Monterey Bay Aquarium

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Música chiclete da ocasião. Graças a Deus, uma boa! A “Girabelinhas” havaiana.
instagram.com/rtsimp
Arte e esporte lado a lado.
"And I disappeared into the darkness
And the darkness turned to pain
And never went away
Until all that remained
Was buried deep beneath the surface"
Best of Snow Patrol: https://goo.gl/E762AC Subscribe here: https://goo.gl/dp64yP Music video by Snow Patrol performing Run. (C) 2009 Polydor Ltd. (UK)
“Even if you cannot hear my voice, I’ll be right beside you, Dear!”
(Se essa galera cantando não te arrepia, você tem sérios problemas)
Foda é pouco!
"The hardest part of letting go is saying goodbye..."
(Megadeth - The hardest part of letting go... sealed with a kiss...)
Que homem!!!
Renight e Felipão que me perdoem, mas QUE JOGO!!!
A seleção é só pra ir pro céu, o inferno é feito pra qualquer um.
Coruja Bc1 - Eclesiastes
“Tem nada a ver com a sorte, a vida é um eco, mano
Não gosta do que tá ouvindo, muda o que tá gritando
Perceba teu mundo mudando, sem você ver
Não adianta agradar as pessoas, sendo triste com você”
Só pra refletir. ...
AMIGO BRANCO
Olá, amigo branco. Tudo bem? Hoje estou falando contigo. É um papo necessário. Há tempos nós caminhamos juntos, conversamos, você lê o que eu escrevo e até concorda comigo em vários pontos. Não precisamos concordar em tudo, eu sei. Mas tem uns assuntos que a gente não falou ainda, assim, na cara, na sinceridade, de forma crua, sabe? Acho que chegou a hora.
Nada no Brasil é uma coincidência. Tudo é fruto de uma história escrita por mim, por você e por todo mundo que pisou aqui um dia.
Eram 23h43 de uma terça-feira. Eu estava no BRT lotado, sem espaço para mais ninguém, que iria em direção à Santa Cruz. Não era coincidência que cerca de 80% das pessoas que estavam ali, àquela hora, voltando para suas casas, eram negras. Muitas delas nem sabem que são negras, eu creio. Suas almas sabem. Seus genes sabem. Seus ancestrais sabem.
Não é coincidência que mais de 70% da população carcerária seja negra. Não é coincidência que 78% dos homicídios sejam de negros. Não é coincidência que dos 513 deputados federais, quase nenhum deles seja negro. Não é coincidência que as favelas sejam predominantemente negras. Não é coincidência que apenas 12,8% dos universitários sejam negros, mesmo com as cotas.
Somos seres históricos, resultado de tudo que veio antes de nós.
Estou falando de estrutura. Racismo Estrutural.
O racismo não é só quando você vê alguém chamando o outro de macaco. Isso na verdade é Injúria Racial. O racismo vai muito além do xingamento. Ele está presente em praticamente tudo que vemos no Brasil. Infelizmente não te explicaram isso na escola e nem vão explicar. Em casa? Você também não ouvirá isso em casa, amigo branco. Nem na TV. Nem na Veja. Talvez na internet, já que agora temos este espaço para falar. Mas você lê? Ou acha que estamos chatos e só sabemos falar disso? A gente tem que ser “chato” e repetitivo, porque não nos deixaram falar por 400 anos. É um tempinho, né?
Quando a polícia entra na favela atirando e acertando tanto o bandido, quanto o morador, isso é reflexo do racismo estrutural. Quando esse bandido predominantemente é negro, isso é o racismo estrutural. Quando o policial mal remunerado e mal treinado, em grande parte negro, arrisca a vida, isso também é o racismo estrutural. Quando aquele aluno da escola pública “sabe” que seu futuro vai ser bem complicado e que ele dificilmente conseguirá algo melhor do que seus pais, isso também é o racismo estrutural. Quando o dinheiro investido pelo governo em infraestrutura faz do Leblon um bairro limpo, com saneamento, asfalto liso, mais segurança, transporte e saúde, enquanto Sepetiba tem transporte precário, ruas sem asfalto, buracos, esgoto a céu aberto, quase nenhuma estrutura, isso, sim, é o racismo estrutural.
Aí você vai dizer que na verdade é uma questão social.
Tolinho.
