Uma prévia do gosto doce de uma Fada e um Bruxo, Harry e Louis sempre irão se encontrar, não importa a ocasião, o destino já foi selado.
( Caso queiram que eu poste os outros capítulos, Comentem! Ao todo são 4° capítulos recheados, esse é a apenas o 1° )
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Em um mundo velado por magia e lendas, o retorno de um bruxo ancestral desperta profecias esquecidas. Entre luz e trevas, nasce um vínculo proibido entre um bruxo e uma fada - uma conexão capaz de mudar o destino de todos. Uma história de poder, sacrifício e o renascer da esperança.
#Harryfada
#Wattpad
#LouisBruxo
4281 palavras de puro carinho e amor, talvez muita magia...
1° Transcendência.
Essa era a palavra que sussurrava nos ossos do Bruxo.
A chama indomável da individualidade.
O ímpeto de romper os limites do mundo, da carne e do próprio tempo.
O desejo que, se revelado, poderia queimar não só o mortal, mas o próprio destino.
Era essa chama que ardia nos olhos de Louis IV, descendente direto de uma linhagem de magos antigos, herdeiro de um poder que já ameaçou desfazer os alicerces do mundo.
Louis tinha a aparência de um mortal jovem, seus traços belos e marcantes pareciam congelados nos 25 anos - mas a verdade era outra: ele carregava nas veias mais de 300 anos de existência. Seus cabelos brancos caiam em linhas suaves até a nuca, contrastando com seus olhos azuis cintilantes, que pareciam refletir memórias de guerras, perdas e promessas quebradas. A pele pálida, quase translúcida, e o manto negro que o envolvia como uma sombra viva completavam sua figura.
Louis era mais que um bruxo - era uma lenda viva.
Dominava os quatro elementos, controlava o fogo como sangue, invocava sombras como extensão da própria alma e sussurrava com os ventos. Mas acima de tudo... ele buscava algo que nem seus poderes poderiam dar: transcendência verdadeira.
A profecia era clara apenas para aqueles que ousassem ler além das palavras:
"O último herdeiro selado pelo trovão cruzará a fronteira sagrada.
Com ele virá a desordem,
Mas também a cura.
Uma fada selará seu destino.
E o amor proibido entre luz e trevas decidirá o fim ou o renascimento dos dois mundos."
Essa profecia era contada nas noites entre os galhos sagrados do bosque, entoada por fadas antigas e crianças élficas que a recitavam como canto, sem compreendê-la. Mas uma fada a compreendia.
Harry, habitante do Bosque Velado, sentia a verdade antes mesmo de vê-la.
Dono de cabelos encaracolados na cor do chocolate, olhos verdes vibrantes como folhas à luz do sol, e asas claras, com tonalidades de lilás e azul que pareciam feitas de névoa e luar, Harry era a essência da natureza. Aparentava 23 anos, mas seu corpo leve carregava 190 anos de vida eterna.
Seu dom era raro até entre os de sua espécie:
ele podia pressentir os caminhos do futuro, mesmo que enevoados.
Ele já aguardava Louis, sem saber exatamente quem ele era - mas sentia a dor, a fúria, o desequilíbrio... e a promessa.
Na floresta antiga, Louis IV avançava entre árvores que ainda lembravam o toque de seus antepassados. O ar ali era diferente - carregado de poder contido, de segredos enterrados e da presença viva dos Guardiões: criaturas mágicas forjadas pelos três primeiros magos - Magnus VI, Tommy III e Louis I - para proteger o mundo místico do avanço humano.
As raízes pulsavam sob seus pés.
A floresta sussurrava seu nome.
Foi ali que ele o viu.
Harry pairava entre as brumas do amanhecer, quase translúcido sob a luz das flores noturnas.
O tempo parou.
— Você voltou. – disse a fada, sem medo.
— Nunca deixei de estar aqui.– Louis respondeu, os olhos azuis fixos no ser que o observava com olhos de floresta. — Meu sangue pertence a esta terra, mesmo quando o mundo tentou esquecê-lo.
— Você é o trovão da profecia.
Louis franziu o cenho, desconfiado. — Você sabe?
