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reencontrei-me natureza
ela tomou conta de si

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no meu abandono
reencontrei-me natureza
ela tomou conta de si
oh amigue,
ela transborda por toda a parte
ela expande-se entre as chuvas e o sol
ela mingua e volta a crescer.
ela “cresce mais à sombra”
porque a distância até à luz é maior..
ou porque da diversidade
entre brava e mansa
é tutti!
sem esquecer as raízes!
ela é ele!
porque ele também é ela.
ela és tu! you!
toi mon amie!
ela brota pelas ranhuras
e pelos locais de encontro..
ela encontra-se onde se esconde
e ela esconde-se para se encontrar.
ela é linda,
“sabe viver” e “morrer”.
é nóis!?
se estamos longe dela
é porque estamos longe de nós.
imagine-se várias flores em botão
a acumular,
a acumular…
depois vem outra,
atrasada,
leviana…
e bloom!
abrindo a porta
também às outras!
ou então foi do sol de outono,
a seguir às primeiras chuvas.
Adão, criatura andrógena
mitológica ou personagem de um conto,
como os 3 porquinhos
ou a bela adormecida,
sentia-se só!
Adão, sentia-se só! - repito
Eros concordava! - queria nascer, pois claro.
então, no Olimpo dos Deuses,
[ em Deus,
the genie in a bottle
da caverna interior de uns tantos ]
foi decidida e feita a divisão:
ele dela
direita da esquerda
Este
Sul
Oeste
Norte
yang do yin
a fêmea do macho…
percepções
e nomenclaturas
para o que a Natureza inventa
para continuar viva!
por vezes, convenientes e úteis
para que nos enxerguemos
e complementemos!
é então que surge:
“eu força caçar
tu mamas cuidar”
ora bem, no paleolítico talvez fosse assim?!?
só que entretanto
inventou-se a televisão
e a minha geração aprendeu com o San Goku
a fazer “fuuuuusão”.
agora..
feminino e masculino
podem apaziguar-se e equilibrar-se
dentro de cada um de nós!
Amén
antes fosse
… assim tão fácil
e não houvesse a sombra
antes as guerras interiores
não se projectassem no exterior.
a paz requer trabalho!
na interdependência do interior
com o exterior.
e paciência!
- cadê?
- com calma.
hoje sabe-se que é uma questão de prática
ou escolha estética
trabalhar os músculos
ou os dotes de cozinha!
e que é possível gostar de alguém
independentemente
da sua cor
do seu sexo
ou da sua pelugem.
há que se fazer o favor
de se meter cada um na sua vida
e averiguar nas entranhas,
a sós ou acompanhado,
que verdade reside em si!
gosta da verdade do outro?
bem bom, desfrute!
não gosta, ponha na roda do prato!
não estrague.
acho importante escarafunchar crenças.
isto vem de onde?
o plural é masculino?
porquê? se a Terra é feminino!?
se há mais mulheres que homens!?
Deus é um Senhor?
porquê? se o universo parece um útero
e a Terra um óvulo fecundado!?
não será antes uma entidade não-binária?
- Keter?
- mas Deus não está môrte?
- então o que é esta coisa a que se chama vida?
que milagre é este no meio do cosmos?
livre arbítrio!
causa e efeito.
fisico-quimica
física quântica
dmt
o segredo e a lei da atração…
não desprezemos a torto e a direito
uma ciência que à partida desconhecemos!
eu vivo a minha verdade,
melhor ou pior,
depende dos dias.
que viva cada um a sua!!
o resto é sombra de árvores alheias!
ouvi dizer que a Natureza é ditadora…
ri-me!
repare-se, por exemplo, numa bela planta,
pega-se-lhe,
coloca-se num vaso e
dá-se-lhe as condições erradas
à sua sobrevivência.
que resultado se espera?
que ela viva feliz?
afinal quem é o ditador?
o ignorante!
sem ofensa!
é o que desconhece as necessidades de algo
e que,
no entanto,
tem poder
aparentemente absoluto
sobre esse algo.
pois… eu também já deixei morrer plantas
por isso gosto mais delas na selva
selvagens
livres do meu descuido!
- então e as flores de estufa?
é acabar com elas?
- eu há plantas que não sei bem cuidar
mas há quem saiba!
e goste!
genuinamente!
e haja boa vontade para aprender.
domínio não é controlo indiscriminado
é a arte de conhecer plenamente algo
em si ou fora de si,
e saber relacionar-se
profundamente
com isso sem usar a força bruta!
é outra força!!!
- e as daninhas?