Quem é pobre no Brasil? É o filho da desembargadora que foi solto depois de mais de 120 kg de maconha ou o Rafael Braga, preto, com uma garrafa de Pinho Sol? Quem vai conseguir habeas corpus pra cuidar dos filhos, a Adriana Ancelmo ou a Ana Lys, negra e periférica?
O acesso à justiça é diferente. O acesso à saúde, à educação, ao emprego, ao amor. Até o amor é influenciado pelo racismo. Pergunte à uma mulher negra e ela vai te explicar.
Ser pobre e preto não é uma coincidência. Ser branco e pobre é uma exceção.
Quando a TV tem pouquíssimos artistas negros em comparação aos brancos, isso é o racismo estrutural gritando e te dizendo que não quer mudar, que o mundo ideal deles não é aquele que te inclui se você é preto. Isso vai entrando na cabeça daquela criança negra, que desde pequena não se vê em lugar algum. Ela quer ser princesa, mas nunca apresentaram a ela as princesas africanas, as histórias africanas. Ele/ela quer ser cientista, mas nunca mostraram a ele/ela algum cientista parecido com ele/ela. Ele não conhece Neil DeGrasse, nem sabe que Machado de Assis e Lima Barreto eram pretos, nem ouviu falar em Carolina de Jesus. Malcolm X? Luther King Jr? Angela Davis? Nem dão aula de inglês direito na escola dele. Cursinho? Hahahaha Piada. Isso é racismo estrutural, amigo branco.
Quando você vai naquela festinha pleiba com ingresso à 80 reais, você só vai ver o preto servindo ou na banda daquele rap ou funk que você gosta de ouvir, mas que você só ouve se for na tua esquina, porque se for pra entrar na quebrada onde essa música surge, você não vai. Não vai porque você curte um “ambiente diferenciado”. Você não sobe a favela pra comprar maconha e pó. Você tem um intermediário que te livra disso. Mas teu dinheiro financia a guerra. A guerra que você vê na TV e se diz horrorizado. Tu é patrocinador da guerra, cara. A guerra que mata os pretos. A guerra que ainda tenta eliminar os pretos do Brasil, assim como queriam há 100 anos atrás.
Você tá me lendo até aqui? Tá mesmo?
Já conseguiu imaginar um presidente negro no Brasil ou isso é só coisa que americano pode ter?
Esse país não é miscigenado porque todo mundo se ama e gosta de procriar com gente de outra cor, de outra classe, de outra origem. Nós somos filhos do estupro. Desculpa te contar isso agora, mas é o que posso te dizer. Não é uma suposição. É uma questão de análise de documentos e relatos antigos, além de exames de DNA feitos recentemente. A mulher negra não seduzia o português para conseguir regalias. Ela era estuprada, mesmo tendo companheiros negros. Homens negros fortes eram tidos como reprodutores, assim como fazem com bois e cavalos.
Negros aos montes foram jogados nas periferias, sem emprego, sem casa, sem estudo. Jogados nas ruas. Não é à toa que temos tantos moradores de rua...negros. Quando surge um branco, ele vira o “mendigato” e é abrigado por alguém que se compadece de alguém tão bonito que está nas ruas. O preto não vira mendigato. O preto vai forçado para abrigo, o preto é preso, o preto toma jato de água, o preto é cracudo, o preto é amarrado no poste.
Amigo branco, você historicamente é racista. Desculpa te informar isso mais uma vez. Eu sei que você talvez nunca tenha xingado alguém de macaco, você tem vários amigos negros, você já namorou ou ficou com alguém negro, você curte as paradas negras e apoia de toda forma possível. Obrigado. Siga melhorando, beleza? Mas...ainda precisa entender o que você representa e reproduz. Não tem como eu passar a mão na sua cabeça. Não estou brigando. É uma conversa, séria, sim, mas sincera. O racismo por ser estrutural, permeia tudo, está enraizado, entranhado. O mito da democracia racial nos persegue e impede avanços.
Cuidado com o “mas” das suas respostas. Normalmente ele é um silenciador. Ele te coloca em posição de poder, pois esta posição sempre foi sua, não é mesmo? O “mas” assassino, que diz ser tolerante, porém olha com antipatia para o fim dos próprios privilégios.
Privilégio não é mérito, amigo branco. Privilégio é privilégio.
Um dia eu volto pra falar mais. Por hoje é isso. Não deixe a estrutura te engessar.
Sua estrutura pode matar alguém.
Um abraço,
Amigo preto
Por: Ernesto Xavier
Obrigado pela lucidez!!!
