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@autumn-tremblay
bselwyn:
Tudo bem, dessa vez você venceu. Por onde quer começar a estudar? Minhas notas estão relativamente boas ultimamente, não é como se eu precisasse me esforçar muito. Oh, agora fiquei decepcionado, tinha gostado da ideia de eles terem medo de mim. “Você é você”, certo. Não é como se a opinião deles mudasse algo, também. Sem querer ofender.
E o que você acha que eu estou fazendo, Autumn? Estou vendo por mim mesmo que o que fiz foi errado, estou me arrependendo e percebendo o quanto fui idiota de seguir o que outras pessoas me diziam. Não quero que me diga o que fazer, eu não preciso mais de algo assim, mas preciso de você do meu lado. Isso é errado? Não sei se deveria, mas soou como um desafio para mim. Por que acha que eu não teria coragem de lutar por nós dois? Acha que o que temos não vale a pena? Porque não é como eu vejo.
Eu gosto desse jeito. Se você conseguir estudar toda o capitulo de transfiguração na próxima hora podemos sair mais cedo. Desculpe, senhor inteligente. Não me diga que ficou chateado com isso. Ben, não é uma critica, mas você sabe como é seu jeito e além do mais digamos que você não é a pessoa mais querida na Hufflepuff por conta do Oliver, Sophie e todos os outros. Sei que a opinião deles não muda na para você, mas eles ainda são meus amigos também.
Perceber seus erros é bom, Benjamin. Não estou falando que não está fazendo isso, mas a questão é que mesmo você percebendo não é como se tomasse atitudes sobre isso. Eu estou do seu lado agora, mas vai ter o dia que você terá que decidir. Vai ter o dia que eu não vou poder estar do seu lado, pois a suas escolhas não deixam. Na medida do possível eu faço tudo para ajudar, mas essa luta não é minha. Não é como vê? Como pode falar que tem coragem quando você continua noivo daquela garota? É isso que eu digo suas palavras podem ser bonitas e verdadeiras, mas elas não são ações. Eu estou preparada caso não queria lutar por isso, mas não é como se eu não quisesse. Eu só estou preparada para o pior, pois eu já o vi acontecer e vejo ainda.
É questão de se preparar, pois eu não vou ficar toda esperançosa como uma garota ingenua para que chegue o dia e nada disso aconteça. Eu tento sempre por meus pés no chão por mais que minha cabeça esteja nas nuvens.
mia-bones:
Que coisa feia, você colocando a culpa na minha doce coruja. Quando ela te atacar de novo eu não vou te socorrer, esteja avisada.
Hey, nunca é cedo demais para começar a se cuidar. Não quero virar uma ameixa seca, muito obrigada. Excuse me? O que você quer dizer com ‘não arranjo um meio de liberar esse estresse’? Eu pratico esportes, estou no time de quadribol, eu gasto bastante energia se quer bem saber. Mas que bom que você está ‘liberando seu estresse’ com esse cara aí, que sabe-se lá por onde, ou em quem, andou se metendo. Bom pra você. Se pegar uma herpes de trasgo ai, não venha reclamar depois.
Hmm, então é só o que? Só, hm, prazer carnal ou coisa do tipo? Porque vamos ser realistas, passeando no bosque colhendo frutas que você não tá. Ele é noivo, Autumn. Tem certeza do que está fazendo? I mean, tudo bem que você não veja a pessoa horrível que ele provavelmente é, mas ainda é comprometido, não tem como isso ter um final feliz.
Sua coruja rouba seu chocolate, e ainda você diz que eu sou a culpada em toda essa história. Quando você pegá-a no flagra não vai se poupar do discurso eu te avisei, Mia.
Você é bonita naturalmente. Pode se cuidar usando recursos naturais como já faz como atividades físicas e tudo mais, mas não precisa ficar passando esse monte de creme no rosto. Você entendeu muito bem o jeito que eu quis dizer. Sempre fala de mim, mas como vai a sua vida amorosa? Eu sou limpinha está bem? E por mais estranho que pareça eu acho que o Benjamin também é, apesar de não confiar cem por cento nisso. Não se preocupe ainda cuido da minha higiene de modo exemplar, então nada de herpes de trasgo, credo.
É mais uma distração. Pelo menos eu acho. Não imagino que Ben iria sério com isso ainda mais com todas as coisas na casa dele, e eu não vou morrer por conta disso. Então eu aproveito enquanto tudo está bem, e quando não estiver eu já estou preparada para seguir em frente. Juro que quando descobri que ele estava noivo eu tentei parar tudo. Eu não iria tão baixo assim, Mia. Até eu conhecer a adorável noiva dele, e então eu nem ligo mais para isso. Eu sei que ele é uma pessoa horrível, e ele também sabe. Finais felizes não existem no mundo real, pode tomar meus pais por exemplo. Eles se amavam, e ainda assim não foi suficiente.
bselwyn:
Mas eu não vim te encontrar para estudarmos, o que significa que não estamos estudando juntos. Nós fazemos outras coisas juntos. Você pode estudar depois. É mesmo? Seus amigos tem medo de mim? Isso é bom, eu gostei. Há uma enorme diferença entre adorável e como eu realmente fico quando estou com ciumes.
Como pode não me julgar pelo que eu fiz? I hurt someone that day. Enquanto você tentava ajudar, eu só piorei a situação. E só fiz isso porque meu avô achava que era o certo, porque por trás da máscara de bom homem do meu pai, foi dessa forma que ele me criou, para rejeitar traidores de sangue e nascidos trouxas. É algo que eu preciso carregar. Ok, o que você está tentando fazer? É uma espécie de vingança ou o quê? Primeiro: pare de imaginar um futuro para mim com a Elen. Segundo… Não tem um segundo ponto. Isso parece um pesadelo.
Só que eu estava estudando. Você deveria me usar como exemplo e estudar um pouco. Não precisamos só ficar nos beijando o tempo inteiro. Passar um tempo um com o outro estudando também é passar tempo. Não é bem medo, mas acham que você é um idiota e tecnicamente você é um. Eles não acham também que eu deveria estar com você, pois bem você é você, e ainda tem uma noiva, mas aqui estou eu. De toda forma é só para te perturbar.
Não é que eu não julgo, mas você tem que ver por si mesmo que tudo que fez é errado. Não posso ser a responsável por isso. Você tem que ser capaz de mudar por si mesmo, não porque outra pessoa falou. You’re nothing like your father. O único capaz de dizer o que deve fazer ou o que seguir é você, então não precisa vir com isso. Mas não vamos falar isso. Não é vingança é a realidade. O que você acha que vai acontecer daqui a pouco? Não vai ter coragem de falar com seu avô, então você vai se casar com a Elen. Eu vou seguir minha carreira separada e no começo ainda vamos querer ficar juntos, mas vai chegar uma hora que vai parar. Nós dois vamos seguir em frente, e você terá toda uma família com aquele pesadelo. Isso é o que te aguarda se você não começar a fazer suas escolhas.
bselwyn:
Não tiro sua razão, mas podemos pensar no futuro amanhã. Hoje nós só precisamos tirar esses livros daqui e aproveitar o pouco tempo que temos antes que alguém apareça para incomodar. Muito engraçado, Autumn. Quando foi que você aprendeu a fazer piadas como essa?