- essas são o verde esperança!
sem essas já fomos.
perdoem-me,
se vos pareço
ter a Verdade na barriga,
não tenho.
é só paixão de quem quer vida.
também ainda cometo o erro do hábito,
de obedecer à gramática
nas questões de género.
perdão a tods!
a minha fluidez não respeita o quadriculado
e meu stacato é curvilíneo.
[ de joelhos em frente a um globo
e com as palmas das mãos juntas
em frente à cara,
lamuriando-se ]
espero
que não se confunda a caverna de Plutão
com a caverna de Platão!
apesar dos desafios,
dos desencontros,
dos enredos impertinentes do medo,
dos abusos,
das birras do ego..
é a transformação que se pretende, meu Deus!
(falo por mim aqui)
já me rendi às evidências…
para que haja evolução
(não se confunda com progresso)
é preciso morrer
(não se confunda com homicídio ou genocídio).
para que haja maturação,
algo em mim precisa morrer!!!!
o quê?
o que é que está em decadência em mim?
que cadência lenta é esta?
o que preciso largar?
para que haja entusiasmo no futuro!?
[ menos lamento,
punhos serrados e indicadores hirtos ]
não se confunda os turistas
com os viajantes
na viagem interior!
- isto é uma oração ou um sermão?
- ambos.
[ mãos soltas e expressivas ]
atravessa comigo as dores
e as emoções profundas da alma..
sim!
e conversa comigo!
ajuda-me a interpretá-las!
e seus símbolos.
[ como se tocasse violino ]
mesmo que demore…
- assim mais vale hibernar como os ursos!?
- exacto.
para que se encontre na sua sabedoria
cura.
de excessos
à esquerda
ou à direita
do vai acima
e do vai abaixo
do.. quero lá saber!
e que se leve o barco
a bom porto.
claramente!
numa ode à expressão.
em modo ode.
ou numa ode à própria ode.
quem me dera a mim
que as poeiras do meu deserto
adubassem o solo de algum jardim.
levando, qui ça, uma pomba branca
aos sonhos dos desesperados por poder.
derretendo a neve e sarando as feridas
de seus peitos.
é no presente que se vive
o vôo com graça
ou o prazer da dança..
quer seja na corda bamba
ou no deslizar pelo chão polido.
polido graças ao suor do passado.
pois é na matéria que o passado é palpável.
e são as escolhas de hoje
que tornam o futuro inevitável.
é a vontade ou a falta dela?
poderá a partilha evitar pragas?
não sei.
só sei que já dei fruto graças ao polen alheio.
e os figos são para quem passa!
em último caso devora-os o tempo.
com seus cavaleiros do apocalipse!?
os bichos e os fungos pouco apelativos
que habitam a terra!
não é só por pensar,
também existo porque sinto!
não será na partilha
que está o equilíbrio?
sentir.
não terei o bastante?
sentir.
o qb?
o quanto baste?
sinto?
saberei sentir verdade?
posso estar enganada
e a verdade ser um grande nada.
um nada saciando-se com nada.
até voltar a fome!
que seja.
então nesta abundância de nada..
que nada se partilhe,
neste nada partilhado.
foi um dia feliz!
o do sonho!
o do que comanda!
o do que é uma constante da vida!
- qual era o sonho do corcunda de Notre Dame?
- o sonho de fazer os deveres,
como deve Ser!?
- pergunta para “queijinho”:
para que haja futuro,
o sonho deve Ser…
económicamente literado?
ecológicamente equilibrado?
ergonómicamente instaurado?
ou
espiritualmente invocado?
- eh!?!
- tutti-fruti?
ou jasmim?
- eh!?
pode ser mistura?
- utópico ou distópico?
um desenho?
um esquema?
uma colagem?
poético?
ou prosaico?
dramaturgico!!!????!?!?!?
pós-dramático!
o após o drama?
o lírico!?
ou a viagem?
a romaria até essa espécie de paz!
a viagem.
a viagem.
- a viagem.
“este comboio pára em todas as estações e apiadeiros”
eh!?
tens a certeza?
eh.. mas..
e o caos?
não sei se estou preparada.
e se dói?
- calma.. respira.
- AMOR!!!!!!
vem comigo, por favor!
tenho medo.
- sobe.. com calma!
atravessamos!
não precisas de sair!
- VAMOS OU NÃO VAMOS cuaralho?
