No matter how far we go || Beaurovitch
{Flash foward}
Kellan não cabia em si de tanta emoção. Era estranho se ver assim, tão diferente do que era, mas a mudança só o fazia ver a vida de uma maneira diferente. Mais cálida, mais calma, mais fácil de ser vivida. Estava tão acostumado em ficar alerta, ter de olhar para trás a cada pouco metros e conferir que não estava sendo seguido, que parecia estranho virar o pescoço para trás quando andava com a esposa na rua. Esposa. Seus olhos desceram para o corpo ao seu lado. Angelique respirava tranquilamente. Deitada sobre seu peito e a barriga proeminente apoiando-se em seu quadril, a mulher parecia uma visão do paraíso. Kellan cuidadosamente tirou uma mecha do cabelo que caía em seu rosto aproveitando para sentir o toque macio da pele sob seus dedos.
Mais estranho era se sentir tão forte e vulnerável ao mesmo tempo. Não tinha dúvidas quanto a força e a capacidade da esposa se defender sozinhas, mas saber que ela podia ser machucada no processo era pior do que as torturas na Rússia. Kellan roçou os lábios nos cabelos macios, sofrendo em antecipação por uma perda que ele lutaria até o fim em não acontecer. Engoliu em seco, temendo que o tremor rápido de seu corpo não tenha a acordado, nem a brisa que vinha da janela aberta por mágica. O homem puxou o lençol fino para cima dos dois, tomando cuidado para cobrir ambos, e se aconchegou mais ao corpo de Angelique. O calor, a sensação, o rosto tão perto do seu trazendo-lhe paz e, ao mesmo tempo, a certeza de que não ia conseguir cair no sono mais uma vez enquanto ela estivesse assim tão linda.
Angelique não lembrava de estar tão feliz em toda a vida, e nem tão em paz. Paz era uma palavra que ela não costumava usar comumente, não com a vida que ela levava, não quando sempre tinha coisas para perturbar sua mente, e principalmente, não quando ela se culpava em seus piores dias. Paz era uma coisa que a morena raramente tinha com os outros, e menos ainda consigo mesma. Tudo começara a mudar quando passou em seu último ano letivo para Hogwarts. O castelo a mudara, e principalmente as pessoas a mudaram; Uma, em especial, que Angie nunca pensara ser tão igual e tão oposta, alguém que possuía quase suas mesmas cicatrizes, e que agora deitava ao seu lado na cama, e era a quem chamava de marido. Era estranho imaginar que ela estava casada, as vezes, quando fazia alguma coisa, simplesmente olhava para o nada e sorria pensando em Kellan, e direcionava seu olhar para o lindo anel que jazia em seu dedo anelar esquerdo. No dia do seu casamento, depois de falar seus votos, ela dissera no ouvido de Kellan que parte do que ela via no espelho de Ojsed havia se realizado. E isso já a deixava imensamente feliz.
A segunda, ela pensou, já estava por vir. Inconscientemente, levou a mão à sua barriga ligeiramente maior que descansava no quadril de Kellan. A morena acordara assim que o marido teve um tremor, uma vez que seu sono era levíssimo, ossos de seu antigo ofício. No entanto, ela ficara quieta, de olhos fechados, "preguiçando" e pensando no quão sua vida havia se transformado numa maravilha sem que ela ao menos merecesse. Quando finalmente decidiu que precisava vê-lo, assim que Kellan se aconchegou mais perto dela, Angie levou a mão que antes estava em sua barriga para o peito do homem, levantando o rosto e sorrindo para ele ao olhá-lo nos olhos, com a cabeça descansando em seu peito. -Kaliméra falou com uma voz suspirante. Essa era uma das poucas palavras que falava em grego constantemente, isso quando não estava com raiva, que começava a gritar em todas as línguas que conhecia. Se colocou um pouco mais perto dele e levou sua mão do peito até o pescoço do marido.













