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I follow you deep sea, baby - MontMont [Flashback]
Á medida que o sol deixava seu esconderijo por entre as montanhas, os primeiros raios matinais cruzavam as cortinas acetinadas que dançavam na suave melodia do vento, e incidiam diretamente sobre os olhos outrora fechados e levemente escondidos por uma camada de fios negros, que por sua vez cobriam um livro entreaberto, e naquele momento um pouco amassado, diga-se de passagem. Em uma cama mais próxima à janela, ainda pestanejava uma recém acordada Arabella de Montmorency. Piscara algumas vezes ainda observando o quão a dança rítmica soava interessante, assimilando o quê aquilo seria. Veja bem, ainda que estivesse com os olhos abertos, seus sentidos pareciam dispersos e sonolentos. A verdade era que a ravenclaw não era o tipo de pessoa que costumava acordar disposta mas ainda sim, a noite anterior não havia sido a mais calma de sua existência. Era recorrente em algumas situações frequentes que a moça apresentava sintomas de insônia, em especial desde que descobrira o que seus até então pais, haviam lhe escondido por mais de uma década. Nesses casos costumava ler, escrever ou até mesmo (o mais comum, diga-se de passagem) se esgueirar para a torre de astronomia e contemplar o céu. Ainda um pouco adormecida, levantou-se para sua rotina matinal. Tinha o primeiro tempo livre naquele dia, então acabara por se organizar calmamente, e considerando o horário, a maioria dos colegas ainda adormecia. E sem ter o que fazer e com quem conversar, a morena, após o breakfast, que se resumira em Arabella ficar jogando os ovos mexidos de um lado para o outro do prato, a morena acabara por decidir dar um passeio a beira do lago. Não deixara o castelo havia algum tempo, e talvez tomar um ar lhe faria algum bem. Quando sentou-se próxima a um pequeno pier, encolheu as pernas, enrolando os braços sobre as mesmas, observou a imensidão daquele lago, não que nunca tivesse observado, mas naquele momento, talvez tentando ocupar a mente, a morena perguntou-se que tipo de criaturas haviam ali. O olhar vagava quando viu algo se mexendo, olhou mais um pouco com atenção e parecia uma pessoa. Apoiou as mãos no chão para poder observar. Sim, era alguém. Mas naquela hora?! E naquela temperatura? Mal percebera que estava observando a pessoa com curiosidade genuína por tal ato de de loucura, enquanto estava estava mais próxima.
I run and run as the rains come - Arabella x Severus.
Sábados de passeio costumavam ser mais agitados do que sábados de procrastinação no castelo. Quando Arabella levantou-se naquela manhã, o dormitório já se encontrava vazio, diferente de outras ocasiões. Marissa e as demais garotas pareciam já ter rumado para Hogsmead. A morena provavelmente perdera a hora, considerando que se deitara depois das três da madrugada se rendendo ao hábito comum de passar noites em claro. Agradeu por não ter sido acordada pelas colegas, e quando por fim levantou-se já passava das dez horas. O café da manhã não fora dos mais agitados, passara lendo alguns artigos do Daily Prophet, e mordiscando torradas. Quando por fim rumara para o povoado todos já pareciam ter partido. Seguiu o caminho silencioso. O trajeto costumava ser clamo, diferente da cidadela que estava abarrotada de alunos. O povoado era em suma um lugar com muitos atrativos, no entanto, sua primeira visita se dera á loja de penas e tinteiros, na verdade, seus materiais costumavam acabar antes dos demais alunos, então costumava repor seus estoques quase que quinzenalmente, e fora o que fizera. Depois dera um pulo na Honeydukes e no Three Broomsticks, nessa ordem. Comprara doces e aproveitara para comer algo e tomar uma boa caneca de Butterbeer. Assim como pela janela do pub pode observar que o tempo parecia um pouco mais escuro, e que Marissa não não havia aparecido. Talvez a amiga preferira voltar para o castelo, e fora exatamente o que a morena optara. Logo deixou o estabelecimento, mas minutos depois que pusera os pés para fora do mesmo, os primeiros pingos lhe caíram sobre os ombros. Num movimento ágil para seus reflexos, enfiara as mãos dentro da bolsa, tirando um guarda-chuva azul turquesa e abrindo-o. Com a velocidade que engrossara, talvez a tendência da chuva fosse piorar, o que seria melhor e mais sensato correr para o castelo. E fora o que fizera, deixando em passos rápidos a rua principal e se dirigindo as ruelas laterais e vazias. Aparentemente a maioria ou já tinha ido ou havia esquecido o guarda-chuva, questionou.