Eu nunca perguntei porque você sempre disse que estava confusa quanto a isso, não queria te pressionar. E, hm, podemos não- Quem sabe não é melhor não falarmos sobre o Festival? Você quer ser healer então. Isso é interessante. Eu nunca precisei pensar nessas coisas, sabe, trabalhar. Acho que agora isso vai ter que mudar.
O futuro se faz hoje Benjamin Selwyn. Você sempre tira os livros e acaba me distraindo é por isso que estudarmos juntos nunca é uma boa ideia. As pessoas não vão aparecer a maioria tem medo de você, sabia? Então meus amigos nunca se aproximariam. Desde que eu percebi que você fica adorável com ciumes.
Sem problemas, mas sabe que um dia vamos ter que discutir isso, Ben. Vai ser melhor para você tirar isso da sua mente, ou do peso que carrega. Eu imagino a situação e não é como se eu fosse te julgar por ela. Acho que você não vai precisar não. Elen banca você sem problema nenhum. Vai ser o noivo tira colo que vai ter que cuidar daquelas crianças mini-Elen’s gritando com você pela casa. Ai quando uma delas tiver doente você vai levar até o hospital e me ver toda maravilhosa e ver como sua vida é pesadelo sem mim.
bselwyn:
Ah, não me venha com essas desculpas. Foi a mesma coisa semana passada, como se nos víssemos todos os dias e você não tivesse tempo para estudar. O que você faz quando não estamos juntos, huh?
Espere, carreira? E eu só fico sabendo sobre isso agora?
Não são desculpas. Temos que pensar no futuro, e você também. Então pode tratar de focar nesses livros um pouco, Benjamin. Quando não estamos juntos? Vamos ver, eu tenho meus amigos, tenho os clubes que eu participo, os outros garotos que eu fico. Não é como se meu mundo girasse em torno de você como você quer. Então deixe de bico e pode abrir o livro vou fazer você estudar também.
Você nunca perguntou. E sinceramente eu não fazia ideia do que faria quando o ano acabasse, mas depois de ajudar a cuidar as pessoas com a Mia no festival eu quero fazer isso. Quero cuidar das pessoas, sabe? Foi uma situação horrível, mas é isso que quero fazer.
mia-bones:
Boa tentativa, mas o Ringo não come chocolate, ele é uma coruja fitness, só come vegetais. Então é assim que você quer jogar, tudo bem, tudo bem.
Sem críticas aos meus cremes, eu tenho que manter minha cútis rejuvenescida, Merlin sabe todo o estresse que a gente tem diariamente nesse castelo. Eu pensei também, mas aparentemente os dois são. Me diga, o que fiz pra merecer isso? I’m such a good girl. Eu deveria ganhar um prêmio de filha do ano! Uau, estamos praticando deboche, Autumn? Bom saber. Olha, eu já disse minha opinião sobre esse garoto aí, mas você é grandinha para saber no que está se metendo. I rest my case.
Até mesmo as mais fitness das corujas têm suas recaídas. Foi isso, a culpa é toda do Ringo.
Você não precisa desses cremes, Mia. Você é jovem. Sua pele é perfeita, então não tem porque estragá-la colocando esses produtos antes da hora. Você está estressada, pois não arranja meios de liberar esse stress. Olhe para mim? Apesar de tudo que dizem sobre o Ben eu não tenho uma coisinha de preocupação no rosto estou até mais leve. Não reclame, eu seria louca para ter irmãos. Seus irmãos não devem ser tão ruins assim, se não eu teria conhecido eles. Afinal você a Summer já declararam meu dedo podre mesmo. Eu sei muito bem como o Ben é, e sinceramente eu nem ligo. Não é como se eu fosse casar com ele ou algo assim. Alias, ele está noivo. Então não é como se eu tivesse esperança de algum futuro entre nós. É só algo divertido e distrativo.
mia-bones:
A sua cama é do lado da minha e você é a única que sabe meu esconderijo, então não veja com essas desculpas esfarrapadas, Tremblay. Vou cobrar com juros e correção monetária.
Que ruga? Por Helga Hufflepuff, que ruga? Vou ter que encomendar aquele creme de cerejas silvestres de novo. São só umas coisas que o Max me contou, mas não me pergunte que prometi guardar segredo. Então vamos falar de você? O que você anda fazendo que foge do meu conhecimento?
Só porquê nossas camas são uma do lado da outra não signifique que eu coma seu chocolate. Eu juro, juradinho. Tem certeza que não foi seu bichinho? Eu sou inocente até que se encontrem as embalagens.
Uma aqui bem no centro das suas sobrancelhas. Você está ficando velha consigo ver uns três fios de cabelo branco e daqui a pouco toda a sua mão vai ficar enrugada. É brincadeira, Mia. Não é como se você tivesse realmente com rugas, mas você ta meio preocupada tipo olhando as coisas e pensando em um ponto fixo. Imaginei que algo estava errado. Sem cremes para pessoas idosas. Ninguém quer que você cheire a pessoa idosa, a não ser quando for idosa. O que só vai acontecer a muitos anos daqui. Pensei que o irmão que te desse preocupação fosse o Edgar. Agora seu outro irmão virou um garoto-problema? Interessante. Nada. Eu ando bem focada nos meus estudos, e fazendo tudo na linha para que a mamãe Amelia tenha orgulho de mim. Não é como se eu esperasse minhas colegas dormir para me aventurar pelas madrugadas de Hogwarts com um sonserino que elas reprovam.
Claro que não fui eu que peguei seu chocolate. Eu geralmente sou a pessoa que arrumo aqui e distribuo chocolate. Estou ultrajada nesse momento.
Você ta com aquela ruga de preocupação na testa. Algo que eu deveria me preocupar?
Eu não tenho tempo para beijos, Ben. Eu tenho que me concentrar nisso aqui é muito importante.
Não faça essa cara. Depois do que aconteceu eu estou feliz por finalmente ter descoberto por que carreira quero seguir, mas para isso tenho que me dedicar. Deveria usar esse tempo para estudar um pouco também. Se você prometer se comportar, estudar e não ficar fazendo essa carinha. Eu prometo te compensar depois.
