se vocĂȘ me olhar rĂĄpido demais nĂŁo vai conseguir ver, nĂŁo vai conseguir me entender.
sou poesia, não como um soneto, poesia sem métrica, verso livre e solto, mas ainda sim poesia.
sem sentido, pra quem nĂŁo me sente.
se vocĂȘ me olhar com mais c(alma) vai descobrir que sou apaixonada pela obra a noite estrelada de Van Gohg, meu pintor favorito.
ela me lembra o meu primeiro amor.
que sonho em me casar ao som de uma linda valsa irlĂąndesa apesar de jurar que acho casamento tradicional demasiadamente antiquado.
que sou apaixonada pela cultura dos paĂses nĂłrdicos e que eu escuto mĂșsica viking enquanto rodopio pela sala.
que eu escrevo poesias e que as vezes elas ficam inacabadas porque eu simplismente nĂŁo sei como expressar meus absurdos.
que falar de história faz meus olhos brilharem e que eu faço as pessoas terem sono falando sobre literatura.
que apesar de amar Drummond os meus poetas favoritos sĂŁo italianos e que eu tenho uma caderno de pĂĄginas amareladas onde eu colo gravuras sobre todos os paĂses que eu sonho em conhecer.
se vocĂȘ me olhar de perto vai descobrir que eu amo astronomia e astrologia e que apesar de ser regida por Saturno me apaixono com facilidade pela desordem.
vai descobrir que eu sei apontar as constelaçÔes e que eu cheiro os meus livros enquanto os leio.
vocĂȘ vai ver que eu costumo sorrir pra nĂŁo preocupar as pessoas que eu amo e que a minha voz muda quando eu falo de amor.
vocĂȘ vai notar que eu nĂŁo sei tocar, que a maioria das mĂșsicas clĂĄssicas me dĂŁo sono, mas que ainda sim eu sei contar a histĂłria de Beethoven com tanta paixĂŁo quanto qualquer musicista.
tu vais me ver dizendo pras pessoas aquele clichĂȘ de as borboletas nĂŁo podem admirar a beleza das prĂłprias asas porque eu nunca consigo dar conselhos sem soar meio poĂ©tica.
vais me ver recitar CecĂlia e criticar as tragĂ©dias de Shakaspere com despeito como se eu tivesse muito mais do que o direito de o fazer.
vais rir porque em algum momento tu vais perceber que eu sou péssima com rimas, que os meus poemas não as tem e que mesmo assim sendo seguem mais apaixonados do que se as tivessem.
se vocĂȘ me olhar com c(alma) vai descobrir o que me faz Ășnica, vai descobrir o que eu tenho por trĂĄs do meus olhos castanhos focados e que faço questĂŁo de esconder.
mas se nĂŁo olhar tudo bem.
eu aprendi a perdoar as pessoas que passaram por mim e foram rĂspidas demais, porque no final das contas aprendi a olhar pra dentro de mim mesma e achar o meu universo incrĂvel.
aprendi a lamentar com pesar por quem me olhou sem me enxergar porque eu conquistei a certeza de que eu tenho muito a oferecer, azar de quem se contenta apenas com o exterior.
assim como eu aprendi a cuidar de todos os que viram a minha alma e ainda sim decidiram ficar pra depois do café.