Look at the stars, look how they shine for you || PreMont || Flashback 1973
A garota falava com uma certeza admirável, mas era mais do que isso, a forma como ela se portava e a maneira com a qual ela fazia o trabalho, algo chamou a atenção de Gideon como poucas vezes antes. Seus olhos ficaram presos na figura da morena e ele agradeceu por ela estar concentrando sua visão no caderno, de forma que não percebeu o rápido blackout do rapaz. Quando deu-se conta do quão idiota estava sendo, Gideon recapitulou as palavras que acabara de ouvir e finalmente as processou. - This seems bullshit to me. Astrology, I mean. - falou sinceramente sem se importar o que a garota acharia daquele comentário, na verdade o ruivo acreditou que ela era capaz de concordar devido a própria fala da Ravenclaw. - Na verdade acho que elas não preferem algo as controlando, mas apenas querem algo que justifique as merdas que fazem - continuou dando de ombros. Desde muito novo Gideon foi orientado do que acontecia no mundo bruxo, sobre status sanguíneo e tudo, achou que estava preparado para enfrentar aqueles chamavam sua família de “blood traitor” como sua irmão havia dito para ele e Fabian. Claro que quando adentrou Hogwarts percebeu que a situação era muito pior do que imaginava, afinal, era muito diferente ouvir histórias do que vivê-la de fato. No começo Gideon ficou surpreso e não compreendia de onde aquela segregação toda vinha, mas com o tempo percebeu que a alienação vinha de casa e não era bem o sangue que determinava as coisas até mesmo para os que diziam acreditar nisso. No auge de seus treze anos, o Prewett do meio acreditava que essa situação podia mudar e que ela faria por onde para que isso acontecesse - mal sabia ele do ódio que criaria da ideologia purista. Era esse motivo por trás do cometário que saíra um pouco seco demais para o momento, mas Arabella provavelmente não notaria isso, pois estava rascunhando o trabalho que deveria ser de Gideon. - Pois é, disso eu sei bem - comentou sugestivo já que estava acostumado a dar suas lições para o irmão copiar e ambos já haviam aprendido diversos métodos para não serem pegos quanto a isso pelo menos - Eu não sei se quero, mas vou ponderar sua oferta. - respondeu tendo certeza de que nunca aprenderia Astronomia de forma decente - Não tenho nem como agradecer, provavelmente você acabou de salvar minha nota trimestral. Saiba que você tem um Prewett a sua disposição a partir de agora - ofereceu sua mão para Arabella com um sorriso, esperando que ela aceitasse a sua oferta.
A morena manteve o corpo apoiado nos braços, que por sua vez descansavam sob a mesa, pendendo acima da mesma. Analisando o Gryffindor por alguns instantes, enquanto que este por sua vez demonstrava uma sincera gratidão pela resolução do dever, a moça sentiu-se orgulhosa de si mesma. Afinal considerando a aflição do ruivo de minutos atrás, agora de fato ele parecia bem melhor. Boa ação do dia. Feito! - Bem, eu diria para não se acostumar com isso, portando é bom aceitar minhas aulas. Não as ofereço todo dia. - Disse a garota, numa certa forma bem sutil de dizer "por nada". Aceitando agora a mão do garoto, mantenho-a num aperto firme por alguns segundos, antes de soltá-la de vez. - Vou lembrar disso quando precisar. - Sorriu com o canto dos lábios. Gideon parecia de fato muito agradecido por algo simples, e ainda que achasse injusto se beneficiar da gratidão do rapaz, Arabella imaginou que se dispensasse a ajuda futura para sabe-se lá o quê, iria render algum tipo de discussão considerando que o gryffindor demonstrou-se bastate decidido em retribuir o favor. Ainda que Arabella tivesse se acostumado a resolver suas pendências por si só. Atribuindo ao seu espírito independente. De qualquer forma, sentia-se bem por ter podido fazer ago por alguém. A jovem permaneceu sentada por um tempo, antes de abruptamente levantar-se, e dirigir-se ao telescópio. Havia esquecido do que fora de fato fazer ali aquela noite. Arabella passou um tempo ajustando e regulando um pouco a lente para que o céu ficasse mais visível aos seus olhos. - Acho que tenho algo que pode lhe fazer mudar de opinião sobre Astronomia. - Gesticulou com a mão livre para que o moço se aproximasse de onde estava. Ainda com os olhos no aparelho. Naquela noite, a constelação de Cassiopeia havia se tornado mais aparente no hemisfério, e sentia-se bem por mostrar para alguém. Afinal quando estava em casa, o pai sempre lhe faia companhia, entretanto na escola, passava a maior parte do tempo na torre apenas consigo mesma, fora poucas vezes que os amigos concordaram em lhe acompanhar no passeio noturno arriscado. Entretanto, aquilo era algo que talvez Gideon pudesse gostar de ver. Quando por fim afastou-se o telescópio esperando que o jovem tomasse seu lugar. - É Cassiopeia, está nítida essa noite. - Informou num tom de admiração que apenas poucas coisas lhe proporcionavam.
