(15/03)
‘ I fucking love you.’ — Elena Piotrovitch sussurrou ao encontro do ouvido alheio num tom suave, embora houvesse certa lascividade tanto nas palavras quanto no mover do próprio corpo. Engatinhava sobre Kellan enquanto se aproximava, ambos parcialmente desnudos senão pela roupa íntima. Abriu um pequeno sorriso, depois mordiscou levemente a ponta da orelha dele, descendo beijos espaçados pelo maxilar e pelo pescoço. Afastando-se centímetros para encará-lo, perdeu-se nos olhos verdes por segundos, o rosto irradiando felicidade involuntariamente. ‘ Happy Birthday, Kellan. ’ — Disse baixo, antes de inclinar para frente e tomar os lábios dele nos seus.
[…]
Kimberly em Hogwarts era uma novidade dolorosa, coisa que certamente demoraria a se acostumar. A pequena possuía aura expansiva e um fascinante desejo de aprendizado, este provavelmente herdado da própria Elena, que vinha acompanhado a uma série de perguntas sobre a origem de toda e qualquer coisa e pela constante necessidade de expressar a própria opinião. Resumidamente, tinha criado uma tagarela. Mas jamais havia notado o quanto gostava daquela faceta da filha até perceber o silêncio advindo de sua ausência.
Havia lado positivo também, era verdade. Kim finalmente receberia introdução aos estudos mágicos, algo que evitaria mais problemas como a vez na qual transformara suas orelhas em versões peludas semelhantes as de um husky siberiano – sinais da metamorfomagia de Kellan – na frente dos coleguinhas do ensino fundamental; ou a que acidentalmente ateara fogo ao vestido formal que não queria usar, alegando ser demasiado infantil. Finalmente faria amigos bruxos, descobriria disciplinas interessantes e poderia por em prática os fundamentos de Quadribol tão entusiasmadamente ensinados pelo pai. Animada, Elena então pegou-se sorrindo no trajeto de volta da escola primária de Hector para casa.
Por falar no mais novo, agora teria mais tempo livre para mimá-lo. E não só pela falta de Kim, mas principalmente após a promoção que ganhara meses antes, que a elevava de magizoóloga geral para o tão ansiado cargo como especialista em dragões numa grande clínica da Itália bruxa. É claro que teria viagens aqui e ali, mas a maioria do trabalho seria feito direto de casa. Pesquisa. Formas de conservação da espécie. Objeto de estudo que por décadas havia admirado profundamente, ainda mais após conhecer o marido. Não era segredo que via Kellan como a personificação do patrono: intenso e fascinante; Volátil. Dono de um coração singelo e puro, ainda que danificado, embora o exterior pudesse insinuar perigo. Elena sempre sentira-se extremamente atraída por aquele estigma.
[…]
‘ I’ve got you something.’ — Mordeu o próprio lábio inferior ao passo que ia moldando na face um meio sorriso. A mão foi até a cômoda ao lado da cama e tateou a superfície até encontrar a varinha, com a qual Elena conjurou um accio. Segundos depois, um pacote de tamanho médio, como uma caixa de sapatos, veio flutuando até o casal, atraído pela ponta da madeira. O pegou no ar e pôs com cuidado sobre o peito de @kellan-piotrovitch, vez que ela própria tinha cada uma das pernas dispostas aos lados do marido e estava intencionalmente sentada num ponto relativamente sensível do corpo masculino. A caixa tremeu um pouco, tal qual estivesse viva. Olhando mais de perto, era possível notar pequenos microfuros que permitiam a entrada de ar. ‘ I think i need to prepare you before you open it… ’ — uma risadinha escapou, excitada e cheia de expectativa. ‘ It doesn’t have a name yet, so you can give it as you wish. It’s a she, by the way. I bought her a week ago at my last trip to Romenia.’ — Os dedos acariciaram o pacote com carinho, então voltou a atenção para Kellan. ‘ It’s a dragon. A little one, actually. It’s normally used in events or competitions, more like a model miniature… Doesn’t grow several inches like real ones, usually fits in the palm of the hand.’ — A mão livre buscou a de Kellan e a virou para cima, deixando a palma à mostra. Com a outra, largou a caixa e passeou lentamente os dígitos por suas linhas da vida. ‘ But some can pet them. And i happen to have a warrant.’ — Como magizoóloga, certas regalias lhe eram concedidas. E, afinal, quem melhor para ter a posse de um mini dragão do que alguém que trabalhava com eles? ‘ But the best part is the species.’ — Parou o movimento com os dedos, apenas para enlaçá-los nos dele. ‘ It’s the same as your patronus. So, metaphorically, It’s a living happy thought for you to carry arround.’ — Esperava que ele gostasse. Não daria tanto trabalho para criar e talvez, caso fosse educado para tanto, até pudesse ajudá-lo nas missões como Auror. ‘Go on, open it!’ — Sussurrou, deixando que o sorriso crescesse. Os dedos batucaram o papel de presente da caixa uma última vez, tendo um pequeno reboliço como resposta.
