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De como Geisel deu apoio incondicional a Curitiba
Saul Raiz
Quem tenta entender grandes momentos da história de Curitiba do século 20 ainda tem oportunidade de ouvir um dos nomes mais significativos da cidade, o ex-prefeito Saul Raiz, hoje com 84 anos.
Ele governou Curitiba em tempos do regime militar; mas notabilizou-se pela capacidade de trazer recursos, abundantes e continuados para obras na cidade. Especialmente para a canalização de rios, como o Belém, em que se tornou uma referência.
OBRAS ENTERRADAS Com essas obras, mais as redes de esgotos, Saul não fez uma administração de dividendos visíveis: plantou para o futuro, para os dias de hoje e o amanhã. Fez muitas grandes obras enterradas.
Perguntei-lhe qual sua receita para tanto acesso ao presidente de então, Ernesto Geisel, um general (ditador, é certo) desenvolvimentista e nacionalista, reconhecidamente. Até Lula já disse isso. E Saul respondeu:
- Acontece que Geisel, quando comandante da Quinta Região Militar, foi, com Ney Braga, visitar as obras da Rodovia do Café. E lá constatou que eu literalmente me mudara para o canteiro de obras. Passei quatro anos no “trecho”.
E assim, ganhei pontos e admiração do general, que nunca deixou de atender aos pleitos de Curitiba.
Essa explicação colhi de Saul, semana passada, para o volume 6 de meu livro Vozes do Paraná, com lançamento em 18 de agosto.
O ex-prefeito será um dos personagens da edição.
INÉDITO: CURSO FORMA CALCETEIROS
Aula prática de Joe Reis. Foto: Jonathan Campos/GP
Os tempos definitivamente são outros: os antigos calceteiros de Curitiba, aqueles que se tornaram notáveis a partir do final do século 19 e começo do século 20, são realidades o passado. Trata-se de uma atividade com dificuldade de apontar novos profissionais da área. Até por isso a Associação de Condomínios Garantidos do Brasil-Vida Urbana, em colaboração com a Prefeitura de Curitiba, começou a formar uma turma de novos profissionais, com aulas iniciadas dia 31 último, na Rua da Matriz.
FATO INÉDITO O fato inédito merece registro: trata-se do primeiro Curso de Calceteiros realizado no Brasil. Além das aulas teóricas, que já ocorreram, as aulas práticas terminam hoje. Haverá entrega de diploma aos aprovados.
O instrutor teve formação em Nova York. É Joe Reis, certificado pela Escola Cambridge Campos, de NY.
Ninguém me respondeu a uma pergunta: em que tipo de calçada esses profissionais irão trabalhar?
OS ITALIANOS A grande tradição de calceteiros em Curitiba começou com famílias italianas, aqui chegada no final do século 19 sob condições materiais muito precárias. Boa parte desses italianos – como alguns da família Greca – trabalharam duro, pesado, fazendo o assentamento de calçadas. Ganharam dinheiro. Os tempos eram outros.
Em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, localizam-se grandes reservas de pedras ainda usadas para calçamento. Mas os calceteiros tradicionais foram desaparecendo.
Resta saber como ficará a situação diante da nova realidade das calçadas de pavê, que vão substituindo as antigas, como acontece agora em Curitiba.
A propósito: as calçadas de Curitiba têm sido o calcanhar de Aquiles dos últimos prefeitos. Irregulares e mal assentadas, muitas vezes, elas são armadilhas especialmente para os idosos.
JASSON NO CANAL DE ENTREVISTAS
Jasson Goulart (acima, à direita) é um dos próximos convidados para o Canal de Entrevistas (www.youtube.com/caiomail) em 2014. Ele é Apresentador do Paraná TV – 1ª Edição – noticiando também com a Redação Móvel pela RPC TV (Afiliada da Rede Globo no Paraná). Formado em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná – UTP, Jasson já apresentou o Globo Esporte (RPC TV), além de ter sido narrador esportivo pela RPC TV e SporTV. Já recebeu inúmeros reconhecimentos, dentre eles o Prêmio de “Melhor Narrador Esportivo do Paraná” pela Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná (ACEPPR)…
MEMÓRIA ARQUITETÔNICA
Aos poucos vai-se indo embora boa parte da memória da Arquitetura do Paraná. Na sexta-feira passada morreu o arquiteto Elgson Ribeiro Gomes (acima), nome associado a importantes momentos arquitetônicas de Curitiba. Fazia também incursões no mundo das artes plásticas.
