“Tem que estar mesmo, não é todo dia que eu decido ser legal com alguém. Claro que preciso! Eu sou, tipo, a sua madrinha de Acampamento! Eu te batizei, garoto, me respeita. Eu não sou grossa, para. Sério? Ah, claro, é como dizer para mim que eu tenho que tentar arrumar meus olhos… Faz sentido. Foda-se, tenta lembrar ai.” Brincou, um sorriso brincando em seus lábios. Entendia totalmente o que ele havia dito, mas, ainda assim, continuaria provocando-o, apenas porque decidiu que gostava do garoto. “É claro que consegue sobreviver com uns semideuses meio merda, meio pombo. Eles não são tão foda quanto dizem ser, acredite em mim. Os semideuses de uns bons anos atrás eram mil vezes mais corajosos e fodas do que esse bando de merdinha. O que você quer dizer com mortes criativas? Não, não, esquece, não me conta. Todos querem, de uma maneira ou outra, que eu vá me foder, amorzinho, mas mais fodida é impossível. Eu adoro o detalhe da galinha e jamais vou esquecer. Assim como não vou esquecer da sua cara de assustado. Ei, ei, ei! Não fala assim da minha casa, garotinho, eu não faço parte dos setenta por cento que teriam dó de te dar uma surra só porque saiu da enfermaria, ‘kay? Mas, falando sério, você só estava no lugar errado do Mundo Inferior. Aliás, o que você fazia lá mesmo? Você tem 17, não é idade nem pra sair de casa. A menina de olho preto é linda e parece uma deusa, queridinho, essa sempre será a melhor parte da sua vida, ter me encontrado e tal.” Jogou o cabelo, fingindo se gabar enquanto pegava uma bebida. Tomou alguns goles da mesma e estendeu para ele, perguntando silenciosamente se aceitava uma. Ele merecia, afinal. “E eu vou te chamar de que além de galinha, galinha? Jackson é um nome bonito. É Jackson do que mesmo? O meu é Charlotte Reid Hopkirk, mas não é sobrenome de família nem nada, eu só roubei os nomes de uns mortos legais que tinha no Mundo Inferior. Seria estranho meu nome ser só Charlotte, sabe? Enfim. Feito uma gazela, sim. E se você me matar, garotinho, eu volto apenas para te assombrar. Já imaginou ser assombrado por um demônio lindíssimo como eu? Seria meu sonho?”
“Falando assim até parece que você é a emo gótica que odeia pessoas, né? Ah, me poupa. A minha madrinha de Acampamento? Isso por acaso existe? Você não me batizou, Lottie, você me achou e me levou até a enfermaria, foi algo bem simples. But, yeah, fine, fuck it. Se você se acha no direito de ser a minha madrinha, pode se achar no direito de dar ótimos presentes também, eu não vou ligar não. Não é grossa às vezes, você quis dizer.” Corrigiu a garota. Concordou com o que ela disse em seguida, assentindo. “Ou então dizer que seus olhos são seu charme e você deveria achá-los lindos. Ainda bem que eu nunca disse isso pra você. E, ainda assim, você disse uma das frases idiotas pra mim, então parece que me deve uma.” Retrucou, aproveitando-se da situação Retribuiu o sorriso dela, empurrando-a de leve com o ombro. “Claro que não são, eu me decepcionei bastante com a maioria das pessoas daqui. O pessoal só sabe reclamar e odiar os pais, ou odiar todos os deuses sem qualquer motivo bom. Ainda reclamam do Acampamento, tipo, vai se foder. É um lugar seguro, sem porra de monstro nenhum. Quero ver como esse pessoal sobreviveria a vida toda só ouvindo falar desse lugar e fugindo constantemente. Imbecis. Você não quer saber? Ah, que pena! Mas digamos que um semideus sem nenhum tipo de treinamento precisa ser criativo pra sobreviver, né? Pois é.” Franziu as sobrancelhas ao ouvi-la falar do Mundo Inferior. Fora horrível para ele, os piores meses de toda a sua vida, por isso não conseguia colocar na cabeça que aquele lugar poderia ser bom. Que aquele lugar continha os Campos Elísios, por exemplo. “Eu estava no lugar errado? Bota errado nisso, seriously. Eu te contei, né? Quase na boca do Tártaro. Foi lá que eu desenvolvi a minha tese de que certamente não sou filho de Hades, caso contrário eu ia ter mandado naquela porra toda. Putz, longa história. Tão longa que eu vou ficar até sem fôlego se for contar. E olha que o meu fôlego é muito bom. Whatever you say, big girl.” Respondeu, balançando a cabeça e soltando uma risada. Ponderou sobre a oferta, decidindo por aceitar o copo da garota e tomar um gole. A careta foi inevitável, mas logo se acostumaria com o gosto. “Jack, ué. Todo mundo me chama assim, você devia ser igual pelo menos nesse quesito. É foda escutar um ‘galinha’ e ter que responder. Que os deuses me livrem, meus sonhos já são ruins o suficiente. Nah, eu entendo isso dos nomes. Eu vivi só como Jackson quase a vida toda, daí um tempo atrás eu peguei emprestado o sobrenome de uma amiga e ficou Jackson Baudelaire. Combinou bem, né? Eu também curti.”