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Ultrennyaya) e a outra da tarde (Zorya Vechernyaya) Engraçado como acordar era uma atividade tão simples, naturalmente feita por qualquer um, e simbolizava uma evolução digna de nota para o auror. Cada abrir de olhos era uma aventura, uma ameaça de morte, uma desconfiança tão grande que o já colocava em alerta, olhos arregalados e respiração acelerada, pronta para o perigo. Era nesses momentos que se sentia mais vulnerável, porque, para acordar, significava que tinha caído no sono e isso não era nada bom. Nada bom. O empurrar das mãos para se colocar sentado e a mão pesada no rosto o empurrando para baixo, enfiando nos travesseiros. Anos e anos de uma realidade diferente, que permanecia à superfície mesmo nos tempos de Durmstrang, de Hogwarts. Perseguindo como um comensal da morte sob as ordens do mestre.
Uma hora, no entanto, começa a mudar. De maneira imperceptível. Lenta. Mas evidente. Progressiva. Porque tinha algo mais para se segurar na cama. Uma parte quente, a sensação da pela, a forma como encaixava. De perturbador passou para desconfiado, e tal sentimento desfez na água em algo mais doce com a expectativa. A certeza de que abriria os olhos para algo bom, algo que conhecia e a surpresa vinha antes mesmo de se tornar ciente do próprio corpo. Talvez com o toque no peito, a respiração acariciando a lateral do pescoço, ou o peso súbito na barriga carregado da risada de dois. Dois. Dois pequenos, e não tão leves, seres que chamava. Ou melhor, considerava, exclamava, orgulhava, vangloriava de chamar de filhos.
Aquela manhã não tinha sido diferente, porque Elena. Sim, Elena, ela mais do que a própria definição de amor em sua vida. Estava quente e suave na mão que mantinha embaixo de seu corpo. Pena que estava longe demais para arrastar de volta aos braços, vencê-la na cama com o próprio o peso e beijar-lhe o espaço entre os ombros, murmurando rouco para ficarem mais 10 minutos na cama. --- ‘morning to you too. --- E por aquele momento, a atenção despertou com uma inclinação mais específica, uma que coincidia com o ângulo -- escondido sob Elena -- da única peça de roupa que usava (em razão dos filhos e a imprevisibilidade de surgirem no quarto em qualquer hora do dia). Kellan franziu o cenho e ficou confuso com o feitiço.
Assim que a caixa pousou no peito, o movimento trazendo aquele pouquinho de desconfiança de volta, Kellan soube que era algo à mais. O sorriso alastrando pelo rosto, seguindo aquela preparação toda, quando ele sabia exatamente do que estava falando. O cheiro de enxofre era difícil de disfarçar, o queimado de material carbonizado harmonizando perfeitamente com as memórias que inundavam sua mente. Das aulas e do livros, o próprio patrono brotando na varinha e de tão forte, tão real, que os sinais de que estava vivo podiam ser sentidos na presença fantasmagórica. Como se as chamas esbranquiçadas lambessem o rosto desprotegido com o calor de um vento úmido, carregado daqueles elementos insubstituíveis. Kellan deixava as mãos percorrerem do joelho à cintura de Elena, assentindo como um bom garoto, mas apertando aquela parte das coxas dela com um pouco menos daquele tom de carinho. De inocência.
A dragon? Elena! O. M. G. Smiley face. I’m so- so- sooo surprised! --- Não conseguia fingir surpresa. Não conseguia fingir muitas coisas com ela, falando bem a verdade. Contudo, a felicidade derramava do sorriso e do brilhos nos olhos claros. Uma mão segurando a caixa e a outra o colocando sentado, não importanto (cof cof preferindo cof cof) o jeito como ela, sua esposa, estava bem perto de si. O dragão miniatura teria que esperar até terminar aquele beijo, só ganhando a liberdade depois de capturada em um de tirar o fôlego, seguido de outros leves como plumas. E mais um, aquele que mais gostava, bem na curva do pescoço esguio.
Tirou o embrulho com cuidado, removeu a tampa devagar e logo enfiou a mão, dando a palma para a criaturinha subir. Fazer seu cheiro conhecido. Kellan nem sentiu tanto desconforto com as brasas, afinal, tinha as mãos calosas e acostumadas com os mais diversos produtos grossos e corrosivos. Trouxe-a na altura dos olhos, os esverdeados contra os em fenda numa disputa silenciosa. --- She said that you wouldn’t grow up that much, but wait... Wait... You will be the size of a small dog. Or I’m not called Kellan Piotrovitch. --- Rações especiais, um estudo com mais afinco, subordinar a especialista, e um probleminha como esse podia ser resolvido, não?
Foi a vez dele pegar a varinha e movimentar no ar, a experiência como auror deixando todos os feitiços silenciosos e rápidos. Um pedaço de carne veio voando e logo pego por outro feitiço, baixado até a caixa com o mesmo cuidado que devolveu o dragão. --- Zorya is her name. Later we discover if it is Ultrennyaya or Vechernyaya. --- Afastou seus pertences, no criado-mudo do seu lado, para colocar a caixa provisória. O indicador acariciando a cabeça daquela que seria sua fiel parceira, e protetora feroz da família. --- Oh, beloved, how can I retribute such enormous gift? How can I start- How can I show you my gratitude? --- Os braços a envolveram pela cintura, queimando como fogo aqueles poucos centímetros que os separavam.