ORANDO POR BELMIRO
Cerimônia de enterro
1 | Muito mais do que um formal ato religioso de sétimo dia, a missa em intenção de Belmiro Valverde Jobim Castor será momento para que se celebrar a história de um paranaense notável. E cuja vida, nos últimos anos, foi significativa doação a um projeto educacional singular, o Centro de Educação João Paulo II.
A missa será amanhã, 4, às 19h30 min., na Igreja de N.S.do Perpétuo Socorro, Praça Portugal (defronte ao estádio do Coritiba).
2 | Posso testemunhar que o velório (domingo e segunda) e sepultamento de Belmiro (segunda-feira), no Cemitério do Água Verde, constituíram desfile que nunca antes observei de mestres, estudantes universitários, crianças, políticos e autoridades de diversas posições. Acho mesmo que só o sepultamento de Ney Braga teve tamanha expressão.
Lá registrei, dentre os presentes: o governador Beto Richa, o vice-governador Flávio Arns, os ex-governadores Jayme Canet Junior e Emílio Hoffmann Gomes; os reitores da PUCPR – Waldemiro Gremski – e Zake Akel, o ex-reitor da UFPR; o ‘histórico’ Ocyron Cunha; o ex-ministro Euclides Scalco; o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira; o ex-secretário de Estado do Planejamento, Vilson DeConto.
3 | E ainda registrei: o antigo companheiro de diretoria do Bamerindus, Maurício Schulman, com Martha; o vereador Jorge Bernardi; os ex-secretários Borsari Neto e Ivo Simas Moreira; o empresário e suplente de senador (PMDB) Francisco Simeão Neto; empresário e advogado Luiz Fernando de Queiroz; escritores, como Nilson Monteiro e Elói Zanetti; a presidente da Academia Paranaense de Letras, Chlorys Justen; os acadêmicos e causídicos René Dotti e Eduardo Rocha Virmond; Antonio Luiz de Freitas, presidente da Master Comunicação; jornalistas, vários, como Geraldo Bolda, Luiz Geraldo Mazza, Carlos Marassi (com Leila), Eduardo Sganzerla, Celso Nascimento, José Wille, Ney Hamilton; o empresário Rafael Pussoli, presidente da Casa dos Pobres São João Batista (da qual Belmiro era um dos beneméritos, agraciado que foi com o título de Personagem do Bem); professor Segismundo Morgenstern, da Universidade do Esporte; Judas Tadeu Grassi Mendes; antigos colegas de Belmiro no Doutorado da USC, Califórnia, como Benjamin Cruz, da Universidade Federal de Santa Catarina; e outros tantos…
NOSSAS PERDAS
Senhor jornalista:
Quantos momentos difíceis para superar.
Perdemos não só o amigo; o Paraná, o Brasil e a humanidade perderam um homem de bem, raro nos dias de hoje. Se cada cidadão imitasse, um pouco que fosse, a conduta íntegra e as realizações do Belmiro, certamente o mundo seria bem melhor.
ADÉLIA WOELLNER, Curitiba.
PERDAS
Senhor jornalista:
Quando a Casa dos Pobres São João Batista (conhecida também como Albergue São João Batista) deu o título de Personagem do Bem a Belmiro Valverde Jobim Castor quisemos apenas homenagear um grande homem. O Paraná comprova agora, com as homenagens a Belmiro, a dimensão desse homem.
RAFAEL ERIKO PUSSOLI, Presidenta Casa dos Pobres, Curitiba.
