Grab somebody sexy tell'em hey give me everything tonight.
Me parece um caso de correspondência extraviada.
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Sade Olutola

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Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

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@arnold-peasegood
Grab somebody sexy tell'em hey give me everything tonight.
Me parece um caso de correspondência extraviada.
Which was the most embarrassing moment of your life?
I could tell you, or
I could avoid reliving an experience that scarred me for life. Decisions, decisions.
Qual é a coisa da qual você mais se arrepende?
Não tenho muitos arrependimentos porque geralmente pondero bem antes de agir.
Mas recentemente descobri que com a quantidade certa de álcool e errada de peças de roupa eu posso... me deixar levar pelas circunstâncias. E com certeza não era o que podemos chamar de um bom momento. So there’s that.
And you, do you listen to yourself, Peasegood? Because it is quite unlikely you do, with you saying “insufferable bunch” and “hufflepuffs” on the very same sentence, you know. Anyone on this bloody castle would agree with me that this sounds absurd, to say the very least. So shut your cakehole and keep my house of out it, yes?
Oh, aren’t you? Really? I find that quite hard to believe, if you may forgive me. Not because, unlike you said, I fail to see things objectively - I most in fact do not - but because you are biased by your own personal reasons when talking to me. And don’t try do deny that! You do have a bias, and when you “call me out on something” you are doing it from that standpoint! I’m sorry if I take this personally, but I do so because it is personal, goddamit.
Ok, fair enough. I’m sure it doesn’t apply to each and every one of you but for some reason I’ve only ever had problems with people from your house. Even the Slytherins have the decency of keeping their distance from me, even though I’m 100% aware they have other reasons for that.
Now that’s absurd. Not everything is about you, Podmore. You may find that hard to believe, but I have absolutely nothing against you on a personal level. I do, however, find it extremely annoying that you feel the need to retort to anything I say with such childish remarks.
dontellmewhoishouldbe:
Wow, how rad, he knows a word in latin and uses it to not give a proper answer! What are you expecting, exactly? Congratulations?
Do you even listen to yourself? God, what’s the deal with you Hufflepuffs that you feel the need to be such an insufferable bunch?
When I call you out on something I’m not trying to offend you. It’s not personal. Can’t you see things objectively?
@dontellmewhoishouldbe:
It’s not that you’re an arse, exactly, it’s just you’re extremely unpleasant to be around.
Ditto.
Can you keep a secret? | Autumn & Arnold | Flashback
Havia algum brilho e energia que era recuperada toda vez que um professor fechava um livro declarando a aula encerrada. Junto com toda essa alegria momentânea um mutirão de pessoas decidem sair, ou melhor, correr dali e acabam congestionando todas as passagens. Autumn sempre foi paciente, mas naquela tarde ela precisava ser mais rápida para encontrar Arnold se realmente quisesse falar com ele. Arnold também não parecia ser muito do tipo que entraria do meio daquela confusão, mas Autumn não queria falar com ele perto de Mia, pois sabia que se o fizesse teria que passar um relatório para a melhor amiga sobre o porquê de estar ali, então preferiu apenas esperar.
Com vários pergaminhos em mão Autumn segurava-os, e aproximou-se da mesa do ravino. “Arnie, posso te chamar assim? Sabe ontem quando falei que encontrei seus papeis? Então, entreguei errado. Esses são os seus, e sem querer eu li.” Aquilo havia acontecido na tarde anterior, mas ela tinha tanta coisa na cabeça que nem percebeu, talvez por estar tão nervosa sobre o tema e não saber realmente como conversar com o garoto. Agora ela estava mais calma, havia passado a noite inteira pensando e chegou a conclusão que não importava. Não era um segredo dela, ela não se importava de verdade. Se o garoto queria seguir em frente com tudo aquilo era uma escolha totalmente dela, ela não tinha nenhum direito para reclamar ou agir indiferente sobre aquilo.
