
❣ Chile in a Photography ❣
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@alekyazov
Em todas as manhãs pós festas eu me pergunto isso, mas em vez de querer guardar o que eu lembro, prefiro contá-los para poder respirar novamente com a mente limpa com alguma certeza que eu poderia ter feito algo errado ou certo se alguma das minhas amigas se lembrassem mais. E aí me preocuparia para consertar os erros.
Ah, já ouvi falarem disso. Masoquismo é o nome, né?
Eu não saberia dizer se você está mentindo para mim ou não. Você bem poderia estar mentindo, e tem direito de fazê-lo, afinal, todos mentem em algum momento sobre algum fato. Mas, se não para dizer a verdade, por que estaria aqui?
Ovo ao contrário quer dizer que a ponta é para baixo, certo? Hm, entendo. Continue.
E como eu sei que você não está mentindo? Ah, sei lá, eu posso ser um mentiroso compulsivo, nunca teve um paciente assim? Eu não sei mais o que dizer.
“ — Curiosidade, é claro! Quer mais do que a força que rege o mundo? É normal, faz parte da adolescência e da reafirmação de masculinidade de um garoto.”
Não, é estranho mesmo. Talvez você precise pensar um pouco nessa sua necessidade de reafirmar sua masculinidade. Tem um cara aqui que é psicólogo, não quer falar com ele não?
Se estiver acontecendo uma guerra então eu estou bastante satisfeito porque esse lugar é tão no meio do nada que até para nos atacarem vai ser impossível. E sem twitter você tem site de notícias… Simples assim.
Você poderia responder assim: nunca experimentei, mas estaria aberto para algumas experiência, afinal de contas, sou belo, quase recatado e open bar. Come si può non parlare italiano?! Questo dialetto così bello e meraviglioso, pieno di espressioni romantiche che solo gli dei riconoscono! Come si può non parlare!
Nisso eu preciso concordar. Sem internet não tem site de notícias também, obviamente. Além disso, ler notícias no Twitter é muito mais engraçado. E, não, eu não estou aberto a experiências, muito obrigado.
Я только сказал, что я не могу говорить итальянский, мудак! Ты что, глухой? Просто скажи это на английском языке, если вы хотите, чтобы я понял!
Ora, não há nada estranho em contar sua maior loucura em uma festa, mas se está esquivando é porque nunca foi em uma festa, provavelmente. E isso é que é estranho.
Não passou pela sua cabeça que talvez seja mais provável eu não me orgulhar do que fiz? Ou, mais ainda, eu não me lembrar porque estava bêbado demais? A lógica é simples.
Everything I Should Have Been Before || Alek & Arabella
Ela negou com veemência, soltando o ar ao demonstrar sua frustração diante do modo como ele interpretava suas palavras, assim como ela interpretava de forma errônea. Seu olhar entristeceu-se diante da possibilidade de não haver uma comunicação válida entre dois. Embora palavras contendo a verdade e sentimentos fossem ditas, eles não conseguiam se entender, o que não era surpresa. Alek e Arabella eram diferentes e isso se intensificava quando se falavam. Ambos soavam confusos um para o outro e essa confusão era algo que ela achava quase charmoso, quando conversavam, afinal, ela sempre entendia mais do que ele, todavia, aquela comunicação não estava presente naquele momento. Parecia que eles não conseguiam se entender, como se houvesse uma barreira impedindo que as palavras reais chegassem. Campbell se perguntava se seria assim agora, afinal. Eles não conseguiriam se entender mais? Isso soava desastroso para alguém que, quando aquela conversa havia se encaminhado para o seu meio, possuía um fio de esperança de que, de fato, tudo poderia se resolver de alguma forma. Não estava tentando esquecer e sim esclarecer e diante das palavras de Yazov, ela havia imaginando que de fato as coisas não fossem exatamente como ela acreditava, embora fosse mais fácil acreditar no que seus olhos diziam do que no que o seu coração falava.
A garota, todavia, se manteve calada embora negasse a afirmação que ela estava se comparando a Charlotte Stoll. Ela não estava, mas estava tentando colocar um parâmetro. Queria que ele entendesse, mesmo que o mesmo tivesse dito, o quanto para ela era difícil acreditar vendo o que ele havia feito antes. Ouvir que Alek não havia tentado conquistá-la acabou fazendo com que um sorriso aparecesse em seu rosto, logo sendo apagado pela dúvida que se seguiu quando ouviu acerca da festa na qual eles se conheceram. Ela precisou de algum tempo para se lembrar de todos os detalhes daquela noite, desastrosa, que parecia ter acontecido há muito tempo. “Eu lembro também do final daquela noite”, começou, mesmo que soubesse que não era a melhor lembrança. Arabella odiava aquela cena quando esta surgia em sua mente. Tudo naquele final de noite a irritava. Havia sido tão idiota! “Por que você tentou flertar comigo mesmo depois daquela bagunça, literalmente e figurativamente? Você viu como eu era cheia de problemas, por que iria me querer na sua vida? E não, não estou me desmerecendo, mas, vamos combinar, eu sou uma bagunça!” Permitiu a si mesma sorrir com o pensamento. O sorriso que não aparecia em sua face sempre preocupada havia algum tempo. Arabella era, de fato, uma bagunça psicológica e emocional, embora não fosse visível para todos. Entretanto, no dia que Alek a conheceu, ela havia demonstrado isto da pior forma. E depois. Várias vezes. “Por que ainda assim quis flertar comigo?” Questionou cobrindo a distância entre os dois com a curiosidade em seu olhar.