Missa de sétimo dia do Professor Belmiro
Nesta sexta-feira (04/04), às 19h30, será realizada a missa de sétimo dia de Belmiro Valverde Jobim Castor na Igreja do Perpétuo Socorro, localizada na Praça Portugal, no Alto da Glória.
Professor Belmiro, como era mais conhecido na comunidade, faleceu no último sábado (29/03), aos 71 anos.
Festa de aniversário reúne apoiadores do IAS
Um coquetel para 150 voluntárias e representantes de empresas parceiras celebrará, nessa quinta-feira (3), o terceiro aniversário do Instituto Amiga dos Sonhos – entidade criada para ajudar mulheres carentes a realizar suas metas a partir da doação de serviços e produtos relacionados ao trabalho de quem quer ajudar.
A festa, que comemorará os cerca de mil pedidos atendidos e três mil pessoas beneficiadas em Curitiba e Região Metropolitana, acontecerá no salão de festas do Graciosa Country Club, em Curitiba, a partir das 19h. A programação prevê desfile de roupas e acessórios. Cada participante levará dois ovos de chocolate ao leite tamanho 15, para a festa de Páscoa de um grupo de crianças atendidas pelo IAS.
“É um momento de unir todo o grupo que possibilitou esses resultados e fazer um balanço da diferença que esse trabalho social faz na vida das pessoas que realmente precisam do nosso esforço”, diz a presidente do IAS, Jussara Mari Fernandes do Amaral. “O desafio, agora, é envolver mais pessoas para beneficiar ainda mais mulheres e seus projetos”, completa.
Exemplo dessa união são os parceiros que estão colaborando diretamente para a realização da festa – a começar pelo Graciosa, que cedeu o espaço. O chef Rafael Rocha assinará o coquetel seguido de desfile de roupas e acessórios a cargo das grifes Dudalina, Sílvia Döring e Rafaela Booz. O ambiente será decorado por Armazen e Chilflor. Também colaboram para a festa ConnectNet, Presenza, R7 Leaser, Vision Cast & Management, O Boticário e F22 Fotografia.
Metformina, o novo remédio ‘Milagroso’ para muitos males
Antes da febre da Internet, o Fantástico, da Rede Globo, com suas descobertas de medições anunciadas como “milagrosas”, faziam a cabeça dos brasileiros por um bom tempo. No mínimo, durante toda a semana que começava.
NOVIDADES CONTINUAM
Agora, com a “doença” das redes sociais e a comunicação global mais ágil ainda, vamos sendo surpreendidos todos os dias por novidades.
A última delas (não para os diabéticos tipo 2) para o público em geral é a medicação Metformina. Passa a ser receitada como remédio para emagrecer.
Guerra à barriga com Metformina.
Antes disso, médicos urologistas já vinham apregoando as virtudes da Metformina como preventivo de câncer de próstata.
CÂNCER DE MAMA
E de médicos mastologistas ouvi a informação: “Metformina é excelente para a recuperação de pacientes operadas de câncer de mama”.
Então, o que vem pela frente? Não esquecer que há meses atrás ocorreu a “febre” por Victoza, remédio para diabetes, a base de Liraglutida, indevidamente usado como coadjuvante dos tratamentos da obesidade.
O pessoal parece ter desistido da Victoza, talvez até pelo preço da embalagem, R$ 375,00, e que dura apenas 20 dias.
CLEMENTE COMANDULLI NO “DIA DO JORNALISTA”
Georgia Andrade Ricciardella; Marisa Lautert Caron com a Ir. Eufrásia; Tânia Vasconcellos Mainguê
1 | O jornalista Clemente Comandulli, que militou em nossa imprensa e faleceu no século passado, será homenageado em Curitiba no próximo dia 7, instituído pela Associação Brasileira de Imprensa como o “Dia do Jornalista”.
