kitmallory:
Podia estar em casa. Podia estar aproveitando um bar vazio. Podia estar fazendo tantas coisas, mas Kit acabou sendo convencido a, depois de anos, voltar ao Festival das Cores. Hideaki falara tanto sobre que acabou concordando só para fazê-la ficar calada. Debaixo do sol, ele suava desconfortável com a multidão. Pior ainda foi o tempo em que ela o deixou sozinho com a desculpa de buscar sorvete. Sinceramente não esperava que ela de fato voltasse com as casquinhas, imprevisível do jeito que era com certeza desviaria no meio do caminho. Olhava as horas constantemente. Quando a amiga saiu, disse que se demorasse muito ele desistiria e iria embora. Era exatamente isso que checava quando, para sua surpresa, ela apareceu com os sorvetes na mão. Aliviado por não estar mais sozinho, acenou com a cabeça em agradecimento. Ainda assim, claro que não era só isso que trazia de novo consigo. “Uh… você… Esquece, não acho que eu queira saber.” disse um tanto suspeito com a qualidade dos brindes da pescaria. “Essa é a minha cara, Hideaki. Não tem muito que eu possa fazer a respeito.”
“Eu gosto da sua cara, apesar de tudo. Eu só queria vê-la alegre mais vezes, acho que isso pode acontecer depois que você terminar seu sorvete.” Manteve o sorriso por mais alguns instantes antes de se voltar para sua própria casquinha, retirando o óculos para pendurá-lo na gola do vestido que usava por debaixo daquele casaco telado. “Apesar que você está sempre tão cinzento... Hoje não podia ser diferente, né?” Brincou, referindo-se às roupas que o maior usava. “Qual é, Kit. É o festival das cores.” Resmungou, finalmente largando-se ao lado dele, pegando mais um pouco de seu sorvete. “Mas e aí? O que você quer fazer agora?” Perguntou, voltando a olhá-lo. “Quer comer mais alguma coisa, ir nas barraquinhas de novo...?” A frase ficou em aberto até que teve uma ideia melhor. “Ou, hm, poderíamos ir até o seu bar. Lá está mais parado hoje, não está? Eu não me importaria de trocar cachorros quentes por alguns mojitos ou mimosas.” Confessou, encolhendo os ombros. “Eu sei que você me prefere mais do outro lado do balcão do que do seu lado te arrastando de um canto pro outro.” Desta vez, um sorriso meio sem graça, enquanto ela baixava os olhos. Hideaki tinha plena consciência de que poderia incomodar pessoas sem nem perceber isso -- fosse pelo seu jeito meio esquisito na maior parte das vezes ou porque era agitada demais para algumas coisas. “Então é sério. Podemos ir para lá e depois eu vou para casa.”














