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@alltheboystotheyard
“new person, same old mistakes”
A vida mudou e ninguém recebeu o memo
...um pouco como as alterações de política de qualquer rede social da qual usufruímos de borla (or so we think) no smallest of small prints, que ninguém lê: - O silêncio e como pode ser interpretado; - A distância (física e não só) e como pode ser interpretada; - O sorriso na fotografia daquele post e como pode ser interpretado. Para cada uma destas coisas existem multi-versos de possíveis contextos, intenções, razões. Precisamos de novas regras de gramática, novas ferramentas de interpretação de texto, precisamos de um mapa. Parecemos crianças na forma como lemos, interpretamos e reagimos a tudo o que vemos no espelho negro que nos acompanha. Não sabemos ainda mas estamos todos exaustos da auto-censura que acompanha cada passo no pavimento que é a internet e como a utilizamos, na maneira como julgamos e tememos ser julgados, mesmo aqueles que parecem ter uma atitude irreverente estão bem cientes que têm uma audiência dedicada e fiel e que não pode ser desapontada. O like já não é um “like”, desdobrou-se em mais, já não é gostar, é uma míriade de outras coisas quaisquer que não conseguimos definir formalmente, mas no fundo sentimos o que é. Há uma bolsa de valores nova e o like é a moeda única. Eu reconheço o cansaço, e no entanto lá tenho de ir ao altar e fazer o post obrigatório para que o que faço não passe a yesterday’s news, e dar aqueles likes que geram engagement e fazem o algoritmo e todo o mecanismo mexer...mas mexer para onde? “Não há mapas, nem guias, nem estradas...” Só uma frase que passados 15 anos ainda faz sentido: “Nem tudo o que parece é”
foto - Leonor Fonseca
por Vera Marmelo Haus 2017
filipa marinho
leonor
A minha perfeita ilusão
A discriminação social exi…
A discriminação cultural exis…
A discriminação musical existe!
Sim é isso mesmo, existe, ou “ainda existe”, e eu na minha inocência pensava que passados dois anos de um #batequebate que veio “refrescar a pop nacional” já quase não havia espaço para tal pequenês de espírito, mas quem me manda ser optimista! Era tudo uma perfeita ilusão?
A realidade na música é simples, ou se é ultra alterna e se come pão com manteiga, ou se é completo vendido e se para no Bosque o tempo todo. Ou se toca por esse Portugal real fora para gente que preferia honestamente um tipo com um teclado a animar o bailarico, ou se esgotam Campos Pequenos. Ou se é artista ou se é artífice. Ou se é bom ou se é me…nos bom!
Na verdade é tudo a mesma coisa, quer banda de garagem que procura on-line pelo fuzz, reverb, ou Juno que a sua banda indie do momento usou no seu ultimo disco, quer o beat maker que procura o ultimo sample pack de 808 e Tropical House, ou aquele pluggin mesmo fixe que supostamente o Skrillex usa…
É tudo igual! Todos procuram ter aquele check list nos signos que o seu publico alvo espera e aprova.
Para uns o importante é o cred, para outros é o carro custom que se conduz.
Para mim são as canções, e para muitos deles também, e no final do dia sempre foram as canções que importaram. Não me importa o que é importante para cada um que vive algures entres estes polos opostos, pois cada um sabe de si e é livre para fazer, viver e ser o que quiser. Cada um sabe o quanto de si que dá ao que faz. Cada um sabe se é fraude ou “muito fora”.
Obrigado Lady Gaga, Mark Ronson, BloodPop (sim esse do “Sorry" do Biebs), Josh Homme e claro Kevin “Tame Impala” Parker por resumir o que aqui disse a 3 minutos e 4 segundos de “Pop Rock”.
🍌
🌕
2 lucky and blessed missfits (at Teatro Sao Luis)
📍 (at Aquel Lugar)
at Alta-Mente
Quando há tapetes com mais auto-estima que muita menina com ou "sem make up" e com noção que não precisa de validação por parte de ninguém. ✨🙏🏻❤️
coimbra (at Salao Brazil)
"Da Mouraria à Flórida"
A tarefa de “take the good with the bad” vai ficando difícil, ou na volta vai ficando bem mais fácil, e temo tornar-me conscientemente insensível. Soube do ocorrido em Orlando ontem à noite em plena confusão de Santos Populares na Graça, e senti-me imediatamente indisposto…já não é de agora que certo tipo de coisas me afectam como a poucos, e na maioria das vezes preferia que assim não fosse, a vida seria mais fácil certamente. Senti no entanto pressão, mesmo que auto inflingida, de não estragar o mood, desligando então essa parte de mim que ficou afectado com as notícias. Pelo menos tentei, mas só queria pegar no telefone e saber mais detalhes. Como estar vidrado no telefone é hábito que tento contrariar, lá o deixei no bolso (a custo) e tentei voltar ao que estava a acontecer entre o êxtase nas redes sociais pós Primavera Sound, e o que acontecia ali à minha frente, à música pimba misturada com “brasileirada” lá ao fundo, à gritaria, ao cheiro a cerveja entornada e churrasco, aos encontrões e à refeição condimentada a mostarda que me aguardava.
Enquanto me encontrava rodeado de um clima tão festivo, pensava no que aconteceria se ali acontecesse algo semelhante, afinal de contas seria tão fácil. Pensei mas repercussões que algo assim teria numa das celebrações mais descontraídas da cidade, e como nada seria o mesmo. Fariam revistas a pessoas antes de entrarem em zonas delimitadas de celebração dos santos? Enfim… Não me admira que mais tarde ou mais cedo tal aconteça.