Estava envergonhada, mas ela não havia percebido o que tinha em mãos até a noite anterior a passada. Ela havia esbarrado no corvino e recolhido o papel errado, e no dia anterior quando tentara entregar olhou errado. “De todo jeito não é da minha conta, e eu sinto muito. Eu já vou para lá.” Apontou para porta querendo ir embora dali. Não sabia qual seria a reação do garoto, mas pelo menos ela estava sendo muito mais sincera que no dia anterior. Onde só havia conseguido fazer uma piada sobre guardar segredo o que fora totalmente desnecessário. Agora via como havia sido estúpida. Sempre só a uma maneira de encarar a verdade. Enfrentando-a.
Agarrada a seus pergaminhos em um braço, penas junto com alguns livros Autumn tentou sair da sala de aula, uma vez que estava mais vazia, porém ainda assim haviam alguns apressados que esbarravam e saiam correndo a sua frente. De novo suas coisas estavam no chão. Notou Arnie novamente. “Here we are again. This time make sure that we don’t switch things again.” Acabou falando enquanto tentava recolher suas coisas antes de manter-se de pé.
Era difícil entender a pressa dos colegas enquanto eles se comprimiam na passagem estreita para deixar a sala. Era a última aula do dia, não era como se tivessem algum compromisso inadiável. Bem, sendo realista provavelmente essa era a razão de tanta pressa – não se lembrava de vê-los com aquela mesma afobação entre uma aula e outra. Arnold meneou a cabeça de forma quase imperceptível e riu internamente, guardando seu material com calma enquanto a pequena aglomeração aos poucos atingia os corredores e esvaziava o recinto. Inspecionou a carteira uma última vez, a fim de se certificar de que não tinha esquecido nada, e estava prestes a se levantar quando Autumn Tremblay o abordou.
Não era uma ocorrência muito usual, trocara pouquíssimas palavras com a lufana ao longo de todos aqueles anos, mas já era a segunda vez que interagiam em menos de uma semana. E não era uma coincidência. – Tremblay. – Cumprimentou com um sorriso cortês e pouco espontâneo e assentiu quando ela perguntou se podia chamá-lo de Arnie. Era como seus amigos o chamavam e certamente soava estranho na voz de alguém com que tinha menos intimidade como a loira, mas não chegava a incomodá-lo. O que realmente o incomodou naquela breve interação foi quando Autumn mencionou o dia anterior e os papeis que tinha encontrado.
Quando se deu conta de que os papeis não eram seus, já na segurança de seu dormitório, respirara aliviado. Significava que a menina tinha cometido uma pequena confusão. Mas então não conseguiu encontrar os pergaminhos entre suas coisas e mesmo que tentasse se convencer de que estava sendo paranoico, que já havia enviado a coruja e que não tinha por que pensar que sua carta – a carta do Truth Seeker – estava sob a posse de Autumn, aquela possibilidade o manteve acordado. Foi por isso que gelou diante da aproximação da garota, que veio como um balde de água fria, fazendo com que se lembrasse da preocupação que tinha enterrado no fundo de sua mente até o momento. Dessa vez antes de tirar qualquer conclusão precipitada, tomou os pergaminhos da mão da lufana e leu algumas linhas ainda que tivesse reconhecido sua caligrafia no momento em que bateu o olho na primeira página.
Ficou sem reação, num primeiro momento. Escrevia cartas para o Profeta Diário sob aquele pseudônimo há tanto tempo que nunca pensou o que faria caso alguém descobrisse sua autoria. Mantinha sua identidade em segredo para sua própria segurança – não queria dar mais razões para os puristas radicais o odiarem, e não estava em seus planos se tornar um alvo proeminente – mas sua decisão também escondia razões mais egoístas: sabia que suas palavras na seção de leitores podiam magoar alguns de seus amigos mais privilegiados, já que diversas vezes sugerira que eles recebiam vantagens injustas por conta de status sanguíneo. Amassou os pergaminhos, enfiando-os de qualquer jeito na mochila e se levantou de supetão, apressando-se para alcançar Autumn antes que ela saísse da sala. Não podia deixar que ela saísse sem saber o que ela estava pensando sobre aquilo. Sem saber pra quem ela contara ou pretendia contar. Ironicamente, em sua afobação acabou trombando com a menina mais uma vez e observou seus pertences se espalharem pelo piso de pedra. – Tremblay... Autumn. Posso te chamar de Autumn? – Perguntou, sem graça, se agachando para ajudá-la a recolher os livros e rolos de pergaminho do chão. – A gente pode conversar? – Acrescentou, hesitante, quando já estavam os dois de pé novamente. – Acho que precisamos conversar.
