ver todos aqueles formulários era apenas uma forma de diversão para o garoto Lee, que só queria passar o tempo, pois sabia exatamente em quais universidades aplicaria: as melhores do mundo, com certeza, já que quaisquer outras não lhe importavam de jeito algum. pegou a xícara com café americano que havia deixado próximo a sua poltrona e tomou longos goles enquanto ouvia os comentários do amigo; o observava com seus olhos puxados sobre a borda da cerâmica. por fim, afastou o objeto e umedeceu os lábios, sugando-os levemente e assim produzindo um estralo de quem não ficou convencido. porém, só não queria admitir que yuno estava certo. “então eles deveriam fazer formulários separados para cada uma das áreas ao invés de ficar fazendo a gente perder tempo.” devolveu a xícara para o lugar original. “eu bem que poderia viver na Dinamarca se ela tivesse alguma coisa de interessante. mas sabemos que não é o caso.” respirou fundo, achando desnecessário expressar o seu patriotismo em voz alta. “agora Alemanha… berlim sim seria uma ótima opção.” comentou com casualidade enquanto percorria o formulário seguinte com os olhos.
daeshim ouvia o falatório do outro sem sequer olhá-lo; aos seus ouvidos yuno estava sendo apenas reclamão. “já falei e vou falar outra vez, yuno.” oh céus, como ele odiava repetir a si mesmo! “não é só porque eles são seus pais que eles vão comandar a sua vida. ela é sua vida afinal de contas. você pode e deve respeitar a opinião deles, mas não significa necessariamente que deva segui-la.” abaixou a folha de inscrição, já entediado da universidade de berlim, e jogou o corpo contra o encosto da poltrona; finalmente erguendo o olhar para o amigo. “pegue eu como exemplo…” deu de ombros, repuxando os lábios para baixo numa expressão de que não era uma ideia ruim aquela que apresentava; afinal, ele era mesmo um exemplo a ser seguido. sensacional como era. “meus pais querem que eu curse administração para voltar preparado e comandar os negócios da família. e é exatamente isso que vou fazer.” respirou fundo, como se tivesse encerrado assunto; não queria revelar muito mais dos próprios planos, mas yuno parecia precisar de um guia. resolveu continuar: “a questão: é isso mesmo o que eu quero? ora, é claro que não! mas vou fazer para dar uma amansada nos velhos. e enquanto isso vou estudar maketing e política também.” ergueu as sobrancelhas para o amigo, na espera de que ele tivesse entendido direito o precioso conselho que acabara de receber do brilhante daeshim lee. contudo, só para garantir, resolveu resumir as coisas com mais clareza: “ então o que eu quero dizer é: ou você faz o que seus pais querem que você faça ou finge fazer, só que na verdade faz o que você quer. entendeu? nós só temos uma vida, cara! e não vamos poder jogar a culpa em ninguém por não termos vivido no jeito que queríamos.” wow, isso foi surreal! pensou, orgulhoso de si mesmo. “afinal de contas, o que é mesmo que você quer fazer da vida?”
A forma que o amigo lhe ouvia sentado na poltrona bebendo café sem manter um contato visual lhe lembrava muito de quando tentava abrir diálogo com seu pai sobre as coisas que realmente lhe interessavam, fora assim desde que se lembra e ver o amigo naquela mesma posição o fez se retrair sem que notasse. A semelhança se estendeu para as coisas que dizia, todo aquele papo de faculdade de administração lotava sua cabeça com tamanha frequência que não podia acreditar que estava mesmo tendo aquela conversa com Daeshim e não seu pai.
Entretanto, a forma que o garoto direcionou aquela conversa lhe surpreendeu, esperou por algum motivo tomar uma bronca sobre como deveria seguir o que seus pais lhe diziam exatamente, mas na verdade estava apenas lhe motivando a seguir o que preferisse, não sabia até que ponto Daeshim estava sendo realmente sincero ou apenas motivando o amigo a se rebelar contra seus pais de uma vez por todas, o que estava fora de cogitação por hora.
Queria poder falar com tanta segurança sobre seu futuro da forma que o amigo fazia, por mais que parecesse fácil decidir coisas tão triviais como o que cursar no ensino superior, para Yuno tudo era uma grande confusão. Quando o outro lhe questionou sobre o que gostaria de fazer da vida, parou para pensar por alguns segundos colocando até a mão no queixo para pensar, de forma caricata como Daeshim fazia. Olhou para os papéis espalhados pelas mesas e pelo chão para talvez ter alguma ideia, foi quando percebeu que não fazia ideia, assim como as informações ali escritas pareciam embaralhadas, os pensamentos do jovem Yuno não eram muito diferentes. O silêncio se fizera presente de tal maneira que o amigo com certeza ja poderia deduzir do que se tratava, Yuno estava completamente perdido.
— Eu não faço ideia do que eu quero fazer, nunca parei para pensar nisso... — Confessou com medo de que mais pessoas além do amigo pudessem ouvir aquela vergonha, odiava admitir a falta de personalidade que lhe habitava. — Talvez esse seja o motivo pelo qual não consigo me impor contra o que meus pais decidiram por mim.