— Sinto. – Harry pousou os pés no solo musgoso. – Eu vejo ecos de futuros que ainda não nasceram. Vi você muitas vezes. Em guerras. Em silêncio. E... ao meu lado.
— Profecias mentem.– disse Louis, com frieza. — Elas mostram o que queremos, não o que será.
— E ainda assim, você veio.
Louis se calou. Pela primeira vez em séculos, algo no peito dele - antes endurecido como pedra - estremeceu.
Harry se aproximou. —Você destruiu muito para chegar até aqui. Mas algo dentro de você ainda pulsa... algo que não é ódio.
— Isso se chama fraqueza. – Louis respondeu, mas sua voz tremia.
— Não. Isso se chama amor.
Eles se tocaram - breve, leve, como o roçar de folhas ao vento.
E naquele instante, o mundo reagiu.
O céu escureceu. A floresta tremeu. As raízes antigas se ergueram, e olhos monstruosos se abriram no solo.
Os Guardiões despertaram.
A barreira que separava o mundo dos homens do mundo místico reconheceu a energia de Louis – e o amaldiçoou.
Harry recuou um passo, sentindo a tensão que crescia no ar.
—Se você cruzar essa linha, Louis... se ficar... não haverá volta.
Louis cerrou os punhos, sentindo o peso do destino em suas costas.
— Eu nasci para cruzá-la.
— Mas não para cruzá-la sozinho.
Louis o encarou.
— Você me seguiria, mesmo sabendo o que sou capaz de destruir?
— Se for preciso... eu o reconstruo.
A floresta gritou.
E a escolha estava feita.
A terra se abriu.
Raízes grossas como serpentes se erguiam dos solos antigos, revelando olhos amarelos e bocas cheias de presas feitas de pedra viva. As árvores tremiam como se estivessem vivas, e uma energia sombria pulsava, ancestral e furiosa.
Os Guardiões estavam completamente despertos.
Louis deu um passo à frente, o manto esvoaçando atrás de si com o vento que ele mesmo conjurou. Os olhos brilharam com azul flamejante. Em sua mão, a escuridão tomou forma: um bastão feito de sombras compactadas, vivo como uma extensão de sua alma.
Harry abriu as asas num estalo suave, e toda a vegetação ao redor respondeu. Lianas se ergueram, flores desabrocharam com luz dourada, e os ventos perfumados da floresta se colocaram entre ele e os monstros.
— Eles não vão parar. — disse Harry, o tom sereno, mas firme. — Eles protegem a barreira, não veem diferença entre amor e invasão.
— Então, vão aprender a diferença. – rosnou Louis. —Mesmo que eu tenha que arrancá-la deles.
Com um grito que parecia vir de dentro da própria terra, o primeiro Guardião avançou. Gigante, com pele de rocha e olhos de fogo, ele ergueu uma pata monstruosa contra Louis.
Mas Louis era mais rápido.
Com um gesto, o tempo ao redor desacelerou. A gravidade se dobrou. E quando a criatura tentou alcançar o bruxo, foi arremessada para trás por uma rajada de magia sombria, que deixou um rastro de relâmpagos azuis na terra.
— Louis! – gritou Harry, enquanto outra criatura investia por trás.
O bruxo girou no ar, e do solo, espinhos negros brotaram, perfurando as pernas da fera. Mas antes que ela pudesse cair, raízes douradas a envolveram - Harry a continha com o poder da natureza.
— Você luta bem. – disse Louis, ofegante, olhos fixos no caos ao redor.
— Não estou lutando por mim. – respondeu Harry. – Estou lutando por nós.
Mais Guardiões surgiram, rodeando-os. Cada um mais grotesco, mais brutal, como se o próprio mundo mágico testasse a união do improvável casal.
—Eles sabem. – disse Harry, voando até Louis e pousando ao lado dele. — Sabem que se vencermos, a barreira vai se romper. E os mundos não serão mais separados.
Louis olhou para ele.
Pela primeira vez, não via um inimigo, nem um obstáculo.
Mas um aliado, um espelho. E talvez... um destino.
Ele tomou a mão de Harry.
E, juntos, canalizaram os dois poderes em um só feitiço.
