Se a situação não fosse completamente estressante, além de horrenda, Sorem teria rido daquele jeitinho de Alyssa, como sempre acontecia. Todavia, naquele momento, não tinha como esboçar nenhuma outra reação, além de toda a sua preocupação. — É… Aquele fantoche sinistro era um cadáver. E tinha uma mensagem junto… Sobre supremacia bruxa, purismo, essas baboseiras todas. — Sorem mesmo não tivera acesso, mas prestara bastante atenção nas conversas sussurradas entre os aurores presentes. — Ou seja… Temos dois ataques agora, ambos direcionados a nascidos trouxas, basicamente. — Sorem não divagaria sobre aquele tipo de coisa com mais ninguém no mundo, fora do âmbito profissional, mas não tinha nada sobre ele que Alyssa não soubesse e, justo aquilo, ele não podia esconder. — Brincadeira é pichar muros, fazer piadinhas no corredor da escola. Isso é terrorismo. — Concluiu, claramente preocupado com a proporção que as coisas estavam tomando. — Desde aquela vez, no Morgana’s Kingdom… Eu sabia que ia acontecer de novo. E aqui estamos… — Suspirou exasperado, correndo os dedos pelos cabelos antes de tornar a fitá-la. — Eu não quero você andando sozinha por aí. Evite, o máximo possível. Me chama! Eu vou com você em qualquer lugar. — Disse, agitado. — Não sabemos quem está pro trás disso ainda, então… Até segunda ordem, todo mundo é suspeito e você precisa tomar cuidado, Bang. Eu vou cuidar de você, claro, mas… Eu preciso que você seja muito cuidadosa agora. Promete pra mim.
Alyssa balançou a cabeça algumas vezes, consternada com a ideia de um cadáver andando por aí controlado por cordas e pela primeira vez, suas chamadas paranoias ou divagações finalmente estavam certas. Conseguia ver nas expressões normalmente pacíficas de Sorem verdadeiro medo, hesitação e aquela ideia a assustavam bastante, não podia negar. Depois de tudo que tinham vivido e visto, apenas algo realmente perturbador podia deixá-lo naquele estado, imagina ela então! -- Puristas de merda... Se eu pudesse eu... eu... -- respirou fundo e procurou algum objeto para ocupar as mãos e tentar aliviar a ansiedade -- Eu... Eu faria coisas muito ruins com eles, não consigo pensar em nenhuma agora, mas... Certamente ruins, é isso. -- os lábios separaram-se levemente enquanto prestava atenção nos movimentos agitados do amigo. Aquilo devia ser algo realmente muito bizarro para tirá-lo de seus eixos como acontecia agora. Bang em si, assustava-se, mas mais pelo estado dele que pela situação em si, apesar de verdadeiramente detestar aqueles puristas e seus ideais racistas, era difícil ter uma verdadeira proporção de quão ruins as coisas eram, afinal, ninguém tinha se machucado até o momento. A resposta que saiu de seus lábios era decidida e sem qualquer hesitação. -- Não. Absolutamente não, Sorem. -- falou endireitando sua posição e deixando a lente da câmera que brincava de lado para aproximar-se do amigo com passos duros. -- Você tá deixando isso te afetar demais, eu fico muito feliz que você se preocupe assim comigo, mas isso é simplesmente sem sentido, Norman! Eu não vou atrapalhar a sua vida pra você andar comigo como se eu fosse a Rachel Marron! Você tem coisas pra fazer assim como eu tenho as minhas, você vai comigo em toda entrega que eu precisar fazer? Eu preciso ganhar dinheiro e não, nem pensa em tentar me oferecer nada. Se alguma coisa vai acontecer, vai acontecer independente de eu estar sendo vigiada pelo meu irmãozinho ou não. Você vai ficar aqui comigo toda hora que não tiver nenhum cliente e eu estiver sozinha? Vai dormir comigo porque a trava dos fundos nunca fecha direito? -- pousou as mãos em seus ombros e o encarou bem no fundo de seus olhos, a voz suavizando-se aos poucos. -- Eu vou ser cuidadosa, bro... Eu prometo, mas você tem que confiar em mim, eu sou um cookie muito duro de morder, viu? Não somos mais crianças, coisas ruins podem acontecer o tempo todo, só relaxa, okay? Que tal me ensinar uns feitiços maneiros? Melhor, não é?