A janela do quarto aberta, estou deitada na cama te observando afinar o violão. Observo cada detalhe das suas costas e penso que vou guardar essa cena pra sempre em mim. Você não me pertence, pessoas não pertencem à ninguém, mas os momentos que temos com elas, sim. E só cabe à mim decidir se torturar com as memórias mais tarde, ou aproveitar e ser feliz por ter vivido o que vivi. E enquanto escrevo esse texto, sinto a mesma sensação de paz que senti abraçada contigo na sua cama. Porque eu sei que não é preciso me apaixonar pra me sentir apaixonada. Pra guardar aquilo pra sempre. Pra guardar os beijos na minha testa que você me deu, pra lembrar de como você disse que eu trago a sensação de paz. De como eu ainda sinto seus braços envolvendo o meu corpo. Tem coisas como essas que a gente não esquece. Tem pessoas como você, que a gente faz questão de lembrar, tem momentos como esses que a gente quer reviver, mas tem medo de não ser tão especial quanto a primeira vez. São coisas assim, que nós preenche a alma. Lota o coração de amor, sem precisar amar de verdade. É apenas amar a vida, é entender que o desapego é desnecessário, o apego a vida é essencial a momentos quanto esses. É se amar e deixar grandes coisas acontecerem sem ter medo. Porque o medo inibe os momentos, as grandes decisões, as maiores aventuras que a vida tem a proporcionar à você. Porque ter você comigo, só mostra que tudo se encaixa. O quanto aquela paranóia de que "ele não vai me ligar amanhã" ou "ele só quer transar comigo" me tirariam momentos como esse. A gente cresce e entende que a vida é bem mais que o medo e o desapego. É no apego que eu me desapego dos medos, das paranóias, das frustrações e nas incertezas dá vida.