Sombras e luz.
Fúria e esperança.
No céu, uma espiral de energia nasceu, girando em torno deles.
A floresta assistia. O mundo místico estremecia.
E então - explodiu.
Um clarão varreu a barreira antiga.
Os Guardiões gritaram e se dissolveram em pó de estrelas.
A floresta ficou em silêncio.
E Louis e Harry... ainda de mãos dadas, respiravam como um só.
Ao longe, uma nova presença surgia.
Encapuzada. Observando.
— Eles ativaram a profecia... – Uma voz feminina sussurrou para si mesma, nos limites da floresta. — O amor renasceu... mas nem todo mundo quer ver os mundos unidos.
O destino de Louis e Harry estava só começando.
O silêncio após a explosão mágica parecia pesar mais que o próprio feitiço.
A floresta estava imóvel. Nem vento, nem canto de criatura. O solo ainda vibrava, como se o tempo segurasse o fôlego.
Harry mantinha os olhos fechados, sentindo os fluxos da natureza.
Louis estava de pé ao seu lado, mas com os punhos cerrados. Algo no ar havia mudado.
Então, da névoa espessa que se formava entre as raízes mais antigas, uma figura encapuzada surgiu, envolta por um manto de poeira prateada e folhas mortas. A aura era antiga, opressiva - como se a própria floresta se curvasse diante dela.
— Magnus... – murmurou Louis, com a voz cheia de incredulidade e temor.
Magnus VI, o primeiro grande mago, fundador da linhagem dos Louis, seu avô. Desaparecido há séculos, tido como morto em batalha. Mas ali estava ele, vivo, ou algo além disso.
O capuz caiu.
Os cabelos longos e brancos escorriam como neve, os olhos eram cinzentos como pedra, e a pele marcada por runas que pulsavam uma luz ancestral. Ele parecia parte da floresta - como se o tempo tivesse esculpido nele o próprio passado.
— Eu observei você, neto. – A voz dele era profunda, firme, como trovão abafado. — Desde o momento em que ousou cruzar a floresta proibida.
Louis deu um passo à frente.
— Você... está vivo.
Magnus inclinou levemente a cabeça.
— Nem vivo. Nem morto. Eu sou o que sobra quando o mundo nega o descanso a quem carrega demais.
Harry se aproximou, desconfiado.
— Por que estava escondido? – perguntou, as asas abertas, prontas para qualquer ameaça.
— Porque esperava. A profecia foi minha criação. – respondeu Magnus, sem olhar para ele. — Mas nunca foi sobre união. Foi sobre controle.
Louis franziu o cenho.
— Você a escreveu...
— Sim. Eu a plantei como um feitiço nas raízes do mundo. A esperança de que um herdeiro traria ordem após o caos. Mas o caos que você traz, Louis... é amor. E o amor... é desobediência.
— O amor é escolha. – respondeu Louis. – E eu escolhi parar de repetir os erros da nossa linhagem.
Magnus o encarou, os olhos bruxuleando com raiva contida.
— Você se entrega a uma fada. Um ser do instinto e do coração. Você é um bruxo. Um soberano da razão. O sangue que carrega é meu.
Harry avançou, firme.
— Então talvez seja hora de mudarmos o que esse sangue representa.
Um silêncio gélido caiu entre os três.
Então, Magnus ergueu uma mão, e do chão, raízes negras começaram a se mover, como serpentes.
— Se não posso deter o amor com palavras... então será com poder.
Louis e Harry recuaram.
— Você me forçará a destruir minha própria linhagem? – gritou Louis, invocando a magia nas mãos.
— Eu o ensinarei o preço de trair a linhagem. – djsse Magnus. — E destruirei essa profecia de dentro pra fora.
As raízes se ergueram.
O céu escureceu outra vez.
O passado agora caminhava contra o futuro.
E Louis e Harry... precisariam lutar não apenas por sua sobrevivência, mas por sua verdade.
As raízes negras avançavam como serpentes, rachando o solo e se estendendo como garras vivas. Árvores antigas se contorciam, e o ar tornava-se pesado, como se a floresta chorasse por dentro.