A aproximação acabou fazendo com que ela sentisse um aperto em seu estômago. Há algum tempo, ela diria que aquilo eram borboletas que batiam suas asas incansavelmente diante da possibilidade de estar apaixonada por alguém. Mas, agora, não pareciam borboletas e sim como se Arabella tivesse levado um tiro no estômago. “Eu não estou me comparando a Charlotte porque temos uma diferença, afinal. Você disse que não queria que ela se envolvesse nessa história, mas você fez com que ela se envolvesse. Não foi espontâneo, você queria. E se você acabou fazendo com que eu me apaixonasse por você sem ao menos tentar fazer isso, o que aquela pobre menina sofreu?” Embora não quisesse sorrir, ela sorriu; embora não quisesse encarar seus olhos claros com tanto fervor, ela encarou e se perdeu por alguns segundos naquele olhar. Arabella queria tocar a face de Alek novamente, ah, como ela queria. Seus dedos formigavam, todavia, agora não era para estapeá-lo como ela desejou anteriormente. Agora ela queria tocá-lo com o mesmo sentimento que outrora havia tocado. “Na verdade, estou me perguntando como ela se apaixonou por você. Convenhamos você não é alguém que sabe flertar bem, docinho.” Arabella não conteve o sorriso ainda maior que surgiu em sua face, deixando escapar uma risada calorosa mesmo que ainda tivesse algo a ser dito por sua parte. Ela sabia que não seria capaz de negar, todavia, ainda protelou. Protelou em sua mente enquanto tentava identificar no oceano azulado que era os olhos de Alek qualquer mentira que ele pudesse estar contando para ela. Infelizmente, o receio estaria sempre presente em seu coração mesmo que ela tentasse expulsá-lo. A confiança demoraria para retornar e, ainda assim, ela sempre teria um pé atrás quando o assunto fosse Aleksandr. Mas, mesmo que tivesse, ela deveria se lembrar da sinceridade dele naquele momento; em como ele havia ido até ela tentando fazer com que a garota entendesse que o seu sentimento era real, tal como o dela era real, mesmo que, no fundo de sua mente, a dúvida aparecesse para brincar com suas inseguranças.
“Você acha que eu estou me forçando a amá-lo?” Um lampejo raivoso passou por seus olhos diante da fala do outro. Arabella não estava se forçando a amá-lo, e jamais o faria. “Eu não estou me forçando a amá-lo. Sendo sincera, eu me forçaria o contrário, mas eu não quero. Eu quero estar com você, mesmo que você seja tão torto que não tenha como endireitar. Eu quero estar com você porque eu quero, Alek. E eu não me forçaria a isso porque então não seria real.” A sombra do toque dele sobre sua pele trouxe uma velha sensação que intensificou a saudade que ela possuía em seu peito. Ele hesitou e isso trouxe à sua mente outra insegurança que ela sufocou com a sensação da pele do outro sobre seus dedos que tocaram a mão que ele estendeu. Arabella tocou com a ponta de seus dedos as costas da mão de Alek, fazendo um caminho que se trilhou até a face do rapaz. A garota ergueu a outra mão que estivera caída ao lado do corpo e formou uma concha ao redor do rosto de Yazov. Ela sentiu falta daquilo. De como suas mãos não conseguiam fazer um cerco perfeito, assim como sentiu falta de como a pele do outro parecia pegar força sobre seus dígitos, tal como a dela parecia estar em chamas diante da proximidade entre ambos. “Eu amo você porque eu quero, mas não porque eu me forço a amá-lo. Eu amo você porque você não é perfeito, mas, de alguma forma, eu gosto disso. Eu quero estar com você, mas não porque eu me forço a isso. Eu quero estar porque eu apenas quero, porque, mesmo que eu tente seguir em frente, eu sempre vou olhar para trás esperando você estar logo ali, cansado da corrida”, Arabella sorriu e se inclinou. Ela não poderia se negar a isso. Não poderia negar a si mesma o modo como sua respiração se misturava ao de Alek formando um aroma inconfundível que ela amava. “Eu quero isso. E não vou deixar isso escapar.” Seus lábios tocaram os lábios de Alek vorazmente, como jamais havia feito outrora.