A homenagem terá lugar como parte da programação do evento “Fico com as Artes”, promovido por Vicente Ciccarino e do qual participarão Lia Comandulli, Carlos Alberto Pessoa, Tania Vasconcellos Maingue, Joao Henrique Carneiro, Denise Pinheiro Do Carmo, Marco Antonio Alzamora Gonçalves, Ana Maingue, Angelo Hasse, Tatjana Colle Nickel, Ugo Guttierrez Filho, Tatiana Maia Vieira, Graziela Bender, Georgia Andrade Ricciardella, Vera Guimarães, Antonio Ariel Teixeira Filho e Marisa Lautert Caron.
2 | Comandulli nasceu em Antonina, em 1927. Foi Campeão do Centenário Paranaense (1953), pelo Clube Atlético Ferroviário, um dos fundadores da escola de samba “Não Agite” (1949) e formado em Odontologia pela UFPR (1959). Foi comentarista esportivo nas rádios Guairacá, PRB-2, Colombo e Universo, bem como nos canais TV Paraná e TV Paranaense.
Como jornalista, sob o pseudônimo “Ivan Silva”, foi Redator-Chefe do extinto Desportos Ilustrados, pelo qual cobriu jogos da Copa do Mundo de 1950. Nos anos 50 e 60, foi colunista diário e redator esportivo no Paraná Esportivo e, nos anos 60 e 70, na Gazeta do Povo. Foi correspondente de A Gazeta Esportiva Ilustrada, Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário do Paraná.
Foi tesoureiro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, Assessor de Imprensa do Palácio do Governo e da Federação Paranaense de Futebol (FPF), bem como Benemérito da FPF. Morreu em 30 de dezembro de 1975.
SERVIÇO:
A homenagem, terá lugar no Espaço Saint Michel Eventos, à rua Nardy Muller da Costa nº 70 – Ecoville – esquina com a rua Eduardo Sprada, a partir das 19h horas.
NÃO É DA CNBB
Uma estranha ‘nota’, assinada por uma suposta Márcia Angela Abdala(???), diz que a CNBB recomenda que não se reeleja a presidente Dilma.
In limine posso dizer que é coisa apócrifa, produzida na Internet. E o digo em defesa da conferência episcopal que dificilmente assinaria um documento contra alguém. E se o fizesse, o faria pelo seu site, através de seu presidente, dom Raimundo Damasceno. E ademais: a CNBB tem créditos na vida do país para convocar uma grande entrevista à imprensa e se pronunciar sobre matéria com essa. Mas não o fez e acho que não o fará.
SOBRE KARAM E JAMIL SNEGE
Manoel Carlos Karam
Murá, tudo bem?
Logo vou enviar-te um texto a respeito da literatura do Karam.
Li uma notícia sobre o Snege, acho que estão incensando demais o turco, nosso amigo.
Que foi bom cronista, tudo bem, que teve bom humor, idem, que viu a cidade, também, mas, cadê a literatura?
Ele ter influenciado o Karam? As peças de teatro dele lá por l968/1969? Os poemas dele?
Ora, isso é piada. E lembra, muito mais que o Gemba, o Karam e o Ari Pararraio mudaram o rumo do teatrinho realista e bem comportado do > Paraná.
E até o Dalton bebeu água na cuia do Snege?
O Trevisan já escrevia em 1946. Vide o seu “Manifesto para não ser lido”, publicado na revista Joaquim, quando o Jamil mal tinha nascido”.
Ora, vamos e venhamos. Mas, bem, escapou o Leminski, que jamais esteve na nossa roda.
Tinha outra órbita, independente. Não esqueça, não assino o texto sobre o Paulo, que, acredite, fui conhecer tardiamente.
RAIMUNDO CARUSO, jornalista e escritor, Florianópolis
BELMIRO, ESPECIALISTA E DEFENSOR DO PARANÁ
O dia não estava bonito, mas chuvoso.
A mim me pareceu que esteve apenas dentro do tônus reinante entre os milhares de amigos que lamentaram, no final de semana, a morte do professor Belmiro Valverde Jobim Castor (acima).
Os momentos de esperança, no cemitério do Água Verde, às 16 horas de ontem, chegaram nas palavras do padre redentorista Joaquin Parron, que deu a bênção fúnebre.