(flashback) So much to mention but you can’t find the words | Autumn & Benjy
O tempo havia sido generoso com o casal de amigos. Depois que havia se precipitado para conseguir atenção de Autumn, a amizade entre ambos poderia ter desandado. Não somente havia entrado numa briga, como também havia a beijado em seu terceiro ano. A lufana poderia se afastar por medo de ferir os sentimentos ingênuos de Benjy. Como também poderiam terem se afastado quando um clima estranho perpetuou um pouco depois de decidirem que deveriam sustentar o relacionamento como amigos, descartando a ideia de um laço amoroso. O tempo havia fortalecido o relacionamento deles. Benjy a via não somente como sua melhor amiga, como também um irmã. Emma, filha dos zeladores de sua casa, havia crescido junto com o rapaz e ele via muito de Autumn nela. Uma mesclagem de sentimentos ocorria quando o carinho por sua melhor amiga era direcionado a Emma, como o amor fraternal de um irmão era direcionado para a lufana. “Juramento pelas suas habilidades em Xadrez? Elas são duvidosas, se eu fosse você, jurava por algo confiável e menos inconstante.” Implicou com a loira enquanto dava um tapa de leve em suas mãos por tentar apertar suas bochechas. E ele não estava mentindo, as habilidades de Xadrez da amiga era como um mistério para ele. Contudo, implicava na parte de confiabilidade, pois se ele perdia toda vez que jogava contra a garota não era uma coincidência.
Fenwick não se importava em perder sucessivamente para a Autumn, nem esperava pelo chance da mesma ir mais leve com ele, dando-lhe brechas para que pudesse ganhá-la. Aprendia muito mais analisando as jogadas da melhor amiga do que se tivesse lendo algum livro sobre jogabilidade ou pedindo supervisão do professor responsável pelo clube. O modo de Autumn encarar o jogo era diferente a cada partida e com jogadas opostas às anteriores. Algumas vezes pegava a si mesmo ponderando a forma de pensar da garota para compreender melhor o que estava fazendo. Mas como ela mesmo havia pontuado, Tremblay se arriscava, colocava tudo a perder numa partida. Benjy, por outro lado, era muito precavido e se continha, assim dando brechas para ser interceptado. Analisava com cuidado a expressão calada de sua oponente diante do tabuleiro. Inicialmente, quando ingressaram no Clube, incomodava-se com o repentino silêncio da garota. Autumn costumava sempre estar a falar e era estranho vê-la tão quieta. Acostumou-se eventualmente com a loira daquela maneira. “É, você tem um grande ponto. Pensar demais pode nos limitar, mas algumas vezes é um ato necessário, concorda? E, ei, me senti ofendido aqui.” Sua dramatização foi interrompida por sua risada que ecoou no silêncio da sala com o ato infantil da amiga. As feições fechadas de alunos mais próximos deles, que estavam irritados por estarem conversando tanto, foram direcionadas a Fenwick por ter aumentando o volume do barulho já iniciado. Contudo, o rapaz ignorou. Não era como se estivessem na biblioteca para tentarem manter o silêncio absoluto. “O que eu estou vendo é companheiros de clubes irritados conosco por continuarmos a conversar. See? Bad influence. Deal with it, Tremblay.” Riu novamente após sua implicância, porém mais baixo para não serem chamados a atenção.
Ergueu as sobrancelhas diante do seu discurso. Qualquer um que não a conhecesse bem, cairia em cada uma de suas palavras. Autumn, de fato, não era um má influência como estava a pintando. Contudo, não era o que ele chamaria de quietinha. Conhecia-lhe bem para atestar o que estava dizendo. “Oh, por favor. Quase faz nada? Só se for de conhecimento público. E o que a senhorita faz por debaixo dos panos?” Benjy suspeitava que Autumn escondia informações de suas ações no dia-a-dia para ele. Havia alguns furos encontrados em suas conversas, mas nada que o levasse a querer exigir a verdade, se é que estava certo. Se houvesse algo escondido, confiava na amiga para que lhe contasse, se fosse necessário ou se sentisse aberta para isto. O que lhe preocupava um pouco era que Autumn sentia demais, os seus sentimentos eram calorosos e queimavam rápido como brasas ardentes vívidas. Essa característica poderia lhe render más escolhas. “Se eu fosse você não usaria Ethan como exemplo. Ele tem as mais malucas ideias de diversão, me coloca no meio e no dia seguinte estamos fazendo detenção. Outra má influência e eu também aponto na cara dele, se quer saber. Mas, é verdade, ele sabe como se divertir. Não é a toa que eu sempre acabo indo na lábia de vocês.” O rumo da conversa evoluiu para um assunto delicado para Benjy no momento. Seus pensamentos foram centrados no assunto e deixou de pensar mais em suas táticas de jogo. De qualquer forma, o jogo já estava perdido. Pensando menos em suas jogadas talvez produzisse algo inspirador. “Eu não estou te culpando de nada, espera aí. Apenas estou apontando que minhas únicas experiências tiveram coincidentemente o mesmo fim. E nem pense em me anunciar, você sabe que eu não procuro esse tipo de coisa.” Benjy nunca teve necessidade de procurar garotas para apenas ficar e matar carência. Tanto que suas experiências com garotas eram poucas, duas se resumiam a sua melhor amiga e sua ex-namorada havia se tornado um grande amiga. E agora havia Caroline, uma bagunça que só em sua cabeça.
“Somos uma bagunça, então. Porque eu não sou bom nisso, Autumn. Mas eu estava pensando em falar com ela, não jogar diretamente os sentimentos assim, quem sabe chamá-la propriamente para um encontro? Seria mais sútil e menos propenso a um desastre, certo? E se ela disser o contrário, não fará nada além de me distrair, ouviu mocinha?” Apertou as suas bochechas dando um sorriso de agradecimento pela demonstração de preocupação com ele. Não precisava que ela comprasse suas brigas, não era como se fosse ficar de coração quebrado em pedaços. Se não desse certo, era porque não era para ser, ponto final. “Seriuosly? You gonna let me win?” Se não fosse pela frase dita pela amiga, não perceberia que ela havia dado um lance propositalmente. Sua jogada despreocupada havia dado mais certo que todas suas jogadas anteriores. Benjy sorriu sacana pra Autumn. Derrubou todas as peças restantes no tabuleiro propositalmente. “Ops. Eu não acho que era esse tipo de descuido que você sugeriu, hein?” Brincou dando por encerrado a partida sem um vencedor.