A cada argumento naquela discussão, ficava mais evidente a dificuldade que os dois tinham ao tentarem entender a forma de pensar do outro. Obviamente, claro. Arabella era uma garota sentimental que usava muitas palavras, metáforas e analogias aos baldes, enquanto Alek tentava ser o mais racional e objetivo possível e nem sempre entendia suas comparações. Não parecia nem um pouco absurdo que os dois precisassem se esforçar para se entenderem. Eram muito diferentes, quase opostos, por assim dizer. Arabella era meiga, insegura e modesta, enquanto o homem tendia a ser mais impessoal, assertivo e orgulhoso. O traço pensante de Alek tentava convencê-lo de que era loucura sequer imaginar que um relacionamento entre eles poderia dar certo, no entanto, seu coração dizia que precisava se arriscar. Raramente deixava seus sentimentos falarem mais alto do que a razão, porém, a probabilidade de ser feliz com Arabella, por menor que fosse, valia qualquer risco.
“Eu não dei em cima de você depois, isso que estou tentando dizer” repetiu, esforçando-se para deixar claro que não havia sequer pensado em conquistá-la após aquela noite. A vulnerabilidade da garota à beira da loucura, travando uma batalha interna contra sua própria mente, tocou um ponto sensível no coração frio de Alek. Não diria que sentiu pena dela, mas, a partir daquela noite, queria fazer de tudo para deixá-la feliz ou ao menos confortável. Talvez fosse o que chamavam de compaixão? Não sabia dizer, contudo, percebia que sentia aquilo mais frequentemente desde então. “Quer dizer, não que você tenha me assustado ou algo assim. Eu quase nunca via as outras pessoas como... seres humanos, entende? Não pensava que poderiam sentir alguma coisa além de felicidade e raiva. Naquele dia, bom… acho que eu consegui perceber que você é humana, sabe? Com sentimentos e essas coisas. E parei de agir como se fosse só um troféu ou um obstáculo, essas coisas” explicou, com os ombros sutilmente encolhidos, envergonhado da dificuldade que tinha para sentir empatia. Às vezes desejava ser mais como Arabella e conseguir pensar automaticamente em como suas decisões afetariam os outros. Alek queria ser uma pessoa melhor e possuir esse traço da garota tornaria tudo mais fácil. “Mas acho que estou aprendendo a não pensar mais assim.”
Ele mordeu o canto dos lábios, levemente ofendido. Porém, acabou deixando o sorriso abrir em uma risada. De fato, não era muito bom com cantadas e coisas assim. Na verdade, não sabia bem o que passava pela cabeça das garotas que ficavam com ele depois de ouví-lo falar. Em boa parte dos casos em que conseguia alguma coisa, procurava não focar em conversas ou apostar no senso de humor das mulheres com cantadas ruins seguidas de risadas. “Eu sei, preciso agradecer aos meus pais pela genética boa. É a única explicação, afinal” respondeu, indicando o próprio rosto com um sinal. Talvez estivesse aprendendo a ser levemente mais humilde, no entanto, Alek nunca deixaria de se orgulhar de sua aparência e outras qualidades superficiais. Frequentemente se sentia inseguro a respeito de sua inteligência, suas habilidades sociais, sua coragem e sua capacidade como profissional, no entanto, sempre possuía sua confiança de ser uma excelente concha vazia para não se sentir tão mal. Isso era antes, claro. As experiências adquiridas em Andalasia o levaram a se cansar de ser apenas alguém invejado ou desejado pela boa aparência, pelo dinheiro e pela vida social agitada. Agora percebia que nenhuma dessas características era capaz de anular o vazio de sua alma.
Alek sorriu, com um toque de melancolia, ao ouvir a resposta de Arabella. Talvez ela não o julgasse mais digno de sua confiança e agora também alegasse não crer na capacidade dele de mudar, mas estava disposta a dar uma segunda chance e, por enquanto, aquilo bastava. Geralmente, Alek era pessimista e esperava o pior cenário possível, contudo, possuía esperanças de que um dia conseguisse ser bom o suficiente para conquistar a confiança da garota. Não podia negar que era doloroso saber que ela não tinha fé nele, porém, precisava tolerar aquilo por algum tempo, afinal, não tinha o controle daquela situação e realmente queria ficar com Arabella. “Se você diz, quem sou eu para negar?” comentou e deu um passo para frente, se aproximando o suficiente para as pontas dos seus pés se encostarem. Sentia falta daquelas mãos delicadas e macias tocando sua pele. Estava a ponto de se inclinar para beijá-la, arriscando talvez levar um tapa, quando ela o fez. Alek sorriu contra os lábios dela, puxou-a em sua direção pela cintura e levou a mão livre ao rosto de Arabella, contornando a lateral com o toque dos dedos. Ah, como sentira falta daquilo. Toda vez que pensava na possibilidade de não ser perdoado, era assombrado pela ideia de nunca mais poder beijá-la, fazê-la sorrir, sentir como, de algum modo, se encaixavam perfeitamente. Não sabia como lidaria com a agonia de ser rejeitado, contudo, não precisava mais se preocupar com aquilo, apenas estava feliz por não ter acontecido.