[Flashback] mood changes aren't that bad || Marissa Deutsch and Arabella Montmorency
Haviam dias que Marissa sentia-se tão ruim que nem mesmo a ideia de sair de seu dormitório parecia como algo certo. Mesmo em um sábado de manhã sua torre parecia estar acordada. A movimentação das pessoas de um lado para o outro era incrível e tudo que Marissa pensava era se eles não dormiam. A razão para a mesma não estar acordada era uma terrível dor de cabeça que não a abandonava já fazia alguns dias. Os espessos cabelos negros de Marissa caiam em cascata sobre seus ombros e volta e meia ela acaba se divertindo passando a mão entre eles. Não havia nada o que fazer mesmo. Raizel estavam em seu horário de descanso, pelo menos até o pôr do sol sabia que não poderia importuná-la ou até convencê-la a fazer alguma coisa.
Queria ter fé em alguma coisa assim como a amiga tinha em sua religião, mas Marissa havia parado de acreditar em qualquer coisa quando sua mãe havia morrido. O choque de ter a pessoa mais amada tirada de você era demais para ela se quer acreditar que existia uma segunda chance. Ela não seria recompensada jamais por aquela perda. Ela havia perdido mais do que a mãe naquele dia. Havia perdido também seu pai que nunca mais foi o mesmo. As horas que ela havia ficado escondida atrás daquela parede foram minutos que acabou perdendo a si mesma em meio a tanto caos. Marissa nunca se perdoaria por não ter tido a oportunidade de ter salvado a sua mãe, mesmo que ela fosse apenas uma criança.
Os olhos marejados de Deutsch foram logos substituídos por seu sorriso. Usar aquela máscara era complicado alguns dias. Ser a garota que sempre estava bem, que não se preocupava em nada com problemas e simplesmente vivia sorrindo era seu sonho ideal. Claro, interiormente ela não poderia ser mais pessimista e desejava que tudo acabasse logo. Que fosse dona de si, e que pudesse tomar suas próprias decisões. Mesmo que essa realidade estivesse tão longe que Marissa nunca conseguisse ver a si mesma longe das correntes de seu avô. Era um sonho muito impossível de ser realizado e que não o conseguiria se tudo continuasse daquele jeito.
Soltou um suspiro sentando-se no sofá do salão comunal. Existiam vários livros espalhados por ali e Marissa queria poder estudar. Sentia falta de passar horas e horas afim lendo com seus óculos, mas sem eles sua cabeça doía mais ainda. Sem contar que era difícil enxergar de longe. Só que não combinaria com alguém como Marissa usar óculos. Ela era bonita demais para usar aqueles óculos horrorosos que usava quando era menor. Foi quando notou uma pessoa se aproximando de longe não pode reconhecer, mas conforme foi se aproximando o rosto de Arabella era reconhecido. - Por favor, me diga que tem algo para fazer. Eu não queria sair daqui, mas o tédio está me consumindo. - Aquela era a Marissa Deutsch. Uma garota mimada e engraçada que todos queriam ouvir. A Marissa reclamona e angustiada tinha de ficar trancafiada a sete chaves em momentos como aquele.
