oi
me dei conta de que não era pra mim nenhum dos seus textos e até nas suas noites de desejo não era porque eu-era-a-pessoa-desejada eu só estava lá, disponível
estou magoada
eu precisei eu fui frágil ao precisar
que porra eu significo?

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oi
me dei conta de que não era pra mim nenhum dos seus textos e até nas suas noites de desejo não era porque eu-era-a-pessoa-desejada eu só estava lá, disponível
estou magoada
eu precisei eu fui frágil ao precisar
que porra eu significo?
todas as milhões de explosões sub-atômicas no espaço-tempo entre o nosso olhar criam um elo fino entre o pertencimento e a catástrofe de ser inteiramente seu. meu corpo gela e se arrepia com a ideia de existir no seu furacão, ainda mais sabendo que sou a causa dele. tudo bem, dizem que amar é arriscar e tem sido tudo sobre isso. duvidei do meu amor por muito tempo, pois nunca arriscava. sempre preferi a comodidade, mas isso só até te conhecer. e hoje sei, sinto e arrisco. tenho apostado todas as minhas fichas em ti, mas nós sabemos que seus ventos são fortes demais e talvez meu frágil corpo não aguente. mas é isso, um risco. tudo ou nada. e por mais que meu corpo queira rejeitar passos tão largos e arriscados em sua direção, meu coração quase explode de alegria por te ter.
meu bem, você é o furacão, mas eu sou o centro. e o centro sempre aguenta.
obsidiana preta
cruzar a madrugada num piscar de olhos orvalhados. sem peso as pálpebras pousam e se abrem na cadência calma da neblina. tocando as cortinas trocando de cor: já vem a manhã e jazz o pensamento mais quieto. o quarto desperta com a luz das visões do além-sonho. o navegar cada vez mais sopro solto do corpo. revela visões espontâneas do inabalável estado de ser o olhar e não o olho. ocupar um pequeno espaço mas ser um com o momento de tudo. isto é a intuição de estar vivo? sinto que isto me imagina. isto me existe. isto me capta às paredes do corpo. o universo inteiro contido neste momento. agora, o planeta é uma rocha impessoal. um ponto flutuante num poço negro. sobre a crosta dessa pedra tudo está exatamente no mesmo momento. sempre. todos girando. ninguém adiante, ninguém atrás. inclusive os relógios. girando. os que dormem. girando. os que morrem. girando. num momento comum a todos. isto não é uma intuição. isto é uma prova, como a ascensão e a decadência do sol. como a sucessão de mudanças que não param. cada qual na sua substância do destino, mas nada escapa à constante mutação. o céu se configura de maneira rara a cada momento quadro a quadro. o cometa faz a ponte entre o poente e a nascente. os sentidos adormecem nesse jejum de sono. disso surge um estalo. um salto quântico no oceano de possibilidades. o transbordo de se dissolver no ar: por um instante captar a unidade de não ser nada em específico. mas depois, por inércia idiota, voltar a ser engolido pela subjetividade limitada ao sonho pessoal. e infelizmente cair no sono de novo.
NBM
teus sinais,
constelação
ligamento em minhas veias
veias, linhas vermelhas
linhas vermelhas,
aglutinação
amor
um, dois, três batidas
colidiu meu coração ao vê-lo partir
fim
final nao se acaba assim, coisa sem razão
razão?
só se for do meu viver
tu és verbo de ligação ser, estar, permanecer sempre aqui
ligação
ligar
ligar a mim
lembrar de nao esquecer
ser uma cabidela
corpos cintilantes amordaçados no véu da loucura.
se tu se partes, eu que me divido.
me firo.
me dou.
te sou.
sou sua.
sou minha.
no limo do poço do fundo foi quando seu corpo suas células seus átomos se juntaram aos meus por simbiose numa aflição numa supressão sua mão encosta em mim eu disse deu choque mas não afasta não qu'eu gosto eu te disse que numa aflição imperial foram os dados escalas coordenadas juntamente deveras os calos sopra-los hei.
perdida
teus lábios tácitos.
minha vontade súbita de tocá-los, escrever poesia no melhor papel que és teu corpo.
fazer morada em teus olhos negros.
suportar tua alma.
calar-te no universo, falar em mim.
Perdido no vazio de outros passos do o abismo em que você se retirou, e me atirou, e me deixou aqui sozinho.