E essa barbinha delícia, faz sucesso?
Não sei, me diz você.
Já namorou?
I don’t think so? I mean, I’ve been on a few dates but never had an actual relationship.
I am, admittedly, a difficult person to deal with. I wish I was the sort who could let loose, but that’s just not me.
François Arnaud
[Flashback] Why don't you hit me with your best shot? @Dominique Podmore
O prospecto de ter que duelar, ou melhor, simplesmente ter que passar os próximos cinquenta minutos a um raio menor do que o de cinco metros de distância de Arnold Peasegood estava longe de agradá-la, como não fizera cerimônia em deixar evidente – especialmente dada a surpresa pela qual fora tomada ao ouvir o nome de seu par, verdade seja dita. Dominique, de fato, estava longe de estar bem feliz com o arranjo armado pelo mestre de duelos, como o rapaz ao seu lado acabava de apontar. Se aquele fosse um movimento premeditado, como também suspeitava que fosse, contudo, estava ciente de que tampouco o professor desistiria tão facilmente desse – e, agora que se retirara para socorrer à aluna, não era como se restasse muito a ser feito a não ser aquiescer com a decisão. E por mais que essa ideia fosse de pouco agrado (a ambos os dois, honestamente) e que não estivesse contente em ter que treinar ao lado de quem menos gostaria de estar, o mesmo não poderia ser dito da possibilidade de poder importuná-lo que vinha atrelada a esse fato – embora Dom pudesse admitir que seria muito melhor poder importuná-lo e ainda se ver livre de sua companhia no fim das contas. Não era como se pudesse se ter tudo, no entanto. Mas, afinal, não perderia a oportunidade, muito menos ficaria por baixo.
– Aaaww, but you are afraid, then. – retrucou, como se não se importasse muito com o verdadeiro conteúdo da contraposição (e suposta ameaça) que ele acabara de fazer, atentando para a possível conclusão que poderia ser retirada dos dizeres ditos em um tom que estava longe de ser ameaçador – até porque sabia que só haviam sido proferidos com a intenção de instiga-la (e não ficaria barato). – Não se preocupe, Peasegood, eu pego leve com você. – Para coroar a provocação, não economizou numa breve piscadela divertida ou no tom de camaradagem empregado em sua voz, que poderia ser interpretado de maneira tão distinta em outros contextos – e que poderia apostar que o incomodaria, nem que fosse o mínimo possível. O moreno estava certo em apontar, contudo, que teriam que continuar juntos (certamente para infelicidade ambos), dada a ausência do mestre – e, mesmo que não dita, a possibilidade desse não voltar tão cedo da Ala Hospitalar. Via-se obrigada a concordar que estavam fadados um a companhia do outro, mas não o fez, não abertamente, ao menos, diante da provocação carregada de escárnio feita por ele. – Apreensiva? – repetiu, quase debochada, imitando-o ao sacar a varinha e tomando distância dele. – Talvez. Você sabe, quem não estaria apreensivo com essa sua ameaça de ir para Azkaban? Especialmente o pessoal que está lá, francamente. – emendou em uma voz pretensamente desinteressada, com ares de obviedade. – De qualquer maneira, creio que isso não será um problema. – completou, por fim, deixando a sugestão no ar.
Continuou tomando distância e, quando o espaço entre eles parecia o suficiente para que pudessem duelar confortavelmente (ao menos em termos físicos, quer dizer), girou em seus calcanhares e posicionou-se de frente para ele. A varinha em riste, executou o breve floreio característico de todo início de duelo, como um gesto de respeito ao adversário – aqui reservado meramente a formalidades, uma vez que estava longe de possuí-lo por Peasegood a ponto de se dar ao trabalho de fazê-lo. Era também o sinal de que seria iniciado o confronto, embora não estivesse exatamente ansiosa em dar partida a algo que nem sequer queria começado, na verdade. Não poderia voltar atrás, todavia, não sem deixar brechas para o deboche do ravino. Não deveria deixar brechas para nada. E, sem deixar brechas, conjurou ela mesma o primeiro feitiço. – Incarcerous!