Quando Arabella deixou a torre de Astronomia, os primeiros raios do sol já surgiam por entre as montanhas ao horizonte. O hábito de passar as noites escondida na torre deveras comum, criado pela morena desde os primeiros anos em Hogwarts, se tornara quase seu ritual nas noites de céu promissor. A senhorita Montmorency costumava trocar com facilidade aquelas noites pelos dias, a propósito. Rotina essa que havia se adequado sem muita dificuldade, e nos últimos anos parecia afetá-la consideravelmente menos que outrora. O cronograma raramente sofria alguma alteração. A ravenclaw deixava a sala e rumava para o Salão Principal nas primeiras horas da manhã. Naquela em ocasião, o mesmo se encontrava demasiadamente vazio, provavelmente pelo fato de ser um sábado de manhã, dia ese que a maioria dos colegas aproveitava para deixar a cama um pouco mais tarde. Pra falar a verdade, a morena gostava daquela calmaria que acompanhou toda a refeição matinal, na ocasião ovos mexidos acompanhados de pãozinho e chá verde, enquanto folheava a edição do Profeta Diário daquela manhã sem muito interesse. Quando levantou-se da grande mesa, que gradativamente começara a ficar menos vazia, a garota tinha como destino certo o Salão Comunal. Talvez se aconchegar em alguma poltrona e passar horas vagando entre ficar acordada ou não, fosse uma ideia bastante considerável para se ponderar. Deixou os pensamentos vagarem quando por fim respondeu a charada da águia e adentrou o majestoso salão comunal, já procurando por uma poltrona vazia. Localizou uma próxima a Marissa, uma garota de cabelos negros do mesmo ano, que a algum tempo havia se tornado amiga. Apesar de sempre demonstrar-se animada, Arabella sempre questionou-se sobre haver algo errado com a menina, entretanto sempre partiu do princípio de que as pessoas se abriam quando se sentissem confortáveis para isso. - Sentar nessa poltrona, primeiramente. - Respondeu se acomodando em uma poltrona á frente da poltrona que se encontrava a primeira garota. - Bom dia pra você também! - Cumprimentou num tom descontraído, antes de desatinar em pensamentos. - Podemos pendurar alguns slytherins babacas de pona cabeça, se isso lhe fazer feliz.- Completou, e embora fosse uma brincadeira, era uma idéia tentadora.
Look at the stars, look how they shine for you || PreMont || Flashback 1973
Gideon deu de ombros à resposta de Arabella para sua insinuação de fazer as detenções serem mais produtivas, como se dissesse OK, you got a point. Porém o ruivo sabia que aquela situação nunca se encaixaria no caso do Prewett - ou melhor dizendo, dos Prewett - já que para acabar com cem por cento das chances de conseguir uma tarefa no mínimo entediante, ela necessário não praticar nenhum ato contra as regras estabelecidas pelas escola - e aquelas estabelecidas pelo próprio Filch que parecia inventar motivo para punir um aluno ou outro. A questão é que era simplesmente impossível para Gideon manter-se na linha daquela forma, ele podia negar com todas as suas forças, dizer que Fabian era a má influência que o levava às traquinagem, que apenas entrava nas enrascadas para não deixar o irmão fazer mais besteira. But for real now: bullshit. Tanto ele quanto o irmão tinham plena consciência de que o Prewett mais velho tinha o gosto pelas brincadeiras, ele apenas não admitia em voz alta, já que gostava de manter a ideia na mente das pessoas que era o irmão mais responsável - o que de fato era.
