Diálogo. (Um triste monólogo)
- Por que você precisa que eu te fale o porquê eu te machuquei pra conseguir?
- Acho que isso já é uma resposta.
- Porquê nunca me deu uma resposta completa?
- Por que eu precisaria? Você sempre tentou ver o porquê eu errava tanto. mesmo que eu pensasse completamente diferente de você.
- É... você me fazia querer morrer.
- Seu erro foi pensar por mim, e deixar de ter pensado por você. E você nunca deixou de fazer isso.
- Nunca consegui falar com você.
- Não acho que um dia você tenha tentado. mesmo quando havia tempo.
- Algumas coisas têm limites, Thalia. Você não pode depender de algo que eu diga pra conseguir se curar, sua cura não depende de mim, não posso te curar.
- E por que sempre pôde me ferir?
- Acho engraçado o quanto você depende de mim pra se curar... mas nunca tentou impedir que eu te machucasse. Quer dizer, por que você não ligava pra mim enquanto eu abria suas feridas, mas precisa tanto de mim pra fechá-las? Não vê que não tem sentido?
- Pensei que estaria comigo quando precisasse me achar de novo.
- Como faria isso? Se fui eu que fiz você se perder?
- Sempre te enxerguei como luz.
- Por isso você foi parar na escuridão. Você se apagou por mim, pensava que eu poderia iluminar por nós dois pra sempre. Nem você lembra como é a claridade. Nessa sala podem haver mil interruptores, mas nem assim você acha que é capaz. Insiste na ideia que eu preciso ligá-los pra você.
- Então tudo que você prometeu pra mim era mentira?
- Nunca prometi ficar pra sempre.
- Você também dizia não ir embora..
- Por que se apega à tudo isso? não vê como você mesma se machuca?
- Eu ainda tenho esperança que venha explicar por que machucou.
- Sei que você não é tola ao ponto de pensar que eu faria isso...
- (...) E te desse um manual do porquê, ou como.
- Confiei em você com meus olhos fechados.
- Não vê como dói em mim?
- Não, Thalia. Você sabe que não. Nunca me disse como se sentia de verdade, sempre ocultou e mentiu pra satisfazer algo dentro de mim e eu nunca pude enxergar. Como eu poderia enxergar agora? Por quê faria isso?
- E nunca falou sobre isso comigo?
- Nunca me deixou ter uma oportunidade.
- Você continua querendo raciocinar por mim? Você enxerga mesmo sentido?
- Então por quê ACHA que precisa tanto de mim?
- Te perder doeu de verdade.
- E faz sentido querer algo que dói perto de você só pra poder se reerguer?
- Acho que eu nem conseguiria.
- Você só sente uma necessidade egoísta de que eu cumpra com algo que você estabeleceu sobre mim, que eu não cumpri, e ainda sim precisa que eu cumpra, mesmo sem saber se é preciso, só pra provar pra si mesma que estava certa quando colocou a mão no fogo por mim.
- Pensei que você valesse a pena.
- Você sabe que nunca iria valer.
- E por que nunca me disse isso?
- Pra quê? Você só se importava com as histórias incríveis que existiam na sua cabeça.
- Você sabia que nada disso era real... não foi sincero comigo.
- Adiantaria de algo? Eu estava confortável. Não importa o que eu fizesse. você sempre estava lá pra mim.
- Porque eu eu me importava;
- Comigo? ou em manter a sua fantástica história romântica?
- Aparentemente você também não me entendia. Contornar o problema não faz ele desaparecer. Você entende isso mais do que ninguém: Seu problema sumiu?
- Por um tempo achava que sim.
- Porque você deu volta, de novo, em seus anseios.
- Algumas coisas são difíceis de aprender.
- E eu não posso te ensiná-las.
- (...) Você acha que eu volto?
- Parece. Você não precisa disso.
- Queria que se desculpasse, me dissesse de verdade sobre o que aconteceu.
- Faz tempo, não vejo mais as mesmas coisas, não faço as mesmas coisas, não ajo como antigamente, não falo mais, não sinto as mesmas coisas... Não posso retomar algo que já não sou mais pra te dar uma resposta.
- Achei que pudesse mudar.
O inacabado acaba com a gente.
- Sim. Independente da minha resposta espero que não fique esperando o dia em que eu milagrosamente te procurarei pra explicar atitudes que não são minha prioridade mais. Isso faz muito tempo, e tem coisas que se perdem ao longo do tempo. Você tem uma vida agora, e eu não faço parte, e nem farei. E nem te devo explicações, espero só que consiga construir o seu edifício sem precisar de mim pra ditar onde cada peça se encaixa. Você dá uma excelente Mestre de Obras.
Encaro o quarto vazio. Durmo.