esperar um tempo razoável e então pegar o primeiro medalhão que avistasse. Uma escolha arriscada, já que havia a possibilidade de acabar com alguém entediante ou desesperado — um escândalo iminente.
Torcendo pela segunda opção, estava prestes a pegar um medalhão quando um flash prateado captou seu olhar. Por um momento, achou que fosse apenas uma distração, um artifício dos organizadores para deixar a caçada mais interessante. Mas não. Vindo do jardim, a centelha brincava entre as sombras, ocultando-se para se revelar por um mero segundo. Intrigado — e ansioso para se livrar daquele fardo —, mudou de direção. Que ironia, então, abrir a joia e dar de cara com a palavra “secret” e o desenho de uma chave. Um segredo escondido à vista de todos? Não sabia se achava o insight inteligente ou clichê.
Contudo, ao se apresentar para o sacerdote, compreendeu o enigma.
Um sorriso largo esticou os lábios do Castilla, o primeiro genuíno do dia. —— Señorita Kavur, que presente… Fascinante os Santos me concederam ao guiarem meus passos até seu medalhão — disse, permitindo que certa malícia escapasse em seu tom. Os deuses atuam por caminhos tortuosos, costumava dizer sua mãe, mas nunca erram; e agora Alejandro era obrigado a acreditar. Mesmo que tivesse o poder de escolha, jamais ousaria antagonizar o herdeiro de Anatólia tão abertamente ao selecionar sua assistente e arriscar sua frágil aliança. Ah, o acaso… Quem poderia ir contra sua vontade?
—— Mas não posso negar que fiquei intrigado com sua estratégia. — continuou. —— Dime, tem a todos nós, nobres, em tão baixa estima que não viu outra opção a não ser tomar as rédeas da situação nas próprias mãos, e facilitar que a encontrasse? Não me admira que Sarp a mantenha sempre por perto, uma facilitadora, além de uma beleza sem igual, é claro. Mas nem todos nós somos como seu protegido, ¿sí? Si me lo permite, estaré encantado de demostrárselo.
Já era esperado que ALEJANDRO EMILIANO DE LA VEGA Y BOURBON viesse para a Ilha de Treatan, afinal, ele é um PRÍNCIPE vindo do REINO DE CASTILLA (Espanha). Não que seja elegante perguntar, mas sei que ele já conta com seus VINTE E CINCO ANOS, e não esconde a fama de DEVASSO, mas é sabido que seu lado AUDACIOSO compensa. Se não tivesse sangue azul, eu diria que é um descendente direto de ARÓN PIPER, porque não poderiam ser mais idênticos!
Alguns nasceram para brilhar; já outros… Bom, o que é um show sem audiência?
Alejandro Emiliano de la Vega y Bourbon é a prova viva de que quem nasceu para ser protagonista, jamais será coadjuvante. O tão esperado herdeiro de Castilla veio ao mundo como se tudo já lhe pertencesse, demandando atenção desde seu primeiro fôlego. Nem mesmo o nascimento de sua irmã gêmea, María Soledad, foi capaz de ofuscar a dádiva concedida à casa real.
O presente dos deuses. O escolhido. O único filho homem. O futuro rei.
Sob o peso de tais palavras, seria impossível que Alejandro não crescesse vaidoso — termo que não era usado levianamente. Como bom azul que era, até mesmo em sua personalidade o jovem príncipe precisava superar expectativas e carregar todos os traços ligados à vaidade. Era arrogante, frívolo, orgulhoso, soberbo, atrevido, exibido… Um conjunto de adjetivos nada lisonjeiros, convenhamos, mas que, nele, funcionava. Tinha charme, um tino aguçado e, acima de tudo, poder.