O "De profundis" foi comovente, sobretudo um convite a que procuremos compreender a vida e obra desse homem que fez do Paraná o seu grande motivo de vida. Foi um defensor, com sua aguda visão, do Estado que adotou. E o foi de maneira muito singular.
UM HOMEM DE FÉ
Era um homem de fé, em todos os sentidos. E de indagações em torno do Absoluto. O bom exemplo, nesse sentido, ele deu em 1995, com um grupo de intelectuais e profissionais liberais de Curitiba (cristãos ou não cristãos), tornando-se co-fundador do Instituto Ciência e Fé, que eu presido até hoje.
Belmiro fazia uma ótima síntese do homem de fé e ciência: era um católico profundo e homem de indagações científicas, ao mesmo tempo.
Do grupo fundador do ICFÉ fizeram parte, além de Belmiro e Elizabeth: Euclides Scalco, Ubaldo Puppi, Newton e Eleidi Freire-Maia, Luiz Carlos Martins e Maria, Hélio de Freitas Puglielli, Celso Ferreira do Nascimento, Alzeli Bassetti, dentre outros.
O presidente da FIEP, Edson Campagnolo, com Belmiro Valverde Jobim Castor e Elizabeth Castor, no Centro de Educação João Paulo II, em foto recente
A ESCOLA MODELAR
Laços com Belmiro, boa parte de Curitiba tinha, e muito fortes. Um deles se configurou nos últimos 5 anos, quando ele conseguiu o feito notável de implantar o Centro de Educação João Paulo II, em Piraquara, uma escola modelar para crianças carentes. "Um lugar em que se dá a mesma educação que damos aos nossos filhos e netos", explicou-me, certo dia, resumindo esse sonho que materializou com o apoio empresarial e de amigos. Sem dinheiro público.
Uma das mais vigorosas aquisições para o João Paulo II foi o engajamento que Belmiro conquistou de outro empreendedor social de alto nível, o ex-governador João Elísio Ferraz de Campos. João passou a ser essencial para a manutenção da obra, por meio da Fundação João Ferraz de Campos, e as doações pessoais e empresariais com que apoia o João Paulo II.
Numa prova de confiança em minha pessoa e meu trabalho, Belmiro me apontou para a Presidência do Conselho Administrativo do Centro de Educação.
Euclides Scalco, João Elísio Ferraz de Campos e Celso Ferreira do Nascimento
"NÃO É PARA AMADORES"
Não me alongo em torno desse ser humano singular, com o qual e com a esposa dele, Elizabeth, eu tinha viagem marcada para dia 25 de abril rumo a Roma, para a canonização do papa João Paulo II. Num desses atos de generosidade do casal – sempre agindo com discrição –, deles ganhei a viagem e hospedagem para a Europa; apesar das muitas resistências que opus, acabei aceitando a oferta. No dia 26, celebraríamos o aniversário de Belmiro, em Roma e no dia seguinte, 27, a canonização do pontífice que ajudou a redesenhar as fronteiras do mundo, vital que foi para a queda dos Muros ao lado de Gorbachev.
Ontem, ouvi o pedido-ordem de Elizabeth – "você tem viajar, de representar o Belmiro em Roma" – E completou: "Belmiro, afinal, resolveu estar com o papa João Paulo antes..."
Na Gazeta do Povo de ontem, Celso Ferreira Nascimento, com primorosa síntese jornalística, traçou o melhor retrato possível desse especialista em Paraná, e para o qual foi essencial em tempos de grandes mudanças, como aqueles do Governo Canet, no qual foi o secretário de Planejamento e o braço mais forte do governador de então.
Aliás, Canet era um transbordar de emoções – sem conter lágrimas -, no velório de Belmiro, domingo de manhã, tendo ao seu lado o secretário de Imprensa do governo de então, Antonio Luiz de Freitas, outro amigo inseparável de Belmiro.