Era realmente inacreditável o talento de Podmore para absorver apenas o que fosse de seu interesse. Ela deliberadamente ignorara tudo o que Arnold havia dito, exceto a parte que lhe dava brecha para importuná-lo. Entre todos os traços de personalidade da lufana que o incomodavam, aquele definitivamente era o mais exasperador. E foi o que colocou os dois naquela roubada, para começo de conversa. Dominique Podmore e sua audição seletiva. Arnold respirou profundamente, se esforçando para não contorcer sequer um músculo da face em desgosto – não daria aquela satisfação a ela. Em vez disso, curvou os lábios em um sorriso forçado. – Vamos logo com isso, sim? Quanto antes começarmos, mais rápido terminamos. – Seu tom era o de absoluto tédio, deixando claro o quão pouco impressionado estava com as provocações e respostas engraçadinhas da ruiva. Se ela achava que conseguiria tirá-lo do sério, estava sem sorte. Arnold estava decidido a não se deixar perturbar.
Manteve o semblante impassível enquanto Podmore se afastava para tomar sua posição na extremidade oposta e repetiu o gesto da adversária, empunhando a varinha à frente do próprio rosto. Logo após o tradicional cumprimento, Arnie meneou o pulso em um movimento preciso, mas antes que tivesse a chance de verbalizar seu feitiço, a menina já agia. A grande tragédia de todo duelo era que não importava quantos feitiços você conhecesse ou o quanto fosse capaz de executá-los: geralmente ganha quem faz o primeiro movimento. A lógica era a mesma aplicada a uma briga de rua – aquele que desfere o primeiro golpe leva nítida vantagem sobre o oponente. E Dominique tinha sido mais rápida daquela vez.
Finas cordas emanaram da varinha da lufana e no segundo seguinte Arnold estava imobilizado, amarrado pelos braços e pernas. Patético. Se aquela fosse de fato uma situação de vida ou morte estaria perdido. Praticantes das artes das trevas não pedem licença para atacar ou esperam que suas vítimas se recuperem em nome do espírito esportivo. Não importava quais fossem suas ambições, não duraria muito no mundo bruxo enquanto não adquirisse a destreza necessária para se proteger. Ele lutava para se livrar das amarras o mais rápido possível, mas podia imaginar o quão ridícula a cena pareceria do lado de fora. Um cara de quase 1,90m se debatendo no chão como um urso pego em uma armadilha. Adicione um elemento extra de humilhação pelo fato de ter sido logo Podmore a incapacitá-lo. Aquela disputa poderia acabar bem ali. E seria uma vitória perfeitamente justa. Dominique tinha sido mais rápida e seu ataque fora bem executado. Tinha que dar a ela algum crédito – o Incarcerous era, afinal, um feitiço de nível avançado. A disputa poderia acabar bem ali – e deveria, não fosse a determinação de Arnie em alterar aquele desfecho. Não sabia dizer quanto tempo passou tentando se libertar das cordas, mas aparentemente não tanto quanto havia imaginado. Não sabia dizer também por que Podmore não lançou outro feitiço naquele intervalo – distração, respeito, pena, espírito esportivo? Tudo que sabia é que, querendo ou não, ela tinha lhe dado a chance de se recuperar. E era hora da retaliação.
– Expelliarmus! – A beleza estava na simplicidade. Um feitiço defensivo simples, mas eficiente. Podia se lembrar das palavras de Miranda Goshawk em seu livro: "The Disarming Charm lies at the heart of a good dueling technique. It allows the duelist to rebound an opponent's spell in the hope that the rebounded spell will strike the opponent and leave him or her vulnerable to further attack." Não era um feitiço de natureza tão complexa quanto o Incarcerous e consequentemente não exigia a mesma desenvoltura, mas estratégia também era parte importante do jogo. Às vezes valia mais a pena recorrer aos encantamentos mais básicos do que se arriscar nos avançados. Especialmente levando em conta o efeito desejado. Desarmar o oponente lhe garantiria vantagem, independentemente do quão talentosa Podmore estivesse provando ser.