- eh!?
inspiramo-nos no José? na Maria? na Sara?
no Marco? no Artur? no Tiago? na Joana?
na Federica? na Filipa?
na Teresa? na Ana? no Joaquim? no João?
no Carneiro? o Sā!?
no Coelho? no golfinho? nas baleias? no Vitor?
no Francisco? no Pedro? no Miguel? no Tom?
de voz? nos casacos? na Patrícia? na Cristina?
na Carolina? na Catarina?
na cafeína? na nicotina? na cocaína?
na ketamina? na heroína? no Mário? e o THC?
no Viriato? ou em Viriato?
no Talismã? o Jacarandá!?
no Haohua?!…
- respira
- *estranhamo-nos da vontade
procuramos a noite
construímos a cabana
deixamo-nos derreter
aprendemos a linguagem do silêncio
…*
e “elogiamos os músculos”
da memória!
para re-lembrar do sonho
- a ilusão?
- as ganas de vida!
dispares nas estações!
convictas!
apesar de tudo!?
ainda se respira?
preparar a claque!
o equipamento,
os pompons!
e rumar à floresta
navegar navegar
para um jogo de toma lá dá cá
onde todos ganham!
foi feliz,
o equinócio!
o que seria se os ventos,
os pássaros,
os polinizadores,
os sons,
as ondas…
necessitassem
de passaporte
para cruzar as barreiras
da nossa imaginação?
caríssimo,
teríamos de mandar subir os muros!
escuríssimo,
entre as sombras de tantos muros!
demoradíssimo,
para nos enclausurarmos.
chatíssimo,
o vacuo.. amor?
ai conseguiria?
ai será feliz sem nós?
AI!?
quem sabe se este universo
não vive numa gaveta escura
de um gigante?
observo a parte de mim
que despreza todo o tipo de idolatria.
observo também a parte de mim
que se fascina por um outro,
que se desloca no tempo e no espaço
para ver algo
de mais ou menos divino
num outro.
ou algo de mais ou menos profano!
observo a parte de mim
que já se magoou
com a queda de pedestais.
observo a parte de mim
que já caiu do pedestal.
observo a parte de mim
que já se levantou das quedas.
observo a parte de mim
que gosta de ter o pé bem assente no chão.
observo a parte de mim
que gosta de andar nas nuvens.
observo a parte de mim
que tem pavor ao pedestal.
observo a parte de mim
que coleciona musas.
observo a parte de mim
que incha.
observo a parte de mim
que mingua.
observo a parte de mim
que é selectiva no que vê.
observo a parte de mim
que é selectiva no que mostra.
observo a parte de mim
que foi restringida
e a que foi censurada.
observo a parte de mim
que observa!
observo o outro.
observo-me.
observo.
observo,
como quem diz,
contemplo.
with[in]-a-temple!
namaste
inútil
é pedir a uma andorinha para enraizar,
ou a uma flor para voar!
hm.. será?
ou será que foi assim
que Deus criou a borboleta?
butterfly? mariposa? farfalia?
papillon? schmetterling?
partida lagarta fugida
copy / paste / edit
semente / semente / ovo
raizes / raizes / patinhas
tronco / tronco / corpo
crescer / crescer / crescer!
botão / botão / casulo
florescer / florescer / abrir as asas
… e v o ar!
e as andorinhas?
não me parece
que quem aprenda a voar
queira voltar a enraizar!?
oO
a seu tempo
o desabrochar,
a seus ciclos
a vida.
e a morte.
e a vida.
fala-se de saltos de fé,
não se fala de empurrões de fé.
fala-se do impulso da fé
no salto.
é o requisito.
o salto da carpa
não é para um abismo
é para a oitava acima do rio!
eu falei de saltos altos,
e em descalçar sapatos.
na minha fé,
descalcei os meus.
para viver
com
confortável
mente!
desta rendição,
a esperança,
uma espera
que dança…
uma panóplia de ritmos.
dou louvores à criatividade
como um louva-a-deus!
esse talento intrínseco à natureza.
essa fórmula de interligar corpo e alma!
a expressão,
requisito essencial,
à inspiração!
como quem,
necessáriamente,
expira
o que inspira!
o ar
e as suas movimentações.
das brisas suaves,
aos ventos
e às tempestades
da mente!
as expectativas de tornados
ascendentes
e os meros voos
do solidificado,
dançando melodias.
várias.
toques profundos
como efeito
da restrição
na matéria.
com uma audácia subtil.
também canto,
a ver
se meu mal espanto!
tenho dores fechadas em caixinhas
contra mim, contra ti, contra lá
contra os dias que passam a meu lado
hei…
tá quieta!
larga,
não tens nada a ver com isso!
MÃE
a Pandora anda a mexer nas minhas coisas!
a esperança não te basta?
queres trocar?
como assim dissolver?
no teu ombro?