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@arteflorence
Jaime King | ph. Davide Sorrenti
© Davide Sorrenti
US Dept of Defense, Home from the Sea, 1970
Unknown, Home movie, 1940s
Deixo-te, meu amor, cuidadosamente entrelaçado nas palavras. Gosto de pensar que meus lembretes te encontrarão em momentos de pequenas alegrias, como quando chega de repente no meio de uma tarde monótona. A sensação de frescor pela casa. Os pés descalços. O cheiro de café recém passado. E meu bilhete despreocupado em cima da mesa, um punhado de afagos inesperados. São dessas coisas que me dão a sensação de lar.
Vezenquando a recordação da sua respiração afugenta o cansaço dos dias. Sinto o arrepio subir nos pelos da nuca. E me toca os fios de cabelo. E as têmporas e os cantos dos lábios. E me toca você.
G.
A felicidade que me toma quando miro teus olhos café e sinto que o mundo enfim se rendeu à calmaria. A lucidez que desanuvia a mente quando ouço seus passos de encontro aos meus e penso que o dia mais uma vez finda na cadência da nossa rotina. Eu costumava buscar paixões capazes de incendiar cada réstia de pensamento são, até notar que só queria um lugar para descansar o peito sem alarde. Aquele amor de quem sabe; ninguém mais, por mais que tente, será igual.
Gosto de assistir casais felizes em dias amenos, observar sorrisos afetuosos de quem sabe que o outro continuará rindo de volta do outro lado. Talvez eu tenha gostado mais de mim e por isso aprecie a solidão dos dias chuvosos. Talvez eu tenha finalmente compreendido que não é possível esconder-se do amor, então te guardo em refrões tão conhecidos por nossos dias.
Recordo trejeitos teus e sinto o peito em quietude. Eu quis decorar cada pedaço de vida marcado na sua pele, e sussurrar em meio ao breu que você também é parte palpável da minha. Quem tocasse, sentiria cicatrizes nossas. Seus dedos me seguraram como quem cumpre uma promessa. Eu te senti como quem encontra o lar. Somos um fato consumado, dado que se definiu antes do encontro. Uma narrativa talhada na história, escrita para que meus olhos pousassem nos seus.
Suspiro com a brisa da janela, os cotovelos no parapeito, as mãos como apoio do rosto. Talvez seja sobre você, desde antes, desde o tempo em que seu nome não vagueava pelos meus cílios segundos antes de adormecer. Sinto a carícia das gotas de chuva e sussurro ao vento sobre um punhado de sentir que me transborda o peito: “porque era ele, porque era eu”.
G.
Hassan II Mosque @ esalaskari
skins (2007)
Photography: Flower seller in Istanbul, Turkey, May 14, 1965 Photographer: Charles Weever Cushman (1896-1972)
Riot of Perfume, Issue 5
Photography: Francesco Nazardo
Styling: Eugenie Dalland
Eu morria todas as vezes que tentava proteger os outros e esquecia de me proteger. Eu caia todas as vezes que tentava segurar firme alguém e era puxada para baixo com uma força tão grande que fiquei tão incapaz de me manter segura. Eu sofria todas as vezes que via alguém machucado, mas sempre me machucava ao tentar curar a dor do outro. Eu vivia pelos outros e isso me destruiu. Agora eu não sei mais quem sou, não sei do que sou capaz. Eu acreditava que todos tinham um lado bom, mas infelizmente só tive a chance de conhecer o lado ruim de várias pessoas. Me sabotei tanto tentando concertar os erros dos outros, acreditando na ideia de que poderia mudar quem eu sou só pra caber em cada pessoa que eu queria por perto. E hoje eu já não gosto dessa minha versão, hoje eu já não suporto olhar pra mim mesma no espelho e me sentir tão fraca e perdida. Eu simplesmente tenho que ser a pessoa que não se importa, com nada e com mais ninguém.
Depois de inúmeras tentativas falhas desisti de tentar.