Quase um mês depois e lá estava Ash de volta ao que por muito tempo tinha sido seu habitat natural: The Void em noite de festa. O tempo em que a boate ficou parada foi estranho. Passou dias inquieta, sentindo falta do movimento e de tudo que ele trazia consigo. Mas agora que havia finalmente chegado o momento aquele vazio esquisito continuava em seu peito. A animação que sentira durante a preparação do evento se esgotara depois das primeiras horas e antes que pudesse perceber já estava funcionando no piloto automático. Sabia exatamente o que fazer, com quem falar, os cuidados que deveria tomar, tudo isso. Eram anos de experiência em uma tarefa que, no final das contas, não era tão complicada assim.
Ash costumava rodar o salão. Gostava da ideia de ser procurada. Contudo, recentemente, se tinha um lugar que era mais fácil encontrá-la, era com certeza uma mesinha no canto esquerdo do lugar, mais especificamente no ponto mais longe da caixa de som. A música mesmo ali ainda era bastante alta, mas pelo menos poupava um pouco seus ouvidos do inevitável apito que ouviria ao sair da boate. Sentou por uns instantes, atendeu alguns clientes, observou a festa e se pegou pensando. “O quão patético seria eu jogasse paciência agora?”. Sem ter ainda uma resposta definitiva, pegou as cartas que sempre carregava e começou a embaralhar. No mínimo, era uma forma de ocupar as mãos. “Jesus! No que eu me tornei?” Pensava, lembrando dos tempos em que mesmo a trabalho não saia da pista de dança. De repente, sem tirar os olhos do baralho percebeu que não estava mais sozinha. “Você quer alguma coisa ou veio aqui só apreciar minha beleza?”