The Truth Seeker - Letter III
Nos últimos meses duas cartas minhas foram publicadas pelo Profeta. Parece um saldo positivo se ignorarmos as outras oito que enviei nesse meio tempo. E sinceramente eu não me incomodaria, não fosse a falta de vozes contrárias à posição do jornal na seção de leitores. Não é novidade para ninguém que a opinião de um veículo de comunicação fica clara através de suas escolhas editoriais: a diagramação de suas páginas, a seleção de suas pautas, a forma que são apresentadas, o que entra e, talvez principalmente, o que não entra em suas edições. Até a escolha de palavras de um jornalista é imbuída de carga opinativa, às vezes sem que o profissional sequer note. Portanto gostaria de deixar claro, antes de mais nada, que não estou condenando o Profeta por não corresponder ao ideal de imparcialidade jornalística (reconheço haver uma série de razões que o impossibilitam, como sugerido pela própria palavra “ideal”).
Dito isso, vamos ao que realmente me incomodou a ponto de despertar o impulso de escrever mais uma carta mesmo que 80% das minhas tentativas anteriores tenham sido frustradas. O colunista convidado da edição do dia 17 de março, Sr. Jugson, aproveitou o espaço para discorrer a respeito de um tema polêmico e, de forma não tão sutil quanto ele provavelmente imaginou, disseminar ideias no mínimo problemáticas. Bullshitting his way through the subject, said wizard managed to conclude in 42 lines (counted) that no harm would’ve come to muggleborns if they hadn’t insisted on this nonsense of being wizards. If only they had the common sense to know their places, am I right? Tudo bem, ele pode não ter usado exatamente essas palavras, mas suas implicações foram claras demais para passarem despercebidas. Antes de mais nada, culpar vítimas nunca ajudou a solucionar nenhum problema. É importante que tenhamos isso bem claro em nossas mentes. Then no, Mr. Jugson, muggleborns didn’t bring that upon themselves. Mas eu não deveria estar surpreso que o senhor pense assim, afinal uma pequena pesquisa me fez descobrir que não só a sua família é parte dos chamados “Sacred Twenty-Eight” (e suponho que orgulhosamente), como o senhor também é autor de inúmeras publicações sobre a temática – uma delas curiosamente intitulada “Blood Pact - The Muggleborn Threat”. Isso é sério? Uau. O que vem depois? Rumores de uma conspiração cuidadosamente arquitetada pelos nascidos-trouxas para serem vistos como vítimas e tomarem conta da sociedade bruxa? Espera aí, essa é de fato a premissa do livro. Bem sutil.
Convidar uma pessoa como essa para escrever uma coluna é de longe uma das decisões editoriais mais questionáveis do Profeta, e eu realmente espero que ofereçam o espaço para uma réplica pois só assim para eu não perder minha fé no jornal – ou na humanidade como um todo, sinceramente. Depois dessa já aguardo matérias divulgando uma conveniente descoberta dos “Protocols of the Elders of NonMagic-Born Folks”, se é que entende onde quero chegar. Em todo caso, por alguma estranha razão, ainda resta em mim uma fagulha de esperança de que minha reação negativa será publicada, ou a de qualquer outro leitor que compartilhe das mesmas preocupações. Se o convite do Sr. Jugson para escrever para o jornal foi apenas em nome da imparcialidade e da liberdade de expressão que nos provem isso deixando que as vozes da oposição recebam o mesmo espaço.
Em tempo, recomendo ao Sr. Jugson que revise suas definições datadas de status sanguíneo. Um indivíduo que herdou seu gene mágico de algum ancestral é, segundo o senhor mesmo, considerado mestiço. Contudo, já é amplamente aceito que os nascidos-trouxas tenham herdado o gene mágico, fazendo com que o termo seja, tecnicamente, mal empregado. Chamamos de “nascidos-trouxas” aqueles cuja origem do gene mágico não pode ser apontada, algo que passou por muitas gerações até se manifestar novamente. Podemos concluir a partir disso que o status sanguíneo nada mais é além de mera construção social, resquício de contextos histórico-culturais que já deviam ter sido deixados para trás há muitas eras. Não vou nem entrar no mérito de discutir sobre a fantasiosa conspiração ou a suposta inferioridade daqueles que têm sangue trouxa porque será como falar com as paredes, já me darei por satisfeito se o jornal fizer sua parte e publicar minha carta.