Luiz Carlos Martins, Newton Freire-Maia, Eleidi Freire-Maia e Hélio Puglielli
O Gazeta do Povo on line de domingo, 30, apresenta artigo que assino, detalhado, sobre Belmiro e suas devoções – o Paraná, a família, a sua fé, o Centro de Educação João Paulo II, os amigos...
Lá também está o artigo de Celso Nascimento, que recomendo como subsídio importante a qualquer estudo mais profundo que se faça sobre o professor Belmiro Valverde Jobim Castor.
Concordo com Celso: Belmiro não era para amadores. Seus conhecimentos e seu raciocínio exigiam, apesar de seu imenso didatismo, que o interlocutor se colocasse na condição de ouvinte atento. Ele não perdia tempo com devaneios quando se tratava de transferir conhecimentos e sondar novas realidades, as quais sempre estava pronto a acolher.
O SILÊNCIO DO BRASIL NA ONU
por Rodolpho Feijó (correspondente da coluna em Londres)
Assembleia Geral da ONU
A ONU aprovou em votação da Assembleia-Geral, nesta última quinta-feira, uma resolução em defesa da integridade territorial da Ucrânia. Foi uma vitória por ampla maioria: 100 votos a favor e 11 contra, resultando na emissão de uma reprimenda à anexação da Criméia ao território da Federação Russa.
Ainda que não vetando a resolução, tampouco apoiando, o Brasil adotou uma insólita posição - porém não imprevisível - perante a tomada da Criméia: fomos uma das 58 nações que optaram pelo voto de abstenção.
O parecer contrariou Estados Unidos, União Europeia, OTAN e, em último caso, o bom senso.
Ao mesmo tempo em que tropas russas se dirigem à fronteira com a Ucrânia, não houve reprovação brasileira ao expansionismo – uma posição que daria margem para legitimação dessas e de futuras movimentações.
O embaixador brasileiro na ONU, Antônio Patriota, defendeu um “diálogo inclusivo”. Mas o que há por trás deste discurso?
A resposta pode estar na recente compra de um sistema de defesa antiaéreo russo pelo Ministério da Defesa, ao custo de 1 bilhão de dólares. A Rússia também é importante importadora de carne brasileira.
O Brasil até pouco tempo ainda pleiteava um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - o que significaria, na prática, o poder de veto em votações cruciais. Justa reivindicação: somos, junto com Japão, o país que mais se elegeu para mandatos provisórios no órgão. Há de se adicionar nesta equação a soberana escolha pela compra dos caças suecos Gripen, deixando de lado EUA e França, membros efetivos do Security Council. Agora parece que o caloroso pleiteio pela cadeira permanente arrefeceu e a pretensão tupiniquim minguou permanentemente.
Qual é a estratégia do Itamaraty com a postura da abstenção? Ela vem dado certo? Será que o Brasil vai continuar se silenciando na ONU, até mesmo diante de graves violações de resoluções internacionais?
SERÁ 'PRESENTE' PELOS 60 ANOS DO ALBERGUE SÃO JOÃO BATISTA?
Casa dos Pobres São João Batista e sua diretora, Elisa Paixão
O prefeito Gustavo Fruet e sua mulher, Márcia Fruet, devem desconhecer o fato inesperado: a Prefeitura resolveu retirar a presença da Guarda Municipal na Casa dos Pobres São João Batista, entidade sem fins lucrativos que serve 800 refeições diárias, de graça, a 800 carentes. E abriga doentes e moradores de ruas para pernoite (boa parte deles enviada pela FAs).
Márcia e Gustavo Fruet
A guarda estava lá há 20 anos e sua presença é vital para apoiar o dia a dia da casa.
Mas não se pode interpretar a decisão, fruto de uma dessas cabeças burocráticas empedernidas que sobrevivem na Fundação Social, como o 'presente' do casal Fruet ao nosso mais tradicional albergue, que este ano comemora 60 anos de insuperável atendimento aos carentes.
A triste decisão deve ser olhada, por ora, como mais um equívoco do serviço público, no entanto, imperdoável partindo de uma administração como a de Fruet, ele sempre visto como parte da alma da cidade.