O ruivo não pode deixar de corar com a constatação da morena, o que ele odiava, afinal cabelos vermelhos e sardas enferrujadas não combinavam em nada com a cor rubra que sua pele pálida tomava em momento de constrangimento. Porém o fato de Arabella deixar subliminarmente claro um certo desprezo pela Prewett não saber o que estava fazendo não foi o que lhe rompeu a vermelhidão a face, mas sim a confirmação da garota de que ela se encaixava na descrição escarnecida que Gideon acabara de fazer. Ele pensou em pedir desculpas, mas já era tarde, a brincadeira azarenta já havia sido feita e a Ravenclaw continuam sua fala, não mostrando-se muito afetada, o que deixou Gideon ainda mais sem graça. Esfregando a nuca - geste típico de quando estava sem jeito - o Prewett passou a prestar atenção no que a colega dizia. - Eu não entendo, realmente. Mal sei diferenciar astronomia de astrologia. - disse em uma tentativa fraca de piada, talvez se Arabella soltasse um sorriso, o ruivo não ficaria com peso na consciência por bola fora que havia dado. - Claro, hum, eu fico te devendo essa - respondeu sem jeito quando a morena lhe levantou o olhar. Era óbvio que Gideon não iria abusar da generosidade da Ravenclaw, mas sabia que havia muita gente que o fazia; talvez por isso, para provar que não era aproveitador e nem ingrato, o ruivo decidiu naquele momento que daria um jeito de recompensar a ajuda de Arabella. O silêncio se instalou, mas logo foi quebrado pela sentença da garota. - Isso explica muita coisa - brincou admirando com cuidado o trabalho que a morena fazia em seu caderno, na expectativa de compreender algo. - Desde quando isso fica aqui? - perguntou e apontou para um ponto - que supostamente representava a Constelação de Touro - apenas para ganhar um leve empurrão na mão, como se Arabella dissesse Me deixe trabalhar.
Arabella não era de longe o ser mais sociável da escola, inclusive evitava está sempre em voga como muitos dos colegas. Talvez nunca entendera muito essa necessidade que as pessoas tem de gastarem seu tempo preocupando-se mais em socializar com as demais pessoas, do que de fato se conhecer. A solidão era algo agradável, salvo quando se encontrava pessoas demasiadamente interessantes para ocupar-lhe uma fração do dia. Talvez por tal motivo, Montmorency se ocupara mais em deixar-se conhece-las do que de fato procura-las. A verdade era que, não se devia ir atrás das pessoas, mas encontra-las por acaso. Um pouco de fé e ceticismo num paradoxo bipolar. Mas Arabella era assim mesmo. Lamentava para quem achasse o contrário. - Não tão difícil assim quando você aprende. Mas lhe digo que astronomia é infinitamente melhor. - O comentário da senhorita soou corriqueiro o suficiente para perceber que sua atenção estava mais no que estava a fazer no que nas indagações do ruivo. - Astronomia é uma ciência exata. Astrologia é algo que inventaram para justificar a conduta moral do homem e seu destino. - Completou. - As pessoas parecem gostar de pensar que alguma coisa controla suas vidas, do que simplesmente acreditar que elas fazem seu futuro. Eu diria que Astrologia é bem mais subjetiva e desinteressante. - Questionou-se em voz alta, em consideração. - Mas posso mudar de idéia, se as supostas previsões do meu mapa astral forem verdadeiras. - Findou com um suspiro, voltando toda a atenção para o pergaminho, e apagando algumas rasuras antes de fazer as suas próprias observações. Lembrou-se que havia feito algo parecido a dias, o que tornou mais fácil, embora Arabella sempre fizera qualquer coisa relacionada a astronomia com as mãos nas costas. Entretanto gostava de apreciar o momento. Aquilo nunca fora de fato um dever para a ravenclaw. A morena ouvia a voz do rapaz, que parecia ainda não entender exatamente, e de vez em quando socava o dedo no pergaminho logo acima de algum planeta. O que fizera a moça dar um empurrãozinho quando o rapaz apontou para urano. - Desde que isso é um planta. A alguns bilhões de anos. - Respostou de forma automática. Levando toda a atenção para a folha, até completar o exercício. Na verdade, Arabella acabou o mesmo rápido, entretanto começou a anotar em letras miúdas algumas "colas" para o garoto. - Só precisa passar a limpo, agora. - Empurrou o pergaminho na direção do ruivo. - Iriam reconhecer minha letra e quantidade de acertos na lição. Se é pra copiar o dever tem de fazer bem feito também. - Piscou rapidamente, enquanto apoiava o cotovelo na mesa e pendia o corpo pra frente. - Mas ti precisa aprender. Posso te ensinar. - Propôs por fim.