Muitas vezes Autumn gostaria de entender como arranjara amigos tão diferentes de si. Talvez por projetar neles tudo que um dia ela pensava que seria quando era pequena. Autumn acabou mudando muito, mas seus amigos ainda mantinham-se os mesmos de sempre e isso sempre fazia com que a mesma se mante-se sã. Eles eram os verdadeiros responsáveis por Autumn ter um porto seguro na Hufflepuff. Era por isso que tinha tanto medo de se formar. Ela nunca havia sentindo aquela sensação de presenciamento fora de seus salões comunais, e voltar para casa não era uma opção uma vez que ela nunca teve uma casa. Por estar nessa constante mudança para agradar seus pais, Autumn nunca teve algo fixo. Agradar seus pais era tudo que ela queria, e em Hogwarts ela aprendeu o que foi mais importante para ela. O que ela poderia fazer para agradar a si mesma. Todos aqueles anos serviam para isso, para Autumn aprender quem realmente era. Isso ia contra a tudo que sua avó havia ensinado sobre ser uma dama, ou como deveria agir, até mesmo sua postura com seus pais. Autumn acreditava que havia crescido, e mudado. Isso era tudo graças aquelas pessoas que fizeram ela se sentir tão confortável, a ponto de não precisar ter a insegurança de ter que agradá-los. De poder confiar o suficiente para simplesmente ser ela mesma. Benjy, a sua frente era a prova viva de uma pessoa que com o tempo ela só tinha a agradecer e que mesmo que tivessem tido alguns tropeços ela sempre soube que poderia contar com ele para qualquer coisa.
“Confiável e inconstante? Olha como você não confia nas minhas habilidades estou ultrajada. Estou tão chateada que vou pedir para trocarmos de parceiro quem sabe você não se diverte mais com a Carrow. Ela tem um sorriso bem agradável, não acha?” Caçou, pois não conhecia nada sobre Alecto e francamente não possuía interesse algum em saber mais sobre ela. Poderia ser um pouco de hipocrisia uma vez que Autumn sempre estava perto da Slytherin, mas de todo jeito era só alguém que pelos boatos que ouvia não parecia ser tão sociável entre lufanos. Sem contar, que provavelmente Benjy perceberia isso e entraria no jogo com ela. “Ou posso chamar a Emmeline. Mesmo estando tão apaixonado, e com seus sentimentos resolvidos aposto que uma ex não é algo que queria nesse momento.” Agora ela já estava passando claramente dos limites. Autumn tinha esse problema de que algumas vezes ela agia sem pensar muito, e não sabia se isso poderia ou não magoar Benjy. Esperava que não. Eles já havia passado por tanta coisa que ela já sentia confortável em fazer brincadeiras daquele tipo com o mesmo. Assim como ela estava vendo todas aquelas brincadeiras que ele estava fazendo com ela. Aquele era o problema de não conseguir ler a mente das pessoas. Nunca dava para se entender o que realmente passava com elas. Até que ponto uma brincadeira não poderia abusar? Autumn vivia abusando e sabia disso. Até mesmo para encorajar seus amigos. Provavelmente em um futuro se Benjy não tomasse o primeiro passo com Caroline ela seria obrigada a chamar a mesma para uma de suas atividades e sugerir algo entre os dois. Ela queria somente o melhor para seus amigos mesmo que algumas vezes ela tendesse a forçar demais a barra. “O que eu faço debaixo dos panos é sujo demais para seus ouvidos limpinhos. Então vamos fingir que você não imagina o que eu faço e acreditar que tudo que eu faço são meus deveres. Sem contar que eu nesse mundo paralelo chegaria extremamente cedo, e faria tudo que a Mia pedisse. Acho que seria o mundo dos sonhos dela.” A ironia em seu tom de voz era algo que estava deixando a menina extremamente confortável.
Não ligava em nada para as pessoas que ao lado deles pediam silêncio. Se eles precisavam de silêncio para seu comportarem a culpa não era de Autumn. Xadrez Bruxo era um jogo barulhento, e que fazia uma bagunça enorme. Autumn simplesmente sabia como lidar com tudo isso, e ainda continuar agindo como se estivesse em uma conversa. Uma vez que aquilo ainda era um clube e que eles estavam fazendo tudo aquilo para se divertir e aliviar a pressão de todas as aulas e exames. Ali dentro não importava se você tirasse nota máximo ou mínima, então a mesma não se importava nem um pouco com o que os outros estavam reclamando deles. Ela estava em seu direito de agir como bem entendesse. “Ethan é divertido. Eu sou divertida. Sinceramente não vejo motivos para você não nos achar as melhores companhias nesse castelo. Você é muito sortudo de ter pessoas tão legais para tirar você dos trilhos.” Um sorriso divertido se instalava nos lábios da lufana. Que apenas tentava agir como se não estivesse falando de si mesma. “Toda essa história de se sentir ofendido, e que está sendo ofendida aqui sou eu. Como ousa pensar que só porque somos divertidos somos más influências? Essas pessoas caretas aqui que são o problema de verdade. Se tivéssemos menos pessoas assim acredite em como Hogwarts seria um lugar melhor. Pelo menos esse é o meu ponto.” Usou as mãos afastando-se e colocando-as lado a lado de seu corpo enquanto fazia um olhar de desentendida. “Algumas pessoas são apenas entendiantes demais. Não seja como elas. Quando você tem vários bons exemplos com quem se andar como eu.” Terminou e usou sua mão para fazer uma referencia a si mesma. Enquanto dava uma risada dessa vez mantendo a conversa mais baixa. Já que gostaria que aquilo fosse mais algo entre eles do que outros alunos que estavam provavelmente irritado com a alegria dos dois se pronunciassem. Os olhos da menina apenas reviraram, e seguiram para o jogo a sua frente.
Sorriu um pouco sem graça quando o mesmo puxou suas bochechas com a mesma havia feito. Corando um pouco. Eram coisas assim que deixavam-na cada vez mais com a certeza que fizera os amigos certos. “Bom, eu não sou a maior fã de encontros. Acho que encontros são esquisitos e que somente travam as pessoas, mas eu não sou você. Aposto que deve ser ótimo com encontros e tudo mais. Eu sou ótima em outros tipos de encontros, e acho que é esse que esteja planejando com Caroline, então não irei opinar para o bem de vocês. Não responderei pelos meus atos, Benjy.” Piscou para ele, mas depois que ele tinha pedido ela não teria coragem de fazer algo sobre isso. Deixaria, ou pelo menos, tentaria deixar Benjy agir por conta própria. Como se fosse uma mãe vendo o filho crescer e tinha orgulho do homem que Benjy estava se tornando. Como se ele fosse uma espécie de irmão mais velho ou algo do mesmo gênero. Pode ver o final o que o mesmo fez, e que as peças não haviam ficado nada contentes com o resultado e então encarou o mesmo com uma mistura de encanto e surpresa. “Esse sim não é o Benjy que eu esperava. O que acha de sair daqui e tomar um suco? Sinceramente todo esse cheiro de queimado das pessoas pensando está acabando com meu nariz.” Quase mostrou a língua para o resto dos alunos, mas preferiu manter sua paciência intacta.