Ao vir embora passei pela parte que me custa neste tipo de ajuntamento: a impossibilidade de andarmos 3 metros sem dar ou levar um encontrão, as pessoas embriagadas ao berros que param de repente e entornam algo pra cima de nós, gente a gritar, fumo de tabaco, fumo do grelhador, etc, no fundo algo tão característico e quase indissociável destas festas, em pouco diferente de um festival (por isso prefiro tocar em festivais ao invés de ir enquanto espectador). No meio do desvio dos tipos que se aliviavam à porta de alguém numa qualquer rua estreita, ou o ocasional vomito de tom rosa, cortesia da sangria ao jantar, dei por mim a reflectir no porquê de me sentir incomodado. Serei eu simplesmente careta, ou haverá de facto uma dose de violência neste tipo de contexto que me afecta? Depois lembrei-me que um dia antes num outro arraial típico da capital quase ia havendo confusão com uma bairrista que achava por bem varrer toda a gente ao encontrão no seu caminho, e que “cresceu pra mim” quando lhe pedi ao segundo encontrão dado por ela que tentasse ter cuidado e pedisse licença ao passar pelo menos. Foi complicado, mas tudo acabou bem! Lembrei-me também que no dia anterior quase me via envolvido num episódio de Road Rage com um condutor emigrado em Portugal que conduzia o seu velho Opel Corsa por ruas estreitas de sentido único na baixa Lisboeta, em modo “condução de feriado” a 15 klm hora enquanto conferenciava com o seu amigo, eu tinha bastante pressa, ao que dei aquela apitadela milimétrica em tom de “hey está tudo bem mas atenção cá atrás”. Não vou entrar em pormenores mas cheguei a engatar a marcha atrás e fechar os vidros. O tipo de hate-speech que saiu da boca do homem deixou-me mais uma vez indisposto, enquanto me chamava viado entre outros adjectivos de cariz homofóbico. “Estamos em 2016, como ainda é possível?” perguntava-me. Mas confesso, deu vontade de responder na mesma moeda apenas para ver como se sentiria. Se o tivesse insultado com tiradas tipicamente xenófobas como se sentiria? Mas um mal nunca justifica outro, e por mais pedagógicas que fossem as minhas intenções percebi que não teriam esse efeito, e questionei-me até que ponto sou assim tão diferente dele, e porque não dela, a outra da Mouraria.
Não sou… Pelo menos no que sinto, quanto muito posso ser no que faço depois com esses sentimentos, mas não consigo deixar de tentar traçar uma ponte a Orlando, à cantora norte americana assassinada há dias, aos casos de crimes sexuais recentes no Brasil, a casos mesmo aqui de pessoas bem próximas de mim de violência doméstica, ameaças de homens a mulheres, sexismo, hate speech por parte de “irmãos” meus cristãos em redes sociais. O que se passa convosco? O que se passa connosco? O que se passa comigo no meio de tudo isto? Como navegar estas águas?
No passado eu seria mais “preachy”, hoje fico apenas triste e partilho essa tristeza, esse peso, não porque pense que estamos pior que nunca, se olharmos para a história fica claro que há séculos ou milênios mesmo que somos assim, mas creio que temos o dever de estar um pouco melhor. Não quero entrar por escatologias nem ceder a um optimismo humanista, nada disso. Aqui só há tristeza. Ainda hoje creio que mesmo com as melhores intenções, mesmo sendo possível ter mão em parte substancial da mudança, a SALVAÇÃO (sim a caps) da humanidade é necessária, e é acima de tudo necessária de si mesma, portanto essa salvação não reside em na humanidade, tem de lhe ser exterior de alguma forma.
Mais compaixão, mais empatia, mais amor, amor que se revela na diferença, na discórdia, no outro, no que nos é exterior,e menos paixão, que é passageira, consumidora, fulminante e apenas quer o seu próprio interesse, no fundo o denominador comum em todos estes problemas, da Mouraria à Flórida. Uma paixão avassaladora por algo, ou por si mesmo.
Pensando ainda em Orlando, não sou imbecil o suficiente pra dizer algo como “As pessoas que perderam a vida eram acima de tudo pessoas, não interessa se eram da comunidade LGBT”, sei muito bem que essa condição é o catalisador desta tragédia, e que o combustível é o ódio traçado a ignorância, mas no meu íntimo vou pensá-lo, porque são de facto pessoas como eu, independente de tudo o que nos possa diferenciar. E é altura de acabarmos com esse discurso interior diferenciador, do “eles isto”, “eles aquilo”, com respeito e consideração pelo passado e tudo o que toda essa comunidade já teve de sofrer até aos dias de hoje e ainda sofre, mas igual é igual. Por isso na minha mente foram 50 PESSOAS com os mesmos direitos, deveres e valor intrínseco que faleceram de forma absolutamente violenta, trágica e estúpida. É assim que os vou lembrar. Queria ter uma imagem para colocar aqui mas não me ocorre nada senão negro, mas não vou meter um rectângulo negro, não vou meter sequer o rainbow LGBTQ - somos todos iguais.
“Do not waste time bothering whether you “love” your neighbor; act as if you did. As soon as we do this we find one of the great secrets. When you are behaving as if you loved someone you will presently come to love him. C.S. Lewis”