“Ah, qual é? Você nunca comparou os tamanhos?”
Por que eu faria isso?
Não? Eu não tenho tempo para assistir essas coisas, além do que eu gosto? Não sei, nunca vi nada que fosse muito legal a ponto de querer continuar assistindo. Sim! Eles basicamente derrubaram meu forninho e ainda pisaram em cima com essa da internet. Não sou uma pessoa que se liga o tempo todo no twitter, mas gosto de saber o que acontece no mundo. Leonardo DiCaprio ainda não ganhou o Oscar pelos 500 papéis? Donald Trump vai ganhar as eleições? O mundo vai acabar esse ano também?
Porque sim não é resposta. Advogados da Alemanha. Vou ter de voltar a falar italiano pra você entender, é?
Exatamente, a Terceira Guerra pode estar acontecendo agora e ninguém sabe por causa desse acampamento maldito. Como eu vou saber dessas coisas sem internet? Sem o Twitter? Não tem outro caminho a não ser a ruína.
E o que mais eu poderia responder? Não tem resposta, oras. E eu não falo italiano, caso não tenha ficado óbvio.
Sempre quis ir à Rússia, parece encantador.
Não é tanto assim. Mas talvez seja porque eu sempre morei lá e não vejo graça nos pontos turísticos.
Linda Vans, ou só Linda mesmo.
O seu nome é.. russo?
Sim, assim como meu sotaque e... eu.
Isso é algo que qualquer pessoa pode ter com mais observação. Não é tão complicado e, se você levar em consideração a ideia de que somos como folha de papel em branco, saberá que essa leitura é ainda mais fascinante porém simples. Você nunca conseguiu interpretar uma pessoa?
Tente. Assemelhe o que você lembra com formas geométricas, se for mais fácil. Assim será mais fácil até para mim.
Consegui, mas não que nem vocês estudados estilo Lie To Me.
Tá. O formato do rosto... tipo um ovo? Não, um círculo? Acho que mais um ovo ao contrário. As sobrancelhas... retas? Ou tipo um parênteses? Isso.
O tipode pessoa que trabalha demais nela e se cansa muito facilmente do que tem nela? Experimente. E não, é um Iphone 6 muito bonito, por sinal, e novo, que eu não posso usar graças a esse lugar limitado.
Ahhh por quê?! Que maldade. Quer que eu chame meus advogados da Alemanha, isso?
E Netflix? Você não vê Netflix? Eu sei, qual é o problema dessas pessoas que construíram um negócio em um lugar sem internet e sem sinal de celular? São necessidades básicas de qualquer ser humano do século XXI.
Porque... não sei, porque sim. Seus o que?
Seu nome é complicado, Alek é mais simples mesmo.
Eu acho bem simples até. E você? Como chama?
Estudei para compreender a mente das pessoas, não para lê-las. Sua mente fala através de suas emoções, isso é algo que também preciso compreender para que saiba como ajudá-lo de alguma forma. Terapeutas são pessoas comuns, nem amigos nem inimigos.
São poucas descrições para montá-lo na minha cabeça, tem como dizer outra coisa que eu possa usar? Como eram suas sobrancelhas? O formato do rosto?
Pessoas comuns que interpretam microexpressões e sabem o que as pessoas estão sentindo e se forem espertos o suficiente podem ligar uma coisa a outra podem descobrir o que elas estão pensando. Muito estranho.
Sei lá... com pelos? Não sei descrever essas coisas.
Quer parar? Se tem uma coisa com a qual eu não perdia meu tempo era com televisão. Stop. E eu não sei, não fiquei sabendo a vida sórdida de ninguém embora quisesse muito, quer contar a sua?
Humilde… Você é hétero? Assim, só perguntando por alto. Cem por cento e tudo mais? Não teve nenhum momento de dúvida na sua vida? Nunca quis experimentar?
Que tipo de pessoa não vê televisão? Até hoje só vi você e o cara hippie que tem um Nokia tijolo, vai dizer que tem um desses também?
Sim, hétero e fora do mercado.
Eu não tive muito contato com ela, mas é uma pena mesmo. Você não me disse o seu nome.
Aleksandr Yazov, mas pode me chamar de Alek.