Texto retirado do Facebook, perfil https://www.facebook.com/SkelOficial
Clipe oficial de "Mandume" do Emicida com participação de Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin Inscreva-se no canal VEVO oficial do Em...
Acabou o “sonho” do hexa. A seleção brasileira de futebol foi derrotada pela Bélgica nas quartas de final e deu adeus à Copa do Mundo da Rússia. A torcida e a imprensa brasileiras foram derrotadas por alguns de seus mais antigos adversários: a arrogância, a soberba, a prepotência, o “já ganhou”. Algumas horas depois da derrota os programas de televisão, os sites e as redes sociais fervilham com teorias sobre as razões sobrenaturais para a impossível derrota, numa frenética caça às bruxas (que provavelmente farão dos principais postulantes a heróis os piores vilões). Pouco se fala sobre a superioridade da equipe europeia, já que ninguém nunca poderia sonhar ser melhor do que os inigualáveis jogadores brasileiros (justiça seja feita, no momento assisto ao linha de passe, da ESPN, onde os comentaristas destoam desta onda acima descrita). E agora esse povo sofre para aceitar a chuva de críticas e piadas (sua principal arma contra todas as demais nações) que o mundo moderno proporciona. E se varrermos a internet, veremos que elas vêm do mundo todo (especialmente de uns Hermanos de azul e branco).
O senso de humanidade do povo brasileiro não sofreu nada, porque de um modo geral nunca existiu. É uma injusta generalização, mas necessária. Defendemos (eu não) comportamentos lamentáveis dos nossos machos alfa em terras russas. Toleramos (eu nunca) comentários de péssimo gosto - me recuso a chamar de piada - de um YouTuber(ao que me parece, é uma profissão), reabrindo a eterna discussão sobre a (gritante) existência do racismo no país. E vimos o país abraçar como ícone um jovem russo. O simpático rapaz virou talismã da torcida brasileira ao ser flagrado no estádio exibindo a bandeira do Brasil. E me questiono: quantas pessoas haviam no estádio fazendo o mesmo? Quantos torcedores de outras nacionalidades abraçaram o Brasil em sua torcida? O que fez de Yuri Torski uma celebridade? Me entristece chegar à conclusão de que o motivo é o nosso imortal preconceito. O aspecto pouco convencional (para os nossos padrões) do rapaz gerou comentários como “você viu?” e “deu até medo” por parte da nossa junta julgadora. Assusta pensar que os cabelos loiros escorridos sobre o rosto, o sorriso enigmático e as olheiras (como se não houvesse mais ninguém com este perfil no planeta) fizeram dele uma “figura bizarra”, digna do circo das redes sociais. Porque nós, que não temos defeitos, adoramos apontar e questionar as características alheias que diferem das nossas. Feiticeiro, bruxo, zumbi… de tudo chamaram o rapaz, que levou com simpatia e bom humor a inesperada fama. Até patrocínio de marca de cerveja ele conseguiu, para retornar aos estádios.
Com a eliminação canarinho, já começam a surgir memes crucificado o rapaz (vide charge), junto com as desculpas dignas dos ingratos maus perdedores que somos. Pior que não vencer no mundial, perdemos diariamente cultivando menosprezo pelos nossos semelhantes. Contornar esse quadro me parece uma questão mais urgente do que a reformulação do time para 2022.
Uma ofensa aconteceu,
mas você não entendeu.
Da empatia se esqueceu,
não foi tua alma que doeu.
Ao ofendido, o breu.
Ao agressor, perdão ("poderia ter sido eu").
Seu eu ousar protestar, exagero meu.
O mundo era divertido, hoje tá chato, já deu.
Eu observo, pasmo, que a humanidade se perdeu.
Defende adolf Hitler, apedreja o torturado judeu.
Persegue o diferente, mas prega as leis de Deus.
Um santo discurso adorna ações de um raivoso ateu.
Você se nega a ter compaixão quando o problema não é seu.
Culpa do perseguido se o preconceito cresceu.
Vitimismo, diz você, nunca te convenceu.
Eu lamento pela mãe, que com amor te concebeu
Quando foi que aquela criança amável endureceu?
O amor fraterno e o respeito, como isso morreu?
Você julga seu espelho? Julgaria eu?
Paz aos homens de boa vontade, alguém escreveu.
O amor ainda é o caminho. Seja ele o meu.
Voltamos.