Seasons Of Love | Autumn&Summer | Pós-PT
- Ai meu deus! Eu vou precisa de anos de terapia para tirar da minha mente a sua imagem, cheia de baunilha e cercada de caras. Você me traumatizou. – Summer riu. Não era bem uma imagem muito boa no final das contas, preferia deixar esse tipo de coisa para todos os meninos da escola, eles poderiam muito bem ficar imaginando a menina por ai e com qualquer coisa que fosse. A loira sempre achou maravilhoso o jeito que a amiga não tinha problemas com as coisas que fazia, tinha até mesmo orgulho dela por isso. Já havia conhecido tantas garotas que mudavam de personalidade ou eram julgadas pelas escolhas que faziam ou que tentavam usar garotos e sexo para esconderem alguma suposta falta de afeto que sentiam, mas Autumn estava bem com isso e ainda era a mesma garota que Summer havia conhecido quando criança, não tinha problema nenhum com as coisas que fazia e isso para ela estava ótimo. –Eu tenho um irmão mais novo e por culpa sua eu não vou conseguir mais olhar para ele. If you think i’m a prude, you should talk wih Theo. Sério, esses dias a gente estava conversando sobre essas coisas e eu contei para ele sobre um garoto com quem eu tinha ficado e, for Merlin’s sake, ele ficou mais vermelho que um morango. E não é como se a gente nunca tivesse falado disso antes. – a relação entre os irmãos sempre foi muito aberta e ambos conversavam sobre tudo. Summer não se intrometia na vida do irmão e nem ele na dela, mas não podia negar que tinha começado a ficar de olho na Amber depois dele ter falado dela. Para a mais velha, não demoraria muito para ela se apaixonar por Theo e ela torcia para que eles dessem certo juntos. Mas claro que Summer era muito suspeita para falar sobre isso. Após essa conversa deles, ela percebeu que Theo teria grandes problemas para continuar com a relação aberta que eles tinham por estar chegando em uma idéia mais complicada e agradeceu por ter Autumn e Minah. Summer amava Autumn como se ela fosse a irmã que nunca pode ter e nunca havia de fato entendido o que se passava entre a mãe das duas. Afinal, sua mãe sempre deixou claro que havia saído do mundo bruxo assim que ela nasceu, mas ainda ia lá e visitava a mãe de Autumn sempre que podia, levando os filhos consigo. Claro que a garota não reclamava, se não fosse por isso não teria conhecido Autumn e já não se imaginava sem a amiga.
Quando criança, nem Summer e nem Theo conseguiam ver a preocupação da mãe em relação as coisas que os dois faziam, eram animados demais e focados demais um no outro para poderem ver o quanto a mãe estava preocupada, mas, após começar a crescer, a mais velha passou a enxergar o modo como a mãe parecia nervosa sempre que ela falava sobre o pai de Autumn ou somente sobre a garota, no começo achava que era somente um medo de uma mulher que havia passado tempo demais longe daquilo tudo, mas atualmente ela já estava começando a pensar diferente. Por que sua mãe teria largado tudo? O que tinha acontecido de verdade com seu pai? Sempre que ela perguntava, Amélia desconversava e vinha com perguntas aleatórias, algumas até mesmo sobre a família Tremblay e sobre o purismo. Ela sempre deixou muito claro o quanto queria que a filha ficasse longe dessas pessoas, chegava a ser até mesmo ridículo o quanto a mãe tinha medo dessas coisas. Entretanto a garota havia obedecido até aquele ano. Summer nunca havia sido uma garota curiosa, muito pelo ao contrario. Pelo menos até Noah aparecer ela havia ficado o mais longe possível de todas aquelas pessoas e deixado seu irmão longe também. Só estava começando a ficar cansada de tantos segredos. Seria tão ruim assim se ela soubesse um pouco mais sobre seu pai? Ou se fosse visitar Autumn sozinha? A verdade era que ela estava incrivelmente cansada da mãe falando sobre como as coisas eram perigosas. Ora, Summer sabia disso muito bem e sempre havia se cuidado, o problema era que as preocupações iam sempre para ela e quase nunca para Theo. Era Summer que recebia cartas, era Summer que tinha que responder em menos de uma semana e era Summer que tinha que cuidar o irmão. Mesmo longe, ela sentia que a mãe estava muito mais perto do que ela gostaria que estivesse.
- O que? Contar alguma coisa? Eu? Não. – ela negou rapidamente, sentando-se em um banco que estava ali por perto. – Você sabe que minha vida não é tão animada assim. – brincando, ela voltou a tomar seu sorvete. Summer não tinha um momento quieto e agradecia por isso, sua inquietude fazia com que a garota precisasse estar sempre fazendo alguma coisa ou falando alguma. Por essa e outras razões aceitava entrar no meio das confusões de Theo. Claro que aceitava o que o irmão fazia para poder cuidar dele e não o deixar sozinho com isso, mas em grande parte era porque ela realmente gostava de fazer alguma coisa com ele e, bem, não seria ela a negar que aquilo era realmente divertido. Os irmãos Collins-Prince não haviam feito tantas coisas assim, entretanto ela estava satisfeita e só esperava que o irmão não resolvesse jogar tudo para o alto e enlouquecer assim que ela saísse da escola. – Oh, oh, na verdade eu tenho uma coisa sim. – ajeitou-se melhor no banco para poder olhar para a garota a seu lado. Sua voz apareceu mais animada do que deveria estar. Summer havia se assustado quando Dedalus se declarou para ela, ainda pensava muito em Noah, e ficou incrivelmente confusa com isso. Não tocaram no assunto desde o ataque, ambos sabiam que isso trazia mais coisas do que queriam e Summer não achava justo ficar com ele agora. – E não falar que já sabia, okay? Vai cortar toda a emoção de uma noticia de verdade. Bem, eu acho que o Dedalus gosta de mim. Ele basicamente disse isso no festival antes de todo aquele ataque acontecer e a gente se perder. I know he is not super hot bad guy but… he is really sweet. We’ve been friends for a long time and it’s like he knows me better than I know myself. – voltou sua atenção para o sorvete a sua frente, mas não o levou a boca. Ficou pensando que por mais que amasse Dedalus, ele não sabia tudo e nem ela. Suspirou. – It’s not fair to him. - Summer olhou em volta, havia ouvido algumas risadas e uma delas em particular chamou sua atenção. Seus olhos encontraram Noah parado em uma roda de amigos, ele ria, o que ela achava que não era muito do feito dele. Os cabelos loiros brilhavam com a luz do sol. Um grande sentimento de raiva tomou conta de Summer. Ela teve vontade de levantar, andar até ele e gritar, bater, estuporar, fazer qualquer coisa que o pudesse machucar, mas não o fez. Sempre que o olhava enxergava o garoto que havia ficado com ela no verão e depois o garoto que havia a torturado. Ela sentia ódio e não tinha vontade de ir até lá. Jogou o resto do seu sorvete no lixo mesmo que ele ainda não estivesse no final. – Muito doce. – rindo, voltou a se virar para Autumn, dessa vez ficando de costas para o garoto. Ignorou a risada dele enquanto pensava em um assunto mais leve para elas conversarem.