Seu persistente e inconveniente leitor,
The Truth Seeker
Arnie, está tudo bem. Mesmo. Tanto comigo quanto com o Will, nós só estamos um pouco brigados? Não é nada demais. Logo eu vou estar incomodando ele de novo.
É estranho ver vocês assim. O que está havendo?
Não tente me enrolar, te conheço melhor que isso. Sei que tem alguma coisa errada e gostaria de entender. Ele tá pegando no seu pé de novo? Quer que eu converse com ele? Quer dizer, que eu tente conversar.
Aqui você deixou isso cair no outro corredor.
Oh, Arnie é você. Desculpe, não consegui reconhecer de costas.
Uh, obrigado Tremblay. Estava distraído...
You didn’t... by any chance... Uh, never mind. Obrigado.
Okay, curioso fica bem melhor, você tem razão. Nós eramos muito novos quanto esse sentimento nasceu, eu não tinha coragem de falar para você e nem você para mim, tínhamos o Will no meio disso tudo e, cá entre nós, estávamos sempre muito preocupados com ele. Não gosto de pensar que caso a gente tivesse acontecido, nem que por um curto tempo, e não tivesse dado certo, nossa amizade acabaria e ai tudo ficaria estranho, confuso e parecendo estar errado. Eu tenho o Oliver agora. As coisas aconteceram do jeito que deveriam acontecer.
Eu amo meu irmão, eu só… Não sei mais, porém sim, a solução para metade dos meus problemas que são quase sempre causados por ele. Eu não contaria para ele nunca. Merlin, ele provavelmente explodiria ou diria algo como “graças a Deus”. Fora que quando eu falei sobre Oliver tive que ouvir um grande discurso do tipo “se afasta dele, para seu bem, Soph”, não quero pensar no tipo de discurso que ele falaria para gente.
Exatamente. Se tivesse sido diferente na época talvez hoje já não fossemos tão amigos, e eu não poderia correr esse risco. A sua amizade e a amizade do seu irmão significam muito pra mim. E bem, claro, Oliver. Ainda não estou 100% certo sobre esse cara, honestamente. But if you're happy, I'm happy. He better watch out, though. If he breaks your heart it's not only Will's homicidal rage he should be concerned about.
É, bem, acho que Will pode ser... um pouco superprotetor demais com você. Mas é só porque ele se importa. Não acho que a forma que ele reagiu à notícia de que você estava com Oliver seja a forma certa de lidar com as coisas, mas consigo entender. Dê tempo ao tempo, ele vai se acostumar à ideia. E se não se acostumar, deixe ele comigo.
Um cara como você? Arnie, você é uma das melhoras pessoas desse mundo para mim. Eu digo que é embaraçoso porque é um dos meus melhores amigos e gostou de mim e eu de você. Só por isso.
Will, sempre um problema em nossas vidas. Mas sabe, ele não faria nada contigo.
"Embaraçoso" ainda não é a palavra que eu escolheria. Curioso, talvez. Curioso como quando as coisas não são pra ser, não são. Digo, não sou um cara supersticioso nem nada, mas ainda assim acho fascinante como pessoas entram nas nossas vidas, as histórias se entrelaçam, sentimentos afloram e um dia uma palavra, um olhar, uma circunstância específica... uma força invisível faz tudo mudar, como o vento muda a direção de um veleiro.
E então aquilo que foi já não importa mais porque o momento passou e o que não foi entra pra infinita lista do que poderia ter sido.
Um problema em nossas vidas e talvez a solução pra muitos dos problemas em nossas vidas também, vamos dar a ele algum crédito. E não estou assim tão seguro quanto você de que ele não faria nada comigo se soubesse então vamos manter as coias assim.