Magnus VI caminhava como um deus entre as ruínas do que um dia foi paz. Louis e Harry recuavam lentamente, cercados pela magia ancestral.
— Você quer selar o mundo novamente, Magnus? – gritou Louis, seus olhos brilhando em azul cintilante. — Esconder-se atrás do medo, como se fosse sabedoria?
Magnus não respondeu com palavras. Ele ergueu o cajado de ébano, relíquia dos Primeiros Três Magos. O céu se rasgou em trovões negros. Um ciclo de runas girava ao redor dele.
Harry apertou a mão de Louis.
— Ele está usando o feitiço de contenção do Elo de Sangue. – sussurrou Harry. — Se ele terminar, vai cortar nossa ligação... vai me arrancar de você.
Louis não hesitou.
Ergueu sua própria mão ao céu, e da terra, brotou uma luz azul e prateada, uma nova magia - não herdada, mas criada.
— Você ensinou a conquistar pelo medo, Magnus. – gritou ele. — Mas eu aprendi com Harry que há poder na empatia.
— Empatia não sustenta um reino. – respondeu Magnus, sombrio. — Ela o destrói.
Então, ele lançou o ataque.
As raízes negras se uniram em uma lança viva, disparando na direção de Harry. Mas Louis saltou à frente, conjurando um escudo feito de memórias conjuntas - risos, toques, olhares silenciosos. A lança quebrou-se contra o amor que pulsava entre eles.
— Não! – rugiu Magnus. — Essa profecia não é sua! Ela foi feita por mim! Você é só... meu erro.
Harry flutuou, os cabelos de chocolate dançando com o vento mágico.
Suas asas se abriram em plena luz, e de suas mãos brotou vida pura - cipós, flores, borboletas de energia. Elas se lançaram contra o chão corrompido, purificando os símbolos sombrios.
— A profecia não é sobre controle. – disse ele. — Ela é sobre equilíbrio.
Louis levantou o cajado, e com um gesto final, uniu sua magia com a de Harry. Luz e sombra dançaram como um eclipse invertido.
— Se somos o erro... que sejamos o novo começo.
O feitiço colidiu com a aura de Magnus, e por um momento, tudo se calou.
Depois - explodiu em luz.
Magnus caiu de joelhos.
As raízes recuaram.
A floresta respirou.
Ele olhou para o casal, e pela primeira vez, não havia ódio em seus olhos. Apenas exaustão.
— O tempo me venceu. – murmurou. — Mas não se enganem... o mundo lá fora não aceitará essa união com facilidade.
Harry se aproximou.
— Então, que o mundo aprenda.
Louis, de pé ao lado dele, completou.
— Como nós aprendemos.
Magnus desapareceu em névoa cinzenta, carregado pela própria magia que o moldou. Não restaram palavras. Apenas o eco de uma linhagem que, enfim, se partia para que outra nascesse.
E na clareira da floresta, dois seres outrora inimigos se mantinham juntos - não por imposição, mas por escolha.
O céu parecia mais claro. Mas isso era apenas uma ilusão.
A barreira entre os mundos... havia sido rompida. Ainda não destruída, mas enfraquecida, como um vidro trincado que podia se estilhaçar com o menor toque errado.
Louis e Harry caminhavam em silêncio pela clareira, agora tomada por flores azul-lilases, uma reação viva à energia mágica que havia sido lançada. Cada flor parecia cantar — como se reconhecesse os dois como centelha de uma nova era.
— Sente isso? – murmurou Harry. Seus olhos verdes cintilavam com preocupação.
— O equilíbrio está mudando. – respondeu Louis. — A ruptura chamou atenção.
Harry assentiu.
— Não só de seres do nosso mundo…
Como se confirmando as palavras do fada, um clarão cortou o céu, e do horizonte, uma nuvem negra se formava — mas não feita de chuva. Era um redemoinho de sombras e asas, e dentro dele, vozes antigas murmuravam em línguas esquecidas.
Louis fechou os olhos.
— O Concílio Esquecido.
Harry empalideceu.
— Eles ainda existem?
— Sempre existiram. Dormindo, esperando que a promessa da união mágica fosse quebrada.— Ele olhou para Harry. — E nós… somos a quebra.