- Ai meu deus, eles não podem só ficar quietos? – protestou quando as risadas e os comentários atrás de si finalmente a irritaram. Olhou por cima do ombro para poder ver Noah de novo, algumas vezes ela pensava que gostava de se machucar e de manter a raiva em dia. Virou novamente para Autumn. – Eu sei. – começou antes que a outra falasse alguma coisa, colocando as mãos em forma de redenção. – Nem todos os slytherins são ruins, eu deveria ter mais paciência, stress faz mal para a pele e Noah Avery deve beijar muito bem. – ela revirou os olhos. – E ele beija. – acrescentou depois de um tempo pensando em como ele realmente beijava bem. Pelo menos isso o garoto conseguia fazer de bom. – Isso não muda o fato de que eu não suporto aquele cara. Eu espero que um hipogrifo passe por cima dele e estrague aquela cara linda que Deus deu pra ele, ai ele teria que andar com uma mascara para sempre e isso deixaria meus dias muito mais felizes e fáceis. Sério, ele é muito bonito para eu conseguir perder a paciência total com ele. – revirando os olhos, ela respirou fundo. – Saiba que meu problema não é com todos os slytherins, até gosto de alguns, meu problema é com ele em especial. – justificou-se, encolhendo os ombros. – Deixa eu te perguntar: o que está acontecendo entre você e aquele Ben Sely-alguma-coisa? Mia veio me perguntar o que eu achava dele e eu fiquei curiosa, o que é bem raro de acontecer.
Depois de um tempo até mesmo Autumn percebeu que o que havia falado poderia ter passado um pouco dos limites. Não que ela se importasse, pois ela sempre pregou falar o que estava em sua mente. Independente se estava certo ou errado. Muitas das decisões da lufana eram assim. Nada premeditadas e sempre colocando tudo em jogo. Autumn sempre era mais confiante em gostar de si mesma do que fazer algo para agradar as outras pessoas. Era assim com todos a sua volta. A única pessoa que fazia com que a mesma agisse de uma forma diferente era sua avó paterna. Autumn nunca pode relaxar completamente na presença dela, e talvez por ser a única em sua família que ainda pregava os conceitos puristas e de como uma dama deveria realmente se portar Autumn sentia-se aprisionada. Como se toda aquela elegância, e modos que deveria agir não fossem quem ela realmente era. Autumn por mais que tivesse aprendido e feito tudo que a mulher desejava não conseguia se encaixar naquele contexto de ser apenas a esposa de alguém. Sua própria avó não se encaixava nesse perfil. Autumn sempre a vira como uma mulher independente, mas quando as palavras eram vindas a mesma começava a duvidar de todo esse pensamento. Autumn nunca entendeu o que aconteceu entre seus pais. Se como o amor deles simplesmente acabou e se transformou em brigas. Em que um não conseguia estar na presença do outro e como constantemente não tentava arrastar a menina para isso. Por mais que Autumn quisesse ajudar os pais a resolverem aqueles problemas, ambos diziam que aquilo não tinha nada relacionado a filha. O que era estranho, pois pelo que mais eles brigariam? “Theo is a sweetie, too. Apesar de que com o tempo ele se transformou em um belo rapaz, não acha? Ele tem toda aquela áurea mais aventureira que brilha sobre ele, mas ainda assim ele é bom demais. Assim como você. Apesar de que seus últimos discursos andam puritanos demais para meu entendimento. You’re missing all the fun.” Brincou balançando os ombros e conjurando um lenço novo a partir de um papel que achou perto da loja de doces. Usou para limpar o rosto do sorvete que já derretia e manchava sua roupa. Passando também pelas partes já manchadas. Depois esticou para a amiga. “Peace?” Brincou como se estivessem pedindo trégua da brincadeira que haviam feito a pouco tempo.
Seus olhos passaram da amiga para si uma vez que estava arrumada novamente. Autumn gostava de andar daquele jeito. Sempre o mais impecável possível. Mesmo que algumas vezes ela parecesse elétrica demais ou apenas disparando a falar como o que acontecia quando se estava com uma de suas amigas mais próximas. Um dos casos era quando passava noites em claro conversando com Mia sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada. Como se pudesse olhar para cima e saber que tudo estava no caminho certo. Quando na verdade, a mesma se sentia muito perdida em relação a tudo que vinha acontecendo. Aquele não estava sendo um ano bom. Desde a morte do aluno lufano a Hufflepuff sentiu como o ar estava um pouco mais pesado de se conviver, mas com o tempo aquele sentimento foi se alterando para eles conseguirem alcançar a paz novamente. Depois vieram os ataques no festival e no acampamento. Por mais que fossem ainda assuntos novos e que todos queriam esquecer ou fingir que nunca aconteceram, ainda estava-se lá para quem conseguia lembrar. Ainda era algo fresco e para Autumn havia feito uma grande importância. A mesma conseguira pelo menos fazer um esboço do que queria fazer. Por mais que algumas vezes ela acreditava na ilusão que Benjamin falava sobre um futuro que ambos pudessem ficar juntos, internamente ela pensava que isso fosse apenas algo da boca para fora, Autumn sempre havia sido muito insegura com seus sentimentos. Ainda mais depois do que acontecera com seus pais, e tudo que ela não queria era acabar com alguém que ficasse discutindo como seus pais faziam, mas eventualmente quando pensava no futuro ele era a única pessoa que ela conseguia ver e isso estava acabando com ela. Uma vez que ela nunca fora do tipo que queria se apegar a alguém. O futuro era muito improvável.
