hard to tell anything apart these days. is this growing or grieving? am i hurting or healing? is this comfortable feeling or familiar numbness?
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@arpadas
hard to tell anything apart these days. is this growing or grieving? am i hurting or healing? is this comfortable feeling or familiar numbness?
disclosure: damaris goddrie for the book jan. 2018
Μια παράξενη, παράξενη μέρα
Literally just romanticize your own life. What’s stopping you. Who will care. Commit to enjoying things.
Mia Couto
a minha vida mudou depois que abri mão de você
porque eu tinha tanto medo de perder meu único melhor amigo mas acabei conhecendo novos porque eu tinha tanto medo de não amar ninguém de novo mas acabei me apaixonando porque eu tinha tanto medo de não ser boa o suficiente mas acabei aprendendo que sou melhor e que mereço o mesmo porque eu tinha tanto medo da vida que nunca mais seria como antes mas acabei gerindo uma vida nova, que sem saber muito bem quem você foi, me deixou pronta pra outra porque eu tinha medo de não superar você, mas acabei não precisando porque no fim das contas o amor só acaba, não sobra nada pra passar por cima porque eu ainda escrevo sobre o que você significou pra me lembrar que mesmo diante de um grande amor, ainda existe algo imenso que é o dia em que deixo você ir o dia em que me escolho ainda existe algo ainda mais justo comigo pelo qual vale a pena lutar: eu, vivendo todas essas coisas, por mim. e a melhor coisa que você me ensinou foi sobre como sou maior que o amor. muito maior que o amor. muito maior do que o que a gente acredita ainda ser amor, mas é só o medo enorme e pesado de continuar sem ele.
eu te mandei aquela música da marisa monte na versão do silva te pedindo pra me aceitar do jeitinho que eu sou, devastada, mas em processo de reorganização, cada dia mais eu, porque eu te quero com o cabelo bagunçado e o sorriso de dentes separadinhos (eu não menti quando disse o quanto achava um charme) a gente meio que nasceu errado, bateu a cabeça pela vida, mas de uma forma ou de outra se encaixa bem, mesmo que imorais, incertos podemos vazar juntos e entrar em combustão, desaprendi a escrever sobre o algo que dá certo e não me corta, que me toca e não me machuca, só me aceita com os ombros tristes e a boca calada, porque eu sou assim tão quieta por fora, mas tão voraz aqui por dentro.
céu
Fun fact if you talk to me past midnight i get real personal and it’s weird
don’t hold back compliments, it could make someones day
deixo você ir
com os olhos saltitando no meu corpo e me desfazendo em palavras bonitas nunca ditas. com a boca me beijando de leve e saudade desses dias. com as mãos segurando as minhas, sem força. deixo você ir sem pena. com as ausências preenchendo as feridas, tal qual sal, ardidas, tal qual pimenta, tal qual asia. deixo você ir e fico na minha. embora em movimento. juntando as tralhas, limpando as gavetas, tacando fogo nas suas roupas antigas, nas fotos bonitas que tiramos rindo quando ainda era tudo sincero, quando não tinha amarra, jogo, mentira. deixo você ir por isso: quero uma verdade, quero um inteiro. e você só me deu migalhas e mentiras (sinceras e lindas, mas ainda assim). raspas e restos já não me interessam e é por isso que é tão fácil dizer isso: vai com Deus. deixo você ir enquanto dobro os vestidos que não quero mais usar, as palavras que não quero mais dizer, as lágrimas que não quero mais chorar. perseguir, procurar, tentar, entregar, entender. eu cansei de te perdoar sem nunca receber o menor pedido de desculpas. e te deixo ir sem angústia, sem rancor, sem culpa. te deixo ir com a maior leveza porque já deu a hora de desfazer as certezas ilusórias. deu a hora de levantar da cama cedo, ir trabalhar numa vida nova, numa história nova, sem falsas esperanças, sem medo de estar só e vazia. deixo você ir enquanto leio esses livros novos, visito esses apartamentos novos, pinto quadros novos. e me encho dessas coisas novas. evito o ócio. evito o silêncio. porque corre o risco de eu cair nesse buraco de novo. feito alice outra vez. encolher, crescer, encolher, crescer, encolher, pra caber em você. nas suas maravilhas. corre o risco de eu me esfolar pra me encaixar. de eu cortar as cabeças das minhas coragens pra te acompanhar nos seus submundos. e eu quero sair desse país de velharias. eu quero te deixar e me deixar em paz. deixo você ir sem te dizer o porquê. sem te esperar perguntar. sem te esperar tentar evitar. deixo você ir na certeza de que deixo muito mais um desejo do que uma realidade. deixo muito mais o que queria que fosse e um monte de imagens falsas. não o você que tive, tenho, posso ter. e não quero ter. um semi você. então te deixo. pra construir meu próprio inteiro. sem má fé. sem negativismo. sem egoísmo. sem blasfêmia. sem te desmerecer. seus olhos são lindos, seus beijos tão confortáveis, seu cheiro, seus antigos hábitos, sua mania de salvar o mundo, sua tentativa de engolir o mundo, as bandas que ‘ce escuta sem nem perceber que me vicia num estilo de vida que não me convida pra viver. contigo. não posso dividir essa vida contigo. sem ser convidada. então deixo. a ti. ao teu cheiro. às tuas bandas. deixo tudo. tudinho mesmo. pra ir embora sem explicação, sem cobrança. deixo você ir não por você. por não te querer, não te merecer ou qualquer variável dessa baboseira. deixo você ir por mim. por me querer bem, por me merecer bem. e por saber que embora você seja mais que capaz, você nunca fez questão disso. de mim. da minha saúde. e só por isso. só porque eu sou minha própria cara metade, minha melhor companhia, minha salvadora, minha dona. seus são os meus mais lindos sentimentos, mais belos textos. mas já não tenho todo esse tempo pra gastar em não te ter. deixo você ir sem beijos de despedida, mas com uma honesta elegância, sem quebrar vasilhas, sem fazer alarde e bagunça na vizinhança. e deixo sem voltar atrás. sem revirar o passado. sem tentar reavivar as cinzas. porque eu esgotei as tentativas. eu esgotei a fé que tinha em nos tornar alguma coisa. eu esgotei as possibilidades. e esse é o único jeito de deixar ir: a certeza de que já é tarde pra tentar. não quanto ao tempo que nada diz, mas quanto as possibilidades que já foram todas desfeitas. e sem a energia pra criar novas. deixo você ir não batendo portas. deixo-as também abertas na certeza de que nenhum de nós as ultrapassa. por falta de gosto. por falta de energia. por falta de vontade. por falta de ânimo. por falta de esperança. é nisso que consiste o acabar. mas nunca sem amor. pelo menos amor às memórias. em respeito. em saudade. em confiança. em lealdade. nunca sem amor. próprio, que seja, ainda amor. então te deixo feito uma falecida saudade. as flores só floresço mais a frente, em honra ao que, hoje, em tanto me parte.
Carol (2015) dir. Todd Haynes
so apparently sleeping doesn’t make your problems go away. I woke up and everything still sucked. shocked and upset