No coração do redemoinho, uma forma se revelou. Uma figura feminina, envolta em chamas etéreas, com os olhos cobertos por um véu de ouro.
— Louis IV. Fada Harry. Vocês quebraram o véu.
A voz ecoava como uma oração antiga.
— O que é feito com amor, também pode ser punido com fogo. – Disse ela.
Harry se adiantou, os olhos firmes.
— Não há crime em sentir. Não há traição em amar.
— Mas há perigo. – replicou a figura. — A união de suas essências criou um novo fio no tecido do mundo. Algo que não podemos controlar.
Louis deu um passo à frente.
— Vocês tiveram séculos para manter a ordem. Nós a respeitamos. Mas agora… ela precisa evoluir.
A mulher estendeu a mão, e do céu, uma pedra flutuou. Nela, marcado com sangue e luz, um novo símbolo surgia: duas metades de um coração, entrelaçadas por espinhos e raízes.
— Então façam seu juramento diante do Véu. — disse a voz. — Ou enfrentarão não apenas o Concílio... mas todos os mundos.
Louis olhou para Harry.
O medo nos olhos dele era real — não do castigo, mas do que teriam que sacrificar para manter-se juntos.
— Eu juro. – disse Louis, sem hesitar. — Que minha magia jamais servirá à dominação, mas à união.
Harry segurou sua mão.
— E eu juro… que minha essência não florescerá no medo, mas na verdade. Mesmo que ela queime.
O Véu brilhou, e então, uma rachadura cortou o céu — dourada, viva. O mundo havia escutado. E mudado.
Mas nas profundezas onde nem luz nem magia alcançam, algo despertava, faminto e antigo, algo que nem mesmo Magnus ousara nomear...
A Era do Rachado Véu havia começado.
Muito longe dali, sob as montanhas frias de Norwind, onde nem mesmo a magia dos Elfos ousava alcançar, uma antiga prisão mágica repousava.
Ou assim acreditavam os registros.
Ela era chamada Vórtice Sombrio — uma espiral subterrânea construída pelos Primeiros Magos, incluindo Magnus VI, para selar criaturas que não pertenciam a este mundo: os Pré-Mundos, formas vivas de magia bruta, criadas antes do tempo, antes da luz, antes das raças.
No fundo desse vórtice, algo acordava.
E sua primeira palavra foi: “Harry.”
Não em ameaça. Mas em… reconhecimento.
Enquanto isso, na vila humana de Kheron, rumores percorriam as tabernas e os becos.
— Um bruxo e uma fada... juntos?
— Dizem que quebraram o Véu…
— Que espécie de filhos podem nascer dessa mistura?
— Isso é contra a Ordem!
Os humanos, por séculos mantidos afastados pelas barreiras mágicas, agora sentiam a vibração da magia no vento. Colheitas floresciam sem razão, animais selvagens se curvavam aos que sonhavam, e crianças começavam a ver luzes onde antes havia apenas escuridão.
A magia retornava. Mas o medo também.
Em um salão subterrâneo, escondido sob a velha igreja de pedra, um grupo de humanos vestia mantos negros, com símbolos de runas riscadas — a seita do Ferro Silencioso.
— Eles profanaram os limites sagrados. – disse o líder, uma mulher de voz firme chamada Maedra. — Bruxos podem se destruir entre si. Mas fadas… fadas são portadoras do tecido da vida. Se esse amor florescer, não teremos mais controle.
— Eles precisam ser detidos. – murmurou outro. — Antes que a profecia deles destrua o equilíbrio que ainda nos resta.
Na floresta sagrada, Louis e Harry observavam as transformações ao redor.
A natureza crescia de forma incomum. Criaturas mágicas que estavam desaparecidas há gerações surgiam: unicórnios de sombra, pássaros de chamas cristalinas, flores que cantavam à noite.
Mas Louis também sentia algo mais…
Um sussurro distante, uma presença que ecoava como uma lembrança esquecida:
Harry… ele te conhece.
Louis olhou para Harry.
— Você sentiu isso?
Harry assentiu, a testa franzida.
