Você me fez juras de amor e promessas que dizia serem eternas. Você me trouxe ao topo, fazendo-me acreditar no amor verdadeiro e também me trouxe uma falsa felicidade, algo superficial.
Foram tantos cenários criados, personagens e uma atuação premiada, foram roteiros, histórias. Fomos protagonistas de espetáculos esplêndidos e invejáveis, dignos das maiores premiações, mas o único prêmio que cultivamos foi o da desilusão tardia.
Fomos dois atores, cujo os personagens eram apaixonados, uma paixão imensa, recíproca, algo que vinha de outras vidas, mas que no fim não veio nessa. Dizíamos que nossas almas se combinavam, que nossas energias se atraíam como o positivo e o negativo dos pólos de um imã. Dos casais de cinema, éramos os maiores, mas como todos os filmes e sagas, um dia chegam ao fim, e os créditos, nesse filme não apareceram.
Logo as luzes do cinema se acendem, o telão se fecha, e as cadeiras esvaziam, ficando a solidão. Todas as cadeiras desocupadas, pois após o fim, não há mais histórias, não há roteiro a ser folheado, nem cenas pós-créditos, somente o escuro do telão, abrindo espaço na sala para o próximo filme. E nesse próximo filme, você não quis o papel de protagonista novamente, foi buscar outros roteiros, contextos, outros aplausos, outros gêneros pois talvez Drama não era o seu estilo de filme.
Talvez você buscasse mais aventura, mais comédias romanticas com finais felizes e momentos clichês, excluindo os dramas e vivências reais. E eu, eu ficarei aqui, esperando a formação do próximo elenco na dramaturgia da vida real enquanto aguardo o fim do meu contrato interminável que me prende a ser ator, privando-me de histórias reais.
Hoje o projetor não irá ligar.