Vendo o nervosismo de Summer deu um pouco de risada. A mesma sempre parecia andar naquela linha de normalidade. Ela não era como a Autumn que enlouqueceria e faria algo estúpido. Ela parecia ser o tipo de pessoa que viveria a vida dela fazendo exatamente o que se era esperado. Uma vida segura, assim como Benjy. Isso deixava Autumn tranquilo, pois sempre teve seus amigos em um patamar que nem mesmo ela conseguia se colocar. Eles estavam acima de qualquer outra pessoa até mesmo de si. Por conhecê-los tão bem Autumn também sabia quando estavam mentindo. Summer era tão doce que Autumn sabia que o quanto mais ela perguntasse ou tentasse tirar algo da menina ficaria mais fácil de descobrir o que a mesma estava planejando ou até mesmo escondendo. Poderia até mesmo ser os dois, pois ela via Mia e Summer conversando secretamente e isso deixava Autumn muito inquita. “Você está precisando um pouco de mim na sua vida. Ou pelo menos de algumas decisões. Daqui a pouco vai se tornar aquele tipo de pessoa. Que são as extremamente chatas. Você é muito bonita, tem um senso de humor que mesmo que às vezes seja duvidoso ele aparece se pressionado da maneira correta e o mais importante você me tem como amiga. Estou me sentindo no dever de fazer algo sua calmaria está me deixando nervosa sabia? Acho que devemos beber. Acho que você se soltara mais depois de alguns copos.” Brincou enquanto revirava os olhos e usava a bebida como desculpa para tentar arrancar algo da mesma. A bebida seria a melhor maneira caso ela quisesse realmente arrancar algo da amiga. Quando a mesma falou que tinha algo Autumn simplesmente revirou os olhos. Como se ela não soubesse, mas ela estava tentando respeitar o espaço de Summer, mas a curiosidade dela já estava a sufocando. Fez um gesto com a mão para a mesma prosseguir no assunto, pois sua curiosidade havia sido mais aguçada. “I told you so. Sorry, saiu antes que eu pudesse segurar.” Deu um pouco de risada antes de seguir. “He is...cute.” Começou, e não sabia muito bem o que dizer. Ela e suas amigas tinham essa grande diferença quando o assunto eram caras. Autumn sempre preferiu o mais perigoso, e torcia por eles. Por isso que aquela história com Dedalus não parecia ser tão correta assim. Se a prima ia confessar algo, Autumn não estava esperando por aquilo. De toda forma deixou a amiga continuar antes que pudesse pensar em um parecer. A única coisa que conseguiu pensar foi o que acabou falando, e talvez não fosse o que exatamente Summer queria ouvir. “Mas é justo com você? Sair com alguém por pena vai ser injusto com vocês dois, Summer.” Tentou argumentar, e mesmo não querendo influenciar sabia que já estava fazendo isso.
Autumn nem havia percebido que não estavam mais sozinhas. Em fato nem havia se incomodado com as novas companhias até Summer deletá-los, e tudo que a mesma pode fazer foi rir da atitude da mesma. Noah realmente mexia com ela, mesmo que ela não percebesse. Quanto mais ela negasse aquilo pior ficaria para ela. “Conheço vários métodos de aquietar sonserinos, mas você não aprovaria.” Arqueou as sobrancelhas e fingiu que beijava o ar de brincadeira. Com isso a mesma começou a voltar atrás percebendo que provavelmente Autumn conseguia ver o que se passava entre as falas da mesma. Era óbvio para Autumn por conhecer Summer tão bem o que se passava com ela, e particularmente ela preferia Noah ao Dedalus, não que ela não gostasse de Ded, mas ela sempre preferia os bad boys. “O que eu digo é beijando bem que mal tem. Sério, acho que você realmente ta precisando de um beijinhos.” Tirar sarro de Summer era um dos hobby favoritos da menina, e ela sempre acabava retomando a eles mesmo que fosse só para irritar a mesma. “Sabe eu consigo ler toda essa sua tensão enquanto fala dele e tudo que eu consigo traduzir é “como quero ele para mim” o que pode ser verdade, mas acho que você construiu tantos muros. Sem contar que temos toda a situação com nosso querido Diggle. Talvez você esteja usando o mesmo como desculpa para não ir atrás do que você quer. Isso é normal até eu mesmo uso essas.” Deu de ombros e respirou fundo não imaginava que teria esse tipo de conversa com Summer naquele dia, mas sentia-se na necessidade de ter. “Você sabe como eu sou. Ainda mais com Slytherins. Ben...é algo que eu não saberia muito bem como te definir, e se eu contar como nós fizemos várias coisas sujas durante o discurso de Hogwarts você nunca mais perguntaria sobre ele.” Sabia que se ela usasse esse tipo de abordagem, Summer não perguntaria sobre Ben e era aquilo que Autumn queria no momento, pois ela mesma não sabia o que fazer com ele.
Can you keep a secret? | Autumn & Arnold | Flashback
Era difícil entender a pressa dos colegas enquanto eles se comprimiam na passagem estreita para deixar a sala. Era a última aula do dia, não era como se tivessem algum compromisso inadiável. Bem, sendo realista provavelmente essa era a razão de tanta pressa – não se lembrava de vê-los com aquela mesma afobação entre uma aula e outra. Arnold meneou a cabeça de forma quase imperceptível e riu internamente, guardando seu material com calma enquanto a pequena aglomeração aos poucos atingia os corredores e esvaziava o recinto. Inspecionou a carteira uma última vez, a fim de se certificar de que não tinha esquecido nada, e estava prestes a se levantar quando Autumn Tremblay o abordou.
Não era uma ocorrência muito usual, trocara pouquíssimas palavras com a lufana ao longo de todos aqueles anos, mas já era a segunda vez que interagiam em menos de uma semana. E não era uma coincidência. – Tremblay. – Cumprimentou com um sorriso cortês e pouco espontâneo e assentiu quando ela perguntou se podia chamá-lo de Arnie. Era como seus amigos o chamavam e certamente soava estranho na voz de alguém com que tinha menos intimidade como a loira, mas não chegava a incomodá-lo. O que realmente o incomodou naquela breve interação foi quando Autumn mencionou o dia anterior e os papeis que tinha encontrado.
Quando se deu conta de que os papeis não eram seus, já na segurança de seu dormitório, respirara aliviado. Significava que a menina tinha cometido uma pequena confusão. Mas então não conseguiu encontrar os pergaminhos entre suas coisas e mesmo que tentasse se convencer de que estava sendo paranoico, que já havia enviado a coruja e que não tinha por que pensar que sua carta – a carta do Truth Seeker – estava sob a posse de Autumn, aquela possibilidade o manteve acordado. Foi por isso que gelou diante da aproximação da garota, que veio como um balde de água fria, fazendo com que se lembrasse da preocupação que tinha enterrado no fundo de sua mente até o momento. Dessa vez antes de tirar qualquer conclusão precipitada, tomou os pergaminhos da mão da lufana e leu algumas linhas ainda que tivesse reconhecido sua caligrafia no momento em que bateu o olho na primeira página.