— Há algo me chamando. Algo que sabe meu nome antes de mim mesmo existir.
Louis apertou sua mão.
— Talvez a profecia não tenha terminado. Talvez ela… apenas tenha começado.
Nas profundezas do Vórtice, a escuridão respirava.
A criatura não tinha corpo fixo — era feita de fios de energia bruta, oscilando entre luz e sombra. Seus olhos, quando se formavam, pareciam refletir todas as eras do mundo. E no centro de sua essência, havia algo ainda mais poderoso: a memória da primeira união mágica já registrada.
Eles quebraram o ciclo. – murmurou a entidade, sua voz um eco dentro da rocha viva. –
Ele… é como ela. A flor eterna. A semente do caos doce.
Seu nome fora apagado das histórias. Mas os Elfos mais antigos ainda murmuravam sobre Elarion, o primeiro espírito a tocar o mundo com vida, e o único que conheceu o Vínculo de Raízes — a antiga lenda sobre uma fada e um bruxo que quase trouxeram equilíbrio… antes de serem destruídos por medo.
Harry era descendente dessa fada antiga.
Louis carregava o sangue do bruxo selado.
E os dois, ao se unirem, despertaram Elarion, guardião e juiz do Destino Mágico.
Na floresta, enquanto Harry dormia com as asas abertas sobre as folhas de luz, Louis escutava a terra chamar por ele. As árvores murmuravam. As pedras pulsavam.
Louis… Ele o espera.
Guiado por instinto, Louis caminhou até o círculo antigo das Runas de Sangue, onde as pedras ainda tremiam com a lembrança da batalha contra Magnus. Lá, no centro, uma fenda se abriu. E dele, uma névoa prateada se elevou.
A voz o envolveu.
— Louis IV, herdeiro de Magnus e filho do Fogo. Você ama o Guardião da Vida.
Louis apertou os punhos.
— Sim. Amo.
— Então ouça: os deuses antigos não planejaram isso. A magia não é amor. A magia era divisão. Luz e sombra. Ar e terra. Você... a uniu.
— E se eu a uni. – disse Louis, encarando a névoa. — Então talvez seja hora da magia reaprender o que significa existir.
A névoa tremeu.
Um olho imenso se abriu entre os vapores — olhos como os de Harry, mas infinitos, com dor e esperança entrelaçadas.
— Então venha. – disse Elarion. — Venham ambos. O mundo deve testemunhar o Julgamento da Nova Essência.
O Véu agora está instável.
A seita humana do Ferro Silencioso se prepara para atacar.
E os dois amantes são convocados a entrar no Vórtice e enfrentar a própria origem da magia.
O caminho até o Vórtice não era feito de terra ou pedra. Era uma espiral de memória, onde cada passo fazia Louis e Harry reviverem ecos do passado que nunca viveram.
Louis via guerras que jamais lutou.
Harry ouvia canções que não lembrava ter aprendido.
As raízes do mundo se entrelaçavam ao redor, formando corredores de luz âmbar e sombra líquida. Ao centro, a pulsação viva do Vórtice os aguardava — uma esfera feita de energia translúcida, que girava lentamente como um coração universal.
E então, ele apareceu.
Elarion.
Uma figura alta, envolta em uma névoa dourada e escura, como se fosse feita de aurora e eclipse ao mesmo tempo. Seus olhos mudavam de cor a cada palavra que falava — e sua voz, quando ecoou, foi como sentir todas as estações do mundo ao mesmo tempo.
— Vocês vieram. – disse. — O coração do mundo os reconhece. Mas isso não basta.
Louis firmou o olhar.
— Estamos aqui para provar que a união não é ruína.
Harry, com suas asas abertas, parecia feito de vento e flor.
— Estamos aqui para amar. E para proteger.
Elarion estendeu os braços e do Vórtice surgiram três portas, feitas de pura magia:
1. A Porta da Memória — onde teriam que encarar quem foram.
2. A Porta do Medo — onde enfrentariam o que poderiam se tornar.
3. A Porta da Semente — que mostraria o que sua união poderia gerar.
— Escolham. – disse Elarion. — Mas saibam: só juntos sairão. Se um tombar, o outro será esquecido.
