Esses dias
Tem dias que o dia parece nunca existir. Tem dias que durmo de dia, acordo de noite sem saber se o dia eu vivi. Tem dias que me encontro sozinho, distante de tudo, perdido do mundo, isolado em meu sono. Tem dias que eu acordo pensando em te chamar, mas lembro de um dia você dizer que não queria mais, que eu não tinha porque tentar... Que dias são esses que não sei se o que faço é para o bem, mas muito bem não posso fazer? Bem que eu fizesse, não faria mais que um pouco do que tinha por fazer. Eu não faço mais nada a não ser perder a noção dos dias que passam e já não os tenho mais. Sozinho num espaço isolado do mundo, discurso sobre o tempo, teclo em segredo, tristes segredos de dias e dias e dias atrás... Se eu pegasse um avião, se eu pegasse um trem, uma carona até você? Minha bicicleta é um suvenir na sala de estar! Meus olhos não veem mais aquilo que eu sonhei um dia ter pra mim. Meus olhos só querem o dia perder, meus olhos só querem dormir. E se um dia tudo voltar a ser o que um dia nunca foi, porque nada é como eu penso que seja, pois tudo é aquilo que ninguém espera ser. E se um dia tudo sumir? E se um dia você então acordar pensando que dia poderia comigo estar? E se esse também ainda for um sonho seu, me desperta dessa tortura, dessa tolice que é os dias dessa forma passar... Eu pego o violão penso em uma canção, forjo ideias de mundos melhores, canto as angústias de um país decadente. Canto as mulheres de Atenas, lembro da minha mãe, penso no que escrever... É esse vazio que está aqui, que eu não sei da onde vem eu nem sei se um dia cheio eu já me senti. Nesse oco da alma lanço minhas palavras. Se elas um dia forem lidas que não sejam apenas um ruído perdido no tempo, espero que um astronauta as leia e delas escreva a história do passado desse planeta. Eu sei que o que eu deveria ser é aquilo que eu gostaria de ser, mas de fato não há nada que eu espere gostar, muito menos querer, mas ainda assim, quando acordo nesses dias sombrios, eu lembro de você, que um dia eu quis. Não existe samba, nem violão, nem Japão, nem coração, eu me perco pelas ruas da minha sala e caio no colchão. Adormecido sob meus delírios, como um grande inseto latino-americano, espero que a arte vagabunda de meus dias não sejam mais apenas um segredo. Eu sei o que sou!