Ficou sem reação, num primeiro momento. Escrevia cartas para o Profeta Diário sob aquele pseudônimo há tanto tempo que nunca pensou o que faria caso alguém descobrisse sua autoria. Mantinha sua identidade em segredo para sua própria segurança – não queria dar mais razões para os puristas radicais o odiarem, e não estava em seus planos se tornar um alvo proeminente – mas sua decisão também escondia razões mais egoístas: sabia que suas palavras na seção de leitores podiam magoar alguns de seus amigos mais privilegiados, já que diversas vezes sugerira que eles recebiam vantagens injustas por conta de status sanguíneo. Amassou os pergaminhos, enfiando-os de qualquer jeito na mochila e se levantou de supetão, apressando-se para alcançar Autumn antes que ela saísse da sala. Não podia deixar que ela saísse sem saber o que ela estava pensando sobre aquilo. Sem saber pra quem ela contara ou pretendia contar. Ironicamente, em sua afobação acabou trombando com a menina mais uma vez e observou seus pertences se espalharem pelo piso de pedra. – Tremblay… Autumn. Posso te chamar de Autumn? – Perguntou, sem graça, se agachando para ajudá-la a recolher os livros e rolos de pergaminho do chão. – A gente pode conversar? – Acrescentou, hesitante, quando já estavam os dois de pé novamente. – Acho que precisamos conversar.
A lufana poderia ser muitas vezes aluada. Não que isso fosse a característica marcante da menina, mas ela conseguia se desligar com uma facilidade até mesmo assustadora para qualquer pessoa que não a conhecesse. Quem a conhecia sabia que mesmo com esse jeito a loira conseguia ser incrivelmente objetiva. A não ser que ela tivesse algum interesse e aí a enrolação e até mesmo perturbação entravam em jogo. Como ela não conhecia o corvino, a não ser pelo que Mia havia falado, ela não poderia dizer muita coisa. O detalhe era que Autumn nunca confiara no julgamento de outras pessoas, e sempre esperou para poder fazer o próprio. Era muito melhor acreditar no que conhecia. Arnold mostrou-se exatamente como Mia havia falado, frio e até um pouco grosso, pois Autumn tentara ser gentil a principio. Portanto sair sem pensar duas vezes ou tentar prosseguir com uma conversa foi a decisão mais apropriada na mente da menina.
Não ficara chocada em ver o menino voltando, mas acabou dando um pouco de risada pelo modo que o garoto estava mais afobado. Certamente ele havia se dado conta do que tinha acontecido. Agora sim aquilo havia se tornado em uma situação muito mais interessante por mais que Autumn jamais fosse contar um segredo que não fosse seu. Arnold não sabia disso, e por enquanto ainda não saberia. Afinal ele mesmo havia provocado todo aquele desgosto inicial por parte da menina. Depois que a mesma recolheu seus livros e estava de pé permitiu se ajeitar. Arqueou uma sobrancelha tentando entender o que o garoto queria dessa vez. Apesar dela já imaginar que ele estava preocupado com seu pequeno segredo. Autumn deu de ombros abraçando seus livros e concordando que poderiam conversar.
Apontou para o banco no corredor. Aquele era um ótimo horário uma vez que não tinham aula alguma seguinte. Poderiam conversar pelo tempo que fosse necessário. Autumn colocou seus livros de lado cruzando suas pernas enquanto se ajeitava ao banco. “Eu até mesmo deixaria me chamar de Autumn, mas entendi que prefere o sobrenome, não é mesmo, Peasegood?” Tentou soar o mais fria do que conseguiu. Autumn gostava de brincar, e aquele jogo de fingir ser fria estava bem interessante. Ela não havia ficado magoada pelo tipo de tratamento que o ravino havia tido com ela no primeiro instante. Então tratou de dar o choque que ele merecia. “Sobre o que você quer conversar?” Como se ela não soubesse. Se Mia a visse ali provavelmente bateria palmas para a mesma.Afinal, Autumn sempre tentava dar seu melhor tratamento para qualquer pessoa. Independente se a pessoa fosse um idiota ou não. O que levou a lufana a mudar o tratamento era que esse tratamento reverso era um jogo psicológico extremamente interessante. Era uma lição sobre modos que ela queria dar a Arnold.
Pelo que Autumn havia lido da carta achava estranho Arnold não enviá-la com seu próprio nome. Claro, não era tão seguro assim. Se ele fosse direito enviando com seu nome seria muito mais fácil de ser levado a sério. Bom, todos tinham seus segredos. Autumn não estava interessada nos do ravino. Ela estava pronta para deixar toda aquela situação de lado, e até mesmo esquecer da carta. Uma das coisas que a menina não era, e dificilmente se transformaria era uma delatora. Por isso nunca tentara ser monitora, afinal se enquadrava muito mais no perfil daqueles que burlavam as regras do que daqueles que a cumpriam com maestria. Tirara as mãos do colo para batucarem no banco. Estava inquieta. Nunca conseguia ficar por muito tempo parada ou sem falar. Seus pés batiam também nervosamente no chão. Uma das manias de quando ficava nervosa. Suspirou, e então tentou focar no que o menino poderia falar. Queria ver quais seriam as propostas que ele tentaria para resolver a situação antes de Autumn abrir o jogo sobre ficar em segredo. Não queria parecer tão cruel para estar levando as coisas aquele ponto, mas alguns alunos deixavam Autumn um pouco nervosa por conta de seus comportamento. Achando que poderiam ser grossos a qualquer pessoa, ainda mais quando ela tenta ser gentil a principio, e depois quando é conveniente mudar da água pro vinho tão rapidamente. Mostrar que não era assim tão difícil ser simpático, era somente aquilo que a lufana queria demonstrar naquela conversa.
Pijama de frutinhas? Eu preciso ver isso um dia, deve ser uma cena muito fofa. Você fica linda de qualquer jeito, Autumn.
Eu tenho uma noiva, mas nunca tive nada com ela, sabe disso. E a Daphne, por Merlin, foi uma vez só e não é como se fizesse alguma diferença na minha vida. Ei, com quem você anda se divertindo?
Você ficaria desinteressado em menos de alguns segundos. É meu pijama de inverno e uma das únicas pessoas que tem o privilégio de vê-lo é a Mia.
Não estou falando na contra, Benjamin. Você é livre para se divertir com quem quiser. Sabe disso, você com tantas garotas, por que eu não posso também? Nada mais justo. Mas você conhece com quem eu estou me divertindo todos alunos de Hogwarts conhecem.
Qualquer movimento seu é provocativo para mim.
Até porque não teria o que saber, eu não tenho saído com mais ninguém des- O quê? Você o qu- Você está brincando, não é?
Aposto que não seria nada provocativo se me visse com meus pijamas de frutinhas. Acabaria com toda a imagem que tem de mim. Como assim brincando? Você tem sua noiva, e eu sei sobre a Daphne, não que eu ligue, qual é o problema de eu ter me divertido um pouco também?
Você é sempre animada demais, Autumn, quando algo está te incomodando, dá para perceber.
Vamos lá, eu pago a cerveja amanteigada e você me conta o que houve.
Você presta muita atenção sabia? Até mais do que deveria.
Não sei se quero muito falar sobre isso, mas aceito a cerveja amantegada. Vamos falar sobre coisas mais legais? O que de bom tem acontecido com você? Acho que faz tempo que não conversamos. Sabe que roubo tanto Summer quanto você para mim, não é?