Louis e Harry trocaram um olhar.
— Vamos pela Semente. – disse Harry.
Louis assentiu.
— Se estamos criando um novo mundo, devemos ver o que ele pode se tornar.
A Porta se abriu, revelando um campo silencioso onde um jardim pulsava com flores nunca vistas, e no centro, uma criança, de pele dourada como o pôr do sol e olhos divididos entre azul e verde, os observava.
— Eu sou o que será. – disse a criança. — E o mundo não está pronto para mim. Mas estou vindo mesmo assim.
Louis deu um passo, o peito apertado.
— Você é nosso filho?
A criança sorriu.
— Sou a fusão do que o mundo proibiu. E por isso... posso curá-lo.
Do jardim, luzes começaram a se erguer, vozes de antigas fadas, velhos magos, seres esquecidos. E do céu da memória, um rugido.
A seita humana estava se aproximando.
Elarion surgiu ao lado deles.
— A prova está feita. Mas agora… o mundo decidirá. Vocês não terão paz ainda. Mas terão poder. Usem com sabedoria.
Ele tocou as testas de ambos, e uma runa em espiral se desenhou em suas peles — viva, ardente, eterna.
Ao voltarem do Vórtice, o mundo já havia mudado.
O céu não era mais o mesmo.
O tempo não corria igual.
E no horizonte, Kheron ardia em chamas.
A seita havia atacado.
O véu não protegia mais.
Mas agora, Louis e Harry não estavam mais sozinhos.
Eles traziam o começo de algo novo... e a promessa de um herdeiro destinado a mudar todos os reinos.
As chamas já tomavam os telhados da vila quando Louis e Harry emergiram da floresta, as runas ainda brilhando em suas testas, os olhos diferentes — antigos. Poderosos.
A seita do Ferro Silencioso marchava sobre o povoado com armas encantadas em runas antigas, e nas mãos de sua líder, Maedra, havia uma lança forjada em ferro puro, resistente à magia.
Ela os viu antes de todos.
— Ele voltou. – rosnou. — O Bruxo do Vórtice. E a fada perversa ao seu lado.
Harry avançou primeiro, os olhos verdes vibrando, e as raízes da floresta responderam. Árvores se moveram como soldados antigos, galhos se tornaram lanças, e da terra, um rugido.
— Chega de destruição. – disse ele, voz como vento e trovão. — Vocês não entendem o que estão quebrando.
Louis ergueu a mão e os céus escureceram. Uma aura azul-escura o envolveu, e da sua palma, chamas frias se espalharam, cercando o vilarejo em um anel protetor.
Ele olhou para os humanos com pesar.
— A magia não é sua inimiga. Mas vocês são inimigos de si mesmos.
Maedra gritou, e os homens avançaram. Mas nenhum pôde atravessar a barreira viva que se formou entre Louis e Harry — uma fusão de natureza e sombra, luz e fogo, entrelaçados.
E então, o mundo silenciou.
Do céu, a criança apareceu.
Não como carne, mas como espírito.
Pairando acima da batalha, olhos entre azul e verde, pele dourada, a voz suave e terrível:
— Parem.
O tempo congelou.
Os soldados da seita caíram de joelhos.
As chamas cessaram.
As armas, quebraram-se como vidro.
Maedra, mesmo trêmula, tentou resistir.
— Você não existe…
Mas a criança sorriu.
— Eu existo porque fui sonhado. E agora… o mundo deve acordar.
Louis e Harry caminharam entre os restos da batalha, agora silenciosa, e observaram enquanto o povoado respirava de novo.
Os anciãos elfos chegaram, alertados pelo brilho do Véu, seguidos por fadas e bruxos que por anos se esconderam.
E pela primeira vez…
os reinos estavam lado a lado.
Mas nem todos estavam satisfeitos.
Nas montanhas distantes, a sombra de Magnus VI, o ancestral sombrio, observava.
Seus olhos mortos brilhavam em prata, e ele murmurou:
— A semente cresceu. Mas raízes podem ser cortadas.
E do fundo das montanhas, ele começou a se mover.