Claro, havia quem visse o rapaz pelo que realmente era: um problema. Contudo, o que muitos definiriam como “caráter manipulador” e “problemático”, era visto pelo rei Alfonso como um trunfo. Um soberano carismático, independente de sua índole, era capaz de rivalizar com o poder dos deuses. Admirável. Imprevisível. Letal. Aos seus olhos, Alejandro possuía tudo para alcançar o patamar dos grandes nomes de Castilla. Assim, encarregou-se pessoalmente de treinar o filho, seu herdeiro por escolha.
Embora não desejasse a coroa per se, era inegável o quanto o príncipe adorava a atenção que recebia — do pai e de todos ao redor. Aprendeu a transitar entre nobres e políticos, reis e plebeus, azuis e vermelhos. Um feito que atraiu olhares de inveja, desejo e ódio — não que ele se importasse. Alejandro cresceu acostumado, viciado até, a ser o foco de qualquer ambiente que pisasse. E o enredo, cuidadosamente tecido por seu pai, garantiu que assim fosse.
Consagrado como a Chama dos Deuses, o escolhido de São Malek acumulava títulos junto ao seu nome como quem coleciona figurinhas. A cada peripécia reescrita como feito heroico, sua legião de admiradores aumentava — o que era ótimo. Com a quantidade de “acidentes” e “deslizes” cometidos pelo príncipe, mais necessário se tornava ter quem estivesse disposto a encobrir seus malfeitos.
HABILIDADE MÁGICA
MIMETISMO PIROCINÉTICO. Conhecido como a Chama dos deuses, Alejandro carrega o título de maneira literal. Capaz de transformar o corpo na mais ardente das labaredas, o rapaz exibe sua habilidade com frequência — manifestação que pode ocorrer de maneira parcial ou completa, além de permitir que projete correntes de fogo contra seus alvos quando totalmente transformado.
Há quem associe seu carisma caloroso ao dom; outros juram que seu fogo é o presságio de uma nova era, ou o aviso de seus ancestrais. Já Alejandro, adora todas as teorias que o envolvem, principalmente aquelas que o retratam como o mensageiro de São Malek ou a amálgama dos mais notórios reis de Castilla.
A verdade, porém, é que a habilidade afeta, sim, mais do que sua temperatura eternamente elevada.
Embora goste de pensar que domina as chamas, é o fogo que verdadeiramente o controla. E os efeitos... Esses o príncipe não compartilha com qualquer um — ou melhor, com ninguém. Afinal, como alguém poderia admitir ouvir o fogo sem parecer louco?
TIPOS DE MANIFESTAÇÃO
Parcial. O fogo se manifesta apenas em uma parte do corpo, normalmente, por escolha de Alejandro. É uma de suas formas favoritas de intimidação.
Completa. Estado incandescente que toma todo seu corpo.
Projeções. Correntes de fogo direcionadas, em linha reta ou em rajadas.
Temperatura. Um aquecedor particular. Alejandro está sempre com a temperatura elevada, emitindo calor mesmo fora de combate.
LIMITAÇÕES E COLATERAIS
Não pode usar seu dom por muito tempo, podendo sofrer de exaustão caso exceda o limite de 30 minutos em sua forma completa. Caso o limite não seja respeitado, Alejandro entra em estado febril, necessitando de curandeiros ou usuários de criocinese para resfriá-lo, já que sua temperatura é insuportável para qualquer outra pessoa.
Ambientes muito úmidos ou frios dificultam sua transformação, mas não anulam a habilidade.
Há quem relate desconforto, sudorese ou enxaquecas ao passar muito tempo ao lado do príncipe devido à sua temperatura corporal.
Após passar pela transformação completa, Alejandro tende a apresentar manchas escuras nas extremidades do corpo.
As vozes que escuta nas chamas são as suas maiores aliadas — isto é, quando assim desejam. Embora soem como um burburinho, mal articulando sentenças curtas, são elas que o guiam em batalhas, que lhe sussurram conselhos e segredos que, de outra forma, jamais saberia. Se se tratam de ecos de um dom ancestral ou sintomas de uma mente em colapso… Bom, apenas o tempo dirá.